ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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21 de setembro de 2013

As curiosidades do fundamentalismo

 
Recebo, via e-mail, os anúncios de novas edições do programa de Padre Paulo Ricardo e de seus artigos, através de assinatura que fiz, há algum tempo. O nome do site é "Christo nihil praeponere". Nestes dias aconteceu algo curioso: recebi o anúncio de um novo artigo, abri, dei uma olhada e deixei para ler melhor, mais tarde. Aconteceu, porém, o misterioso sumiço da matéria (veja aqui) e a página não está mais disponível. Ainda bem que estamos lidando com o pessoal fervoroso e muito ágil. Há, no espaço cibernético, muitos seguidores desta "doutrina". Encontrei o artigo, assinado pela "Equipe Christo nihil praepondere", na página "Amor mariano", mas, como se trata da mesma linha de pensamento, provavelmente, em breve, o texto também não estará mais disponível.
 
O título do artigo é: "Alguém deixou as janelas abertas" e faz referência muito clara às ideias e atitudes do Beato Papa João XXIII, especialmente à sua decisão de convocar o Concílio Vaticano II. O texto cita o famoso trecho da homilia de Paulo VI de 1972 (original, em italiano, no site do Vaticano), especialmente a afirmação: “por alguma brecha a fumaça de Satanás entrou no templo de Deus”. Em seguida, os autores (?) citam a constatação de seu mestre maior, Olavo de Carvalho: "Ao confessar que (…) ‘a fumaça de satanás entrara pelas janelas do Vaticano’, o papa Paulo VI esqueceu de observar que isso só podia ter acontecido porque alguém, de dentro, deixara as janelas abertas". Diga-se de passagem que, talvez esteja na hora de definir quem é o mestre do Padre Paulo Ricardo: Olavo de Carvalho, ou Jesus Cristo...
 
Vale a pena confrontar aquela frase do "filósofo", com as palavras do próprio Papa Paulo VI: "Para algumas categorias de pessoas olha a Igreja com particular interesse, da janela do Concílio aberta sobre o mundo: para os pobres, para os necessitados, para os aflitos, para os famintos, os que sofrem, os encarcerados, os que têm fome; isto é, olha para toda a humanidade que sofre e chora, pois a Igreja sabe que esta lhe pertence, por direito evangélico; e gosta de repetir a quantos a compõem: «Venite ad me omnes»: vinde a mim todos. (Paulo VI, Discurso na Inauguração da 2a Sessão do Concílio Vaticano II, 29. 09. 1963).
 
O texto do site de Padre Paulo Ricardo, especializado em lançar as mais diversas teorias de conspiração e em criar (ou reproduzir do seu mestre) os neologismos, cheios de amor fraterno (por exemplo "gayzismo"), prossegue: Pensou-se estar inaugurando na Igreja um “novo Pentecostes”. A perspectiva de muitas pessoas na década de 1960 e também nas gerações seguintes era que se vivia uma “primavera” na Igreja. Ao contrário, hoje se experimenta o que o Cardeal Walter Kasper chamou de “uma Igreja com aspecto de inverno”, com “claros sinais de crise”.
 
Façamos mais uma acareação. O Papa Bento XVI, durante a sua viagem a Portugal em 2010, disse no encontro com os bispos: "confesso-vos a agradável surpresa que tive ao contatar com os movimentos e novas comunidades eclesiais. Observando-os, tive a alegria e a graça de ver como, num momento de fadiga da Igreja, num momento em que se falava de «inverno da Igreja», o Espírito Santo criava uma nova primavera, fazendo despertar nos jovens e adultos a alegria de serem cristãos, de viverem na Igreja que é o Corpo vivo de Cristo. Graças aos carismas, a radicalidade do Evangelho, o conteúdo objetivo da fé, o fluxo vivo da sua tradição comunicam-se persuasivamente e são acolhidos como experiência pessoal, como adesão da liberdade ao evento presente de Cristo."
 
