ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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20 de fevereiro de 2014

Os namorados em Roma


Não sei se entre aqueles milhares de namorados (noivos), reunidos com o Papa na Praça de São Pedro no último dia 14 de fevereiro (em vários lugares celebrado como o Dia dos Namorados - "Valentine's-Day"), estava algum casal homoafetivo. Juro que eu estaria lá, caso tivesse um namorado e estivesse em Roma. Os textos principais deste encontro, a saber: Diálogo do Papa com os casais e a Oração dos namorados, não tinham nada a ver com a condenação de "formas alternativas do amor humano" (que poderíamos esperar na época de Bento XVI), mas trouxeram a serenidade e o júbilo de um relacionamento projetado para "até que a morte os separe". Evidentemente, havia referências diretas e indiretas ao relacionamento tradicional, consagrado e sacramentado, isto é, heterossexual. Não se ouviu, portanto, qualquer menção "revolucionária" ao namoro gay (também seria difícil esperar, eu acho). Porém, os casais homoafetivos, a meu ver, podem fazer um excelente proveito com essas reflexões. 

As pessoas homossexuais que acreditam em Cristo e - de alguma maneira - identificam-se com a Igreja (neste caso, católica), têm alguns desafios a mais, em comparação com outras pessoas, por exemplo, os heterossexuais, os ateus/agnósticos e os seguidores de outras doutrinas (não vou detalhar aqui as diferenças entre as religiões). Em primeiro lugar aparece o desafio, talvez maior entre todos, que consiste em reconciliar em si mesmo as duas dimensões da própria identidade, quer dizer, a homossexualidade e a fé. O caminho não é curto nem fácil, porém possível. Aliás, é necessário para quem não se vê capaz de abrir mão de nenhuma dessas dimensões. A maior parte do trabalho a ser feito resume-se em superação (redefinição) de conceitos, opiniões, pontos de vista que tentam (com muito sucesso, infelizmente) apresentar as duas coisas, justamente, como irreconciliáveis, tipo água-fogo, água-óleo etc. A superação dessa visão do inferno é libertadora e não é nenhuma blasfêmia ou heresia. É uma descoberta, é uma ressurreição. Depois dese primeiro (mais longo, mais profundo e mais importante) passo, vêm outros, como a recuperação da alegria de um relacionamento com Deus-Amor, o novo gosto pela oração e a repensada, criativa e não menos alegre leitura da Palavra de Deus. A partir desta perspectiva, fica possível e muito útil, tomar nas mãos o texto da pequena oração dos namorados, composta especialmente para o encontro com o Papa:

Deus Pai, fonte de amor,
abre nossos corações e nossas mentes
para reconhecer em Ti
a origem e a meta
do nosso caminho de namorados.

Sim, sim! Ele é a origem e a meta do caminho de namorados que se entregam um ao outro no amor, cheio de confiança, dedicação, carinho, diálogo e tantos outros atributos, capazes de elevar uma relação interpessoal bem acima de um mero desejo carnal que (não esquecido nem ignorado) é muito mais uma consequência do que o motivo e a finalidade máxima dos dois. Dois rapazes e duas moças que creem em Deus Pai, podem conseguir enxergar nele a fonte do amor que os/as une, por mais que o seu relacionamento tenha sido taxado de diabólico ou antinatural. 

Jesus Cristo, esposo amado,
ensina-nos a vida de fidelidade e do respeito,
mostra-nos a verdade de nossos sentimentos,
faz-nos disponíveis ao dom da vida.

Embora essa parte da oração faça alusão direta à procriação, podemos entender que a disponibilidade ao dom da vida vai muito além desse significado restrito. Quanto mais sou capaz de reconhecer a minha vida e a vida do meu amado como um dom de Deus, haverá mais firmeza, zelo, cuidado e respeito pelo próprio relacionamento. E, se Deus permitir, a mesma disponibilidade ao dom da vida, levará à experiência da vocação à paternidade (maternidade), ainda que por meio de uma adoção. Além disso, a visão da vida como o dom, será suficiente para encarar, com fé e aceitação, a chegada da morte...

Espírito Santo, fogo do amor,
acende em nós a paixão pelo Reino,
a valentia para assumir
decisões grandes e responsáveis,
a sabedoria da ternura e do perdão.

Sem dúvida, os homossexuais batizados podem contribuir para a construção do Reino de Deus. Podem e devem, afinal, este Reino é de amor, de acolhimento, de louvor ao Criador, de libertação dos cativos e de cura dos feridos. E nem precisa dizer de quanta valentia se exige das pessoas homossexuais que levam a sério a sua própria visibilidade e a decisão de compartilhar sua vida com alguém. Tampouco é necessário frisar a importância da sabedoria da ternura e do perdão em um relacionamento de pessoas do mesmo sexo, pois neste ponto não há diferença entre as sexualidades.

