ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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7 de maio de 2011

padres podres?

Devido à variedade de outros assuntos, diminuiu a onda de publicidade sobre a pedofilia, cujos protagonistas seriam (quase exclusivamente) os sacerdotes católicos. A minha intenção não é justificar os culpados (é Deus quem pode fazer isso), mas acrescentar, neste assunto, uma voz que parece ser sensata. Antes, gostaria de afirmar que os casos de pedofilia, ou de abuso sexual de menores em geral, acontecem em todos os ambientes, envolvendo todo tipo de profissão, nível intelectual e econômico, etc. Com certeza, não é algo que possamos atribuir, exclusivamente, ao clero católico. Mais uma vez, neste caso, a mídia mostra-se tendenciosa (parece que é um mal incurável).
Houve uma tempestade midiática, no ano passado, depois das declarações do Cardeal Tarcisio Bertone, o Secretário do Estado do Vaticano, sobre a relação entre casos de abusos sexuais por sacerdotes e a homossexualidade. Embora as suas palavras tenham sido claras (e documentadas), vários representantes da Igreja vieram em seu socorro, tentando amenizar a questão. O professor Massimo Introvigne, diretor do Centro de Estudos sobre as Novas Religiões, considera que o cardeal Tarcisio Bertone, foi vítima de uma agressão baseada na deformação de suas declarações e diz: No momento de uma coletiva de imprensa, que não é um encontro científico, o cardeal se limitou a fazer alusão a uma coisa óbvia, que todos os especialistas conhecem. Segundo o relatório de 2004 do John Jay College de Nova York, o maior estudo sobre o tema, nos Estados Unidos, 81% das acusações de abusos de menores contra sacerdotes afetam meninos, e não meninas (leia a entrevista aqui). Por sua vez, o professor Tonino Cantelmi, presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Pisiquiatras Católicos, afirma: A confusão feita ao comparar a pedofilia com a homossexualidade, creio eu, que parte disso diz respeito a vocês, jornalistas. O texto merece ser transcrito aqui (vou tirar apenas todos aqueles acréscimos chatos da redação, do tipo: "disse", "explicou", etc. Quem quser, leia a versão original aqui). Muitas vezes lemos: sacerdote acusado de pedofilia por ter abusado de um menino de 13 anos. Mas isso não é pedofilia! Certamente, o cardeal Bertone se referia à efebofilia, ou seja, à atração sexual por adolescentes, com idades entre 11 e 17 anos. E os abusos cometidos por membros do clero têm a ver principalmente com as crianças pós-púberes, e têm como protagonistas pessoas homossexuais. Por honestidade, devemos dizer que a pedofilia não tem nada a ver com a homossexualidade. A pedofilia é uma doença, uma perversão grave que não está ligada à orientação sexual. A causa da pedofilia não é o celibato. O que desencadeia a pedofilia é um transtorno da personalidade que na maioria das vezes é narcisista, maligno, ligado às pessoas muito manipuladoras, de perfil antissocial e sádico. Não há nenhuma prova que possa demonstrar que o celibato está na origem da pedofilia. O celibato não tem relação com isso. Tanto é que, dos 10.000 pedófilos ativos na Itália, a maior parte está formada por heterossexuais e por pessoas que têm família.
Repito aqui: o meu objetivo não é justificar os "padres podres", pois o voto de celibato consagra a sua sexualidade (seja homo-, ou hetro-) a Deus. Quero apenas dizer que, ao acusarmos os sacerdotes, devemos saber de que estamos falando.

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