A constatação que o texto desaparecido, originalmente publicado na página do Padre Paulo Ricardo, que, talvez, precisasse de uma modificação do nome, para "Ego nihil praepondere", é seguinte: "Não é preciso ir muito além para perceber que inúmeras ovelhas, ao redor do mundo, ao invés de serem apascentadas por bons pastores – exemplos do Pastor supremo das almas, Jesus Cristo –, eram conduzidas e ameaçadas por lobos vorazes. Estes lobos vestidos em pele de cordeiro, ao invés de oferecer aos filhos da Igreja o seu ensinamento de dois mil anos, o seu riquíssimo patrimônio espiritual e o valoroso exemplo dos santos, deixavam perdidas as ovelhas com um falso evangelho que eles mesmos tinham inventado." Ainda que não diga claramente, o "autor" faz alusão às expressões de São Paulo: Estou admirado de que tão depressa passeis daquele que vos chamou à graça de Cristo para um evangelho diferente. De fato, não há dois (evangelhos): há apenas pessoas que semeiam a confusão entre vós e querem perturbar o Evangelho de Cristo. Mas, ainda que alguém - nós ou um anjo baixado do céu - vos anunciasse um evangelho diferente do que vos temos anunciado, que ele seja anátema. Repito aqui o que acabamos de dizer: se alguém pregar doutrina diferente da que recebestes, seja ele excomungado! (Ga 1, 6-9).
 
Tudo bem, vejamos como é que se cria um "evangelho diferente", fazendo com que a boa nova deixa de ser tão boa. Quando não é possível ocultar aquilo que já foi dito (o exemplo é o mencionado artigo, publicado e retirado do site), trata-se de desvirtuar o sentido das palavras - algo que, inclusive, os mesmos "donos da verdade" atribuem aos seus adversários. Podemos lembrar aqui mais uma expressão de Paulo que diz, logo depois de ter abordado os assuntos ligados aos "homens [que] arderam em desejos uns para com os outros" (Rm 1, 27): Assim, és inescusável, ó homem, quem quer que sejas, que te arvoras em juiz. Naquilo que julgas a outrem, a ti mesmo te condenas; pois tu, que julgas, fazes as mesmas coisas que eles. (Rm 2, 1).
 
Vamos ao que interessa. Nestes dias, as palavras do Papa Francisco, pronunciadas em uma entrevista, repercutiram bastante na mídia. Algumas afirmações foram recebidos com entusiasmo por muitos que identificaram nelas a boa nova de esperança. As palavras do Papa são claras. Como fazer, então, para que perdessem essa clareza? Vejamos em outro blog, ainda mais radical do que aquele do Padre Paulo Ricardo.
 
Chama-se "Deus lo vult" (de Jorge Ferraz de Recife que apresenta a sua obra assim: "Deus lo vult", é a versão latina do “Dieu le veut!” francês, que significa “Deus o quer!” e que foi o grito dado pelos soldados franceses em resposta à convocação das Cruzadas feita pelo Papa – brado que se tornou daí em diante o grito de guerra dos cruzados) e fala, inclusive, no tom tão característico e conhecido, por exemplo, nas ruas do Brasil e do mundo, sobre os homossexuais e, de modo particular, sobre os homossexuais católicos e as suas associações, tais como "Diversidade Católica" (se quiser, leia aqui: Deus lo vult).
 
Mas, não é sobre isso que pretendo falar hoje. Volto às repercussões da entrevista do Papa. O blog (por que não mudar, para "Deus non lo vult", ou "Ego lo vult"?) - visivelmente assustado com a clareza das expressões do Santo Padre - "ajuda" a interpretar o pensamento do Pontífice, para que se possam evitar perturbações provocadas pela situação atual e por outras idênticas a ela que já apareceram e sem dúvidas ainda haverão de aparecer enquanto houver jornalismo medíocre no mundo [sic!]. Qual é o método? É o mesmo que tentou argumentar a respeito de pequeno (ou nenhum) valor das declarações do Papa sobre os gays, só por terem sido dadas em um avião e não em forma de algum documento pontifício. Desta vez, a alegação é seguinte: Como se trata de uma entrevista, o Papa Francisco está dando uma resposta para uma pergunta específica, e portanto é óbvio que o alcance de suas palavras deve estar circunscrito ao contexto dela. É evidente que elas não servem para guiar toda e qualquer ação dos católicos, pela simples razão de não ter sido isso o que foi perguntado a Sua Santidade.
 
