ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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23 de outubro de 2013

Love of Siam - LINDO !

 
"The Love of Siam" é um comovente filme tailandês, lançado em 2007, que mistura drama e romance com belíssima música. Um dos adolescentes protagonistas, lindo Mew (Witwit Hiranyawongkul, popularmente apelidado de "Phit"), é acompanhado pelo Dong (Mario Maurer) e a história deles baseia-se no crescente e conturbado romance gay. Vale a pena assistir o FILME COMPLETO (legendado em português). De acordo com a Wikipédia, o fato de possuir um enredo gay inicialmente causou polêmica, mas o filme foi recebido com aclamação da crítica e provou ser bem sucedido financeiramente. Ele dominou a temporada de premiações na Tailândia em 2007, vencendo a categoria de Melhor Filme em quase todos os grandes eventos de cinema do país.
 
O filme traz uma das mais lindas declarações de amor, eu diria, uma cantada (em todos os sentidos):
 
Se eu disser
que escrevi essa música pra você,
você acreditaria?
 
Pode não ser tão bem escrita ou bela
como as outras músicas, mas...
Eu quero que você saiba
que uma música de amor
não pode ser escrita
quando não estamos apaixonados.
 
Mas por você eu posso escrever
essa música tão facilmente.
 
Você deve ter ouvido centenas
ou milhares de canções de amor.
Elas podem ser significativas,
mas seus significados
são para qualquer um.
 
Se você ouvir essa música
que foi escrita apenas pra você...
Se você compreender o significado,
nossos corações ficarão juntos.
 
Existem muitas verdades no amor.
No passado, eu perdi muito tempo
procurando pelo significado disso.
 
Mas agora eu descobri,
em todos os momentos
em que você está perto de mim.
 
Eu apenas descobri
que se a vida é uma melodia,
você é a letra que a torna significativa
e a transforma em uma linda música.
 
Deixe a música tocar pelo caminho,
juntamente com a sua e a minha voz...
Que estaremos juntos por muito tempo.
 
Assim como a frase de uma poesia:
"Enquanto você amar, você ainda tem esperança".
 
Todas as vezes que eu vejo seu amor
brilhando em meu coração,
eu posso ver o meu destino. 



22 de outubro de 2013

O nascimento

 
Daqui a pouco vai terminar o mês de outubro e eu aqui estou demorando com as prometidas (?) meditações dos mistérios do Rosário (as anteriores estão aqui e aqui). Ainda estamos no primeiro terço, chamado gozoso, mas - para evitar eventuais piadinhas de mau gosto - podemos dizer que se trata de mistérios de alegria. O momento central, evidentemente, é o nascimento de Jesus que nos leva diretamente ao nosso próprio nascimento e, logo em seguida, à figura da mãe. Foi a minha mãe que me ensinou a associar o dia do aniversário natalício à pessoa da mãe. Ela própria fazia assim, enquanto a minha avó estava viva: completando mais um ano de vida, homenageava a sua mãe com as flores. É como se fosse o segundo Dia das Mães, ainda mais particular, porque pessoal. E não é a questão de esquecer do pai, mas na hora do parto, o meu pai deve ter bebido umas doses, enquanto a minha mãe estava naquela sublime fronteira que separa a vida e a morte. Ela sobreviveu e eu apareci. Rezando o terceiro mistério de alegria, imagino as cenas de Belém, mas, ao mesmo tempo, imagino o meu próprio nascimento. O que já sei, nasci antes do tempo previsto, o que foi definido como "de 7 meses" (sinceramente, não faço ideia sobre essa contagem, nem como calcular a data, digamos, "certa" que seria o dia do meu nascimento, caso corresse tudo no esquema). O que importa é o fato de eu ter nascido e vivido até o momento presente. O resto está nas mãos de Deus. Assim, como o passado. Por isso, nesta ocasião, lembro com muita gratidão, de algumas passagens bíblicas:
  • A mulher, quando vai dar à luz, fica angustiada, porque chegou a sua hora. Mas depois que a criança nasceu, já não se lembra mais das dores, na alegria de um ser humano ter vindo ao mundo. (Jo 16, 21)
  • Todos os que ouviram a notícia ficavam pensando: "Que vai ser este menino?" De fato, a mão do Senhor estava com ele. (Lc 1, 66)
  • Nem todos são capazes de entender, mas só aqueles a quem é concedido. De fato, existem eunucos que nasceram assim do ventre materno (...). (Mt 19, 12)
  • Foste Tu que criaste minhas entranhas e me teceste no seio de minha mãe. Eu Te louvo porque me fizeste maravilhoso; são admiráveis as Tuas obras; Tu me conheces por inteiro. Não Te eram ocultos os meus ossos quando eu estava sendo formado em segredo, e era tecido nas profundezas da terra. Ainda embrião, Teus olhos me viram e tudo estava escrito no Teu livro; meus dias estavam marcados antes que chegasse o primeiro. (Sl 139[138], 13-16)
O que me foi contado inúmeras vezes, desde à infância, é que os meus pais desejavam e esperavam uma menina. Talvez por isso, tenham comprado, antes do tempo, algumas bonecas, com as quais cheguei a brincar, antes de desaparecerem. Ora, não escrevo isso para acusar os meus pais, afinal tudo o que fizeram, foi por um amor ingênuo e sincero. Se foi isso que contribuiu para minha orientação sexual - entre muitos outros fatores - louvado seja Deus.
 
