ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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16 de janeiro de 2014

Só eu sei as esquinas...

Se compararmos a vida com uma caminhada, a esquina pode ser o sinônimo de uma virada, ou de um marco que fica gravado na história pessoal. É neste sentido que escuto a música de Djavan que inspirou o título desta postagem. Graças aos meus pais, eu sou desde criança, um homem apaixonado pelos livros, ou melhor, pelos escritos em geral. Alguns textos ficaram impregnados na minha alma, por terem causado as mais autênticas e profundas reviravoltas interiores. A minha juventude ficou marcada por alguns conjuntos de texto, digamos, paradoxais, pois misturaram suavemente, por exemplo, as reflexões filosófico-teológicas de Karol Wojtyla (João Paulo II) e a ficção infantil de Tove Jansson (sem saber naquela altura da homossexualidade dela). Os impactos existenciais que formaram a minha trajetória começam pelos textos, mas estendem-se, também, aos filmes, à música e as obras de arte. Em todo este universo de expressão humana, o que mais me fascina é o ato (ou o processo) de criar. Sou um homem apaixonado pelo mistério que envolve a concepção, a mais real gestação e, por fim, o nascimento das ideias que tomam forma, seja de um texto, de uma sinfonia, ou de um desenho. É algo que retratam, por exemplo, os filmes: “Amadeus” ou “O som do coração” (com o fantástico FreddieHighmore)

É incomparável a sensação de encontrar um texto, uma cena, uma pintura, enfim, uma obra que expresse, com a fascinante exatidão, aquilo que você está sentindo, mas nunca teve a capacidade de descrever. É com essa fascinação que transcrevo aqui, com a devida autorização, um dos textos de Matheus Gabry. É um jovem estudante de Design de Interiores, apaixonado por arquitetura, livros, fotos, músicas e tudo aquilo que o faz manter contato com sua própria alma (a a alma do universo). Os belíssimos textos de sua autoria estão vinculados às fotos no seu perfil do facebook. 

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Quando encontrei o amor

Sabe, tem um trecho de uma música que gosto muito:

“If God had a name what would it be?
And would you call it to his face?
If you were faced with Him in all His glory
What would you ask if you had just one question?”
– One of Us - Joan Osborne

A tradução dela é essa:

“Se Deus tivesse um nome, qual seria?

E como você o chamaria na sua frente?
Se você se encontrasse com Ele em toda sua glória
O que você perguntaria se tivesse apenas uma pergunta?”

Acho que tenho encontrado o amor, mas quando digo isso não digo em relação ao amor físico ou humano, acho que tenho encontrado um tipo único de amor desde que me permiti deixar ser amado. Quando penso em como poder ser o amor de Deus eu logo penso em algo que não posso definir e nem tampouco medir ou descrever, nem mil linhas seriam capazes de expressar o que possa ser esse Amor.

Quando eu era criança e já sabia que eu possuía entendimento sobre certas coisas e sabia que eu tinha uma diferença que ainda é muito mal vista hoje em dia, quando eu me maltratava com apenas 6 ou 7 anos perguntando para mim mesmo se Deus me amava mesmo eu sendo um menininho que gostava de outros meninos. Eu simplesmente achava que Deus nunca iria me olhar com bons olhos, que eu era muito diferente e mal por ser assim, e que eu causava vergonha em Deus.

O tempo foi passando e eu tive que lidar sozinho com essa minha “diferença”, durante a escola, ainda que não soubessem de mim e dessa minha diferença - talvez até soubessem, mas não perguntassem ou tocassem no assunto por medo de como eu iria reagir -. O fato é que desde essa fase de crescimento eu achei que tinha perdido a companhia Dele, eu achava que Ele me protegia e ainda se importava comigo porque eu era um fruto de sua criação, mas não porque eu trazia tanta alegria como um outro menino que gostasse de meninas trazia para Ele. E por muitas vezes eu me sentia com um único destino pelo qual a “sociedade” e a comunidade religiosa achava que seria o correto para mim: o inferno. E eu temia muito isso, eu temia muito com todas as minhas forças que esse fosse o meu destino intransmutável.