Deu para perceber? Resposta do Papa a uma pergunta específica, não serve para guiar toda e qualquer ação dos católicos. Vejamos, qual foi uma dessas perguntas específicas (notemos que o próprio Papa facilita aqui a reflexão, até de gente pouco inteligente, ou cega no seu fundamentalismo):  Uma vez uma pessoa, de modo provocatório, perguntou-me se aprovava a homossexualidade. Eu, então, respondi-lhe com uma outra pergunta: “Diz-me: Deus, quando olha para uma pessoa homossexual, aprova a sua existência com afeto ou rejeita-a, condenando-a?” É necessário sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas e nós devemos acompanhá-las a partir da sua condição. É preciso acompanhar com misericórdia. Um pouco antes, no mesmo texto, o Santo Padre faz referência às pessoas homossexuais que se sentem rejeitadas pela Igreja: Em Buenos Aires recebia cartas de pessoas homossexuais, que são “feridos sociais”, porque me dizem que sentem como a Igreja sempre os condenou. Mas a Igreja não quer fazer isto.
 
Estas são as (tristes e perigosas) curiosidades do fundamentalismo. 
 
Jesus quer outra coisa:

Boa noite!

 
Na verdade verdadeira,
todo mundo tem
suas diferencices...
 
[ Saramandaia ]

20 de setembro de 2013

Atrás da cortina de ferro


O termo "cortina de ferro" foi usado para designar a divisão da Europa em duas partes (ocidental e oriental), como áreas de influência político-econômica distintas, após a II Guerra Mundial, no período chamado "guerra fria", enquanto existia a União Soviética. Um fenômeno que dura várias décadas, ainda que acabe, continua exercendo a sua principal influência que consiste, sobretudo, em divisões e diferenças culturais. A maioria das fontes atribui a autoria deste termo ao primeiro-ministro britânico Winston Churchill que teria usado tal expressão em um discurso no ano de 1946. O outro termo, um pouco menos conhecido, é "homo sovieticus" que facilmente traduzimos do latim como "o homem soviético", para designar um tipo de mentalidade que se formou, justamente, pelas décadas de uma sistemática lavagem cerebral, através de educação e propaganda, acompanhadas pela cruel opressão.
 
Quando lemos as notícias sobre os atos de homofobia - tanto em forma oficial, digamos, estatal, quanto em sua dimensão popular, cultural - por exemplo na Rússia, ou em outros países que, neste sentido, ainda permanecem atrás da "cortina de ferro", precisamos ter em conta este contexto da história recente. É por isso que merecem um destaque especial todos os sinais positivos daquilo que podemos chamar de "primavera de tolerância". É o caso do filme polonês, cujo título podemos traduzir como "Em nome (de)" e que faz referência direta ao sinal da cruz: "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". O filme foi apresentado no Festival de Cinema de Berlim (Berlinale), neste ano e, embora não tenha recebido o sonhado Urso de Ouro, ganhou o prêmio independente Teddy Award, como melhor filme com temática gay do Festival de Berlim.
 

É muito importante notar que o objetivo do filme e a sua mensagem principal não formam qualquer acusação ou julgamento, antes, retratam a realidade que, não apenas atrás da "cortina de ferro", é uma experiência, vivida por vários (não poucos, mesmo!) padres católicos. Fala sobre isso, por exemplo, Pe.  José Lisboa, em seu livro “Acompanhamento de vocações homossexuais” (falei sobre este livro aqui e aqui):
 
Hoje, em toda parte, aumenta cada vez mais o número de vocacionados e vocacionadas homossexuais. (...) No Brasil, a presença de homossexuais nos seminários, no meio da hierarquia, já é bem visível. (...) Na maioria das vezes, os casos permanecem velados, pois ainda existe muito preconceito contra esse tipo de conduta sexual. Além do mais, os altos escalões da hierarquia ainda preferem negar e até proibir a reflexão pública sobre essa realidade. Há os que, consciente ou inconscientemente, escondem a sua condição debaixo da capa das aparências da ortodoxia, da fidelidade, do rigorismo, do moralismo e das vestes eclesiásticas. (...) Diante disso, percebo que a confusão é geral. A hierarquia, na maioria das vezes, encontra-se perdida e não sabe o que fazer. (...) Penso, porém, que é preciso encarar essa realidade de maneira diferente. Deixando de lado os preconceitos, com bastante naturalidade e tranquilidade, sem superficialidade, e sem fazer vista grossa para as questões mais sérias e delicadas. (p. 5-7)
 
O resumo do filme encontrei na página CineSplendor:
 
O filem segue a história do padre católico Adam, responsável pela paróquia de um pequeno vilarejo polonês ao mesmo tempo em que trabalha com um grupo de jovens desajustados. Assediado por uma das moradoras, ele diz já estar comprometido e, aos poucos, vai admitindo para si mesmo seu desejo por um de seus garotos. Abordando o tema do celibato e, simultaneamente, da homossexualidade de forma direta e natural, a diretora Malgorzata (ou Malgoska, em forma crinhosa) Szumowska constrói um extraordinário filme não para chocar, mas para nos fazer refletir. O padre Adam nunca é retratado como um predador, mas sim como uma vítima de uma situação que não tem saída. Religioso devoto, ele vive sempre em conflito consigo mesmo, apelando para o álcool ocasionalmente como forma de fuga.
 
Suas caminhadas – filmadas com uso de bela fotografia e com planos gerais que tiram proveito da estupenda paisagem local –, descobrimos mais tarde, quando o vemos sugerindo a um jovem homossexual que corra 5km como forma de penitência, são mais uma forma de tentar desviar seus pensamentos das tentações de pecar. As caminhadas, diga-se de passagem, não são apenas belas, mas brilhantes em seu significado. Usando-as como interlúdios durante o filme, elas são os únicos trechos do longa que possuem trilha – composta unicamente com o uso de violinos, com apenas uma exceção – e mostram gradualmente sua aceitação/compreensão de sua “doença“.
 
Com menos simbolismo, mas igualmente genial ao dizer tanto em uma conversa tão curta, é em uma ligação – via skype – que ele faz para a irmã, que todas as dificuldades de sua vida são expostas. Primeiramente pelo fato dele, por vezes, tentar sem sucesso entrar em contato com a irmã. Passando por um momento difícil, quando ele finalmente consegue falar com ela, a conversa se mostra como um desabafo por parte dele, enquanto ela demonstra clara falta de interesse. E ao confessar para ela que ele se sente atraído por homens, os comentários dela de que “você não é doente” e “mas você sempre gostou de mulheres” demonstram o claro preconceito que há – não apenas – por parte da família, além de também revelar o fato de que ele vinha escondendo isso há muito tempo, mesmo de entes queridos.
 
Não fugindo de mostrar como a Igreja católica trata desse assunto, o filme nos permite testemunhar a conversa de um membro da paróquia de Adam com o bispo responsável pela região, onde ele acusa o padre de ser homossexual – após tê-lo flagrado em um momento íntimo com um garoto. Evitando qualquer conflito, o bispo diz não ser nada demais o que ocorreu e que ele resolverá a questão, o que resulta na transferência de Adam para outra cidade.
 
O filme ainda conta com boas atuações por parte de seu elenco, mas real destaque vai mesmo para a fenomenal e tocante performance de Andrzej Chyra como o Padre protagonista que, embora sempre contido, consegue claramente transmitir uma sensação de serenidade quando está “a trabalho”, enquanto demonstra claro desconforto em sua vida pessoal, mesmo antes de suas crises depressivas. Nos poucos momentos de prazer e felicidade em que o vemos, é comovente notar a dificuldade que Adam tem para se entregar por completo, para verdadeiramente desfrutá-los.

Só nos resta aguardar o lançamento deste filme aqui, no Brasil...

Enquanto isso, veja o trailer (legendas em inglês):

 

19 de setembro de 2013

Quanto valem cinco minutos?



"Ah, depende" - vai dizer qualquer um e eu também diria. E os 5 minutos diferentes, surpreendentes e cheios de graça? Estes, sim! Têm o poder de transformar um dia chato em uma data inesquecível. Ainda que a grande parte daquela experiência se desenvolva, apenas, na imaginação da gente, os 5 minutos em questão, permanecem mais reais do que o resto da vida e da história. Sem dúvida, trata-se de um efeito extraordinário, capaz de alcançar aqueles "sensores de emoção", muito pessoais e incomparáveis. É a prerrogativa de cada ser humano - dizer: "eu sou assim". E é por isso que um evento qualquer torna-se para alguém o início de uma vida nova, o "divisor de águas", enquanto todo o resto da humanidade passa por aquele momento sem notar coisa alguma...
 
Eu sou assim: preciso de um ambiente pequeno e aconchegante, com a música (com preferência, apenas instrumental) e com algumas pessoas (com preferência, poucas e, necessariamente, simpáticas e... bonitas). É, justamente por isso (e por alguns outros motivos) eu não vou ao Rock in Rio... Quanto ao ambiente, acredite quem quiser, pode ser, até, um vagão do metrô que, apesar da hora do rush, está quase vazio, porque vai na direção oposta da multidão. Tipo, a linha 1 (Saens Peña - Cantagalo), por volta das 20 h.
 
O início, como em cada aventura, é inesperado e as aparências enganam. Pela plataforma correm alguns atrasados, mas correm bem, sem se incomodar com os objetos que carregam. Afinal, são jovens. Como uns garotos em mais uma travessura, sorrindo, colocam mochilas e algumas outras coisas no meio do vagão e, depois de um pedido de licença e de desculpas, começa o show. Os três rapazes são músicos. Tocam alguns trechos da mais ampla MP(B). A maestria chama atenção, mas só ela não completaria o espetáculo. O sorriso está perfeitamente sintonizado com a música, faz parte integral desta arte. Os músicos e, depois, algumas pessoas no vagão, deixam se levar pela melodia e agora os corpos retratam o ritmo. Parece que até o trem batuca junto.
 
Mais uns sorrisos, um "obrigado", o pandeiro, como uma sacolinha, recolhe as moedinhas e algumas amassadas notas azuis. Porta se abre - porta se fecha. O momento - em si - acabou, mas você foi transportado para uma dimensão indescritível. A vida ganhou o novo sentido. Se for possível, eu me casaria com o banjoísta (o músico que toca banjo e o dono de um lindo sorriso).
 
Agora vamos às pesquisas...
 
Basta digitar, em "busca" do YouTube, algo do tipo "música metrô rio" e logo você se depara com a imagem e o som bem familiares. É possível notar que a formação não é, exatamente, fixa, mas possui um nome e uma história. É o grupo chamado "Mambembes" (entre os significados, fornecidos pelos dicionários, está o de um grupo de artistas de rua). Mambembes têm a sua página no facebook e por ali consegui identificar a formação que encontrei na noite de terça-feira passada.
 
O grupo assim se descreve: Mambembes é o encontro de artistas com o intuito de realizar intervenções urbanas e onde quer que seja. Realiza intervenções pela cidade, isto é, a proposta, primeiramente, é atuar como músicos de rua. Mas somos, acima de tudo, músicos. O repertório abarca diversos estilos, mas os mais presentes fazem parte da música brasileira, principalmente a regional.

A página no facebook traz, também, a lista dos músicos:
Felipe Lemos - Pandeiro
Mário Laignier - Violino
Yuri Rodrigues - Banjo
 
Tive a honra de ver e ouvir o Felipe (o do pandeiro) e o Yuri (músico freelancer, compositor, arranjador, intérprete, professor particular... sim, é este com quem me casaria HAHAHA, falando mais sério: ele também tem uma página no facebook). Nessa ocasião o violonista, Mário, (provavelmente) tinha sido substituído por um outro músico que tocava uma escaleta (o instrumento de sopro com o teclado), parecido com o Jamiliano, mas não tenho certeza...
 
 

 

O que o Papa disse?

 
Os meios de comunicação, grandes e pequenos (inclusive, as redes sociais), citam as palavras do Papa Francisco, de sua recente entrevista, concedida ao Pe. Antonio Spadaro, SJ, Diretor da revista dos jesuítas "La Civiltà Cattolica". Ao lado das citações, aparecem várias acusações, de todos os lados, alegando a "manipulação" tramada pelo adversário. A solução é simples: é preciso, apenas, ler o texto na íntegra. Quem quiser, vai encontra-lo AQUI. Na lista de assuntos (Índice da Entrevista), como o último item, aparece: "Entrevista completa" e pronto...
 
Como o blog tem as suas limitações, não vou transcrever aqui o texto completo, mas também não posso deixar por isso mesmo. Cito, então, um trecho, talvez o mais polêmico (sem cortes no meio), destacando - através de grifos - as partes que mais chamam a minha atenção. Deixei, até, a grafia de português de Portugal (paciência!):
 
«Em vez de ser apenas uma Igreja que acolhe e recebe, tendo as portas abertas, procuramos mesmo ser uma Igreja que encontra novos caminhos, que é capaz de sair de si mesma e ir ao encontro de quem não a frequenta, de quem a abandonou ou lhe é indiferente. Quem a abandonou fê-lo, por vezes, por razões que, se forem bem compreendidas e avaliadas, podem levar a um regresso. Mas é necessário audácia, coragem».

Reflicto naquilo que o Papa está a dizer e refiro o facto que existem cristãos que vivem em situações não regulares para a Igreja ou, de qualquer modo, em situações complexas, cristãos que, de um modo ou de outro, vivem feridas abertas. Penso nos divorciados recasados, casais homossexuais, outras situações difíceis. Como fazer uma pastoral missionária nestes casos? Em que insistir? O Papa faz sinal de ter compreendido o que pretendo dizer e responde.

«Devemos anunciar o Evangelho em todos os caminhos, pregando a boa nova do Reino e curando, também com a nossa pregação, todo o tipo de doença e de ferida. Em Buenos Aires recebia cartas de pessoas homossexuais, que são “feridos sociais”, porque me dizem que sentem como a Igreja sempre os condenou. Mas a Igreja não quer fazer isto. Durante o voo de regresso do Rio de Janeiro disse que se uma pessoa homossexual é de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-la. Dizendo isso, eu disse aquilo que diz o Catecismo. A religião tem o direito de exprimir a própria opinião para serviço das pessoas, mas Deus, na criação, tornou-nos livres: a ingerência espiritual na vida pessoal não é possível. Uma vez uma pessoa, de modo provocatório, perguntou-me se aprovava a homossexualidade. Eu, então, respondi-lhe com uma outra pergunta: “Diz-me: Deus, quando olha para uma pessoa homossexual, aprova a sua existência com afecto ou rejeita-a, condenando-a?” É necessário sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas e nós devemos acompanhá-las a partir da sua condição. É preciso acompanhar com misericórdia. Quando isto acontece, o Espírito Santo inspira o sacerdote a dizer a coisa mais apropriada».

«Esta é também a grandeza da confissão: o facto de avaliar caso a caso e de poder discernir qual é a melhor coisa a fazer por uma pessoa que procura Deus e a sua graça. O confessionário não é uma sala de tortura, mas lugar de misericórdia, no qual o Senhor nos estimula a fazer o melhor que pudermos. Penso também na situação de uma mulher que carregou consigo um matrimónio fracassado, no qual chegou a abortar. Depois esta mulher voltou a casar e agora está serena, com cinco filhos. O aborto pesa-lhe muito e está sinceramente arrependida. Gostaria de avançar na vida cristã. O que faz o confessor?»

«Não podemos insistir somente sobre questões ligadas ao aborto, ao casamento homossexual e uso dos métodos contraceptivos. Isto não é possível. Eu não falei muito destas coisas e censuraram-me por isso. Mas quando se fala disto, é necessário falar num contexto. De resto, o parecer da Igreja é conhecido e eu sou filho da Igreja, mas não é necessário falar disso continuamente».
 
«Os ensinamentos, tanto dogmáticos como morais, não são todos equivalentes. Uma pastoral missionária não está obcecada pela transmissão desarticulada de uma multiplicidade de doutrinas a impor insistentemente. O anúncio de carácter missionário concentra-se no essencial, no necessário, que é também aquilo que mais apaixona e atrai, aquilo que faz arder o coração, como aos discípulos de Emaús. Devemos, pois, encontrar um novo equilíbrio; de outro modo, mesmo o edifício moral da Igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, de perder a frescura e o perfume do Evangelho. A proposta evangélica deve ser mais simples, profunda, irradiante. É desta proposta que vêm depois as consequências morais».

«Digo isto também pensando na pregação e nos conteúdos da nossa pregação. Uma bela homilia, uma verdadeira homilia, deve começar com o primeiro anúncio, com o anúncio da salvação. Não há nada de mais sólido, profundo e seguro do que este anúncio. Depois deve fazer-se uma catequese. Assim, pode tirar-se também uma consequência moral. Mas o anúncio do amor salvífico de Deus precede a obrigação moral e religiosa. Hoje, por vezes, parece que prevalece a ordem inversa. A homilia é a pedra de comparação para calibrar a proximidade e a capacidade de encontro de um pastor com o seu povo, porque quem prega deve reconhecer o coração da sua comunidade para procurar onde está vivo e ardente o desejo de Deus. A mensagem evangélica não pode limitar-se, portanto, apenas a alguns dos seus aspectos, que, mesmo importantes, sozinhos não manifestam o coração do ensinamento de Jesus.»
 
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E aqui vem o "grito desesperado" no facebook: "O GLOBO E VEJA MENTEM E COLOCAM PALAVRAS QUE O PAPA NÃO DISSE. TIRAM DO CONTEXTO E AFIRMAM O QUE DESEJAM. COMPARTILHE A VERDADE PQ LOGO LOGO TE PERGUNTARÃO SE O PAPA... BLABLABLA
ESCREVA PARA ELES E RECLAME. NÃO DÁ MAIS PRA TANTA MANIPULAÇÃO. TODA VEZ QUE O PAPA DIZ ALGO, ELES DISTORCEM..."
 
 
Bem... a foto divulgada pelos "defensores da verdade", também traz algumas afirmações tiradas do contexto. Curiosamente, os "verdadeiros católicos" têm medo de citar o Papa Francisco, quando ele diz:
 
Em Buenos Aires recebia cartas de pessoas homossexuais, que são “feridos sociais”, porque me dizem que sentem como a Igreja sempre os condenou. Mas a Igreja não quer fazer isto.
 
A religião tem o direito de exprimir a própria opinião para serviço das pessoas, mas Deus, na criação, tornou-nos livres: a ingerência espiritual na vida pessoal não é possível. Uma vez uma pessoa, de modo provocatório, perguntou-me se aprovava a homossexualidade. Eu, então, respondi-lhe com uma outra pergunta: “Diz-me: Deus, quando olha para uma pessoa homossexual, aprova a sua existência com afecto ou rejeita-a, condenando-a?” É necessário sempre considerar a pessoa. Aqui entramos no mistério do homem. Na vida, Deus acompanha as pessoas e nós devemos acompanhá-las a partir da sua condição. É preciso acompanhar com misericórdia.

18 de setembro de 2013

Mês da Bíblia (7) - 4° encontro

Estou seguindo aqui o roteiro de encontros, proposto pela Comissão  Bíblico-Catequética da CNBB, para o Mês da Bíblia de 2013. O 4° encontro, baseado no capítulo 15 do Evangelho de Lucas, tem como o tema: "Os desafios e problemas no seguimento [de Jesus], priorizando Lc 15". Vale lembrar que, neste ano, o Mês da Bíblia conta com o lema "Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido” (Lc 15). Os perdidos e reencontrados, descritos neste capítulo, são: a ovelha, a moeda e, principalmente, o filho - mais conhecido pelo apelido de "pródigo", cuja história ocupa 22 dos 32 versículos. Neste blog pode ser encontrada uma reflexão sobre o filho pródigo, portanto, hoje vou me deter em duas "microparábolas" (uma consiste em 4 versículos e outra em 3 - mesmo assim, o próprio Evangelista Lucas, insere em sua narrativa a seguinte introdução: Então lhes propôs a seguinte parábola [v. 3], o que sugere que as pequenas histórias, sobre o pastor das ovelhas e mulher das moedas, fazem parte integral da longa história sobre o pai e seus dois filhos).
 
O que une esses fatos tão distintos, é a alegria do reencontro. É importante notar essa conclusão, pois, vezes sem fim, temos ouvido as pregações em nossas igrejas que, ao falar - principalmente - sobre o filho pródigo, insistem em frisar o pecado, como se fosse essa a essência do ensinamento de Jesus. O texto, porém, não deixa dúvidas. Antes de apresentar as parábolas (ou a parábola, como ele mesmo diz), Lucas faz um comentário muito claro: Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida! Então lhes propôs a seguinte parábola (Lc 15, 1-3). Jesus contrapõe a amargurada murmuração dos fariseus e escribas (representados pelo filho mais velho) ao júbilo no céu (retratado pela alegria do pastor, da mulher e do pai) por um pecador que se arrepende e faz penitência.
 
Aqui está, de fato, a resposta à questão indicada para este 4° encontro do Mês da Bíblia: "Os desafios e problemas no seguimento de Jesus". De novo, vou apelar à atenção: não se trata de desafios e problemas na pregação do Evangelho de Jesus, mas de desafios e problemas daqueles que ouvem o anúncio e querem corresponder a ele pela atitude de segui-lo. Bem... o lógico seria que os pregadores fossem, antes de tudo, os primeiros seguidores, mas - tanto a leitura, quanto a experiência - dizem que, muitas vezes, acontece o contrário. Podemos, então dizer que um dos desafios/problemas no seguimento de Jesus, sejam, lamentavelmente, os fariseus e escribas, travestidos de pregadores, pastores, padres, bispos, catequistas e tantos outros dignitários da(s) Igreja(s)...
 