Deus, Trindade do Amor,
guia os nossos passos.
Amém.

As mesmas linhas de pensamento encontramos nas respostas do Papa aos representantes dos casais reunidos na Praça de São Pedro. As três perguntas perfeitamente dizem respeito às nossas inquietações:

1) Santidade, muitos, hoje, pensam que prometer fidelidade para toda a vida é um compromisso muito difícil. Muitos sentem que o desafio de viver juntos para sempre é bonito, fascinante, mas muito exigente, quase impossível. Pedimos que sua palavra possa nos iluminar sobre esse aspecto. 

Se os namorados (noivos) heterossexuais têm essa preocupação, imagine-se os homossexuais. Além da onipresente "cultura do descartável", da qual o Papa fala com frequência, acrescenta-se a pressão interna e externa, experimentada por todos "não-heterossexuais" que têm muito mais dificuldades em acreditar que "isso pode dar certo". O Papa dá dicas simples e concretas que, de novo, servem muitíssimo bem às pessoas do mesmo sexo que queiram levar a vida em comum (leia aqui). Em resumo, trata-se de uma construção, dia após dia e não apenas sobre a base de sentimentos. O Papa recomenda também a oração pelo relacionamento: "Senhor, dá-nos hoje, o nosso amor cotidiano".

2) Santidade, viver juntos todos os dias é belo, dá alegria, sustenta. Mas é um desafio a ser enfrentado. Acreditamos que devemos aprender a nos amar. Há um "estilo" de vida conjugal, uma espiritualidade do cotidiano que queremos aprender. O Senhor pode nos ajudar nisso, Santo Padre?

Aqui a resposta do Papa é ainda mais simples e bastante prática. É a capacidade de usar, conscientemente, os termos (ou melhor, as posturas): "Posso?", "Obrigado!" e "Desculpe!". Nada de invadir, com as "botas de montanha", a vida e a intimidade do outro. Nada de ingratidão, mas muita sensibilidade e reconhecimento. Finalmente, a sincera humildade em admitir os próprios erros e pedir o perdão por eles. Literalmente o Papa disse (entre outras coisas): "A gentileza preserva o amor"; 'É necessário saber dizer 'obrigado' para caminhar bem juntos"; "Jesus, que nos conhece bem, nos ensinou um segredo: nunca terminar um dia sem pedir perdão...".  

3) Santidade, nestes meses, estamos nos preparativos para o nosso casamento. O Senhor pode nos dar algum conselho para celebrar bem o nosso matrimônio?

Bem... No momento, esta é a questão que preocupa exclusivamente os casais heterossexuais, sobretudo no contexto do Sacramento do Matrimônio. Caberia aqui a pergunta sobre a celebração de uma bênção nupcial para os casais homoafetivos (enquanto o Sacramento está fora de qualquer cogitação). Mas, a resposta do Papa vai além e é, de fato, a continuação do tema de um "estilo de vida conjugal", mencionado anteriormente. O Papa Francisco disse (aqui vai a resposta inteira):

Façam de um modo que seja uma verdadeira festa, uma festa cristã, não uma festa social! A razão mais profunda da alegria desse dia nos indica o Evangelho de João: vocês se recordam do milagre nas bodas de Caná? Em um certo momento, o vinho faltou e a festa parecia arruinada. Por sugestão de Maria, naquele momento, Jesus se revela pela primeira vez e realiza um sinal: transforma a água em vinho e, assim, salva a festa de núpcias.
O que aconteceu em Caná há dois mil anos acontece, na realidade, em cada festa de núpcias: o que fará pleno e profundamente verdadeiro o matrimônio de vocês será a presença do Senhor que se revela e dá a sua graça. É a sua presença que oferece o “vinho bom”, é Ele o segredo da alegria plena, que realmente aquece o coração.
Ao mesmo tempo, no entanto, é bom que o matrimônio de vocês seja sóbrio e faça sobressair o que é realmente importante. Alguns estão mais preocupados com os sinais exteriores, com o banquete, fotografias, roupas e flores… São coisas importantes em uma festa, mas somente se forem capazes de apontar o verdadeiro motivo da alegria de vocês: a bênção do Senhor sobre o amor de vocês. Façam de modo que, como o vinho em Caná, os sinais exteriores da festa revelem a presença do Senhor e recorde a vocês e a todos os presentes a origem e o motivo de vossa alegria.