A mina avó costumava me contar em segredo que, quando nasci, o médico chamou o meu pai e lhe disse: "Você tem um filho, mas ele não vai sobreviver". Ainda bem que - neste caso - os médicos às vezes se enganam. A vontade de viver é a força principal na luta contra todos os argumentos que procuram fazer com que a gente desista. Inclusive a homofobia e qualquer outro preconceito. Estou falando apenas sobre o meu caso. Não pretendo de maneira alguma julgar aqueles que, justamente por causa da discriminação, atentaram contra a própria vida. A minha vontade de viver, desafiada já na hora do nascimento, foi se fortalecendo ao longo dos anos e, quando chegou a hora, ajudou-me no processo de reconciliação comigo mesmo, ou seja, na minha autoaceitação.
 
Eu sei que me espera ainda um novo nascimento - para a eternidade. De certa forma, sinto uma ansiedade, em relação a esse momento. Enquanto ele não chega, desejo viver.
 
Outras meditações sobre o nascimento de Jesus podem ser encontradas neste blog, no final do ano 2010 e no início de 2011 (Novena e Oitava de Natal).

21 de outubro de 2013

Aos confins

 
Dá para perceber que deixei de lado os assuntos que envolvem a Igreja, o Papa e afins. Deve ter sido por causa do "meu coreano imaginário" [1, 2, 3] que me faz sair mais de casa e focar atenção nos transeuntes. Sair, foi uma ideia que trouxe do casamento do meu amigo. Ele disse que conheceu o seu amado na rua, através de um olhar. Nestes dias tive vontade de abordar um ou outro cidadão na rua. Por enquanto, a timidez impede uma atitude mais louca corajosa da minha parte, mas, ao menos, não tenho medo de olhar...
 
Entretanto, não abandonei a minha Igreja, ainda que esteja pensando em mudar um pouco (ou bastante) a minha maneira de participar nela (isso, talvez, seja - mais tarde - o assunto de postagem neste blog).
 
Tivemos ontem o Dia Mundial das Missões, lembrando de que todo este mês é, tradicionalmente, dedicado a essa dimensão fundamental da Igreja. Como era de se esperar, o Papa Francisco presenteou-nos com um bela reflexão, confirmando os seus pensamentos anteriores que alguns fundamentalistas tradicionalistas católicas procuravam relativizar, por serem transmitidos em forma de entrevistas. Agora, sim, é uma mensagem pontifícia.
 
O Santo Padre repete, por exemplo, que a missionariedade da Igreja não é proselitismo, mas testemunho de vida que ilumina o caminho, que traz esperança e amor. A mesma expressão, usada pelo Papa na entrevista com o jornalista Eugenio Scalfari, causou o espanto entre os mencionados acima católicos tradicionalistas.
 