Foi quando então eu comecei a me tornar um pouco mais pensante e menos fanático por leis, dogmas ou “conceitos divinos” com os quais eu cresci aprendendo. Foi quando eu finalmente tive a coragem de pensar em Deus como um ser que poderia ser negro ao invés de branco e de barba branca grande, foi quando eu comecei a pensar em Deus como um ser que não tem definição de gênero, etnia ou classe social. Foi quando eu comecei a ver Deus como a formiga que está caminhando sobre os meus pés carregando uma folha pesada até o formigueiro, como o passarinho que faz o seu ninho, como a abelha que está a toda hora buscando pólen. Como a perfeita combinação de cores do pôr-do-sol. Quando eu finalmente tentei ver a grandeza de Deus no minimalismo de sua criação que percebi que Deus é um ser muito além do que meus olhos ou sentidos captam ou podem captar. Deus… uma entidade regida de luz e amor, um ser incapaz de renegar a sua criação, pelo contrário, doar uma parte sua em sacrifício humano para demonstrar para alguém tão desacreditado como eu de que Ele me amava acima de tudo aquilo que eu fui, sou e ainda posso ser. Deus e essa mania de nos olhar como crianças indefesas que muitas das vezes fazem as coisas sem pensar, brincam e se machucam, ralam os joelhos, ferem o coração. E Ele?! Bem, Ele sempre foi o papai protetor que esteve por perto observando cada movimento meu e me levantando de todos os tombos e tropeços da vida, sempre me acalmando e me prometendo que independente de qualquer coisa Ele me amou, me ama e me amará para todo o sempre.

Posso não ser um portador de uma necessidade especial, posso não ter um tumor ou outra limitação física, posso não ser uma pessoa portadora de depressão ou qualquer outra doença da alma, mas eu fui por muito tempo uma pessoa que recusava o maior desejo de Deus para mim: ser livre para ser o que sou e se sentir amado. Hoje eu descobri o quanto importa para Ele que eu seja aquilo que meu coração pede, por mais que eu erre, por mais que eu fique na pior, por mais que eu esteja num balanço suspenso em que a qualquer momento eu possa cair, Ele nunca soltará minha mão e muito menos soltará a sua. Ele te ama, e isso te basta, ainda que você não entenda o quanto isso é grandioso, por mais que você ache que não tenha nada, você tem tudo desde que nasceu. Você tem vida, você tem o amor verdadeiro de Alguém especial e mesmo que você não queria ter esse amor, isso nunca irá mudar. Isso é o mais perfeito. Você tem amor. - Matheus Gabry


13 de novembro de 2013

Postagem interativa

No estilo soft (ou light, quem quiser), afinal estou de férias, proponho hoje uma imagem sem comentários, mas para ser comentada, se algum dos meus Ilustres Leitores, assim quiser. É de um humorista polonês Andrzej Mleczko (vejam a sua página no face). Eu apenas alterei o idioma do texto.
 
 

18 de outubro de 2013

Shawn Thomas

Shawn Thomas une em suas músicas o testemunho cristão e a própria identidade homossexual. Vale a pena conhecer melhor e apreciar a sua arte.

I see the Christ in you.
I know that there is truth.
And deep inside your heart
resides a grace that's shining through.
I see the Christ in you,
in everything you do.
And when the world yells, 'Crucify!'
that part of you will rise...
and they will see the Christ in you."
 
Eu vejo o Cristo em você.
Não sei qual é a sua verdade.
Mas no fundo do seu coração
reside a graça que está brilhando.
Eu vejo o Cristo em você,
e em tudo que você faz.
E quando o mundo grita: "Crucifica-o!"
essa parte de você vai aparecer...
e eles vão ver o Cristo em você.
 
 

27 de setembro de 2013

Impressionismo cinematográfico

Procurei uma palavra que retratasse a minha impressão, depois de assistir o filme coreano "Hello my love" e me veio à mente, justamente, o impressionismo. O termo, obviamente, pertence ao mundo da arte de pintura (é um movimento artístico surgido na França no século XIX que criou uma nova visão conceitual da natureza utilizando pinceladas soltas dando ênfase na luz e no movimento - leia mais aqui). As cores frequentemente são empregadas puras na tela, em pinceladas desassociadas. Os impressionistas retratam em suas telas os reflexos e efeitos que a luz do sol produz nas cores da natureza. A fonte das cores está nos raios do sol. Uma mudança no ângulo destes raios implica na alteração de cores e tons. É comum um mesmo motivo ser retratado diversas vezes no mesmo local, porém com as variações causadas pela mudanças nas horas do dia e nas estações ao longo do ano. O estilo artístico que hoje fascina tanta gente, nem sempre foi acolhido com tanto entusiasmo. As maiores críticas recebeu logo no início. O pintor e crítico de Arte, Louis Leroy disse: “Selvagens obstinados, não querem por preguiça ou incapacidade terminar seus quadros. Contentam-se com uns borrões que representam suas impressões. Que farsantes! Impressionistas!”
 