19 de fevereiro de 2014

A pedagogia televisiva


A telenovela, enquanto um dos gêneros da arte cinematográfica, tem recebido muito mais críticas do que elogios. Basta lembrar as discussões, ou melhor, verdadeiras batalhas verbais (com o direito a xingamentos e anátemas em nome de Jesus), depois do último capítulo da obra, exibida recentemente pela TV Globo, "Amor à vida". Eu acredito, porém, que uma reflexão mais serena pode nos levar a outras conclusões, mais objetivas e, sobretudo, construtivas. Em primeiro lugar, vale a pena analisar um pouco o próprio estilo desse trabalho. É como a leitura de um livro, misturada com a peça teatral (ou, talvez, várias peças entrelaçadas). A própria dinâmica de capítulos faz com que o telespectador assimile sem pressa o conteúdo da obra. Não preciso dizer que é, justamente, essa dinâmica da telenovela que se torna o alvo de críticas daqueles que enxergam ali a "destruição da família cristã e dos mais nobres valores morais da sociedade". Lembro-me de um padre que, alguns anos atrás, dizia "Dessa vez eles acertaram com o título da novela: 'Suave veneno'! Toda novela é esse veneno que eles suavemente injetam na alma do nosso povo!"...

Volto à serenidade como o atributo necessário em cada conversa sensata e racional. Deixo de lado as "teorias de conspiração" de todo tipo (a "Nova Ordem Mundial" e até a "obra do maligno") que tanta gente consegue enxergar nas telenovelas. Tampouco pretendo, por outro lado, fazer aqui a ingênua apologia desse fenômeno. Apenas gostaria de apontar algumas questões. As estatísticas, bem como a simples observação pessoal do cotidiano, mostram que uma enorme parte da sociedade, de fato, acompanha as telenovelas, principalmente as da TV Globo. Podemos afirmar, com toda honestidade, que as histórias retratadas nessas tramas não se distanciam tanto da vida real, a não ser pelo acúmulo (necessário para os fins artísticos) de personagens, ou personalidades, fortes e situações encharcadas de emoções. O encontro da ficção com a realidade torna a telenovela, de um lado, mais próxima ao telespectador e por outro lado, mais suportável. Quem sabe, um dia alguém tenha a ideia de retratar apenas a vida real, sem um pingo de fantasia, tendo por exemplo, alguns capítulos dedicados a um dos personagens dentro do ônibus municipal, e ao outro fazendo compras no supermercado (e tudo isso em tempo real). Pode até ser uma ideia legal, mas por enquanto temos essa mistura. Uma outra questão é o nível profissional dos atores e atrizes que conseguem, com frequência, estragar as mais belas ideias do autor (neste momento não vou perder o meu tempo para isso)...

Vivemos, graças a Deus, nos tempos em que não é mais tão fácil negar a existência das pessoas não heterossexuais. Há quem diga que a telenovela também "entrou na onda da moda", ao que eu respondo que - na minha opinião - este tipo de arte retrata mais do que influencia a vida. E aqui está o grande mérito da telenovela. Exatamente através de sua dosagem lenta e duradoura, a telenovela é capaz de não apenas sinalizar a existência de um fenômeno ignorado (neste caso, o amor entre as pessoas do mesmo sexo), mas, de fato, retratar, passo a passo. Simplesmente dizer: "É assim que funciona". "Sim, a pessoa se apaixona de forma muito parecida como no caso de um casal heterossexual". Para mim e para vários Leitores deste blog, é a coisa mais óbvia na face da terra. Mas, para muita gente, não é. Por isso mostrar um ser humano, cheio de dilemas, mas também capaz de amar, com todo o seu ser e não apenas procurar o sexo, é tão importante. Essas cenas de ternura e de aflição revelam algo inédito para muitos: a homossexualidade não é luxúria desnaturada, mas é um mistério de emoções, sonhos, conquistas e realizações. É uma realidade tão profunda e tão humana ao mesmo tempo que pode, ao ser assistido com um pingo de boa vontade, curar de preconceitos e ensinar a olhar às pessoas diferentes em sua sexualidade, com mais compreensão.

Foi neste contexto que fiquei muito feliz com as cenas na nova telenovela da TV Globo "Em família" que mostraram (e prometem continuar mostrando) o surgimento de uma "química" entre duas mulheres, Marina (Tainá Müller) e Clara (Giovanna Antonelli). Para mim foi fabulosa a frase da Marina que disse: "Eu acho que estou me apaixonando por ela. Não sei se vai dar certo...". Repito: quem de nós, LGBT, já não experimentou esse tipo de coisa? Mas para uma mãe de homossexual, de travesti, de transgênero etc., assistir tal cena pode ser uma verdadeira revelação, uma descoberta que beneficiará, em geral, todos os relacionamentos dentro da própria família. Sei que não estou inventando, pois até hoje podem ser encontrados os testemunhos daqueles que experimentaram verdadeiros milagres em casa, na hora do beijo de Félix e Niko.

Deixo aqui, portanto, os meus parabéns, para todos os autores, diretores, atrizes e atores que abraçam o desafio e procuram retratar, por meio de sua arte, a nossa realidade - tão próxima e ainda tão distante - do resto da sociedade!