Outro termo que volta no ensinamento do Papa Francisco, é a periferia. Achei muito feliz e importante, a explicação dada por ele, no texto em questão:
 
Toda a comunidade é «adulta», quando professa a fé, celebra-a com alegria na liturgia, vive a caridade e anuncia sem cessar a Palavra de Deus, saindo do próprio recinto para levá-la até às «periferias», sobretudo a quem ainda não teve a oportunidade de conhecer Cristo. A solidez da nossa fé, a nível pessoal e comunitário, mede-se também pela capacidade de a comunicarmos a outros, de a espalharmos, de a vivermos na caridade, de a testemunharmos a quantos nos encontram e partilham conosco o caminho da vida. (...) A missionariedade não é questão apenas de territórios geográficos, mas de povos, culturas e indivíduos, precisamente porque os «confins» da fé não atravessam apenas lugares e tradições humanas, mas o coração de cada homem e mulher.
 
Mais uma orientação, digamos, metodológica, chamou a minha atenção:
 
Com frequência, os obstáculos à obra de evangelização encontram-se, não no exterior, mas dentro da própria comunidade eclesial. Às vezes, estão relaxados o fervor, a alegria, a coragem, a esperança de anunciar a todos a Mensagem de Cristo e ajudar os homens do nosso tempo a encontrá-Lo. Por vezes há ainda quem pense que levar a verdade do Evangelho seja uma violência à liberdade. A propósito, são iluminantes estas palavras de Paulo VI: «Seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará (...), é uma homenagem a essa liberdade» (Exort. ap. Evangelii nuntiandi, 80). Devemos sempre ter a coragem e a alegria de propor, com respeito, o encontro com Cristo e de nos fazermos portadores do seu Evangelho; Jesus veio ao nosso meio para nos indicar o caminho da salvação e confiou, também a nós, a missão de a fazer conhecer a todos, até aos confins do mundo.
 
Os homossexuais (e todos os outros não heterossexuais), também são uma periferia existencial que a Igreja é chamada a descobrir. A evangelização, sem imposição, é capaz de convencer, até os mais rejeitados, desprezados e marginalizados, de que - como escreveu o Papa:
 
A fé é um dom precioso de Deus, que abre a nossa mente para O podermos conhecer e amar. Ele quer entrar em relação conosco, para nos fazer participantes da sua própria vida e encher plenamente a nossa vida de significado, tornando-a melhor e mais bela. Deus nos ama! Mas a fé pede para ser acolhida, ou seja, pede a nossa resposta pessoal, a coragem de nos confiarmos a Deus e vivermos o seu amor, agradecidos pela sua infinita misericórdia. Trata-se de um dom que não está reservado a poucos, mas é oferecido a todos com generosidade: todos deveriam poder experimentar a alegria de se sentirem amados por Deus, a alegria da salvação.

20 de outubro de 2013

잘 지내요 ?


A minha epopeia de sonhos/delírios que envolvem a misteriosa figura de um jovem coreano continua. Outras partes da história estão aqui e aqui. Na quinta-feira passada fui procurar dois dos três restaurantes coreanos, localizados pela internet. O restaurante no centro da cidade, perto da estação de metrô Cinelândia, oferece alguns tipos de comida oriental, mas quem trabalha lá, são as mulheres brasileiras. Acabei tomando uma sopinha por R$ 6,00 e fui embora. Segui até a praça Afonso Pena e percorri a rua Mariz e Barros inteira, à procura do restaurante “China” que, segundo à propaganda, serve a comida coreana. Ninguém nessa rua ouviu falar do restaurante “China”. Decidi voltar para casa e, pelo caminho, encontrei um restaurante japonês (afinal, o meu sonho pode não estar tão exato assim). Conferi o horário com um japonês de meia-idade e resolvi voltar lá mais tarde, no mesmo dia, imaginando encontrar muita gente. À noite, porém, o restaurante contou apenas com a presença de uma mulher e uma criança. Na sexta-feira fui conhecer mais uma restaurante, na Rua do Bispo (esquina com Haddock Lobo). Esqueci de dizer que adorei tudo que comi, principalmente o sashimi. Até consegui usar os pauzinhos de madeira. Neste restaurante vi um grupo de jovens asiáticos, três rapazes e duas meninas. Por pouco não parei para contar a eles a minha história de sonhos, mas imaginei como seria a conversa. O texto em seguida conta o que eu não fiz, por falta de coragem. Pode ser entendido, simplesmente, como a continuação da estória “À procura do meu coreano”. Só que apenas na minha imaginação...