Eu sei que o filme em questão pode despertar diversas emoções e muitos podem, simplesmente, não compartilhar o meu entusiasmo. Afinal, estamos diante de uma cultura oriental, tão distante da nossa. O tema principal gira em torno da homoafetividade, mas, o que posso dizer é que - como um soldado que põe tudo que tem dentro de um saco - o diretor, junto com toda a equipe do filme (que está longe de ser um saco) conseguiu, dentro de um pouco mais de 90 minutos, misturar - sem confundir - tanta coisa: amor e ódio, absurdo e mais pura lógica, fidelidade e traição, comédia e tragédia, covardia e coragem, religião, superstições e homofobia, sensualidade que não escandaliza, belíssimas paisagens e música, profundo mergulho na antiquíssima tradição oriental com o toque da moderna cultura ocidental, canalhice e nobreza, muita, muita chuva e realmente muita bebida, lágrimas e gargalhadas, homo- e hetroafetividade, família e amizade, sangue e morte, violência e ternura... e milhares de outras coisas. Vale acrescentar que o filme envolve, a ponto de você rir, chorar, xingar e torcer pelo final feliz. E tem mais: o elemento-surpresa, até o último minuto da história. E tudo isso protagonizado pelos lindos atores e atrizes!
 
É um filme a ser saboreado, como (e com) um bom vinho (que faz parte integral da trama). Recomendo especialmente aos casais (inclusive heterossexuais).
 
 

Causar


 
De uns tempos pra cá observo o surgimento de novas expressões linguísticas, principalmente entre os jovens e no ambiente das redes sociais. Eu sei que o fenômeno em si é tão antigo quanto a própria humanidade e os idiomas continuam evoluindo, sendo esse o sinal de sua vitalidade. Pois é... Um dos termos que conseguiu se instalar fora das conversas na net, é "causar" (recentemente ouvi isso da boca de uma funcionária - não tão jovem assim - no supermercado). Antigamente as pessoas causavam escândalos, revoluções, comoção, comentários, etc. Hoje em dia, estão apenas... causando. Pode ser até boa essa falta de um substantivo, após o verbo, pois deixa a avaliação da coisa por conta do espectador. Por outro lado, se o "causar" for o único objetivo, eu fico na dúvida em relação aos motivos desse tipo de ação. Como naquele antigo ditado "mal ou bem, mas falem de mim". Enfim, os fenômenos surgem e desaparecem e, talvez, a sobrevivência do "causar" esteja, justamente no... causar.
 
No último dia 25, o artista e fotógrafo espanhol, residente na Itália, Gonzalo Orquín, "causou", exibindo em uma galeria de Roma, 16 fotografias de casais homossexuais, tiradas no interior das igrejas da cidade, sugerindo aquele momento da cerimônia de casamento em que o padre diz: "agora pode beijar a noiva" (veja aqui e aqui).
 
 
De acordo com a mídia internacional (aqui, em inglês), o Vaticano "causou", logo em seguida: "Chegou uma carta do Vicariato de Roma, informando que a Igreja se posiciona contra a exposição. Conversei com os advogados e por razões de segurança decidimos não mostrar as fotos" - disse Orquín à imprensa. O porta-voz do Vicariato de Roma, Claudio Tanturri, disse que as fotos violam a Constituição italiana. "A Constituição italiana garante o respeito pelos sentimentos religiosos das pessoas e o papel dos lugares de culto. Portanto, as fotos não são adequados e não se conformam com a espiritualidade do lugar, ofendem um lugar para a expressão da fé ". O Vicariato de Roma confirmou o envio da carta e ameaçou tomar medidas legais, caso as fotos (que "poderiam ferir os sentimentos religiosos dos fiéis") não fossem retiradas. Gonzalo Orquin disse que todas as dezesseis fotos da exposição foram tiradas em igrejas da cidade, com as pessoas, tanto gays e heterossexuais que se ofereceram para aparecer nas imagens.

Anteriormente - na ocasião do "beijaço para Bento XVI" em Barcelona (2010) - escrevi aqui sobre a minha opinião (negativa) a respeito de certas formas de manifestações que, a princípio, seriam realizadas em prol da visibilidade e dos direitos de pessoas homossexuais. Houve, depois, o "beijaço para o Papa Francisco", aqui no Rio, durante a JMJ. Mais tarde "explodiu a bomba" com o beijo de duas mulheres, durante um culto evangélico, presidido pelo pastor (e deputado federal) Marco Feliciano.
 