12 de fevereiro de 2014

Sonhando com a casa


O meu sonho associa-se a uma casa. Não necessariamente no sentido arquitetônico. Pode ser um apartamento, inclusive bem pequeno. Digo "casa", pensando em uma morada, um lar. E, principalmente, em uma vida compartilhada. A casa é algo de casal e o casal é algo (melhor: é tudo) de amor. Um amor que evolui e, ao mesmo tempo, cultiva algum tipo de rotina própria. É um clima, um espírito, um ritmo. Neste sentido, a rotina não precisa ser o sinônimo de estagnação. Antes, é o sinal de uma profunda sintonia entre dois seres humanos que se conhecem a ponto de prever, intuir, o próximo passo do outro. Essa intuição, um dos principais frutos do amor, não aprisiona. Eu posso prever que o meu amado está prestes a me fazer uma surpresa, mesmo sem saber qual. Vou saber, porém, que aquela surpresa foi preparada para mim. Eu também faria surpresas. A vida pode ser intensa e, ao mesmo tempo, serena. Existe uma diferença fundamental entre os aborrecimentos, diferenças de opinião, correções - coisas mais naturais entre duas pessoas - quando se baseiam, ou não, em uma neurose. Os relacionamentos neuróticos vivem sacudidos por ciumes, cobranças e mentiras. A raiz, mais que provavelmente, situa-se em algum tipo de insegurança. Os estudiosos e os experientes afirmam que é a baixa autoestima que gera dúvidas em relação ao amor do outro. O medo e amar e o medo de não ser amado andam de mãos dadas, enquanto são as pessoas que deveriam andar assim. 

As cenas mais preciosas de uma vida conjugal não vêm das memórias da minha própria família. Pelo menos, não no sentido clássico e estrito da palavra. Os meus pais se separaram quando eu ainda era pequeno. Lembro-me de algumas brigas entre eles e daqueles períodos em que não se falavam direito. Lembro-me de ausências prolongadas do meu pai e de olhar amargurado da minha mãe. Até que essa ausência e essa amargura se tornarem permanentes. Ele saiu definitivamente de casa. Ela, com o tempo, aceitou a nova situação e conseguiu amenizar a sua amargura. Eu e o meu irmão mais velho, ambos pré-adolescentes na época, descobrimos, aos poucos, que a vida assumiu as formas diferentes. Ele nos visitava com frequência, mais tarde começou a nos levar para acamparmos juntos, até chegou a hora em que - por meio de uns esforços diplomáticos com a nossa mãe que só poderíamos imaginar - promoveu o nosso encontro com a nova esposa dele. Havia a questão da forma de chamá-la. Sem dúvida, não seria "mãe", nem "madrasta", ou "tia". Foi ela que deu a proposta de chamá-la, simplesmente, pelo nome. Confesso que nunca consegui, o que resultou em uma espécie de ginástica mental para poder conversar com ela de curiosa forma impessoal. Não vou tentar explicar isso aqui para não fugir do assunto principal. 

Não tenho como e também não pretendo fazer aqui as comparações e - ainda menos - qualquer tipo de julgamento. Digo apenas que nunca (antes e depois) e em nenhum outro lugar vi algo que, de fato, pode ser chamado "casa", um lar fantástico, para não dizer "perfeito". Vi e vivi na casa deles. Não, eles não eram perfeitos, mas o que os unia beirava a perfeição, ou melhor, uma incrível sintonia, uma confidencialidade, uma paz. Foi assim até a morte do meu pai. E eu, assim como o meu irmão, visitávamos aquela casa e, depois, aquela mulher, já sozinha, com bastante frequência. Ela sempre foi a "gerente" da casa e ele, a cabeça. Ela administrava o dinheiro, as compras e as contas, mas a verdadeira paixão dela (além do meu pai, é claro) era a própria casa que, em cada detalhe, levava a sua marca. Cozinheira talentosa e carinhosa e decoradora nata, mesmo sem ser profissional do ramo. Notava-se, a todo momento, o profundo e sincero respeito entre eles. Eu diria, uma reverência. Os dois se revezavam nas advertências dadas a mim e ao meu irmão: "Fala mais baixo! Ele está trabalhando agora e não gosta de ser interrompido" (meu pai era um jornalista e foi em casa que ele dava aquele último toque aos seus textos). Ou então: "Arruma a mesa! Ela não gosta de bagunça... E na próxima vez vê se traz algumas flores para ela!".

Bem... Eu não convivi com eles o tempo todo, mas também não acredito que tenha sido um teatro, feito por eles, só para criar uma aparência hipócrita de harmonia, diante dos nossos olhos. Aquela compreensão sem precisar explicar as coisas, o respeitoso e profundo conhecimento mútuo de costumes e gostos pessoais, a sintonia, a paz. Eles falavam com a mesma voz quando nos orientavam ou cobravam algo da gente. Eles se divertiam. Sim, as vezes um chamava atenção do outro, mas nem por isso o clima entre eles ficava alterado. As diferenças que cada um deles trazia, só serviam para completar o outro. Ele era bem mais velho, havia diferenças intelectuais e as histórias familiares distintas. Nada disso atrapalhava a sua união. Passavam muito tempo juntos, mas não se via aquele jeitão grudento que muitos casais apresentam. Finalmente, quando chegou a hora, foi ela quem cuidou dele, até o último suspiro.

Quando, então, fico sonhando com a minha casa, com o meu casamento... penso neles. Um relacionamento lindo, posso dizer perfeito, sem deixar de ser profunda e autenticamente humano.

7 de fevereiro de 2014

Deixar lesbianismo?


A frase acima [o título] parece estar incompleta. É a minha reação espontânea que faz acrescentar ali as palavras que faltavam. Seria assim: "Deixar de usar o termo 'lesbianismo', bem como 'homossexualismo' e 'gayzismo' - este último que nem existe nos dicionários legítimos e sérios, pois é uma debochada criação de Olavo de Carvalho [o ex-mago] e repetida pelo seu discípulo, padre Paulo Ricardo, seguido pelos milhares católicos homofóbicos". Tudo bem, a "minha frase" ficou mais longa e distante da "revelação" feita pelo portal "nova guia". O título original da matéria é: "Atriz global Claudia Jimenez deixa lesbianismo".

O título é como a chave de uma fechadura. Se estiver enferrujada, não vai funcionar bem. Não preciso ser um profissional de jornalismo para detectar os erros grosseiros, pelo menos dois, na abertura da matéria. Não sei de onde surgiu a mania de chamar atores e atrizes da Rede Globo de Televisão de "globais", se 99% deles não passam de nacionais. É quase como atribuir aos atores da Band o apelido de bandidos. Mas isso é de menos.

O que é que queria dizer a expressão "deixar lesbianismo"? Será que a pessoa que fez esse "anúncio de um milagre" ouviu falar de bissexualidade? De fato, vivemos numa época de notícias igualmente rápidas e superficiais. Isto é, uma época da difusão de burrices, a verdadeira epidemia de palavras sem conteúdo.

O próprio artigo cita os desabafos da atriz que disse, por exemplo: "Não tinha sensualidade, era muito mais gorda do que sou hoje. Não tinha forma nem vaidade. Achava que não tinha cacife para seduzir um homem. Como tinha de ser amada, me joguei nas mulheres". Tirando a curiosa ingenuidade da atriz, ao considerar mais fácil encontrar (sim, seduzir) alguém dentro de uma minoria, parece ser uma enorme arrogância afirmar que para se relacionar, ou - usando a sua expressão - se jogar nos braços de uma mulher, não precisava de sensualidade, forma e vaidade. Por que? Porque o relacionamento homoafetivo é um vaso sanitário?

A matéria fornece várias "pérolas" que seriam cômicas se não fossem trágicas: "As declarações da atriz, que não associa homossexualidade a algo inato à pessoa e sim como comportamento que pode ser superado, deixou a militância LGBT do país em polvorosa"; "Claudia deixou nas entrelinhas que sua opção pelo lesbianismo se deveu a diversos fatores externos como trauma de infância, rejeição e carência afetiva". No cotexto da última frase, acho interessante mencionar aqui o título da entrevista, concedida pela atriz ao jornal "Folha de São Paulo" (que, aliás, é a única fonte devidamente citada no artigo): "Claudia Jimenez diz que rejeição fez florescer seu lado cômico". Coerência jornalística? Que nada!

Quando a gente pensa que uma tese bizarra já tenha sido superada, neste caso de "cura gay", de repente aparece alguém que lança uma declaração brilhante, como esta: "Que outros sigam o exemplo de Claudia. Há saída para o comportamento homossexual". Só faltou o final lógico da frase: "...no caso de pessoas bissexuais".

5 de fevereiro de 2014

Bonança após a tempestade?


O título faz alusão ao texto do Livro de Tobias: Porque vós não vos comprazeis em nossa perda: após a tempestade, mandais a bonança; depois das lágrimas e dos gemidos, derramais a alegria (Tb 3, 22). Preciso acrescentar aqui que a frase acima localizei apenas na Bíblia "Ave Maria" e constatei a ausência desta e de várias outras frases nas demais edições da Bíblia (CNBB, Jerusalém etc.), além de não encontrar - evidentemente - o próprio Livro de Tobias nas edições não-católicas. Não é este, entretanto, o assunto de hoje. Seja qual for a fonte dessa intuição sobre os fenômenos da natureza (transferidos de certa forma à convivência humana), parece óbvio que depois de algum tempo de agitação, venha um pouco de paz. É assim que tudo funciona, desde os microscópicos organismos, até às galáxias mais distantes. Ou melhor, desde o palpitar do nosso coração, através da respiração, até ao sexo, tudo tem que ter o ritmo, tem que ser um ciclo, uma onda, com altos e baixos. Nós temos isso no sangue. Está gravado na nossa natureza. É muito provável que seja por isso que sentimos, intuímos, as pulsações da terra, do mar e do ar. E da história, por que não? Sabemos que após a tempestade vem a bonança. Ou, pelo menos, deveria vir.

Desde a última sexta-feira vivemos uma espécie de tempestade, causada pelo "beijo gay" que tenha sido exibido no último capítulo da telenovela da Globo, o "Amor à vida". Estou falando, principalmente, sobre a tempestade que explodiu no microcosmo (ou, talvez, macro-), chamado pomposamente de "redes sociais" que, como todo mundo sabe, se concentram sobretudo no facebook. Temos, é claro, os reflexos no twitter, nos blog's e nos portais que representam este ou aquele lado do palco ideológico-doutrinal da comunicação social. Muitos comemoraram. Muitos se lamentaram. Não tive a menor vontade de calcular as proporções...

Juro que não vou reproduzir aqui, nem em parte, aquelas grandiosas batalhas cibernéticas ou os tratados teológico-pedagógico-jurídicas, contra ou a favor do beijo gay em si, ou da novela, ou da própria Rede Globo em geral. Já escrevi, já fui criticado, já excluí gente da minha lista de contatos, enfim... A tempestade está dando a impressão de querer ir embora, ainda que com alguns trovões e relâmpagos em forma de um "até logo!". O sossego vai durar até a próxima oportunidade. Exatamente assim, como acontece na própria natureza. Digamos, em nosso contexto (LGBT), tivemos a tempestade do Bolsonaro, mais tarde aquela do Feliciano e agora essa do casal Félix e Niko. Os meteorólogos também dão nomes aos tufões e ciclones. Nada original... 

O que me trouxe aqui é a pergunta: será que depois de uma tempestade, realmente vem a bonança?

As redes sociais têm a sua dinâmica própria que em parte demonstra a evolução da mentalidade humana. Tirando uma margem que a tela de um computador proporciona, isto é, aquela diferença entre as coisas que se tem a coragem de escrever, mas nunca se diria na cara do outro, em sua grande parte, a discussão tão acalorada como essa, mostrou o crescimento vertiginoso de posicionamentos radicais. O que mais chamou a minha atenção foi o fato de observar isso principalmente entre os jovens. Eu sei que a juventude é radical (OK, digamos: idealista) por natureza e que a moderação (no bom e no mau sentido) ocorre com o tempo, através de choques com a realidade, de decepções, de cansaço e de comodismo, bem como através de estudo e de um amadurecimento em geral. 

A humanidade apresenta a mesma dinâmica de forma ainda mais clara. É uma interminável conquista, é a descoberta, é o avanço constante. Sem dúvida, como em cada caminhada, houve tropeços, capazes até de travar por algum tempo o natural progresso da civilização. Tais tropeços tornaram-se, no entanto, uma fonte de sabedoria e enriqueceram a consciência coletiva do gênero humano, passando de uma geração para outra. E é, justamente, neste fluxo de gerações que a gente deposita a expectativa dos tempos melhores. Repete-se, de certa forma, a experiência do povo de Israel que, no final de sua longa peregrinação rumo à terra prometida, constatou que era preciso que morresse aquela geração e surgisse a outra, para obter a vitória definitiva (cf. Jos 5, 6-7). É tão natural a suposição - quase automática - de que cada nova geração supere em suas qualidades a geração anterior.

A impressão que tenho, após a leitura das berrantes declarações homofóbicas daqueles que representam a Igreja Católica Apostólica Furiosa, é que as coisas irão piorar. Essas pessoas, ainda que confusas em sua argumentação e apresentando as falhas graves na compreensão e no uso da língua portuguesa, estão profundamente convencidas quanto à razão exclusiva e absoluta daqueles princípios que nós tão bem conhecemos e que tanto mal já nos fizeram. É como a "Fúria Jovem" da torcida de um clube esportivo. Pior... É como a "Juventude Hitlerista" (Hitlerjugend). Esta analogia pode parecer drástica demais, porém, trata-se de uma lógica semelhante: ainda que por motivos diferentes, o braço jovem de cada uma dessas instituições conhece bem o atalho que reduz ao mínimo a distância entre a ideia e o ato. A crueldade das declarações verbais anuncia uma nova, maior onda da homofobia, com a base no cego fundamentalismo cristão. Lamentavelmente...

29 de janeiro de 2014

Vox populi...


(A foto de um dos participantes das manifestações em Kiev, capital da Ucrânia.
O texto, em ucraniano, diz: "Pela voz do povo fala Deus".
Pouco tempo depois, o mesmo manifestante foi encontrado morto
nas imediações da Praça da Independência.)

"A voz do povo é a voz de Deus", diziam os antigos. Ainda que a Igreja nunca tenha-se declarado democrática (e sim, "teocrática"), tal conceito já possuía o espaço maior ao longo de sua história. Basta lembrar das canonizações feitas antigamente pela aclamação (o que não teve vez no funeral de João Paulo II, acompanhado pelo grito popular "Santo subito!"), bem como em algumas eleições papais, ocorridas (também antigamente) através da mesma dinâmica. 

A Igreja, enquanto instituição, ao longo dos séculos, elaborou uma linguagem (palavras, gestos, símbolos, rituais etc.) que, além de pretender transmitir a doutrina, serviu para instalar e expandir o seu sistema monárquico (que, aliás, tornou-se parte integral da própria doutrina). Os pastores distanciaram-se do rebanho o que podemos alegoricamente expressar com a frase: "Preferiram megafone em vez de telefone". Optaram por falar e não por ouvir, mas, para qualquer eventualidade, tinham na ponta da língua a resposta pronta: "Nós escutamos o povo! Até fizemos uma lei que define isso como uma obrigação!". É claro que escutavam, enquanto o povo ficava de joelhos. Os príncipes ouviam a sua confissão de culpa para, logo depois, repreender o povo e sentenciar a sua penitência. Tinham, igualmente (e ainda têm!), o outro argumento "teológico": se a voz do povo realmente fosse a voz de Deus, Jesus não seria crucificado, pois foi o povo que gritava "Crucifica-o!". A interpretação de algumas passagens bíblicas, cuidadosamente escolhidas, sempre foi o trunfo na manga do clero.

Foi, no entanto, o próprio Jesus que disse aos fariseus que queriam calar a voz do povo: "Se eles se calarem, as pedras gritarão" (cf. Lc 19, 40). Entendeu isso muito bem o Papa João XXIII que nunca tinha perdido (nem negado) a sua alma de camponês. Com a intenção de aproximar a Igreja ao mundo, ou melhor, unir a Igreja-instituição (leia-se "o clero") à Igreja-povo, o Papa Roncalli convocou o Concílio Ecumênico Vaticano II. Como diz o monge beneditino espanhol Hilari Raguer Suñer: Seu projeto se deparou com a resistência cerrada da maioria do entorno curial, mas o mantiveram firme a certeza de que Deus o queria e também o entusiasmo que o anúncio do Concílio suscitou no povo de Deus (vox populi- vox Dei) e até mesmo, além das fronteiras da Igreja, em todos os "homens de boa vontade".

Foi o Concílio Vaticano II que declarou, entre outras coisas: Nenhuma ambição terrestre move a Igreja. Com efeito, guiada pelo Espírito Santo ela pretende somente uma coisa: continuar a obra do próprio Cristo que veio ao mundo para dar testemunho da verdade, para salvar e não para condenar, para servir e não para ser servido. Para desempenhar tal missão, a Igreja, a todo momento, tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho, de tal modo que possa responder, de maneira adaptada a cada geração, às interrogações eternas sobre o significado da vida presente e futura e de suas relações mútuas. É necessário, por conseguinte, conhecer e entender o mundo no qual vivemos, suas esperanças, suas aspirações e sua índole frequentemente dramática (Gaudium et Spes, 3-4).

Vivemos, há quase um ano, uma nova esperança. É a era do Papa Francisco. No último domingo ouvimos as suas afirmações (vale muito a pena ler o texto na íntegra!): O Evangelho deste domingo conta o início da vida pública de Jesus nas cidades e nos vilarejos da Galileia. A sua missão não parte de Jerusalém, isto é, do centro religioso, centro também social e político, mas parte de uma zona periférica, uma zona desprezada pelos judeus mais observadores [ortodoxos], por motivo da presença naquela região de diversas populações estrangeiras (...). Partindo da Galileia, Jesus nos ensina que ninguém é excluído da salvação de Deus, antes, que Deus prefere partir da periferia, dos últimos, para alcançar todos. (...) Jesus começa a sua missão não somente de um lugar descentralizado, mas por homens que se diriam, assim, "de baixo perfil". Para escolher os seus primeiros discípulos e futuros apóstolos, não se dirige às escolas dos escribas e dos doutores da Lei, mas às pessoas humildes e simples (...).

Embora o adágio "vox populi-vox Dei" não esteja (de forma literal) na Bíblia, o mesmo sentido podemos detectar na advertência de Jesus sobre os "sinais dos tempos" (mencionados acima, no texto do Concílio). Os nossos tempos têm mostrado muitos sinais, entre os quais, em diversas dimensões, destaca-se a voz do povo. Queira Deus que ela seja ouvida! 

Leia também a reflexão de Pe. Vitor Gonçalves "Da periferia ao centro", no blog Diversidade Católica ou no blog Rumos Novos.