Aproximei-me daquela mesa e pedi licença:
 
- Me desculpem pela invasão, mas queria contar para vocês uma coisa que me preocupa ultimamente e talvez vocês possam me ajudar. Eu sei que a coisa é bastante esquisita, por isso nem vou sentar e prometo ocupar, no máximo, uns dois minutos de sua atenção. Quando terminar, vocês poderão, simplesmente, dizer: “Você é um maluco”. Eu vou embora e a gente nunca mais vai se ver. Pode ser?
 
O rapaz de óculos, sentado à ponta da mesa, fez uma cara de desprezo, mas antes de abrir a boca, uma menina, com aparência de líder do grupo, aceitou a minha proposta e com um gesto pediu ao dono do restaurante uma cadeira para mim. Sentei-me ao lado do rapaz de cabelo ondulado que tinha a cara de mais jovem do grupo. Comecei a minha história.
 
- Primeiro, queria dizer que, com os meus quase 48 anos, nunca tinha me acontecido uma coisa semelhante e, também, que – embora eu acredite em coisas sobrenaturais – não sou um cara voltado à premonição ou adivinhação. Mas, como a coisa está insistindo, há mais de uma semana e trata-se de alguém que talvez tenha passado por momentos difíceis, prefiro me expor ao ridículo, do que cometer algum tipo de omissão. Tudo começou com um sonho que, mais tarde, continuou na minha cabeça, mesmo quando estou acordado, sempre tratando da mesma situação e só acrescentando novos detalhes. Trata-se de um rapaz com as feições de asiático. Não sei se isso veio a mim, ou se fui eu que inventei, mas algo me diz que ele é um coreano. Olha, eu sou europeu e para nós europeus – eu acho que também para a maioria dos brasileiros – é praticamente impossível distinguir, apenas pela aparência, se a pessoa com esses traços, é da Coreia, do Japão, da China, ou de algum outro país da Ásia. Fico, então, com a intuição de que tenha sido um coreano. Pode ser que ele tenha nascido lá e vindo ao Brasil com a família, ainda pequeno, ou nasceu aqui, sendo os seus pais que vieram de lá. Parece-me que ele tem alguns familiares na Coreia. De outras características dele que se repetem é que ele ou trabalha na cozinha, ou gosta de cozinhar, além de ter bastante talento com a informática. O essencial da história é que ele teria sofrido recentemente uma grande desilusão amorosa, em relação a uma pessoa mais velha, pela qual tinha se apaixonado perdidamente. O caso durou, mais ou menos um mês e tudo indicava que essa pessoa correspondia ao sentimento do rapaz. Como, porém, essa pessoa não é daqui, mas da Europa (muito provavelmente da Alemanha), depois de um mês, tinha que voltar para casa. Os dois combinaram que, quando for possível, o rapaz viajaria para passar um tempo na Alemanha, para dar a continuidade ao relacionamento. Agora, finalmente, surgiu a oportunidade e o jovem coreano apaixonado decidiu viajar, na primeira quinzena de novembro, para passar um mês na Alemanha. Ele comprou a passagem e continuou mantendo o contato com aquela pessoa via internet. Começou, entretanto, a sentir uma mudança de comportamento da pessoa, até o dia em que recebeu um e-mail que o deixou totalmente arrasado. A pessoa tinha escrito que tudo isso que os dois viviam, não passou de uma aventura de férias e que, na verdade, ela tem um companheiro, lá na Alemanha e que não quer mais saber do rapaz, nem de sua visita por lá. Como vocês podem imaginar, o mundo do rapaz caiu. Ele perdeu o interesse por todo do que gostava, fechou-se em si, ficou tão triste que os seus familiares e amigos estão com medo de que ele possa cometer alguma loucura... Aí, não sei bem como, mas essa situação veio a mim, como se eu pudesse ajudar esse rapaz de alguma maneira.
 
O rapaz de óculos continuou com aquela cara de indiferença, mas não me interrompeu. A menina (a líder) ouviu tudo com bastante atenção. Quando terminei, ela disse, simplesmente:
 
- Você, por acaso, não esqueceu de um detalhe importante? Ou omitiu de propósito?
 
- Sim, omiti, porque achei que teria atrapalhado a história, ou criado a impressão distorcida sobre as minhas intenções. O fato é que aquela pessoa da Alemanha, é um homem e o rapaz é um homossexual. Inclusive, pelo que me parece, a família dele sabe disso e aceita a condição dele.
 
O rapaz de óculos, nessa hora, ficou mais atento. A menina pediu que eu contasse tudo que tinha omitido e explicasse melhor, como é que essas informações chegam a mim.
 
