ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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19 de fevereiro de 2014

A pedagogia televisiva


A telenovela, enquanto um dos gêneros da arte cinematográfica, tem recebido muito mais críticas do que elogios. Basta lembrar as discussões, ou melhor, verdadeiras batalhas verbais (com o direito a xingamentos e anátemas em nome de Jesus), depois do último capítulo da obra, exibida recentemente pela TV Globo, "Amor à vida". Eu acredito, porém, que uma reflexão mais serena pode nos levar a outras conclusões, mais objetivas e, sobretudo, construtivas. Em primeiro lugar, vale a pena analisar um pouco o próprio estilo desse trabalho. É como a leitura de um livro, misturada com a peça teatral (ou, talvez, várias peças entrelaçadas). A própria dinâmica de capítulos faz com que o telespectador assimile sem pressa o conteúdo da obra. Não preciso dizer que é, justamente, essa dinâmica da telenovela que se torna o alvo de críticas daqueles que enxergam ali a "destruição da família cristã e dos mais nobres valores morais da sociedade". Lembro-me de um padre que, alguns anos atrás, dizia "Dessa vez eles acertaram com o título da novela: 'Suave veneno'! Toda novela é esse veneno que eles suavemente injetam na alma do nosso povo!"...

Volto à serenidade como o atributo necessário em cada conversa sensata e racional. Deixo de lado as "teorias de conspiração" de todo tipo (a "Nova Ordem Mundial" e até a "obra do maligno") que tanta gente consegue enxergar nas telenovelas. Tampouco pretendo, por outro lado, fazer aqui a ingênua apologia desse fenômeno. Apenas gostaria de apontar algumas questões. As estatísticas, bem como a simples observação pessoal do cotidiano, mostram que uma enorme parte da sociedade, de fato, acompanha as telenovelas, principalmente as da TV Globo. Podemos afirmar, com toda honestidade, que as histórias retratadas nessas tramas não se distanciam tanto da vida real, a não ser pelo acúmulo (necessário para os fins artísticos) de personagens, ou personalidades, fortes e situações encharcadas de emoções. O encontro da ficção com a realidade torna a telenovela, de um lado, mais próxima ao telespectador e por outro lado, mais suportável. Quem sabe, um dia alguém tenha a ideia de retratar apenas a vida real, sem um pingo de fantasia, tendo por exemplo, alguns capítulos dedicados a um dos personagens dentro do ônibus municipal, e ao outro fazendo compras no supermercado (e tudo isso em tempo real). Pode até ser uma ideia legal, mas por enquanto temos essa mistura. Uma outra questão é o nível profissional dos atores e atrizes que conseguem, com frequência, estragar as mais belas ideias do autor (neste momento não vou perder o meu tempo para isso)...

Vivemos, graças a Deus, nos tempos em que não é mais tão fácil negar a existência das pessoas não heterossexuais. Há quem diga que a telenovela também "entrou na onda da moda", ao que eu respondo que - na minha opinião - este tipo de arte retrata mais do que influencia a vida. E aqui está o grande mérito da telenovela. Exatamente através de sua dosagem lenta e duradoura, a telenovela é capaz de não apenas sinalizar a existência de um fenômeno ignorado (neste caso, o amor entre as pessoas do mesmo sexo), mas, de fato, retratar, passo a passo. Simplesmente dizer: "É assim que funciona". "Sim, a pessoa se apaixona de forma muito parecida como no caso de um casal heterossexual". Para mim e para vários Leitores deste blog, é a coisa mais óbvia na face da terra. Mas, para muita gente, não é. Por isso mostrar um ser humano, cheio de dilemas, mas também capaz de amar, com todo o seu ser e não apenas procurar o sexo, é tão importante. Essas cenas de ternura e de aflição revelam algo inédito para muitos: a homossexualidade não é luxúria desnaturada, mas é um mistério de emoções, sonhos, conquistas e realizações. É uma realidade tão profunda e tão humana ao mesmo tempo que pode, ao ser assistido com um pingo de boa vontade, curar de preconceitos e ensinar a olhar às pessoas diferentes em sua sexualidade, com mais compreensão.

Foi neste contexto que fiquei muito feliz com as cenas na nova telenovela da TV Globo "Em família" que mostraram (e prometem continuar mostrando) o surgimento de uma "química" entre duas mulheres, Marina (Tainá Müller) e Clara (Giovanna Antonelli). Para mim foi fabulosa a frase da Marina que disse: "Eu acho que estou me apaixonando por ela. Não sei se vai dar certo...". Repito: quem de nós, LGBT, já não experimentou esse tipo de coisa? Mas para uma mãe de homossexual, de travesti, de transgênero etc., assistir tal cena pode ser uma verdadeira revelação, uma descoberta que beneficiará, em geral, todos os relacionamentos dentro da própria família. Sei que não estou inventando, pois até hoje podem ser encontrados os testemunhos daqueles que experimentaram verdadeiros milagres em casa, na hora do beijo de Félix e Niko.

Deixo aqui, portanto, os meus parabéns, para todos os autores, diretores, atrizes e atores que abraçam o desafio e procuram retratar, por meio de sua arte, a nossa realidade - tão próxima e ainda tão distante - do resto da sociedade!

27 de janeiro de 2014

Paixonite


Limerência é um estado cognitivo e emocional involuntário que resulta de um desejo romântico por outra pessoa (objeto da limerência) combinado por uma intensa, avassaladora e obsessiva necessidade de se ter o sentimento correspondido. O termo foi cunhado em 1979 pela psicóloga e escritora norte-americana Dorothy Tennov para descrever o conceito que havia surgido em suas pesquisas em meados dos anos 60, quando entrevistou mais de 500 pessoas sobre o amor. A palavra, que apareceu pela primeira vez no ano de 1979 livro "Love and Limerence: The Experience of Being in Love" (Amor e Limerência: A Experiência de Estar Apaixonado, em tradução livre).
Mais recentemente, a limerência foi definida em relação ao transtorno obsessivo-compulsivo como “um estado interpessoal involuntário que envolve pensamentos, sentimentos e comportamentos intrusivos, obsessivos e compulsivos que são contingentes e dependem da percepção de reciprocidade emocional da parte do objeto de interesse”.
Limerência também foi definida em termos de seus efeitos potencialmente inspiradoras e de sua relação com a teoria do apego, que não é exclusivamente sexual, como sendo "um estado involuntário potencialmente inspirador de adoração e de apego a um objeto da limerência envolvendo pensamentos, sentimentos e comportamentos intrusivos e obsessivos que vão da euforia ao desespero, a depender da reciprocidade emocional percebida”.
A teoria do apego enfatiza que "muitas das mais intensas emoções surgem durante a formação, manutenção, interrupção e renovação dos primeiros laços afetivos". Sugere-se que "o estado de limerência é a experiência consciente da motivação do incentivo sexual" durante a formação de um vínculo: "uma espécie de experiência subjetiva da motivação do incentivo sexual" durante o "intensivo... estágio de formação de pares" do vínculo afetivo humano.
A limerência pode durar dias, meses, anos, ou até mesmo pelo resto da vida da pessoa afetada. Na linguagem popular, é conhecida como Síndrome de Paixonite Aguda. (Wikipédia)

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Na prática, as coisas acontecem da seguinte maneira: ele está ao meu lado quase o tempo todo. Juntos assistimos e comentamos os programas da televisão, rimos das mesmas burrices e nos emocionamos com as mesmas cenas. Passeamos, fazemos compras, tomamos sorvete. Conversamos longamente sobre vários assuntos, contamos os nossos segredos do passado, relatamos aquilo que marcou a nossa vida e descrevemos os nossos familiares. Sim, dormimos juntos, mas (ainda ) não fizemos sexo. No momento, o mais importante é dormir "de conchinha". Já nos tornamos muito íntimos, o nosso olhar é apaixonado. Quando tomamos coragem para revelar algum defeito particular, uma mania ou vício, o carinho mútuo cresce ainda mais. Na presença de outras pessoas comunicamo-nos com caretas e olhares que só nós entendemos. Fazemos planos para o futuro e o que mais desejamos é viajar. Sonhamos em nos casar um dia (no futuro não muito distante) e morar junto pelo resto da vida. Não há ciumes, desentendimentos, neuroses. Também não ficamos exageradamente grudados. Eu gosto de ver quando ele escreve, passa a roupa ou faz qualquer outra coisa. As vezes ele sai e eu fico esperando pelo seu retorno. Quando isso acontece, percebo que ele sentiu saudade, assim como eu. Enfim, estamos muito felizes...

Um detalhe: tudo isso acontece dentro da minha cabeça. Se eu, um dia, tivesse a ocasião de encontrá-lo pessoalmente (sim, sim, ele é real), muito provavelmente eu confundiria o real com o imaginário. Ficaria decepcionado se ele não atendesse ao meu carinho ou não compreendesse as minhas piadas. O rapaz, certamente, ficaria espantado com o meu entusiasmo e - por me considerar um maluco - nunca mais teria vontade de me ver. Digo isso, porque já experimentei essas situações. A minha paixonite não é apenas aguda, mas se repete com bastante frequência. A única solução seria encontrar uma pessoa real, antes que surja o seu "substituto" imaginário...

Tive três namorados reais, cinco ficantes  e, talvez, uns cinquenta casos de paixonite. Quase sempre separadamente, ou seja, uma pessoa de cada vez. Em sua grande maioria, essas paixonites não saíram da minha cabeça. E, em poucos casos, ao saírem, as minhas tentativas (de me aproximar, de "abrir o jogo" ou até de "dar em cima") tinham sido frustradas. Algumas pessoas, diga-se de passagem, deixaram de falar comigo. Tudo isso parece ser suficiente para nunca mais me deixar levar por esse tipo de coisa. Acredite quem quiser... Estou, no momento, de uma paixonite nova...

Eu sei que as desilusões fazem parte da vida e por mais dolorosas que sejam, são saudáveis. Até agora, tirando os três relacionamentos felizes [enquanto duravam], todo o resto não passou de ilusão. Seria querer  e pedir demais, que a desilusão se limite apenas às qualidades da pessoa (afinal, só Deus é perfeito) e não à possibilidade real de tal pessoa namorar comigo?

25 de janeiro de 2014

Café com leite


Queridos ouvintes, dentro de alguns instantes vai começar a cerimônia do casamento. O clima é festivo, mas também sente-se no ar um pouco de tensão. Afinal, não é todo dia que acontece uma coisa dessas. Os noivos são muito diferentes e há quem diga que esta união não vai dar certo. Entre os convidados as opiniões se dividem entre a comoção e a indignação. Para entendermos melhor as razões que levaram esses dois a tomarem uma decisão tão radical e definitiva, vamos conversar com os próprios noivos que não escondem a felicidade tão esperada. Vou começar pelo senhor Leite que acaba de conversar com seus familiares que, aliás, são a maioria dos convidados à festa, em comparação com um número visivelmente menor de parentes do outro noivo.

- Bom dia! Em primeiro lugar, os meus parabéns antecipados! Os nossos ouvintes gostariam de saber o que levou o senhor a decisão tão corajosa que, segundo alguns dos seus convidados, é uma renúncia da própria identidade, quase uma traição dos milenares costumes da tribo?

- Bem, eu poderia responder com apenas uma palavra: o amor. No entanto, gostaria de acrescentar mais algumas coisas. A mais importante tradição da nossa família e a mais autêntica identidade é a entrega, a generosidade, a doação. Nós existimos para dar a vida.

- Ah, que bonito! Mas, numa união dessas que paradoxalmente chama-se indissolúvel, não acontece justamente o contrário, quer dizer, o senhor fica diluído? Muita gente, aqui mesmo, diz que o senhor vai perder a sua pureza, a sua brancura, o seu sabor e o aroma? Para ser mais exato, o senhor vai perder até o seu nome que passará a funcionar como secundário...

- Na verdade, tudo depende da ótica. Dizem que vou perder tudo isso, enquanto, de fato, eu estou entregando o que tenho de melhor. Ao mesmo tempo vou ganhar uma cor nova, um sabor e aroma também novos. Não concordo quando as pessoas dizem que o branco é a mesma coisa que incolor, mas a nova cor que irei ganhar acho mais interessante. Pelo menos vou perder a minha palidez que, para mim, é o sinônimo da solidão. Mal posso esperar!

- O senhor tem uma família muito grande, mas fiquei sabendo que nem todos compareceram no seu casamento...

- É verdade. Uma irmã minha não veio porque, como disse, ela se derrete no calor das emoções. A outra irmã minha, a mais velha, ela é meio esnobe e se acha nobre demais para se misturar com os pobres [risos]. É a nata da família, muito conservadora, coitada. Mas, olha aqui os meus primos coloridos. Todos já se casaram: um ficou vermelho, outro cor-de-rosa e assim por diante. Para eles, o meu casamento é a coisa mais normal na face da terra. Alguns parentes vieram até do exterior. Já viu aquele esquisitão que parece estragado? O cheiro dele também não é dos melhores, mas dizem que ele é muito caro lá, onde mora. Enfim, a questão de cor não é mais um problema na nossa família, acabamos com este preconceito. E tem outra coisa, inclusive confirmada pelos cientistas. Sim, sim, eu li muito sobre isso. Nesta nova união, nenhuma das minhas propriedades se perde, além das coisas exteriores. Pelo contrário! Além de ganhar algumas novas, aquelas que tenho ficam ainda mais refinadas, agradáveis e até assimilam-se melhor. Com outras palavras, será uma fusão, mas não confusão. Eu entrego e não perco a minha vida para ganhar outra, nova, diferente. Alguns dizem que vou sofrer alterações. Mas, para que usar o termo "sofrer" em vez de "conquistar"? Sofre-se uma derrota e aquilo que estou vivendo não é uma derrota. É uma vitória e a vitória se conquista. Ah, sim, o sofrimento também faz parte do processo, é inevitável, porém, não essencial. Vou deixar de ser apenas eu para me tornar a metade de um "nós" que, neste caso, é mais um singular do que um plural. Como dizem os jovens: "É nós". Se quiser saber, isso vem da Bíblia que diz que "não serão mais dois, mas uma só carne". Não é maravilhoso?

- Bem, só posso agradecer pela sua atenção e desejar muita felicidade. E aproveito aqui a presença do outro noivo que ouviu toda a nossa conversa, sem esconder a emoção. Reitero as minhas felicitações também para o senhor e gostaria de perguntar se a sua opinião é semelhante. Não posso deixar de notar o fato de serem pouquíssimos os seus familiares, presentes no casamento...

- Ah, sim, é verdade. A minha família é bem menor do que a do meu noivo. E também tem gente reclamando, mas eu não ligo. Um irmão meu, o Expresso, me chamou de vacilão, mas ele é assim mesmo, tem um temperamento forte e esquenta com cada coisa. Eu, porém, prefiro a ideia do meu noivo e concordo com cada palavra dele, embora a nossa história tenha sido diferente. Por exemplo, aquilo que ele falou sobre a cor. Nossa! Eu já passei por tanta coisa! Nasci verde, virei vermelho e agora estou marrom quase preto. Primeiro me regaram, depois arrancaram, descascaram, queimaram, trituraram... enfim. Tive uma vida cheia de contradições. A água me deu a vida, mas fiquei desidratado, sequinho mesmo e ainda trancado hermeticamente, só para não pegar a umidade. Depois me afogaram na água fervente para que ficasse assim como está me vendo agora. Falando verdade, fiquei muito amargurado com tudo isso, mas agora isso vai mudar, graças a Deus e graças ao meu noivo. Para quem fala sobre as perdas, respondo: já pensou que, para mim, a escuridão é o mesmo que a solidão? O resto é a mesma coisa que ele disse: não perco nada e ganho tudo, torno-me mais suave. Estou muito feliz com esta mudança e se quiser saber, é por todo o resto da minha vida. Aliás, da nossa vida. Ah, lembrei! Em relação ao nome... Foi ele que pediu para colocar o meu na frente...

- Ai, que bonitinho! Parabéns então, de coração mesmo. E uma última palavra: vocês têm planos para a lua de mel e para depois?

- Temos sim, inclusive a sua dica sobre o mel é interessante. Por enquanto pensávamos apenas no açúcar, mas podemos testar outros adoçantes. Além de umas pitadas de canela e de sal. É sério! Muita gente não sabe, mas uma pitada de sal faz com que o sabor fique ainda mais refinado, só não se pode exagerar [risos]. E vamos viajar pelo mundo inteiro, de caneca, de copo e de xícara... Temos tantas possibilidades! E vamos testar novas proporções, novas cores e novos sabores. Vai ser um espetáculo! Agora precisamos pedir licença, porque a cerimônia vai começar...

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Obs.: O vídeo não é exatamente sobre a história relatada acima, mas não deixa de ter algo a ver com ela.

22 de janeiro de 2014

Jurisprudência divina



A jurisprudência é o conjunto das soluções dadas pelos tribunais às questões de Direito. A sua função principal é a adaptação da lei às ideias e aos costumes contemporâneos. A jurisprudência nasceu com o Common law inglês, no qual o direito é criado e aperfeiçoado pelos juízes. Uma decisão a ser tomada num caso depende das decisões adotadas nos casos anteriores e afeta o direito que será aplicado em casos futuros. A cinematografia norte-americana, com certa frequência, ajuda-nos a compreender melhor como funciona o Common law. São aqueles advogados que desesperadamente estudam os processos antigos para encontrar a solução de um caso de outrora que seja útil aos seus clientes. O argumento que diz "uma vez, o caso semelhante, foi resolvido assim", é capaz de convencer o juiz.

Será que o Rei dos reis e Juiz dos juízes segue, também, algum tipo de jurisprudência? Segue, sim e podemos dizer que ela é, no mínimo, bastante curiosa. As leituras litúrgicas de ontem fornecem para nós alguns dos inúmeros exemplos bíblicos. Refiro-me aos textos da terça-feira da 2ª semana do tempo comum (1Sm 16, 1-13; Sl 88; Mc 2, 23-28). No primeiro texto temos o profeta Samuel que vem transmitir a voz de Deus, portanto, a sua ordem e a sua lei. Um detalhe chamou a minha atenção. Antes de tudo, Deus orientou assim o seu servo: Eu te mostrarei o que deves fazer e tu ungirás a quem eu te designar (v. 2). Depois Samuel purificou Jessé e seus filhos e convidou-os para o sacrifício (v. 5). Como se sabe, o ritual de mais diversas purificações e associado a ele conceito da impureza fazem parte da cultura e da mentalidade do povo de Israel, inclusive de sua legislação. Uma sociedade teocrática não distingue muito claramente a origem das leis vigentes e, para facilitar as coisas, justifica os seus comportamentos com a ideia da obediência a Deus, ainda que nem sempre tenha acertado o seu discernimento. Mostram isso as precipitações mentais de Samuel que, como um escolhido do Senhor, vivia ouvindo a voz de Deus. Percebemos, porém, que ele escutava igualmente as dicas de sua lógica humana. Em alguns momentos parecia até um duelo de vozes: Certamente é este o ungido do Senhor! - Não! Não é este! Quando acabou a fila dos candidatos, surgiu uma questão óbvia: Estão aqui todos os teus filhos? Pois é, havia mais um, mas quem teria a ideia de imaginar o caçula como o futuro rei de Israel? E o Senhor que acabava de dizer a Samuel para não se deixar enganar pela aparência, desta vez faz questão de notar que Davi era ruivo, de belos olhos e formosa aparência. Quando chegou, então, o bonitinho, Deus disse ao profeta: Levanta-te, unge-o: é este! Samuel, é claro, obedeceu na mesma hora e nem teve a ousadia de questionar: Uê, Senhor, e a purificação? Ele teria que ser purificado antes, porque é assim que manda a Tua lei! Se tivesse tal coragem, certamente teria recebido a mesma resposta que ouviu, séculos mais tarde, não menos ungido Apóstolo Pedro: Não chames de impuro o que Deus tornou puro! (At 10, 15).

O mesmo elemento da jurisprudência de Deus, isto é, a exceção (ou a suspensão), percebemos ainda mais nitidamente no texto do Evangelho proposto para o mesmo dia. É o típico exemplo do Common law, aplicado pelo próprio Jesus. Caminhando por uns campos de trigo, os discípulos de Jesus arrancaram algumas espigas para comer, o que não seria tão grave se não fosse o dia de sábado. De um lado, a lei de Deus obrigava os camponeses a deixarem um feixe de trigo "esquecido" no campo durante a colheita, para que os transeuntes necessitados pudessem comer (cf. Dt 24, 19). Afinal, Deus é Amor e se preocupa com os pobres. Por outro lado, no sábado não se podia fazer trabalho algum. Os fariseus, membros ilustres da elite religiosa do povo, lembraram-se, obviamente, da proibição e não do amor, o que observamos igualmente em todas as discussões travadas por eles com Jesus: Por que eles fazem em dia de sábado o que não é permitido? (Mc 2, 24). Jesus recorre a um precedente (exatamente como os advogados que usam a lógica do Common law): Por acaso, nunca lestes o que Davi e seus companheiros fizeram quando passaram a necessidade e tiveram fome? Como ele entrou na casa de Deus, no tempo em que Abiatar era sumo sacerdote, comeu os pães oferecidos a Deus e os deu também aos seus companheiros? No entanto, só aos sacerdotes é permitido comer esses pães. (v. 25-26)

Mais ou menos neste sentido podemos dizer: Por acaso nunca lestes o que Jesus fez quando um centurião romano o pediu para curar seu servo que muito provavelmente era, também, o seu amante? Como o Senhor não somente curou o doente sem questionar a relação dos dois, mas ainda elogiou a fé daquele centurião? (cf. Mt 8, 5-13 e Lc 7, 1-10). Ou, quando Filipe, um dos sete diáconos, anunciou a fé ao eunuco etíope e, sem questionar a sua condição de esterilidade (ou, quem sabe, homossexualidade, o que era bastante comum nos haréns da época e nos palácios de rainhas), ministrou-lhe o Sacramento do Batismo? (cf. At 8, 29-39). Ou, então, quando já mencionado aqui Pedro, o primeiro Papa (talvez ante-Papa, sem confundir com qualquer anti-Papa, mas tendo em vista que os Papas são seus sucessores), chegou à conclusão definitiva: Deus me mostrou que não se deve dizer que algum homem é profano ou impuro. (At 10, 28)

A "jurisprudência" de Deus baseia-se no amor. Os teólogos e a doutrina oficial da Igreja afirmam que Deus é imutável, mas também que é insondável. Quando, então, alguém afirma que isso ou aquilo é assim e não pode ser diferente, pois provém da lei de Deus, nem sempre tem razão. Não valeu a pena brigar (em nome de Deus) com os cientistas (e queimar alguns deles na fogueira), só porque afirmavam que a Terra é redonda. Em um contexto mais amplo resume esta verdade a jornalista e escritora Martha Medeiros:

Somos vigorosamente contra ou a favor, como se de nossas posições dependesse nossa vida. E chegam a ser inocentes nossas tentativas de compreender a nós mesmos e ao mundo. Particularmente, gosto muito dessa busca, mas sem perder a consciência de que, onde quer que eu chegue, ainda estarei a milhões de anos-luz da compreensão absoluta. Ainda bem. O que viria depois da compreensão absoluta? ("Causa e efeito" em Revista O Globo, 22. 12. 2013; p. 14).

21 de janeiro de 2014

Ações essenciais


Há um ano, o Governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral sancionou a Lei N° 6394 de autoria da deputada estadual do Rio, Myrian Rios (PSD). A lei institui o "Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais" no âmbito do Estado do Rio de Janeiro. O texto parece um conto de fadas e certamente tem como anexo (?) a regulamentação bem precisa por parte da Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos. Afinal, alguns termos carecem de uma definição mais detalhada, por exemplo:

Parágrafo Único - O Programa deverá envolver diretamente a comunidade escolar, a família, lideranças comunitárias, empresas públicas e privadas, meios de comunicação, autoridades locais e estaduais e as organizações não governamentais e comunidades religiosas, por meio de atividades culturais, esportivas, literárias, mídia, entre outras, que visem a reflexão sobre a necessidade da revisão sobre os valores morais, sociais, éticos e espirituais (Deixando de lado as imperfeições gramáticas, pergunto: “a reflexão sobre a necessidade da revisão dos valores morais, sociais, éticos e espirituais” precisa de uma lei? E se alguém não quiser refletir? Será multado ou preso? Isso, sem dúvida precisa ser regulamentado...)

Art. 2º- O Poder Executivo deverá firmar convênios e parcerias articuladas e significativas, com prefeituras municipais e sociedade civil, no sentido de possibilitar a execução do cumprimento ao disposto nesta Lei, com os seguintes objetivos: I – promover o resgate da cidadania; II – fortalecer as relações humanas; III – valorizar a família, a escola e a comunidade como um todo. (Qual é o conceito da família? A legislação estadual obedece a nacional que define a família como “comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; independentemente de orientação sexual” [Lei nº 11.340; art. 5º, inciso II, e parágrafo único]?)

Parágrafo Único - Serão desenvolvidas ações essenciais que contribuam para uma convivência saudável entre pessoas, estabelecendo relações de confiança e respeito mutuo, alicerçada em valores éticos, morais, sociais, afetivos e espirituais, como instrumento capaz de prevenir e combater diversas formas de violência. (Qual é o significado do termo “ações essenciais”? O "Programa de resgate de valores morais, sociais, éticos e espirituais" prevê, também, as ações essenciais para combater a homofobia, estabelecendo relações de confiança e respeito mútuo entre as pessoas heterossexuais e homossexuais? Ou os valores éticos, morais, sociais, afetivos e espirituais não permitem isso? Em que baseiam-se esses valores? Na doutrina católica? A deputada, em outro momento, descreve-se assim: Em 2003, cheguei à Comunidade Canção Nova e lá eu me restaurei. Encontrei na fé um alicerce e recebi forças de Deus para me tornar uma nova mulher. Naquele momento, o meu maior desejo era ser totalmente de Deus e, por Ele, eu mudei.)

Justificativa - Infelizmente, a sociedade de uma maneira geral vem cada dia mais se desvencilhando dos valores morais, sociais, éticos e espirituais. Valores esses que são de extrema importância para que nossa sociedade caminhe para o crescimento. Sem esse tipo de valor, tudo é permitido, se perde o conceito do bom e ruim, do certo e errado. Perde-se o critério do que se pode e deve fazer ou o que não se pode. Estamos vivendo em um mundo onde o egoísmo e a ganância são predominantes. (É uma impressão minha, ou as afirmações acima realmente fazem alusão aos costumes e comportamentos, vistos como errados pelos católicos fundamentalistas?)

Justificativa [continuação] - Na busca de um mundo melhor o programa, descrito nesse projeto, objetiva formular proposta de ações educativas e sugestivas, direcionadas a criança, jovens e adultos despertando uma grande mudança na sociedade fluminense.Diante dessa realidade, a criação do programa supracitado, que tem como objetivo principal conscientizar e reinserir valores de suma importância para que possamos construir um futuro melhor, onde haja principalmente respeito pelo próximo. (Como neste contexto fica, por exemplo, a manifestação pública de afeto entre as pessoas do mesmo sexo, tal como o beijo, considerado por muitos católicos e evangélicos uma falta de respeito?)

A deputada mantêm um blog (ou mantinha, pois as últimas postagens são do ano passado). Lá mesmo, além de publicar a lei em questão, divulgou uma nota esclarecedora:

Gostaria de conversar com vocês sobre algumas polêmicas que vêm sendo questionadas a respeito da aprovação do Projeto de Lei de minha autoria, que institui o Programa de Resgate de Valores Morais, Sociais, Éticos e Espirituais.
Para esclarecer algumas informações erradas que estão circulando na mídia, eu não sou ex-atriz, sou e sempre serei atriz, pois sou apaixonada pela arte da interpretação.
Também gostaria de corrigir a matéria que divulgou que faço parte da bancada evangélica da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Respeito todas as religiões, mas sou missionária consagrada da comunidade católica Canção Nova.
Esse projeto foi feito com a intenção de fazer mudanças positivas na nossa sociedade, e não tem como propósito atacar ninguém por motivo algum.

Jacques Gruman procura respostas ao questionamento parecido com o meu: Afinal de contas, existirá definição universal para valorização da família ? E para alicerces espirituais? Quem vai fazer a lista dos “valores morais” sugeridos pela lei? E acrescenta: A autora do projeto de lei, que vive às custas dos nossos impostos, é a senhora Myrian Rios, ex-atriz, missionária católica conservadora. Como muitos de seus pares, faz carreira confundindo púlpito com tribuna, defendendo propostas “cristãs” arcaicas e destilando um preconceito raivoso contra os homossexuais. Chegou a fazer campanha contra o sexo anal (!). Não compreende e se revolta com as profundas mudanças comportamentais das últimas décadas, que se refletem em indivíduos e famílias, regurgita conceitos que não se sustentam nas mais elementares evidências científicas e, presa a um maniqueísmo pueril, nos ameaça com leis absurdas.

Repito: a Lei Estadual N° 6394 vigora no Estado do Rio de Janeiro há um ano. Em lugar algum consegui encontrar as notícias sobre a regulamentação e a execução desta lei...

20 de janeiro de 2014

Homofobia - palavra estranha


Escrevi recentemente que - em certo sentido - concordo com aafirmação usada pelo padre Paulo Ricardo: "Não existe nenhuma homofobia". Para ser mais exato, o padre disse: "Não existe nenhuma homofobia em considerarmos a estrutura do mundo real". De fato, a polêmica mais importante seria sobre o conceito do "mundo real", mas o início daquela frase despertou na minha memória o questionamento de outro tipo. Quando usei a expressão "em certo sentido", fiz referência, de fato, a um e único sentido. Enquanto a homofobia - como a entendemos - lamentavelmente continua existindo e até parece aumentar, o próprio termo não me deixa sossegado. O que quero dizer é que não existe a homofobia do ponto de vista linguístico (etimológico, fraseológico etc.). O que, de fato, existe e tanto nos atormenta é uma "heterofobia".

Analisemos um pouco a história:

A palavra homossexual é um híbrido do grego e do latim com o primeiro elemento derivado do grego homos'mesmo' e o segundo elemento derivado do latim sexus'sexo', conotando portanto, atos sexuais e afetivos entre pessoas do mesmo sexo. Especialistas em literatura psiquiátrica concordam em posicionar o surgimento do termo homossexualismo no século XIX, por volta da década de 1860 ou 1870, criado pelo discurso médico para identificar o sujeito homossexual. A primeira aparição conhecida do termo homossexual na impressão foi encontrada em um panfleto de 1869, publicado anonimamente, pelo romancista alemão nascido na Áustria, Karl-Maria Kertbeny. [fonte]

palavra homofobia é um neologismo criado pelo psicólogo George Weinberg, em 1971, numa obra impressa, combinando a palavra grega phobos ("fobia"), com o prefixo homo-, como remissão à palavra "homossexual". O problema é que tal prefixo ('homo') é também uma palavra completa (como vimos acima) e a mencionada remissão à palavra 'homossexual' não parece tão óbvia. Se, portanto, a palavra 'fobia' - "medo, aversão irreprimível" (do grego antigo φόβος) associarmos ao termo 'homo' (também do grego antigo ὁμός - 'mesmo, igual'), vamos descrever o "medo do igual" o que não é o caso da homofobia real, cujos tristes efeitos sofremos diariamente na própria pele. O medo, a aversão irreprimível, a agressão irracional... tudo isso dirige-se a nós, justamente por sermos diferentes. Na língua grega existe o termo 'heteros' (ετερός) que quer dizer 'diferente'. Por analogia (e, segundo os estudiosos, como a resposta à criação do termo "homossexual") surgiu a palavra "heterossexual", com a mesma lógica de associar um elemento derivado do grego ('heteros' - 'outro, diferente') e o outro, derivado do latim ('sexus' - 'sexo'), para indicar atos sexuais e afetivos entre pessoas de sexos opostos. Logo, o mencionado acima "medo causado pelas pessoas diferentes (no contexto sexual)" seria 'heterofobia' e não 'homofobia'.

Vale mencionar aqui mais um termo, desta vez composto de duas palavras gregas e que descreve a realidade muito próxima à homofobia. É a xenofobia (do grego ξένοςxénos -'estrangeiro' φόβοςphóbos - 'medo') é o medo, aversão ou a profunda antipatia em relação aos estrangeiros, a desconfiança em relação a pessoas estranhas ao meio daquele que as julga ou que vêm de fora do seu país. A xenofobia pode manifestar-se de várias formas, incluindo o medo de perda de identidade, suspeição acerca de suas atividades, agressão e desejo de eliminar a sua presença para assegurar uma suposta pureza.
A xenofobia pode ter como alvo não apenas pessoas de outros países, mas de outras culturas, subculturas ou sistemas de crenças. O medo do desconhecido pode ser mascarado no indivíduo como aversão ou ódio, gerando preconceitos. Em senso mais restrito, xenofobia é o medo excessivo e descontrolado do desconhecido. Neste sentido, é umadoença e insere-se no grupo das perturbações fóbicas,caracterizadas por ansiedade clinicamente significativa, provocada pela exposição a uma situação ou objeto temido. Para o tratamento da xenofobia são normalmente utilizados os métodos da terapia comportamental. Em alguns casos mais graves é habitual a administração de medicamentos que tenham por objetivo principal a diminuição da ansiedade extrema, uma vez que esta impede que se realizem as sessões terapêuticas de uma forma eficaz. Em outros casos, pode-se desenvolver crenças irracionais (geralmente preconceituosas), pelo que também é recomendado que se busquem estratégias cognitivas que trabalhem tais crenças.[fonte]

Bem... Não pretendo promover aqui uma revolução linguística ou a nova reforma ortográfica/etimológica etc. Procuro apenas analisar os termos que usamos.

O verdadeiro problema começa quando alguém insiste em negar a existência de algo real. É o caso de "homoafetividade" que, enquanto um termo, não deixa tantas dúvidas, porém é questionada como a mais autêntica experiência vivida pelas pessoas homossexuais. O "filósofo" Olavo de Carvalho, em um dos seus discursos, exibidos no YouTube, disse literalmente: Vamos falar o português claro: no que consiste a homoafetividade masculina, né? Consiste um comer o cu do outro, meu filho. Consiste na boa e velha sodomia, você tá entendendo? (Leia aqui e, se realmente quiser, assista os vídeos no mesmo link).

Terminando as minhas divagações sobre os termos e as expressões (com seus respectivos significados), gostaria de afirmar com a mais triste veemência: a homofobia existe, sim... A página virtual "Homofobia mata" é um dos veículos que comprovam i documentam esse trágico fenômeno.

Para finalizar, recorro ao texto do Deputado Federal Jean Wyllys, publicado na "Carta Capital":

Eu já disse uma vez e vou repetir. Cada uma dessas vítimas tem um algoz material — o assassino, aquele que enfia a faca, que puxa o gatilho, que "desce o pau", como o pastor Malafaia pediu numa de suas famosas declarações televisivas. Mas há outros algozes, que também têm sangue nas mãos. São aqueles que, no Congresso, no governo e nas igrejas fundamentalistas, promovem, festejam, incitam ou fecham os olhos, por conveniência, oportunismo, poder e dinheiro, cada vez que mais um Kaique é morto. Eles também são assassinos.

Como deputado federal, mas também como cidadão gay desse país, e antes disso tudo, como ser humano não consegue conviver com a violência e o ódio como se fossem naturais, ficarei à disposição da família e dos amigos de Kaique e farei tudo o que puder para que esse e outros crimes sejam esclarecidos e não fiquem impunes. Como dizia o poeta Pablo Neruda, chileno como Daniel Zamudio, "por esses mortos, nossos mortos, eu peço castigo".

9 de janeiro de 2014

Cidadania ou gueto


A luta pelos direitos da "Comunidade LGBT" tem várias faces e isso não seria tão surpreendente, afinal - como simbolicamente mostra a nossa bandeira - a diversidade é a palavra-chave. Podemos, no entanto, pensar na diversidade de objetivos, ou concentrar a nossa atenção em um só: a cidadania plena? Provavelmente sem nos darmos conta, acabamos copiando algumas iniciativas equivocadas, presentes na sociedade moderna.

Li recentemente no facebook a notícia sobre um colégio em Londrina (PR) que, a partir deste ano, terá um banheiro exclusivo para os alunos homossexuais. Como sempre acontece nas redes sociais, depois da publicação da notícia, surgiram os mais diversos comentários. Um deles parece aprovar a ideia:

Aqui em Brasília não foram poucos os casos de constrangimento de homossexuais e pessoas trans no uso do banheiro que chegaram até a Coordenação de Diversidade da Secretaria de Educação. Na maior parte das vezes, a escola não tem a menor ideia de como tratar desse assunto. A saída, geralmente é oferecer o banheiro da sala de professores/as para esses alunos e alunas o que acaba sendo aceito tanto pelas famílias como pelos/as estudantes. No caso da escola do Paraná, a decisão talvez tenha seguido o caminho mais fácil para a direção e principalmente para os estudantes gays, mas não sei se é a mais acertada. O banheiro, lugar de intimidade, como não poderia deixar de ser, é um espaço (um dos poucos) para se expressar a sexualidade na escola. É lá que acontece (ao menos no banheiro dos meninos), as disputas de quem tem o pau maior, de quem goza primeiro. É lá que meninos desenham seus órgãos sexuais e os das meninas além de deixar recados cheios de erotismo, tesão e machismo nas portas e paredes. Não deixa de ser assim, um espaço pedagógico. Não deixa de ser assim, um espaço de construção do "macho". Acontece que gays e trans não são bem-vindos nesse clube. Se ousarem frequentar, serão vítimas no mínimo, de algum tipo de agressão física ou verbal. Quantos de nós pensou duas vezes antes de entrar no banheiro da escola? Apesar do fetiche que um banheiro masculino nos provoca, a possibilidade de levar uma porrada ou ser xingado de viado fazia, ao menos em mim, criar a habilidade de segurar o xixi por horas. Criar um banheiro exclusivo ou compartilhar o banheiro da sala de professores/as pode ser um paliativo,às vezes até necessário, para a própria segurança dos estudantes gays, lésbicas ou trans, mas para além disso, é importante que a escola discuta a sexodiversidade na escola. O problema é que quando a discussão acontece, ela é permeada pelo mesmo conservadorismo e fundamentalismo que tanto combatemos no campo da política. Nós, professores/as, não somos imunes à homofobia e muito menos às condicionalidades da cultura. Aliás,não esqueçamos que a escola é (re) produtora dessas mesmas condicionalidades. Se não reconhecer isso, se a escola decidir não fazer o debate democrático, corremos o risco de continuarmos excluindo uma parcela da população do pétreo direito à educação. 

Outro participante da conversa apresenta a opinião diferente:

Eu sou um defensor ferrenho do banheiro sem distinção de gênero. Banheiro público serve para necessidades fisiológicas que são comuns a todas as pessoas. É óbvio que separar é a solução mais fácil, mas, definitivamente, não resolve problemas que venham a surgir. Até porque, admitindo que essa separação seja uma boa ideia, como é que se vai fiscalizar se os gays usarão banheiros para gays? Vão fazer os gays usarem marcas no uniforme para identificá-los? Dizer que um banheiro exclusivo protege os gays é um absurdo sem tamanho. Com isso, estão dizendo que, para não correrem risco de serem violentados, os gays precisam estar separados dos demais, em guetos. Vai na contramão de todos os esforços que existem no sentido de fazer com que nos apoderemos dos espaços que são nossos da mesma maneira que são de todas as outras pessoas. É o mesmo que criar vagões exclusivos para mulheres em trens e metrôs para evitar o assédio. 

Certamente, no caso de pessoas homossexuais, toda essa questão parece ser mais fácil. Ser gay não me torna menos homem (como muitos acham), assim mesmo como uma lésbica não deixa de ser mulher, só pelo fato de ser homossexual. A situação se torna bem mais delicada quando pensamos no transexual e transênero. Neste sentido, acho eu, a conversa deve continuar...

Essa polêmica me levou, mais uma vez, a uma analogia. Nestes dias li uma matéria no portal católico de notícias (Agência Fides), sobre a situação dos cristãos na Síria. O Arcebispo sírio-católico Jacques Behnan Hindo disse: Os cristãos da Síria esperam que a Conferência de Genebra 2 abra para a Síria perspectivas de democracia, liberdade e igualdade. Justamente por isso, são contrários a toda tendência islâmica que pretenda impor na Síria uma Xariá [conjunto dos preceitos morais islâmicos que compõem o Corão e que orientam a vida civil e religiosa dos muçulmanos] como fonte da atual jurisdição, reduzindo a comunidade cristã à categoria de "minoria protegida". Os cristãos não podem aceitar esta involução que os reduziria ao gueto das minorias toleradas e representaria também um retrocesso no percurso histórico da nação. Na Síria, os cristãos sempre foram parte integrante da Pátria comum, cidadãos a pleno título e não "minoria". O povo sírio não quer a barbárie e a tirania fantasiadas com palavras religiosas. E entre dois males, é humano escolher sempre o menor.

No texto acima, basta substituir a palavra "cristãos" por "homossexuais" (ou "não heterossexuais") e ficará clara a nossa batalha pelos direitos. É a luta pela cidadania e não pelo gueto.

2 de janeiro de 2014

Ano novo de novo


Começo com um texto de Carlos Drummond de Andrade, "Desejos de Ano Novo":

Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite da exaustão. 

Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez
com outro número e outra vontade de acreditar
que daqui para adiante vai ser diferente.

A contagem do tempo faz parte da nossa cultura. Aliás, tem a origem eterna (que paradoxo!). Deus inspirou o homem a orar, pedindo o dom da sabedoria, assim: Ensinai-nos a contar os nossos dias, e dai ao nosso coração sabedoria! (Sl 89[90], 12). Contamos, então, os dias, as semanas, os meses e os anos. Como é diferente essa contagem quando se trata de tempo compartilhado com uma pessoa amada. "Hoje completamos o primeiro mês do nosso namoro..." e assim por diante. Quando não se conta mais os meses, mas sim, os anos e as décadas, a sensação é de uma vida realizada...

A Igreja proclama com certa frequência os anos comemorativos e os jubileus. Ainda que não se tratasse de datas muito precisas, tivemos a maior celebração jubilar dos nossos tempos, comemorando os 2 mil anos do nascimento de Jesus. Na proximidade dessa data, antes e depois, tivemos o Ano Mariano, Ano Paulino, Ano do Rosário, Ano Eucarístico, Ano da Fé etc. Tudo isso com o objetivo de aprofundar o conhecimento de cada mistério da fé e de aprender a vivê-lo mais intensamente (é claro, não apenas no período indicado, mas a partir dele). A curiosidade desses "calendários" especiais na Igreja é que nunca coincidem com a agenda civil, isto é, começam e terminam em datas diferentes e até distantes do dia 01 de janeiro ou 31 de dezembro (assim como o ano litúrgico que começa no 1° domingo do Advento e termina mais ou menos um mês antes do fim do ano civil). Talvez seja uma questão de mostrar a independência "deste mundo", embora, por exemplo, o Papa João Paulo II, tendo abraçado algumas ideias da ONU, proclamava os anos temáticos (ou, pelo menos escrevia as mensagens especiais) de acordo com a iniciativa dessa instituição (assim foi com o Ano da Juventude em 1985 e o Ano dos Idosos em 1999).

A Arquidiocese do Rio promove agora o Ano da Caridade, com o início no dia 20 de janeiro (a festa de São Sebastião) e o encerramento no dia de Cristo Rei (23 de novembro).

Finalmente, para alguns autores, entre eles o blogueiro Gunter Zibell (um dos membros do "GGN - o Jornal de todos os Brasis"), o ano 2013 pode ter sido considerado como o "Ano da globalização da discussão de direitos LGBT" (leia aqui). Vale a pena ler a matéria e seguir também os links indicados pelo autor para ter uma visão mais completa.

Nesta altura só me resta desejar um feliz 2014 a todos os meus Amigos Leitores e não menos amados Leitores casuais. Faço isso dando a continuação ao belíssimo texto do Poeta, com o qual comecei essa reflexão.


Para você, desejo o sonho realizado.
O amor esperado. 
A esperança renovada. 

Para você, desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir,
todas as músicas que puder emocionar. 

Para você neste novo ano,
desejo que os amigos sejam mais cúmplices,
que sua família esteja mais unida,
que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente para repassar
o que realmente desejo a você.
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.
Desejos grandes
e que eles possam te mover a cada minuto,
rumo à sua felicidade!

Carlos Drummond de Andrade, "Desejos de Ano Novo"

7 de novembro de 2013

Landro Carioca


Finalmente fui conhecer o "Landro Carioca". Eu que não sou muito dado a baladas, gostei do lugar. Até idealizei um pedido de namoro/noivado/casamento (caso encontre um candidato), quem sabe, também por lá. Desta vez foi a primeira visita, um tipo de "espionagem", só para conhecer o ambiente. Em breve pretendo voltar lá. Ainda não sei qual é a situação do Landro Carioca nos fins de semana (fui na quarta - estava praticamente vazio). Os anúncios, publicados pelo próprio bar, advertem: Fiquem ligados! A programação dos fins de semana de Novembro, no Landro Carioca, está fuderosa! A casa vai ficar pequena para tanta gente. Confirme sua participação e chegue cedo pois a casa tem um limite de lotação!
 
Fiquei na dúvida em questão do nome deste bar. Quando falei sobre o local com alguns amigos, todos me perguntavam se não era o "Leandro". É Landro mesmo. O engraçado é que no "dicionário informal", "landro" consta como uma protuberância indicativa de inflamação que surge nas laterais do pescoço (certamente, não tem nada a ver com o bar... ou tem?). A intuição me levou ao outro vocábulo, um tanto parecido e que, talvez, faça mais sentido. O mesmo dicionário fala de landraia que é o termo usado em Portugal para uma mulher de má índole, antipática - evidentemente, tudo no sentido irônico, quanto à inspiração para o nome do bar. Bem... um dia vou descobrir...
 
"Landro Carioca" é, como podemos ler em sua página no facebook: "mais que um bar, é uma experiência". O seu blog, de maneira bem-humorada, afirma: Somos uma bar hetero friendly, isso quer dizer que recebemos todas as pessoas e temos um carinho todo especial com o público LGBT. Como um bar posicionado no mercado GLS, esperamos oferecer aos nossos clientes o melhores serviços com qualidade e total atenção ao atendimento. Por sermos um bar GLS na Lapa oferecemos mais que um bar, mas uma experiência carioca. O portal Gay1 faz a seguinte apresentação: Especializado em drinks de cachaça, Vodka e Pisco, o Landro Carioca tem sido um novo point para uma galera descolada, gays, grupos de amigos, tudo isso bem no coração da Lapa, bairro boêmio do Rio de Janeiro.
 
Não é apenas um local de descontração, mas também um importante centro de luta pelos direitos LGBT. Em sua página no facebook encontramos essas declarações:
 
Somos a favor da criminalização da homofobia em todas as suas manifestações (agressões, assassinatos, injúria e qualquer outra ação discriminatória).
 
Denuncie casos de homofobia!!! Não aceite, não tolere nem se cale diante de qualquer situação de discriminação por conta de orientação sexual.
 
Landro Carioca apoia a campanha pelo Casamento Igualitário.
 
Então... Foi uma noite excelente. Valeu muito a pena estar com um grupo (barulhento) de amigos. Entre os gays e hétero, solteiros, casados e recasados, numa verdadeira diversidade. Também com a imensa variedade de bebidas. Pois é, a minha mãe sempre me dizia que não faz bem misturar os drinks...
 
Ah, sim! "Lando Carioca" fica na Avenida Mem de Sá, n° 120, (Lapa) - segundo andar, subindo as escadas coloridas... Funciona de terça a domingo. Durante a semana abre por volta das 20 h. (ou, talvez, um pouco antes, caso não chova).
 
Clique na foto para visualizar melhor (fonte: facebook)
 

31 de outubro de 2013

Halloween e os católicos

 
Todos os anos, nesta época do ano, muitos católicos levantam o grito de guerra contra os costumes da festa chamada Halloween."É coisa do Diabo!" - dizem. Um site que se apresenta como "100% católico" (Pai de Amor) adverte: Halloween - A Festa que destrói nossos princípios e a nossa fé. (...) Está comprovado que na noite de 31 de Outubro na Irlanda, EUA, México, Brasil e em muitos outros países, se realizam missas negras, despachos e reuniões secretas relacionadas com o mal, aproveitando que uma infinidade de espíritos malignos são invocados livremente em todo o mundo. Atualmente jovens, adolescentes e crianças (o que é mais triste), celebram o Halloween vestidos de diabos, bruxos, mortos, monstros, vampiros, e outros personagens relacionados principalmente com o mal. (...) O texto acima, diga-se de passagem, foi copiado (sem devidos créditos) de um outro site (ACI Digital) que apresenta o estudo mais elaborado (do mesmo cunho fundamentalista).
 
Enquanto isso, as fontes (digamos, neutras), serenamente informam que a origem pagã (de Halloween) tem a ver com a celebração celta chamada Samhain, que tinha como objetivo dar culto aos mortos. (...) A "festa dos mortos" era uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para os cristãos seriam "o céu e a terra" (conceitos que só chegaram com o cristianismo). Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. As festas eram presididas pelos sacerdotes druidas, que atuavam como "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar seus antigos lares e guiar os seus familiares rumo ao outro mundo.
 
Não sei se é apenas uma impressão minha, mas parece que (muitos alguns) católicos adoram demonizar tudo. Por que não tentar detectar a intuição da verdade, presente em culturas e até crenças diferentes? É tão bela a definição, citada acima: Para os celtas o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. É tão distante da "politicamente correta" definição da (católica) vida eterna? Ou, então, os sacerdotes católicos, não são uma espécie de "médiuns" entre as pessoas e os seus antepassados? Só porque o termo "médium" pertence a um outro conto de fadas? Será, mais uma vez, o medo "católico", diante de tudo que é diferente? O culto, ou melhor, a reverência para com os antepassados é algo profundamente humano. Por sua vez, o estilo de brincadeira (que não tem nada a ver com a zombaria), não pode ser visto como a festa da vida? Qual é a lógica em definir os mortos como os "personagens relacionados principalmente com o mal" (assim fazem os citados acima sites "100% católicos"), se a própria Igreja presta um culto especial aos santos que, afinal de contas, precisavam morrer, antes de serem venerados?
 
Ora, os católicos já deixaram de considerar "coisa do Diabo", por exemplo, as mulheres que usam calças, os judeus, os índios, a televisão, o rock (bem, alguns ainda consideram) e tantas outras coisas. Queira Deus que, um dia, deixem de considerar dita "coisa do Diabo", os homossexuais (e todos os outros não heterossexuais... aliás, o sexo e o corpo humano em geral), o Halloween, "Harry Potter" e um monte de outras coisas. Dessa maneira, teriam mais tempo para se ocupar com as coisas realmente importantes... Quem sabe, o Papa Francisco possa dar um jeitinho nisso?

29 de outubro de 2013

A mentalidade débil

 
Vou começar pela definição. "Débil: adj. Que não tem força, fraco, frágil, pusilânime; pouco forte, pouco perceptível; diminuto, pequeno, insignificante; debilitado (-a)". A mentalidade humana é débil, é lerda, é medrosa, é preconceituosa, é... assustadora.
 
O capítulo da novela "Amor à vida", exibido ontem pela TV Globo, deu continuação ao complicadíssimo caso que envolve o casal homossexual, Niko & Eron e a "mãe alugada", Amarilys. Tudo indica que o Heron vai ficar com a Amarilys, formando uma "família exemplar", confirmada pala presença do filho desses dois, o Fabrício. O Niko, ainda que tenha ficado arrasado, logo vai encontrar o outro parceiro (supõe-se), para voltar a ser feliz. Com tudo isso, fica comprometida a adoção do pequeno Jayme pelo casal gay. No mesmo capítulo, Félix se despede definitivamente do Anjinho, para ficar com a esposa Edith. E o que surge na mente da maioria de telespectadores? Uma sensação de alívio: "Finalmente tudo se encaixa e volta ao normal". Assim fica comprovado que, tanto o casamento, ou mesmo o relacionamento, entre as pessoas do mesmo sexo, quanto a adoção de crianças pelos casais homoafetivos, são situações erradas, anormais e nunca têm chance de darem certo. Por outro lado, estão super normais as intrigas de Aline, o preconceito de César, a mesquinhez de Leila e a confusão generalizada de - praticamente - todos os personagens. A hipocrisia, a mentira, o egoísmo, a traição, a ganância, a vingança e todas as outras coisas parecidas doem menos do que um relacionamento gay. A telenovela é interativa. A emissora faz questão de entrevistar as pessoas na rua e reproduzir depois aqueles gritos de "Bem feito!". Na minha opinião, existem duas explicações: ou os dirigentes da emissora são tão burros que não têm a noção do poder (anti-) educativo de suas obras, ou então são tão perversos que fazem tudo com a mais fina premeditação. Muitos ativistas LGBT, há pouco, proclamaram mais uma vitória, só pelo fato de que os personagens gays tenham sido inseridos na trama dessa ou daquela novela. Será, porém uma vitória de fato? Será que ainda precisamos permanecer naquela fase que requer a comprovação de nossa existência? Ou, pelo contrário, a nossa presença já foi admitida e agora chegou a hora de nos mostrar como seres humanos normais, com pleno uso da razão, com equilíbrio emocional e com boa vontade?
 
Hoje em dia temos mais uma fonte de conhecimento dessa débil mentalidade humana. São as redes sociais, principalmente, o facebook. É ali que pode ser encontrada uma enquete, proposta pela página "Félix, bicha má":
 
Beijo gay na televisão: Você é a favor ou contra? 
(a) A favor
(b) Contra
 
Como sempre, ambas as respostas, trazem os mais curiosos argumentos. Vou citar aqui alguns (de um total de 1.669) comentários:
 
(a) A favor: 
  • A favor, todos nós queremos direitos iguais. Então temos que aceitar as diferenças e o gosto das pessoas.
  • tbm sou a favor! Coisa muito pior a TV mostra. Um beijo gay não é o fim do mundo
  • Criança pode ver tudo, assassinatos, traição, tiros, sexo na novela. Agora beijo gay não pode ? Seus hipócritas
  •  Não entendo a galera que diz que é contra beijo gay por causa das crianças, mas grande parte dos pais deixam ver cenas de sexo, beijo e outras coisas com casal heterossexual. Agora se for gay é desrespeito, uma afronta... Já rolou vários beijos gays em programas internacionais e nem por isso o mundo virou gay da noite pro dia. Voto pelos direitos iguais. o/
  • Hahaha engraçado, tem gente aqui que deixa seus filhos assistirem a novela, onde cenas de sexo entre heteros é gritante (e é o que mais se mostra hj em dia)...e bjo entre gays não pode? Bjo não pode e sexo pode? Hahah vai entender
  •  Vivemos em um país onde algumas pessoas ainda são preconceituosas. A televisão passa coisas piores e ninguém questiona sobre isso. Sou totalmente A do beijo gay sim.
  •  Prefiro beijo gay na tv, do que meus vizinhos hetero brigando e espancando o filho...o que é melhor para uma criança demonstrações de amor, ou ódio????
  • Totalmente a favor temos q lutar contra o Preconceito \o/
  • A favor, meus pais estão esperando esse beijo. 
(b) Contra: 
  • Não sou hipócrita.... mais acho que tudo tem limite. acredito que dentro de um quarto, motel, hotel, é um problema de cada um... Pela moral e bons costumes, sou contra !!!!!
  • Sou homossexual e não concordo...
  • Quando vcs estudarem a BIBLIA vcs vão saber o que falo. Deus fez o homem para acasalar com a mulher não com outro homem.. Ou mulher com mulher
  • Sou contra... acho um horror, um desrespeito para com a população
  • Tem criança assistindo esse horário.. fica chato p os pais explicarem sou contra
  • Contra. Foge da verdadeira vontade de Deus, só existe homem e mulher, coluna do meio não existe. Grande falta de respeito
  • a globo quer impor na sociedade uma realidade fora dos padrões de uma verdadeira família! e por causa disso ninguém mais pode expressar suas ideias...
  • Sou totalmente contra, ñ por preconceito pois tenho um irmão gay, mais não gostaria de ver e nem que meus filhos vessem ele beijando outro cara, quanto as crianças verem cenas de filmes, novelas acho normal se for entre homem e mulher pelo menos qndo vc for explicar vc estará explicando a verdade bíblica, Deus não fez um homem pra viver ao lado de outro homem, se fosse pra ser assim Ele com sua imensa sabedoria teria feito+um homem ser companheiro de Adão e não Eva....e sem essa de direitos iguais, Isso é abominável aos olhos de Deus agora quem aceita, concorda, aplaude, é a favor, problemas deles lá com Deus, eu sou CONTRA!
  • Deus fez o homem e a mulher
  • não sou contra o homossexualismo em si mas a falta de respeito seja qual opção sexual que tenha ate mesmo um bj forte e forçando como a globo tem mostrado nas novelas tem horas que temos que mudar o canal por ter criança na sala assistindo acho que opção é de cada um mas não somos obrigados a compartilhar isso ate mesmo um casal de heteros são errados em ficar se expondo na frente de outras pessoas
  •  contra... Por questão de respeito a família que tem crianças..
  • Por favor gente. O bom senso acabou. Isso não é uma coisa natural. Sou totalmente contra.
  • Contra! Sinceramente não tem como querer achar o que não é normal natural nê???
  • B  -naum tem nada á ver com preconceito, mas sim com respeito...
  • B . contra lógico, não sou obrigada.
  • Contra, não sou preconceituosa, respeito os homossexuais, mas não é o normal, a família hetero é o valor que temos que passar aos nossos filhos, banalizar através da mídia este contexto cria uma geração de adolescentes que acham normal experimentar tudo, ser homossexual é uma escolha que deve ser madura e com total conhecimento de seus desejos, a pessoa tem que ter certeza desta opção!
  • Essa banalização pode trazer futuros transtornos psicológicos sem precedentes.
  • Se fosse algo natural a vida humana não dependeria da relação de um homem com uma mulher, dois homens seriam capazes do dom da vida.
  • N sou preconceituosa, só tenho minha própria opinião. Respeito os casais gays pq são seres humanos como nós. Mas n podem obrigar a sociedade engolir, aceitar essa poka vergonha! Se fosse p existir gay Deus n teria o trabalho de criar o macho e a fêmea. Totalmente contra!
  • Ninguém nasce mal por isso acho q ninguém nasce gay ser gay é uma escolha!!!!!
  • Não tenho preconceito, mas é falta de respeito com o telespectador «B »
  • Totalmente contra isso é um mau exemplo para as crianças
  • Com certeza sou contra sou mãe e ñ gostaria que meus filhos vise esse tipo de coisa ñ tenho preconceito com nada mais eles ñ tem mentalidade pra entender esse tipo de coisa