Confesso que hoje a minha opinião já não é mais tão negativa. Acho interessante o fato de que a arma do protesto tenha sido o beijo, ou seja, algo totalmente oposto à violência . Podemos começar a discutir aqui sobre essa expressão de carinho e intimidade que o citado pastor tenha definido como "ato de vilipendiação ou de baderna" e o Vicariato de Roma, como algo que viola a Constituição do país, ofende um lugar para a expressão da fé e pode ferir os sentimentos religiosos dos fiéis. Aos mais ofendidos em seus sentimentos religiosos fundamentalistas que quiserem logo trazer a comparação com o beijo de Judas ("Judas, com um beijo trais o Filho do Homem" Lc 22, 48), quero citar outra frase de Jesus (de sua conversa com o fariseu Simão): "Tu não me deste o beijo de saudação; ela, porém, desde que entrei, não parou de beijar meus pés. (...) Por esta razão, eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor." (Lc 7, 45. 47).  Antes, vendo isso, o fariseu que o havia convidado ficou pensando: “Se este homem fosse um profeta, saberia que tipo de mulher está tocando nele, pois é uma pecadora” (Lc 7, 39-40). A mulher "causou" - o fariseu ficou escandalizado, Jesus, por sua vez, comovido e admirado.
 
A conclusão, portanto, pode ser essa: o "causar" pode ser uma ótima ocasião para avaliarmos os nossos pontos de vista. Certamente é isso que os "causadores" têm em mente, ao tomarem as suas atitudes. Afinal, o maior "causador" na história é o próprio Jesus...

19 de setembro de 2013

Quanto valem cinco minutos?



"Ah, depende" - vai dizer qualquer um e eu também diria. E os 5 minutos diferentes, surpreendentes e cheios de graça? Estes, sim! Têm o poder de transformar um dia chato em uma data inesquecível. Ainda que a grande parte daquela experiência se desenvolva, apenas, na imaginação da gente, os 5 minutos em questão, permanecem mais reais do que o resto da vida e da história. Sem dúvida, trata-se de um efeito extraordinário, capaz de alcançar aqueles "sensores de emoção", muito pessoais e incomparáveis. É a prerrogativa de cada ser humano - dizer: "eu sou assim". E é por isso que um evento qualquer torna-se para alguém o início de uma vida nova, o "divisor de águas", enquanto todo o resto da humanidade passa por aquele momento sem notar coisa alguma...
 
Eu sou assim: preciso de um ambiente pequeno e aconchegante, com a música (com preferência, apenas instrumental) e com algumas pessoas (com preferência, poucas e, necessariamente, simpáticas e... bonitas). É, justamente por isso (e por alguns outros motivos) eu não vou ao Rock in Rio... Quanto ao ambiente, acredite quem quiser, pode ser, até, um vagão do metrô que, apesar da hora do rush, está quase vazio, porque vai na direção oposta da multidão. Tipo, a linha 1 (Saens Peña - Cantagalo), por volta das 20 h.
 
O início, como em cada aventura, é inesperado e as aparências enganam. Pela plataforma correm alguns atrasados, mas correm bem, sem se incomodar com os objetos que carregam. Afinal, são jovens. Como uns garotos em mais uma travessura, sorrindo, colocam mochilas e algumas outras coisas no meio do vagão e, depois de um pedido de licença e de desculpas, começa o show. Os três rapazes são músicos. Tocam alguns trechos da mais ampla MP(B). A maestria chama atenção, mas só ela não completaria o espetáculo. O sorriso está perfeitamente sintonizado com a música, faz parte integral desta arte. Os músicos e, depois, algumas pessoas no vagão, deixam se levar pela melodia e agora os corpos retratam o ritmo. Parece que até o trem batuca junto.
 
Mais uns sorrisos, um "obrigado", o pandeiro, como uma sacolinha, recolhe as moedinhas e algumas amassadas notas azuis. Porta se abre - porta se fecha. O momento - em si - acabou, mas você foi transportado para uma dimensão indescritível. A vida ganhou o novo sentido. Se for possível, eu me casaria com o banjoísta (o músico que toca banjo e o dono de um lindo sorriso).
 
Agora vamos às pesquisas...
 