- Então, como falei, tudo começou com um sonho mesmo que tive – eu acho – na semana passada. Normalmente, a gente sonha algo e logo esquece. Esse sonho ficou na minha cabeça e, mesmo acordado, tenho, desde então, um tipo de continuação da história, pelo menos em parte, independente da minha vontade. Vejo as cenas muito nítidas que se complementam. A maior parte dessas cenas ocorre na casa da minha mãe que mora na Europa. É uma viagem que a gente está fazendo junto. De outros detalhes posso dizer que ele é muito carinhoso, sempre muito sereno e sorridente, tem a enorme facilidade de se comunicar com as pessoas. Dorme no chão porque quer, mas, as vezes, acorda no meio da noite com medo de estar sozinho. Por isso, quando adormece, pede para segurar a sua mão, ou ao menos, deixar ele sentir a proximidade do corpo de outra pessoa.
 
A menina me interrompeu, perguntando:
 
- E o rosto dele, o cabelo... Você sabe o nome dele? A idade?
 
- Quanto à idade, vi a seguinte cena. A minha mãe disse que ele parecia muito novo (realmente, ele tem a cara de menino). Nisso, ele trouxe o passaporte dele e mostrou a data de nascimento: 21 de agosto de 1987, o que deixou a minha mãe fascinada. Como eles se comunicam meio que por intuição, pois falam idiomas diferentes, a minha mãe pediu que eu trouxesse a bolsa dela. Ela tirou da bolsa a identidade dela e mostrou a data de seu nascimento: 21 de agosto de 1937, quer dizer, exatamente 50 anos antes do nascimento dele... Eu nunca tive certeza do nome dele, mas hoje mesmo (sexta-feira) à tarde, fui tirar uma soneca e sonhei com ele. Bem, eu acho que era ele. Ele estava muito aflito, carente, a gente acabou se beijando, aí eu pedi que ele me dissesse o nome dele. Ele não disse, mas me mostrou – como se fosse na tela do computador – o nome composto de três palavras, das quais ele foi apagando a primeira, mais longa, que eu não tive tempo de decorar e que era um nome comprido, nunca visto por mim. O que sobrou – e que ele me mostrou – foi “Robert inn”. Ele ainda confirmou que são dois “enes” mesmo... Com isso acordei. Ah, esqueci dizer que, desta vez, ele tinha a cor de cabelo meio diferente: enquanto sempre aparecia com o cabelo preto, nesse sonho parecia que ele tinha pintado de leve o cabelo que ficou agora mais claro. Mas é o mesmo cabelo, liso e com aquele corte "yaoi", cobrindo na testa e caindo na nuca [mais ou menos, como na foto acima].
 
Quando falei do cabelo, o menino de óculos deixou cair o copo que tinha segurado na mão. Todos ficaram muito quietos, olhando um ao o outro.
 
Eu fiquei sem graça e disse:
 
- Terminei. Agora todos vocês podem me chamar de maluco...
 
A menina respondeu:
 
- Não vou te chamar de maluco. Quero te mostrar uma coisa.
 
Pegou o celular dela e, depois de manipular um pouco com ele, passou para mim. Estava aberto na caixa de entrada de mensagem de texto. O que li na tela do celular me deixou curioso:
 
“Onde você está?”
“Robert inn”
Algo me diz que você vai sofrer por causa desse cara”
 
Não sabia o que seria esse “Robert inn”. A menina adivinhou e disse:
 
- “Robert inn” é uma pousada no bairro Santa Teresa, onde ficou hospedado um estrangeiro. O meu primo ia lá todos os dias, durante quase um mês. Ele estava perdidamente apaixonado. O resto você mesmo já contou. Agora vamos conferir outras coisas.
 
Menina pegou o telefone da minha mão e digitou um número. Alguém atendeu do outro lado. A menina disse:

- Oi, sou eu. Tudo bem? Você me disse mais cedo que confiava em mim, certo? Então peço que agora você preste bem atenção e não me interrompa. Vou passar para o viva voz.
 
Logo ouvi uma meiga voz masculina:
 
- Tudo bem, confio mesmo em você. Você é a bruxa da minha vida. Das boas e poderosas.
 
A menina sorriu e perguntou:
 
- O que você tá fazendo?
 