27 de janeiro de 2014

Paixonite


Limerência é um estado cognitivo e emocional involuntário que resulta de um desejo romântico por outra pessoa (objeto da limerência) combinado por uma intensa, avassaladora e obsessiva necessidade de se ter o sentimento correspondido. O termo foi cunhado em 1979 pela psicóloga e escritora norte-americana Dorothy Tennov para descrever o conceito que havia surgido em suas pesquisas em meados dos anos 60, quando entrevistou mais de 500 pessoas sobre o amor. A palavra, que apareceu pela primeira vez no ano de 1979 livro "Love and Limerence: The Experience of Being in Love" (Amor e Limerência: A Experiência de Estar Apaixonado, em tradução livre).
Mais recentemente, a limerência foi definida em relação ao transtorno obsessivo-compulsivo como “um estado interpessoal involuntário que envolve pensamentos, sentimentos e comportamentos intrusivos, obsessivos e compulsivos que são contingentes e dependem da percepção de reciprocidade emocional da parte do objeto de interesse”.
Limerência também foi definida em termos de seus efeitos potencialmente inspiradoras e de sua relação com a teoria do apego, que não é exclusivamente sexual, como sendo "um estado involuntário potencialmente inspirador de adoração e de apego a um objeto da limerência envolvendo pensamentos, sentimentos e comportamentos intrusivos e obsessivos que vão da euforia ao desespero, a depender da reciprocidade emocional percebida”.
A teoria do apego enfatiza que "muitas das mais intensas emoções surgem durante a formação, manutenção, interrupção e renovação dos primeiros laços afetivos". Sugere-se que "o estado de limerência é a experiência consciente da motivação do incentivo sexual" durante a formação de um vínculo: "uma espécie de experiência subjetiva da motivação do incentivo sexual" durante o "intensivo... estágio de formação de pares" do vínculo afetivo humano.
A limerência pode durar dias, meses, anos, ou até mesmo pelo resto da vida da pessoa afetada. Na linguagem popular, é conhecida como Síndrome de Paixonite Aguda. (Wikipédia)

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Na prática, as coisas acontecem da seguinte maneira: ele está ao meu lado quase o tempo todo. Juntos assistimos e comentamos os programas da televisão, rimos das mesmas burrices e nos emocionamos com as mesmas cenas. Passeamos, fazemos compras, tomamos sorvete. Conversamos longamente sobre vários assuntos, contamos os nossos segredos do passado, relatamos aquilo que marcou a nossa vida e descrevemos os nossos familiares. Sim, dormimos juntos, mas (ainda ) não fizemos sexo. No momento, o mais importante é dormir "de conchinha". Já nos tornamos muito íntimos, o nosso olhar é apaixonado. Quando tomamos coragem para revelar algum defeito particular, uma mania ou vício, o carinho mútuo cresce ainda mais. Na presença de outras pessoas comunicamo-nos com caretas e olhares que só nós entendemos. Fazemos planos para o futuro e o que mais desejamos é viajar. Sonhamos em nos casar um dia (no futuro não muito distante) e morar junto pelo resto da vida. Não há ciumes, desentendimentos, neuroses. Também não ficamos exageradamente grudados. Eu gosto de ver quando ele escreve, passa a roupa ou faz qualquer outra coisa. As vezes ele sai e eu fico esperando pelo seu retorno. Quando isso acontece, percebo que ele sentiu saudade, assim como eu. Enfim, estamos muito felizes...

Um detalhe: tudo isso acontece dentro da minha cabeça. Se eu, um dia, tivesse a ocasião de encontrá-lo pessoalmente (sim, sim, ele é real), muito provavelmente eu confundiria o real com o imaginário. Ficaria decepcionado se ele não atendesse ao meu carinho ou não compreendesse as minhas piadas. O rapaz, certamente, ficaria espantado com o meu entusiasmo e - por me considerar um maluco - nunca mais teria vontade de me ver. Digo isso, porque já experimentei essas situações. A minha paixonite não é apenas aguda, mas se repete com bastante frequência. A única solução seria encontrar uma pessoa real, antes que surja o seu "substituto" imaginário...

Tive três namorados reais, cinco ficantes  e, talvez, uns cinquenta casos de paixonite. Quase sempre separadamente, ou seja, uma pessoa de cada vez. Em sua grande maioria, essas paixonites não saíram da minha cabeça. E, em poucos casos, ao saírem, as minhas tentativas (de me aproximar, de "abrir o jogo" ou até de "dar em cima") tinham sido frustradas. Algumas pessoas, diga-se de passagem, deixaram de falar comigo. Tudo isso parece ser suficiente para nunca mais me deixar levar por esse tipo de coisa. Acredite quem quiser... Estou, no momento, de uma paixonite nova...

Eu sei que as desilusões fazem parte da vida e por mais dolorosas que sejam, são saudáveis. Até agora, tirando os três relacionamentos felizes [enquanto duravam], todo o resto não passou de ilusão. Seria querer  e pedir demais, que a desilusão se limite apenas às qualidades da pessoa (afinal, só Deus é perfeito) e não à possibilidade real de tal pessoa namorar comigo?