Basta digitar, em "busca" do YouTube, algo do tipo "música metrô rio" e logo você se depara com a imagem e o som bem familiares. É possível notar que a formação não é, exatamente, fixa, mas possui um nome e uma história. É o grupo chamado "Mambembes" (entre os significados, fornecidos pelos dicionários, está o de um grupo de artistas de rua). Mambembes têm a sua página no facebook e por ali consegui identificar a formação que encontrei na noite de terça-feira passada.
 
O grupo assim se descreve: Mambembes é o encontro de artistas com o intuito de realizar intervenções urbanas e onde quer que seja. Realiza intervenções pela cidade, isto é, a proposta, primeiramente, é atuar como músicos de rua. Mas somos, acima de tudo, músicos. O repertório abarca diversos estilos, mas os mais presentes fazem parte da música brasileira, principalmente a regional.

A página no facebook traz, também, a lista dos músicos:
Felipe Lemos - Pandeiro
Mário Laignier - Violino
Yuri Rodrigues - Banjo
 
Tive a honra de ver e ouvir o Felipe (o do pandeiro) e o Yuri (músico freelancer, compositor, arranjador, intérprete, professor particular... sim, é este com quem me casaria HAHAHA, falando mais sério: ele também tem uma página no facebook). Nessa ocasião o violonista, Mário, (provavelmente) tinha sido substituído por um outro músico que tocava uma escaleta (o instrumento de sopro com o teclado), parecido com o Jamiliano, mas não tenho certeza...
 
 

 

31 de agosto de 2011

via da beleza

Em sua tradicional catequese, nesta quarta-feira, o Papa Bento XVI falou sobre um desses canais que podem nos conduzir a Deus e ser também auxílio para o encontro com Ele: a "via da beleza". (Leia aqui o texto na íntegra).

Talvez já tenhais experimentado algumas vezes diante de uma escultura, de um quadro, de alguns versos de uma poesia, ou de um trecho musical, o provar de uma íntima emoção, um sentimento de alegria, de perceber, isto é, claramente que, em frente a vós, não há somente matéria, um pedaço de mármore ou de bronze, uma tela pintada, um conjunto de letras ou um cúmulo de sons, mas sim qualquer coisa de maior, algo que "fala", capaz de tocar o coração, de comunicar uma mensagem, de elevar a alma. Uma obra de arte é fruto da capacidade criativa do ser humano, que se interroga diante da realidade visível, busca descobrir o seu sentido profundo e comunicá-lo através da linguagem das formas, das cores, dos sons. A arte é capaz de expressar e tornar visível a necessidade do homem de ir além do que se vê, manifesta a sede e a busca pelo infinito. Na verdade, é como uma porta aberta para o infinito, para uma beleza e uma verdade que vão para além do cotidiano. E uma obra de arte pode abrir os olhos da mente e do coração, direcionando-os para o alto.

Pois bem, os gostos não se discute e os padrões de beleza não obedecem aos critérios de quem quer que seja. Concordo, porém, com o Papa. A beleza leva a Deus...

12 de janeiro de 2011

entre arte e pornografia

Recomendo uma excelente matéria no site obvious - "Caminhos cruzados: a arte, a nudez e a pornografia", de Rejane Borges. O site inteiro, aliás, merece ser conhecido e visitado. Para despertar um pouco de curiosidade, transcrevo um pequeno trecho do texto: O corpo humano causa fascínio e é exaltado como algo naturalmente belo. Como instinto, a nudez sempre foi e será o meio pelo qual o homem busca uma conexão com o seu próprio ser e com a criação. (...) Desde os primórdios dos tempos a nudez pertence à arte, estando presente nos ateliês de artistas clássicos e contemporâneos, assim como está presente em todas as outras vertentes artísticas. O corpo humano é visto como uma obra de arte. E como tal é contemplado. Afinal, é uma notável composição de músculos, uma máquina que reage e funciona à base de emoções. Que sangra, que expressa. Que causa prazer para quem sente e vê, de uma desconcertante (im)perfeição.

8 de dezembro de 2010

Maria - nossa Mãe


Hoje (8 de dezembro), no dia da Imaculada Conceição de Maria Santíssima, trago a imagem de "Nossa Senhora dos gays". O autor, Raffaele Ciotola, artista italiano (também músico, cantor de ópera e ator) nascido em 1964 (Nápolis), assim explica a sua obra:

Escolhi Maria como símbolo de um imenso amor, o único capaz de aceitar, proteger e apoiar cada indivíduo singularmente, sem reservas ou distinções. Com apenas um gesto, Maria não só segura nos braços Jesus, mas, ao mesmo tempo, abraça toda a humanidade, representada pela esfera terrestre que tem nas mãos. Além disso, seu olhar afetuoso está dirigido não somente a Jesus, mas, também, àqueles filhos que vivem a condição homossexual, aqui representados pelos símbolos homossexuais masculino e feminino, que o próprio Jesus lhe apresenta. Para reforçar a ligação entre Maria e seus filhos homossexuais, propus os mesmos símbolos no brasão que está em cima dela, acompanhado pelas cores da bandeira gay e dois pares de buquês de flores. Essas flores querem comunicar uma mensagem especial de duplo valor: por um lado podem indicar a felicidade da união homossexual, por outro querem lembrar a morte de todos os homossexuais, injusta e tragicamente desaparecidos. Refiro-me a todas as mortes historicamente documentadas que, porém, permaneceram esquecidas por demasiado tempo; mortes ocorridas, de modo particular, durante o nazismo e causadas pela discriminação, pelo medo em relação às diferenças de gênero e pelo desconhecimento do fato que o "homossexualismo" é uma condição, e não uma escolha. Por um tempo excessivamente longo a sociedade ignorou o que fossem os "triângulos rosas", e parece que o esqueceu a própria comunidade gay. Com esta obra quero despertar a lembrança dos sofrimentos e sensibilizar a consciência de todos para a possibilidade de confiar esta lembrança à protagonista da minha pintura".
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Mais informações

6 de novembro de 2010

Deus viu que era bom... e belo

Adorar o Criador consiste, também, em contemplar a beleza de suas obras. Proponho, nesta madrugada de domingo, o dia do Senhor, este exercício de contemplação. Sem ironia, com toda sinceridade, repito aqui as palavras do Salmo 139(138), 13-14:
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Foste Tu que criaste minhas entranhas
e me teceste no seio de minha mãe.
Eu Te louvo porque me fizeste maravilhoso;
são admiráveis as Tuas obras;
Tu me conheces por inteiro.
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Lembrei deste Salmo e louvei o Senhor, admirando a beleza masculina, documentada em centenas de fotografias, exibidas pelo portal DeviantArt, pelo Andrei ("*vishstudio") - endereço AQUI. O portal todo merece atenção. É ótimo. Espetacular! "
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(Espero que o fato de citar a fonte e fazer a referência ao autor/proprietário das obras, fica resolvida a questão dos direitos autorais. Caso não fique resolvida, alguém me informe, por favor!)
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Como incentivo trago aqui duas fotografias que, aliás, podem perfeitamente servir como o "pano de fundo" na tela (no ecrã) de seu computador. Tomei a liberdade de "inverter horizontalmente" a segunda foto. Pareceu-me melhor, para encaixá-la na tela.

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18 de outubro de 2010

My lonesome cowboy

A escultura baseada num trabalho em quadrinhos foi vendida por 15 milhões de dólares, pela famosa casa de leilões Sotheby´s. A obra representativa da ejaculação triunfante numa versão satírica, que foi avaliada em 4 milhões de dólares, acabou alcançando no leilão quase 4 vezes o seu valor. "My Lonesome Cowboy" (Meu solitário cowboy), é do artista japonês Takashi Murakami, o guru do movimento estético Superflat – que tem íntima relação com o universo dos animes e dos mangás.

Notícia de setembro deste ano: Pop japonês de Takashi Murakami toma salas do Palácio de Versalhes. Inspiradas em mangás e animês, obras do artista ficam expostas até dezembro.

Mesmo antes de abrir no Palácio de Versalhes, a mostra individual do artista japonês Takashi Murakami causou polêmica na França, repetindo o episódio de protestos contra a exposição do norte-americano Jeff Koons na antiga residência do rei Luís 14 há dois anos.

Manifestantes citaram como problemas
o caráter sexualmente explícito de algumas obras do artista, como "My Lonesome Cowboy", que mostra uma figura masculina ejaculando, e "Hiropon", uma figura feminina com um jato de leite saindo dos peitos, embora os trabalhos não estejam na lista de obras da mostra.

Dois abaixo-assinados circularam contra a exposição, um intitulado "Versailles Mon Amour" (Versalhes meu amor) e outro "Non aux Mangas: Contre les Expositions Dégradantes au Château de Versailles" (não aos mangás: contra exposições degradantes no Palácio de Versalhes). Segundo o presidente do castelo público, Jean-Jacques Aillagon, fundamentalistas de extrema direita e grupos conservadores querem transformar Versalhes num "relicário de nostalgia pela França do antigo regime, ou uma França ensimesmada e hostil à modernidade".