A voz linda respondeu:
 
- Olha, pintei cabelo mais cedo e agora estou tentando cancelar a minha viagem à Alemanha, mas o site diz que cancelando vou perder praticamente 50% do dinheiro. Liguei para lá do fixo e tô com o telefone na mão, mas o atendente me deixou com uma musiquinha, enquanto ele procura resolver o meu problema. Você acredita que ele me deu a proposta de não cancelar a viagem, mas em forma de promoção, acrescentar um acompanhante pela metade do preço? É um absurdo o que eles fazem para roubar o dinheiro da gente.
 
A menina:
 
- Escuta agora com muita atenção. Quando o atendente voltar a falar contigo, diga a ele que você não só aceita a promoção, mas quer ampliar um pouco a rota. Agora anote o número do meu cartão. Vai pagar o que for necessário e depois a gente resolve isso. Se precisar do nome completo do seu acompanhante, passo para você pelo face do Lucas (depois descobri que era aquele rapaz de óculos, na ponta da mesa).
 
Mais tarde fiquei sabendo que esse é o grupo de amigos do rapaz, liderado pela prima dele. Todo mundo sabe que ele é gay e conhece a história com o alemão safado. Essa parte do sonho/delírio termina com a questão: é ele que vem para cá, ou a gente pega a comida e vai à casa dele? Parece que, finalmente, vou descobrir o nome dele..
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Dicionário:
 
잘 지내요? - Jar jine yo? - Tudo bom?

18 de outubro de 2013

Shawn Thomas

Shawn Thomas une em suas músicas o testemunho cristão e a própria identidade homossexual. Vale a pena conhecer melhor e apreciar a sua arte.

I see the Christ in you.
I know that there is truth.
And deep inside your heart
resides a grace that's shining through.
I see the Christ in you,
in everything you do.
And when the world yells, 'Crucify!'
that part of you will rise...
and they will see the Christ in you."
 
Eu vejo o Cristo em você.
Não sei qual é a sua verdade.
Mas no fundo do seu coração
reside a graça que está brilhando.
Eu vejo o Cristo em você,
e em tudo que você faz.
E quando o mundo grita: "Crucifica-o!"
essa parte de você vai aparecer...
e eles vão ver o Cristo em você.
 
 

O conceito da castidade

 
Insisto apontando o problema de linguagem como o principal (ou, pelo menos, inicial) obstáculo em qualquer tentativa de diálogo/aproximação entre os GLBTT e todos os seus oponentes, especialmente, os religiosos (e, mais especificamente: os cristãos). Já citei, em outras ocasiões, a expressão do Papa Bento XVI, de sua encíclica "Deus caritas est" (n. 2): O amor de Deus por nós é questão fundamental para a vida e coloca questões decisivas sobre quem é Deus e quem somos nós. A tal propósito, o primeiro obstáculo que encontramos é um problema de linguagem. O termo « amor » tornou-se hoje uma das palavras mais usadas e mesmo abusadas, à qual associamos significados completamente diferentes.
 
O mesmo acontece com vários outros termos e, justamente por isso, toda tentativa de comunicação, torna-se parecida com o som de um instrumento desafinado. Além da palavra "amor", entendida diversamente, aparece também o termo "castidade" que exerce a função igual ao ponto final de qualquer discurso. Mesmo que alguém consiga argumentar sobre o amor existente no coração de uma pessoa homossexual, a conversa termina, quando entra em cena a falta de castidade, em qualquer relação íntima entre as pessoas do mesmo sexo.
 
Lembro-me aqui de um casal de portugueses, velhinhos, piedosos e de sua história sobre a viagem que fizeram à Aparecida do Norte, para comemorar o aniversário do Sacramento do Matrimônio. Foi uma romaria de uns 3 dias, repleta de momentos comoventes e de muita devoção. Como que de passagem, o marido tinha me informado que todas as noites, os dois, dormiram em camas separadas, "pois estavam no lugar sagrado". Coitado do homem, não ousou tocar em sua esposa. Imagino que nem o beijinho tinha ocorrido nessa circunstância, "para não pecar contra a castidade". Na verdade, o exemplo retrata a associação direta da virtude da castidade, com a total ausência de sexo (inclusive, em qualquer forma preliminar), mesmo aquele que é considerado legítimo por mais ortodoxa e rigorosa das Igrejas.
 