Muitos de nós, homossexuais, já estivemos diante de um "irmão mais velho", ou seja, de um fariseu e escriba que "murmurava", ou fazia coisas bem piores, só ao nos ver por perto. Por outro lado, não é tão difícil imaginar a argumentação de muitos cristãos que diriam: "Jesus fala de pecador que se converte e vocês, gays, lésbicas e outros pecadores, nem pensam em mudar de vida!". Tudo bem, podemos começar uma conversa sobre os pecados de homossexuais (e todos os outros que não sejam heterossexuais), mas acredito que chegaríamos à conclusão de que, em sua maioria, tenham sido os pecados de cada ser humano, independentemente de sua orientação sexual (já que a homossexualidade em si, não é o pecado, por não ser algo voluntário).
 
Voltando ao texto do Evangelho, as palavras estão claras: Aproximavam-se de Jesus os publicanos e os pecadores para ouvi-lo. Os fariseus e os escribas murmuravam: Este homem recebe e come com pessoas de má vida! Ainda que alguém queira nos identificar como publicanos, pecadores e pessoas de má vida, muitos de nós desejam apenas aproximar-se de Jesus para ouvi-lo.
 
Vou dizer mais, principalmente aos que gostam de nos chamar de "sodomitas". Há um outro texto do Evangelho que tem muito a ver com o capítulo 15 de Lucas. É, também de Lucas: Mas se entrardes nalguma cidade e não vos receberem, saindo pelas suas praças, dizei: Até o pó que se nos pegou da vossa cidade, sacudimos contra vós; sabei, contudo, que o Reino de Deus está próximo. Digo-vos: naqueles dias haverá um tratamento menos rigoroso para Sodoma. (Lc 10, 10-12). O pecado de Sodoma descreve também o profeta Ezequiel: O crime da tua irmã Sodoma era este: opulência, glutoneria, indolência, ociosidade; eis como vivia ela, assim como suas filhas, sem tomar pela mão o miserável e o indigente (Ez 16, 49).
 
Que isso sirva de conclusão: a falta de acolhimento é uma abominação nos olhos do Senhor. A falta de acolhimento é o grande desafio e problema em nossas tentativas de seguir Jesus,

17 de setembro de 2013

Olavo de Carvalho

 
Recentemente, um amigo meu me mostrou o livro de Olavo de Carvalho "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" que tinha comprado. A apresentação dele foi feita com aquele brilho nos olhos que me deixou curioso. O amigo me disse que, para compreender melhor o conteúdo do livro, ele vai intercalar a leitura com os inúmeros vídeos, gravados pelo autor e disponíveis no YouTube. Curioso por natureza, fui lá para ver do que se trata. Já sabia que o cara é um filósofo e jornalista. Descobri que é, também, ex-astrólogo (o que explica muita coisa). Bem... assisti alguns vídeos e já sei que NÃO VOU LER aquele livro. Para mim foi mais que suficiente, ouvir as declarações do tipo:

- Vamos falar o português claro: no que consiste a homoafetividade masculina, né? Consiste um comer o cu do outro, meu filho. Consiste na boa e velha sodomia, você tá entendendo?

- A homofobia jamais existiu!

- [referindo-se ao Deputado Jean Wyllys] Você está nos acusando de incentivar uma violência que nem sequer existe. Você me pega esses 100 casos, onde não tem conexão alguma entre o discurso religioso e esses crimes... Ele vem com esses 100 casos de gays mortos que ele não tem nem sequer a prova que foi por preconceito antigay... Vocês, gauzistas, matam os cristãos desde I século! Vocês são os assassinos de cristãos! Desde o século I vocês são!  

Quem tiver paciência, assista esses dois vídeos (existem muitos outros!), mas a minha conclusão, inspirada no título daquele livro, é: O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, é ler os livros de Olavo de Carvalho e assistir os vídeos dele...
 
Quem quiser, tire as suas próprias conclusões (porra! - como diria Olavo de Carvalho)