Afinal, o que é a castidade? O Catecismo da Igreja Católica diz que é uma virtude moral, um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual. O Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo (n. 2345). Portanto, a castidade é a pureza e a pureza é o fruto de purificação. Este último termo podemos encontrar nas páginas da Bíblia com bastante frequência. É claro: quem purifica é o próprio Deus.
 
Podemos aqui recordar uma cena misteriosa que encontramos nos Atos dos Apóstolos. Pedro viu o céu aberto e descer uma coisa parecida com uma grande toalha que baixava do céu à terra, segura pelas quatro pontas. Nela havia de todos os quadrúpedes, dos répteis da terra e das aves do céu. Uma voz lhe falou: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Disse Pedro: De modo algum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma profana e impura. Esta voz lhe falou pela segunda vez: O que Deus purificou não chames tu de impuro (At 10, 11-15). Certamente, neste momento, podem aparecer os argumentos do tipo: "uma coisa é a pureza ritual e a outra, a pureza moral". Porém, o texto diz: "O que Deus purificou não chames tu de impuro", sem especificar a abrangência da coisa. Pelo que entendo de português, a expressão "o que", corresponde ao "tudo (que)". Será, então, que Deus tenha purificado, também, o ato íntimo entre as pessoas do mesmo sexo?
 
O curioso é que em todas as explicações sobre a virtude da castidade, fornecidas pelo Catecismo, não aparece a palavra "amor". Não é o amor que purifica? Deus é amor e onde há amor, Deus está presente. Os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados, porque ela demonstrou muito amor - disse Jesus sobre a mulher na casa de um fariseu (Lc 7, 47).
 
Evidentemente, neste exato momento, muitos irão afirmar que não existe o amor verdadeiro entre as pessoas do mesmo sexo, ou então, aquilo que acontece na intimidade de um casal homossexual, pode ser chamado de qualquer coisa, menos de amor. Queria perguntar aqui ao "filósofo" Olavo de Carvalho, ao "pastor" Marco Feliciano (e aos seus respectivos seguidores), se algum deles já sentou para ouvir o que tem para dizer um(a) homossexual? Com certeza, nunca fizeram isso, porque - conforme às suas doutrinas - "tais pessoas" não são dignas de diálogo. Valeria a pena observar o homem que passa, noites e mais noites à beira da cama de hospital, onde agoniza o seu amado. Alguém ainda vai dizer que é apenas desejo carnal que os une? Ali já não existe desejo carnal. É o amor. E aqueles homossexuais que estão prontos para dar a própria vida pela pessoa amada (ou já o fizeram), não expressam, por acaso, um amor que Jesus chama de maior (cf. Jo 15, 13)?
 
Eu sei que existem muitos homossexuais que procuram e vivem o "sexo por sexo" e detestam "todo aquele papo sobre o amor". Certamente, não irão gostar dessa minha opinião. O que, então, acontece, de fato, naquele ato sexual, movido apenas por tesão, pelo desejo da carne? É como se alguém se masturbasse, usando um objeto, neste caso, uma outra pessoa. Quem costuma assistir os filmes pornô, repara-se muito com esse tipo de comportamento. Permita-me perguntar: você tem nojo de zoofilia? Ou acha bizarro, alguém enfiar o seu pênis no buraco, feito em uma melancia? Entretanto, quem transa para sentir apenas o seu próprio prazer, sem se importar com a sensação do outro, está reduzindo outra pessoa ao nível de um animal, ou de uma melancia. Isso, sim, é o amor impuro, porque o amor está ausente. Estou falando de amor recíproco que só é possível entre dois seres humanos (não me venha dizer aqui que você e o seu cachorro se amam!). O amor recíproco, por sua vez, requer a consciência e a liberdade. Por isso, nunca será puro o ato sexual entre um adulto e uma criança. A pedofilia é crime e gravíssimo pecado! Quando falo de amor impuro que apenas usa outra pessoa, como se ela fosse um brinquedo para masturbação, refiro-me a muitos (muitos mesmo!) casos que acontecem na vida de casais heterossexuais. Agora virou piada, mas a famosa frase de uma minissérie nacional, retrata perfeitamente essa realidade (inclusive, aprovadíssima pela Igreja durante muitos séculos): "Prepara-te! Hoje vou te usar!". Alguém vai me dizer que só pelo fato de ter acontecido entre homem e mulher (casados na igreja), tal sexo é casto? A castidade é o amor. E amar, nunca significará usar. O sexo é casto, portanto, quando existe o amor. Não tem nada a ver com a orientação sexual.
 
Será que, a partir deste princípio, podemos começar a conversar?

17 de outubro de 2013

O porquê do(s) Feliciano(s)

 
Quando tudo parecia ser o fim da tempestade, eis que está de volta o personagem que, há pouco, ocupava as manchetes da mídia e, em particular, da mídia GLBTTS: o Deputado Marco Feliciano. Ainda que o mais recente projeto não tenha sido, literalmente, de sua autoria, inevitavelmente todos fazem a associação direta com o dito cujo. A notícia diz o seguinte: A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), aprovou um projeto de lei nesta quarta-feira que livra templos religiosos de punição por preconceito ao recusar a permanência de pessoas “em desacordo com suas crenças”. O texto impede que igrejas sejam criminalizadas ao não permitir casamentos entre homossexuais, por exemplo. O texto propõe a alteração da Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define crimes resultantes do preconceito de raça e cor. O autor do projeto, o deputado Washington Reis (PMDB-RJ), sugeriu a inclusão de uma ressalva no artigo que trata sobre a incitação de preconceito. Apesar de o texto sugerido não falar em gays, o autor da proposta cita na justificativa que crenças religiosas não estão de acordo com a “prática homossexual”. O texto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição de Justiça (CCJ). Atualmente, incitar o preconceito pode levar a uma pena de um a três anos de reclusão, além de multa.
 
Complementando, de outra fonte: A Lei livra os templos religiosos da lei de discriminação e os autoriza de vetar casamento gay, batizado de filhos de casais homossexuais e outras cerimônias religiosas. A proposta permite ainda que padres e pastores não aceitem a presença de gays em seus cultos. O objetivo do projeto é evitar que os religiosos sejam criminalizados caso se recusem a aceitar homossexuais em seus templos.
 
Li nestes dias o ótimo texto, escrito por Vinícius, no seu blog "...E Sempre Há Muito A Ser Dito". É a Carta a Feliciano. Entre outras coisas importantes (por isso vale a pena ler o texto inteiro), Vinícius escreve:
 
Infelizmente sei que esta carta jamais chegará até você, embora eu sonhe que um dia você digite seu lindo e gracioso nome no Google e ache mais uma de suas estripulias por lá. Infelizmente, devem haver vários resultados. Possivelmente nenhum relevante para a raça humana, mas é o seu papel, certo? Você deve ter sido destinado a isso: a ser alguém que veio trazer a tempestade. A bonança ainda ficaremos aguardando.
 
Voltando aos seus sentimentos em relação a nós, não heterossexuais, fico me perguntando: "Por que será que somos pauta principal em tudo o que ele faz? Será que isso é coisa da mídia?". Fico pensando se você é algo fabricado para nos espantar das outras atrocidades políticas que acontecem no Brasil. Acho essa uma possibilidade bastante válida. Mas não creio que é somente isso: você tem sentimentos muito fortes além disso.
 
Como acontece na blogosfera, deixei o meu comentário, vinculado ao texto de Vinícius: Excelente texto, pelo menos para nós, porque, como você mesmo diz, o destinatário da carta, muito provavelmente, não terá a mesma cultura para responder (ainda que tenha lido). Eu mesmo procuro refletir sobre as questões que envolvem a homossexualidade e a doutrina cristã. Cada vez mais me convenço de que o diálogo seja muitíssimo difícil (e para muitos, impossível) e o obstáculo já está no início de qualquer tentativa, pois consiste em profundas diferenças linguísticas. É, justamente, a questão de orientação/opção, natural/antinatural, homossexualidade/homossexualismo e assim por diante. O curioso é que muitos religiosos, de um lado negam a nossa existência enquanto seres humanos e, por outro lado - como você aponta - dedicam muito tempo e muita atenção à nossa vida. Pode parecer uma conclusão pessimista, mas acredito que as reflexões - como a sua - tenham uma enorme importância para (lenta, mas eficaz) formação da mentalidade de muita gente. Obrigado por isso!

Aí veio uma dica de um outro blogueiro, Rubens, que disse: Para que vocês entendam o motivo do Feliciano e do Malafaia não largarem do nosso pé: