ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



_____________________________________________________________________________



17 de setembro de 2013

Mês da Bíblia (6) - 3° encontro


"O papel das mulheres no seguimento de Jesus" é o tema do 3° encontro proposto pela CNBB para este Mês da Bíblia. A base de estudo é o texto do Evangelho de Lucas.
 
Como resumo podem servir alguns trechos da Carta Apostólica de João Paulo II "Mulieris dignitatem", por exemplo:

- Maria, desde o primeiro instante da sua maternidade divina, da união com o seu Filho que « o Pai enviou ao mundo, para que o mundo fosse salvo por ele » (cf. Jo 3, 17), insere-se no serviço messiânico de Cristo. (...)  Essa realidade determina também o horizonte essencial da reflexão sobre a dignidade e sobre a vocação da mulher. Ao pensar, dizer ou fazer algo em ordem à dignidade e à vocação da mulher, não se devem separar deste horizonte o pensamento, o coração e as obras. A dignidade de todo homem e a vocação que a ela corresponde encontram a sua medida definitiva na união com Deus. Maria — a mulher da Bíblia — é a expressão mais acabada desta dignidade e desta vocação. De fato, o ser humano, homem ou mulher, criado à imagem e semelhança de Deus, não pode realizar-se fora da dimensão desta imagem e semelhança. [n. 5]

Maria, a Mãe de Jesus, é mencionada no Evangelho de Lucas nos trechos sobre a Anunciação (1, 26-38), a visita a Isabel (1, 39-56), o Nascimento de Jesus (2, 1-20), a circuncisão e a apresentação de Jesus no Templo (2, 21-40), o desencontro e o reencontro com Jesus adolescente em Jerusalém (2, 41-52), a tentativa de encontro, durante a missão pública de Jesus (8, 19-21) e [indiretamente] o elogio da Mãe de Jesus, feito por uma mulher da multidão (11, 27-28). Embora pareça estranha a "ausência" de Maria, no texto de Lucas, em tais momentos como a Morte e Ressurreição de Jesus, nada impede que identifiquemos a sua figura entre "as mulheres que iam com Ele" (cf. 8, 3; 23, 49; 23, 55; 24, 10).

Na mencionada Carta Apostólica, João Paulo II escreve também:
 
- Diversas mulheres aparecem no itinerário da missão de Jesus de Nazaré, e o encontro com cada uma delas é uma confirmação da « novidade de vida » evangélica. [n. 12]
- Cristo se constituiu, perante os seus contemporâneos, promotor da verdadeira dignidade da mulher e da vocação correspondente a tal dignidade. [idem]
- Às vezes, figuras de mulheres aparecem nas parábolas, com que Jesus de Nazaré ilustrava aos seus ouvintes a verdade sobre o Reino de Deus. [n. 13]

...e, talvez, a constatação mais importante:
 
- Em todo o ensinamento de Jesus, como também no seu comportamento, não se encontra nada que denote a discriminação, própria do seu tempo, da mulher. Ao contrário, as suas palavras e as suas obras exprimem sempre o respeito e a honra devidos à mulher. Ao contrário, as suas palavras e as suas obras exprimem sempre o respeito e a honra devidos à mulher. (...) Este modo de falar às mulheres e sobre elas, assim como o modo de tratá-las, constitui uma clara « novidade » em relação aos costumes dominantes do tempo. Isso se torna ainda mais explícito no tocante àquelas mulheres que a opinião comum apontava com desprezo como pecadoras, pecadoras públicas e adúlteras. [idem]
- O comportamento de Jesus a respeito das mulheres, que encontra ao longo do caminho do seu serviço messiânico, é o reflexo do desígnio eterno de Deus, o qual, criando cada uma delas, a escolhe e ama em Cristo (cf. Ef 1, 1-5). Por isso, cada mulher é aquela « única criatura na terra que Deus quis por si mesma ». Cada mulher herda do « princípio » a dignidade de pessoa precisamente como mulher. Jesus de Nazaré confirma esta dignidade, recorda-a, renova-a e faz dela um conteúdo do Evangelho e da redenção, para a qual é enviado ao mundo. [idem]
 
- O modo de agir de Cristo, o Evangelho de suas obras e palavras é um protesto coerente contra tudo quanto ofende a dignidade da mulher. [n. 15]
 
- O fato de ser homem ou mulher não comporta aqui nenhuma limitação, como não limita em absoluto a ação salvífica e santificante do Espírito no homem o fato de ser judeu ou grego, escravo ou livre, segundo as palavras bem conhecidas do apóstolo: « todos vós sois um só em Cristo Jesus » (Ga 3, 28). Esta unidade não anula a diversidade. (...) A « igualdade » evangélica, a « paridade » da mulher e do homem no que se refere às « grandes obras de Deus », tal como se manifestou de modo tão límpido nas obras e nas palavras de Jesus de Nazaré, constitui a base mais evidente da dignidade e da vocação da mulher na Igreja e no mundo. Toda vocação tem um sentido profundamente pessoal e profético. Na vocação assim entendida, a personalidade da mulher atinge uma nova medida: a medida das « grandes obras de Deus », das quais a mulher se torna sujeito vivo e testemunha insubstituível. [n. 16]

Bem... o que podemos dizer é que as belas palavras da Bíblia e da doutrina da Igreja continuam sendo frequentemente contrariadas pela vida, inclusive daqueles que se declaram seguidores (e/ou ministros) de Jesus. Mas, ainda mais importante é reconhecer, seguindo o pensamento de João Paulo II, que as mulheres "apontadas com desprezo pela opinião pública" e defendidas em sua dignidade por Jesus, representam todos os seres humanos que, ainda hoje, encontram-se em situações de ofensa e discriminação.

Para que tenhamos mais facilidade em recorrer aos trechos do Evangelho de Lucas que mencionam as mulheres, segue aqui a lista completa das passagens:

1) As mulheres reais mencionadas pelo Evangelista:

- Maria, a Mãe de Jesus (Lc 1, 26-56; 2, 1-52; 8, 19-21)
- Isabel (1, 5-26; 1, 39-80)
- Ana (2, 36-38)
- Herodíades (3, 19)
- A sogra de Simão (4, 38-39)
- A viúva de Naim (7, 11-17)
- A pecadora (7, 37-50)
- As mulheres entre os seguidores de Jesus (8, 1-3)
- A filha de Jairo (8, 41-42 e 8, 49-56)
- A mulher com hemorragia (8, 43-48)
- Marta e Maria (10, 38-42)
- A mulher da multidão (11, 27-27)
- A mulher encurvada (13, 10-17)
- A viúva pobre (21, 1-4)
- A criada que reconheceu Pedro (22, 56-57)
- As mulheres no caminho da Cruz (23, 27-31)
- As mulheres no Calvário (23, 49)
- As mulheres no sepultamento de Jesus (23, 55-56)
- As mulheres e a Ressurreição de Jesus (24, 1-11)

2) As mulheres mencionadas por Jesus:

- Os nascidos de mulher (7, 28)
- A rainha do Sul (11, 31)
- As criadas (12, 45)
- A divisão em família (12, 52-53)
- [indiretamente] O casamento como desculpa (14, 20)
- A mãe, a mulher, as irmãs (14, 26)
- A mulher que perdeu uma moeda (15, 8-9)
- A mulher despedida (16, 18)
- A mulher de Ló (17, 32)
- Duas mulheres no fim dos tempos (17, 35)
- A viúva e o juiz (18, 2-5)
- Honrar pai e mãe (18, 21)
- Deixar a mulher (18, 29)
- Casar com a mulher do irmão falecido (20, 28-38)
- As viúvas exploradas (20, 47)
- As mulheres grávidas (21, 23)

16 de setembro de 2013

A prova de fogo


Escrevi recentemente sobre a hetronormatividade como algo que, infelizmente, ainda existe e, muito provavelmente, tem uma vida longa pela frente. A minha tese é que, apesar de todos os seus defeitos, esse fenômeno pode contribuir para o bem das pessoas que não sejam heterossexuais. Evidentemente, é necessário retirar tudo que naquele sistema filosófico-social tenha qualquer cheiro de preconceito. Porém, como se trata de relacionamento amoroso entre dois seres humanos, independentemente de sua orientação sexual, podemos encontrar nas experiências de casais heterossexuais muita coisa útil e aproveitá-la para nossa vivência homossexual. Como uma verdadeira "prova de fogo", gostaria de convidar a todos a uma sessão cinematográfica. Este, também, é o título do filme: "A prova de fogo".
 
Provavelmente seja necessário deixar aqui uma advertência: o filme é evangélico, dura quase duas horas e aborda o tema de relacionamento conjugal, evidentemente, heterossexual. A pergunta que fiz a mim mesmo e quero fazer aos eventuais leitores/espectadores, é: o que posso aprender com a experiência de um casal, formado por um homem e uma mulher e ainda buscando os argumentos na Bíblia e na fé? Bem... eu acho que, neste caso, posso aprender muito. E digo mais: lamento não ter conhecido este filme (e o livro "O Desafio de Amar" que é uma referência para o roteiro) na época em que vivi cada um dos meus relacionamentos. Creio muito que eles (ou, pelo menos um deles) pudesse ter uma história diferente e hoje eu não estaria sozinho... Mas, tenho a esperança de que, um dia, poderei colocar em prática algumas orientações práticas do filme (e do livro). Só falta um candidato que queira experimentar isso comigo...  
 
 
Agora vem o que interessa. Imagino que não vou conseguir convencer ninguém de ler o texto somente depois de assistir o filme, embora fosse melhor, na minha modesta opinião. Enfim, tanto faz, pode continuar a leitura...

O principal destinatário deste material (o filme + o livro) é alguém que enfrenta problemas de relacionamento, principalmente conjugal, mas, igualmente, pode servir aos namorados e, até, aquele solteiro que queira realizar uma espécie de simulação para se preparar ao futuro convívio com alguém especial. O meu propósito é provar que as orientações, elaboradas originalmente com a finalidade de ajudar os casais heterossexuais, podem se aplicar muito bem nos relacionamentos homossexuais, requerendo apenas pouquíssimas adaptações.

O livro de Stephen & Alex Kendrick com Lawrence Kibrought, "O desafio de amar" (BV Films Editora Ltda, Niterói - RJ, 2009) traz a seguinte apresentação:

O desafio de amar é um desafio de 40 dias para maridos e esposas que desejam entender e praticar o amor incondicional. Independentemente de como está o seu casamento, ameaçado ou saudável, O desafio de amar é uma estrada que precisa ser seguida. É hora de descobrir os segredos de um casamento cheio de vida e da verdadeira intimidade. Aceite o desafio! "Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba". (1 Coríntios 13:7-8). OUSE AMAR  

A realização deste desafio de amar fica muito melhor com o livro que, além de uma tarefa para cada dia, traz uma fundamentação bíblica e a motivação detalhada para cada passo (e ainda tem espaço para as anotações). Encontrei o livro nas seguintes livrarias: Saraiva, Submarino, gospelgoods. Pode ser encontrado, também, em forma de arquivo pdf para baixar, p. ex.: aqui.

Para quem não tiver vontade de ler o livro, transcrevo aqui as tarefas para 40 dias que podem ser modificadas, de acordo com a situação em que cada um está vivendo. Evidentemente, a realização mais completa, só é possível no caso de um casal que mora junto, mas - com adaptações que se fizerem necessárias - as tarefas podem ser cumpridas, também, pelos namorados. A dinâmica do desafio prevê a ação, digamos, unilateral e um tanto secreta (para preservar o elemento surpresa). Quer dizer: um segue o desafio e surpreende o outro. Aconselha-se, também, o uso de anotações (um caderno ou, quem sabe, um blog...).

Vamos lá...

1° dia [O Amor é paciente] :  Decida demonstrar paciência e de modo algum diga algo negativo para o seu cônjuge (namorado). Se a tentação surgir, não diga nada. É melhor segurar a língua do que dizer algo de que possa se arrepender depois. (Leituras bíblicas: Ef 4, 2; 1Tes 5, 15; Tg 1, 19; Pr 14, 29; 15, 18)

2° dia [O Amor é bondoso]: Além de, mais uma vez, não dizer palavras negativas ao seu cônjuge (namorado) hoje, demonstre bondade com, no mínimo, um gesto inesperado. (Leituras bíblicas: Ef 4, 32; Lc 10, 30-35; Pr 31, 26)

3° dia [O Amor não é egoísta]: Aquilo em que você colocar seu tempo, energia e dinheiro, será mais importante para você. É difícil se importar com algo em que você não está investindo. Além de evitar comentários negativos, compre para o seu cônjuge (namorado) alguma coisa que diga: "eu estava pensando em você hoje". (Leituras bíblicas: Rm 12, 1; 1Cor 13, 5; Flp 2, 3; Tg 3, 16)

4° dia [O Amor é atencioso]: Faça contato com o seu cônjuge (namorado) em algum momento durante a agitação do dia. Não faça outra coisa senão perguntar como ele está e se tem algo que você pode fazer por ele. (Leituras bíblicas: Gn 2, 18; Flp 1, 3)

5° dia [O Amor não maltrata]: Peça ao seu cônjuge (namorado) para lhe dizer três coisas sobre você que o deixam desconfortável e irritado. Faça isso sem atacá-lo e sem justificar seu comportamento. Preocupe-se apenas com a perspectiva dele. (Leituras bíblicas: Lc 6, 31; Pr 25, 24)

6° dia [O Amor não se irrita facilmente]: Escolha hoje para reagir de maneira amorosa, apesar das circunstâncias do seu casamento (namoro, relacionamento). Comece fazendo uma lista das áreas em que você precisa separar um tempo para respirar. Então, faça uma lista das motivações negativas e abra mão delas. (Leituras bíblicas: Mt 12, 34; Col 3, 12-14; Flp 4, 6-7; Tg 4, 1-3; Ef 4, 31)

7° dia [O Amor acredita sempre no melhor]: Para o desafio de hoje, pegue duas folhas de papel. Na primeira, passe alguns minutos escrevendo coisas positivas a respeito do seu cônjuge (namorado). Depois, na segunda folha, faça o mesmo com as coisas negativas. Coloque as duas folhas em um lugar secreto para o próximo dia. Existe um propósito e um plano diferente para cada uma dessas listas. Em algum ponto durante o resto do dia, escolha um atributo positivo e agradeça ao seu cônjuge (namorado) por ter essa característica. (Leituras bíblicas: 1Cor 13, 7; Flp 4, 8)

8° dia [O Amor não arde em ciúmes]: Decida ser o maior fã do seu cônjuge (namorado), e decida rejeitar qualquer pensamento invejoso. Para ajudá-lo a manter o coração em seu cônjuge (namorado) e a focar nas conquistas dele, pegue a lista de atributos negativos que você fez ontem e, discretamente, queime-a. Depois, compartilhe com seu cônjuge (namorado) o quanto você está feliz com o sucesso que ele conquistou recentemente. (Leituras bíblicas: Rm 12, 15; Tg 3, 16. 4, 1-2; Ct 8, 6; Pr 27, 4)

9° dia [O Amor deixa boas impressões]: Pense em uma maneira especial de cumprimentar o seu cônjuge (namorado) hoje. Faça isso com um sorriso e com entusiasmo. Então, decida mudar a maneira como o cumprimenta de modo que reflita o seu amor por ele. (Leituras bíblicas: 1Pd 5, 14; Fm 7)

10° dia [O Amor é incondicional]: Faça algo fora do normal para o seu cônjuge (namorado) - algo que prove (para você e para ele) que o seu amor é baseado em suas escolhas e em nada mais. Lave o carro dele. Limpe a cozinha. Compre a sobremesa favorita dele. Dobre as roupas lavadas. Demonstre amor pela simples alegria de serem parceiros no casamento (namoro). (Leituras bíblicas: Rm 5, 8; 1Jo 30, 10. 4, 19)

11° dia [O Amor cuida]: Quais as necessidades do seu marido (namorado) podem ser supridas por você hoje? Você pode adiar uma viagem de negócios? Fazer uma massagem nas costas ou no pé dele? Tem algum trabalho doméstico onde possa ajudar? Escolha um gesto hoje, diga, "eu cuido de você" e faça isso com um sorriso. (Leitura bíblica: Mc 10, 51)

12° dia [O Amor deixa o outro vencer]: Demonstre amor através da disposição, escolhendo ceder em uma área de desacordo entre você e seu cônjuge (namorado). Diga a ele que você está colocando a preferência dele em primeiro lugar. (Leituras bíblicas: Rm 12, 18; Flp 2, 4-5; Tg 3, 17)

13° dia [O Amor é justo]: Converse com o seu cônjuge (namorado) e estabeleça regras saudáveis de conflito. Se ele não estiver pronto para isso, então escreva os seus limites pessoais para a "briga". Decida colocá-los em prática quando o próximo desentendimento ocorrer. (Leituras bíblicas: Mt 7, 3; Mc 3, 25; Rm 12, 16)

14° dia [O Amor sente prazer]: Propositadamente, negligencie uma atividade que normalmente faria. Para gastar um tempo de qualidade com o seu cônjuge (namorado). Faça algo que ele amaria fazer, ou um projeto que ele gostaria muito de realizar. Apenas estejam juntos. (Leituras bíblicas: Ct 2, 3-4; Pr 23, 26)

15° dia [O Amor é nobre]: Escolha uma maneira de demonstrar honra e respeito ao seu cônjuge (namorado) que vá além da sua rotina. Pode ser abrir a porta para ele. Pode ser separar as roupas que ele irá vestir. Pode ser a forma como você ouve e fala com ele. Mostre ao seu cônjuge (namorado) que ele é altamente honrado aos seus olhos. (Leituras bíblicas: Rm 12, 10; 13, 7)

16° dia [O Amor intercede]: Comece hoje orando pelo coração do seu cônjuge (namorado). Ore por três áreas específicas da vida dele onde você deseja que Deus trabalhe. Ore por seu casamento (namoro, relacionamento). (Leituras bíblicas: Mt 7, 7; Lc 18, 1; Flp 4, 6-7; Tg 5, 16; 3Jo 2)

17° dia [O Amor traz intimidade]: Decida guardar os segredos do seu cônjuge (namorado), (a menos que seja perigoso para ele ou para você) e orar por ele. Fale com ele e demonstre amor, apesar desses segredos. Ouça-o quando ele compartilha com você seus pensamentos mais secretos e suas lutas. Faça com que ele se sinta seguro. (Leituras bíblicas: Gn 2, 25; Pr 17, 9; Ct 6, 3; 1Jo 4, 18)

18° dia [O Amor busca entender]: Prepare um jantar especial em casa só para vocês dois. O jantar pode ser tão agradável quanto você preferir. Separe este momento para conhecer seu cônjuge (namorado) melhor, talvez em áreas que vocês raramente conversam. Decida fazer desta uma noite agradável para você e para o seu amor. (Leituras bíblicas: Pr 3, 13; 4, 7; 24, 3-4)

19° dia [É impossível Amar?]: Olhe os desafios dos dias anteriores. Existe algum que parecia impossível para você? Você percebeu que precisa de Deus para mudar seu coração e lhe dar capacidade para amar? Peça a Ele para mostrar onde você precisa da intervenção Dele, e peça força e graça para cumprir o seu destino eterno. (Leituras bíblicas: Mt 19, 26; 1Jo 4, 7)

20° dia [Jesus Cristo é amor]: Desafio você a conhecer a Deus pela palavra. Desafio você a crer em Jesus como seu Salvador. Desafio você a orar: "Senhor Jesus, sou pecador, mas o Senhor mostrou o seu amor por mim morrendo para perdoar os meus pecados e o Senhor provou o seu poder de me salvar da morte através da ressurreição. Senhor, mude o meu coração, e salve-me pela sua graça." (Leituras bíblicas: Rm 5, 7-8; 2Cor 6, 2; Ef 2, 8-9; 1Jo 4, 8)

21° dia [O Amor é saciado em Deus]: Separe hoje um tempo para orar e ler a Bíblia. Tente ler um capítulo de Provérbios (são trinta e um - um suprimento para o mês todo), ou um capítulo do Evangelho (Mt, Mc, Lc, Jo) a cada dia. Enquanto você faz isso, mergulhe no amor e nas promessas que Deus tem para você. Isso lhe proporcionará crescimento na sua caminhada com Ele. (Leituras bíblicas: Jo 4, 10; Flp 4, 6-7. 19; Is 58, 11)

22° dia [O Amor é fiel]: Amar é uma escolha. Não um sentimento. É uma ação inicial não uma ação automática. Hoje, escolha estar comprometido a amar, mesmo que seu cônjuge (namorado) tenha perdido o interesse em receber o seu amor. Diga a ele hoje, com palavras semelhantes a essas, "eu amo você e ponto final. Eu escolho amar você mesmo se você não me amar em troca". (Leitura bíblica: Lc 6, 32-33)

23°dia [O Amor sempre protege]: Remova qualquer coisa que esteja atrapalhando seu relacionamento, qualquer vício ou influência que esteja se infiltrando em seu amor e afastando seu coração do seu cônjuge (namorado). (Leituras bíblicas: Mt 24, 43; 1Cor 13, 7)

24° dia [Amor  x  cobiça]: Acabe com a cobiça agora. Identifique todo objeto dela em sua vida e remova-o. Rejeite todas as mentiras em que você acreditava ter prazer. A cobiça não pode terá permissão de ficar por perto. Ela deve ser destruída e exterminada - hoje - e substituída pelas promessas de Deus e por um coração cheio do seu perfeito amor. (Leituras bíblicas: Mt 6, 25-34; 1Tm 6, 7)

25° dia [O Amor perdoa]: Seja o que for que você ainda não perdoou em seu cônjuge (namorado), perdoe hoje. Esqueça. Assim como pedimos a Deus para "perdoar as nossas ofensas" a cada dia, devemos pedir a Deus para ajudar-nos a "perdoar a quem nos tem ofendido" a cada dia também. A falta de perdão tem mantido você e seu cônjuge (namorado) na prisão por muito tempo. Diga de coração, "eu escolhi perdoar". (Leitura bíblica: Mt 18, 21-35)

26° dia [O Amor é responsável]: Separe um tempo para orar pelas áreas onde você tem errado. Peça o perdão de Deus, então, humilhe-se a ponto de admiti-los ao seu cônjuge (namorado). Faça isso sinceramente e verdadeiramente. Peça perdão a seu cônjuge (namorado) também. Não importa como ele irá responder, certifique-se de ter assumido sua responsabilidade em amor. Mesmo se ele responder com uma crítica, aceite-a como um conselho. (Leituras bíblicas: Rm 2, 1; 1Jo 1, 8-9)

27° dia [O Amor encoraja]: Elimine do seu lar (do seu namoro, do seu convívio) o veneno das expectativas erradas. Pense em uma área onde seu cônjuge (namorado) tenha dito que você está esperando muito, e diga a ele que você está arrependido por ter exigido muito dele. Prometa que você procurará entendê-lo, e o assegure de seu amor incondicional. (Leituras bíblicas: 1Tes 5, 11; Hbr 10, 24)

28° dia [O Amor se sacrifica]: Qual é a maior necessidade do seu cônjuge (namorado) nesse momento? Existe alguma necessidade que você pode suprir hoje através de um ato corajoso de sacrifício da sua parte? Independente da necessidade ser grande ou pequena. Proponha-se a fazer o que você puder para suprir essa necessidade. (Leituras bíblicas: Mt 25, 35-36; Gl 6, 2; 1Jo 3, 16)

29° dia [A motivação do Amor]: Antes de ver seu cônjuge (namorado) hoje, ore por ele e por suas necessidades. Diga "eu te amo", sendo fácil para você ou não. Então expresse amor de maneira sensível. Volte-se a Deus em oração mais uma vez, agradecendo a Ele por ter lhe dado o privilégio de amar essa pessoa tão especial - incondicionalmente. Assim como Ele ama vocês dois. (Leituras bíblicas: Jo 15, 12-17; Cl 3, 23)

30° dia [O Amor traz unidade]: Separe uma área que causa divisão em seu casamento (namoro, relacionamento) e olhe para ela hoje como uma oportunidade de orar. Peça a Deus para revelar o que há no seu ração que está ameaçando sua unidade com seu cônjuge (namorado). Ore para que Deus faça o mesmo com ele. E se for apropriado, discuta abertamente esse problema, buscando em Deus a unidade. (Leituras bíblicas: Gn 1, 26; Jo 17, 11)

31° dia [O Amor e o casamento]: Existe algum "rompimento" (com a família ou os amigos) que você ainda não teve coragem de realizar? Confesse-o ao seu cônjuge (namorado) hoje, e decida agir corretamente. A unidade do seu casamento (namoro, relacionamento) depende disso. Siga a unidade com o compromisso com seu cônjuge (namorado) e com Deus de fazer do seu casamento (namoro) o relacionamento humano mais importante da sua vida. (Leitura bíblica: Lc 9, 57-62)

32° dia [O Amor satisfaz as necessidades sexuais]: Se possível, relacione-se sexualmente com o seu marido (namorado) hoje. Faça isso de maneira que honre o que seu cônjuge (namorado) lhe disse (ou deixou implícito) a respeito das necessidades dele em relação à sexualidade. Peça a Deus para que esse momento seja agradável para os dois e para que também seja um caminho para uma intimidade cada vez maior. (Leitura bíblica: Ct 5, 10-16). Observação: No caso de namorados que ainda não tiveram a experiência de intimidade sexual, a tarefa deste dia não deve ser compreendida como obrigatória, no sentido literal. Pode ser substituída pelas atitudes de carinho e de intimidade, dentro dos atuais padrões de relacionamento.

33° dia [O Amor completa um ao outro]: Faça-o saber hoje que você deseja incluí-lo em suas próximas decisões, e que você precisa do seu conselho e ponto de vista. Se você ignorou as ideias dele no passado, admita seu descuido e peça-o para perdoá-lo. (Leituras bíblicas: Cl 3, 14-15; Ecl 4, 9-11)

34° dia [O Amor celebra a Deus]: Encontre um exemplo específico e recente de quando seu cônjuge (namorado) demonstrou o caráter cristão de forma notável. Elogie-o verbalmente por isto em algum momento do dia. (Leitura bíblica: 2Ts 1, 3-4)

35° dia [O Amor presta contas]: Busque um conselheiro para casais - alguém que seja um cristão firme e que será honesto e amoroso (e isento de homofobia). Se você sente que o aconselhamento é necessário, então dê o primeiro passo para marcar o primeiro encontro. Durante esse processo, peça a Deus para direcionar suas decisões e discernimento. (Leitura bíblica: Lc 3, 10-14)

36° dia [O Amor é a palavra de Deus]: Tenha o compromisso de ler a Bíblia todos os dias. Encontre um livro devocional ou outra fonte que lhe servirá como guia. Se seu cônjuge (namorado) está aberto a isto, veja se ele se comprometerá a ler a Bíblia diariamente (ou frequentemente) com você. Inicie submetendo cada área da sua vida à direção da palavra de Deus e comece a construir a sua vida e seu casamento (namoro, relacionamento) na rocha. (Leituras bíblicas: Rm 15, 4; 2Tm 3, 14)

37° dia [O Amor concorda em Oração]: Pergunte ao seu cônjuge (namorado) se vocês podem começar a orar juntos. Conversem sobre a melhor hora para fazer isso, seja pela manha na hora do almoço ou antes de dormir. Utilize este tempo para colocar suas preocupações, discórdias e necessidades diante do Senhor. Não esqueça de agradecê-lo pela provisão e pelas bênçãos. Mesmo se o seu cônjuge (namorado) se recusara fazer isso, decida ter esse tempo de oração diariamente, ainda que sozinho. (Leituras bíblicas: Lc 11, 5-13; Mt 18, 19-20)

38° dia [O Amor realiza sonhos]: Pergunte a si mesmo o que o seu cônjuge (namorado) iria querer, se fosse possível de obter. Leve isso em oração e comece a mapear um plano para atender a alguns (se não todos) desses desejos, em todos os níveis possíveis. (Leituras bíblicas: Rm 5, 8; 2Cor 9, 8)

39° dia [O Amor permanece]: Passe um tempo orando individualmente, então escreva uma carta de comprometimento ao seu cônjuge (namorado). Inclua a razão pela qual está se comprometendo com este casamento até a morte (ou namoro, relacionamento) e que decidiu amá-lo, não importam as razões. Deixe-a em um lugar onde o seu cônjuge (namorado) possa encontrá-la. (Leituras bíblicas: 1Cor 13, 8; 1Jo 3, 16.18)

40° dia [O Amor é uma aliança]: Escreva novas promessas assim como você fez no dia do seu casamento (compromisso, início de namoro). Guarde-as em algum lugar da sua casa. Talvez, se for apropriado (e possível), você possa renovar essas promessas formalmente diante de um ministro e com a família presente. Faça dessas promessas um testamento vivo do valor do casamento (namoro) aos olhos de Deus e da grande honra de ser um com seu cônjuge (namorado). (Leituras bíblicas: Jo 15, 9; 1Sm 18, 1-4)

Parabéns! Você chegou ao final de O Desafio de Amar - o livro. Mas a experiência e o desafio de amar o seu cônjuge (namorado) é algo que não tem que ter um fim. Continua para o resto da sua vida. Este livro termina no 40° dia, mas quem disse que o seu desafio terminou? E, à medida que você vê o seu casamento (namoro, relacionamento) por essa perspectiva, nós desafiamos você a considerá-lo como uma aliança e não como um contrato. Essas duas palavras são parecidas em significado e intenção, mas, na realidade, são bastante diferentes. Ver o casamento como um contrato é como dizer ao seu cônjuge: "Eu tomo você para mim e vamos ver se dá certo". Porém, vê-lo como uma aliança muda a fala para: "Eu me entrego a você e me comprometo com este casamento por toda a minha vida".  

15 de setembro de 2013

Heteronormatividade: é o que temos...

Foto: papaigay
 
O termo "heteronormatividade" é relativamente novo e apareceu na literatura GLSBTTS, como um neologismo de fácil compreensão. Eu mesmo passei a usar esta palavra, ora citando alguns autores, ora tentando fazer a referência ao fenômeno que perece ser tão óbvio, quanto - as vezes - enganador. Digo enganador, não no sentido de estar errado em si, mas que pode nos levar a umas conclusões precipitadas. Para explicar melhor, vou recorrer a um exemplo de cunho doméstico. Imaginemos os preparativos para ceia de Natal, na casa de uma família pobre. Todo mundo sonhava com aquele peru enorme ou, pelo menos, um chester, mas as coisas não foram exatamente assim como todos esperavam. Houve uns gastos a mais naquela mesma época e só deu para comprar um frango médio. A mulher, mãe daquela família, olhou à cara triste do filho e disse: "Meu filho, é o que temos, vamos dar graças a Deus!"...
 
Mais ou menos neste sentido que digo: a heteronormatividade é o que temos. Pelo menos no momento.
 
Alguns autores apresentam tal fenômeno, como algo que precisa ser urgentemente superado, combatido e extinto, para, finalmente, livrar a sociedade do preconceito, notadamente, de homofobia.
 
Um dos exemplos dessa opinião, à qual dou muita razão, é (já citado aqui) o livro de Klecius Borges "Muito além do arco-íris" que diz: Por mais que certas questões relacionais sejam comuns a todos os indivíduos e casais, afirmar que casais são casais, não importa a sua orientação e identidade sexual, é no mínimo um reducionismo. Para mim, essa atitude é inaceitável. Essa afirmação desconsidera as dinâmicas psíquicas e sociais envolvidas nas vivências e experiências de indivíduos e casais submetidos a uma cultura não apenas heteronormativa, mas muitas vezes opressora e dominada, ainda hoje, por práticas e atitudes fortemente discriminatórias. (p. 11)
 
Por sua vez, Alex Castro, citando a sua conversa com o psicólogo clínico Gilmaro Nogueira, na Revista online "Papo de Homem" (o texto reproduzido, também, pelo portal Homorrelidade), diz: A heteronormatividade é tão forte que opera até mesmo dentro da comunidade de gays, lésbicas e simpatizantes. Sempre que alguém, mesmo se for GLS, reclama contra gays afetados, exagerados, ou efeminados demais, está se caindo também, sem nem perceber, na armadilha da heteronormatividade, ou seja, “até aceito gays, desde que se comportem de acordo com a norma heterossexual de conduta masculina”.
 
Concordo quase com tudo, mas pergunto: na certeza de que esse processo de superação seja um processo longo e penoso, o que podemos fazer agora? Apenas esperar até que a heteronormatividade acabe? E se não acabar, enquanto estivermos vivos e só será possível criar uma nova mentalidade daqui a um século?
 
Discordo um pouco da opinião de Klecius Borges, quanto ao reducionismo, do qual ele fala e que se refere à atitude de equiparar os casais homossexuais aos heterossexuais (é bom notar que a Igreja levanta o mesmo questionamento e usa o mesmo termo, só que em direção oposta!). A minha opinião é que o relacionamento, antes de ser hetero- ou homossexual, é um relacionamento humano e como tal tem, de fato, muito em comum em todos os seus tipos, se olharmos aos requisitos necessários e básicos, tais como diálogo, confiança, perdão, humildade, sacrifício, etc. Na atual e quase total ausência de um sólido material de estudo sobre o relacionamento exclusivamente heterossexual, o que temos para hoje, é uma vasta literatura que trata de casais heterossexuais e de seus inúmeros problemas, fornece testemunhos de superação daqueles mesmos problemas, etc.
 
Voltando à imagem do frango, no lugar do peru: a mãe precisou tomar mais cuidado em sua generosidade, ao dividir as porções. Esse "tomar cuidado" é importante, mas associa-se ao "é o que temos". Seria um absurdo se aquela família ficasse olhando ao frango em cima da mesa, reclamando que não era um peru e ficasse com fome, logo na noite de Natal. O filho poderia ficar revoltado, jogar o frango ao chão e gritar: "Se não for o peru, eu prefiro não comer nada! Para mim o Natal acabou!". Imagino a mãe, igualmente muito triste e decepcionada, repetindo: "Mas é o que temos por hoje, meu filho! É o que temos!"... A palavra cuidado aplica-se aqui perfeitamente. Trata-se de ler, estudar e consultar, todos aqueles livros e artigos, sempre com um pé atrás, para (como diz Alex Castro) não cair na armadilha da heteronormatividade, mas, ao mesmo tempo, aprendendo com aquilo que realmente possa ser considerado universal em cada relacionamento humano. Por enquanto (até que acabe a heteronormatividade), a única restrição seria: "o relacionamento amoroso" (para não se afogar em questões de relacionamentos entre pais e filhos, amigos, chefes e subordinados, etc). Acredito muito que, no amor humano, seja ele voltado à pessoa do mesmo sexo, ou do sexo oposto, haja muito em comum, justamente por ele ser... humano.
 
Como exemplo prático, prometo publicar aqui (em breve), em forma de exercício para os casais homossexuais, um texto baseado no material que se encaixa perfeitamente naquele conceito da heteronormatividade. Digo mais, é um material do tipo gospel, ou seja, evangélico...
 
...é o que temos por hoje...

14 de setembro de 2013

Tem ou não tem problema?


A cultura popular cristã, ou se alguém quiser, a consciência coletiva cristã popular, enfim, a mentalidade, o mundo, ou seja qual for o nome que tenhamos usado, sempre com o destaque no "popular", reage com repulsa a qualquer referência à intimidade entre as pessoas do mesmo sexo, especialmente, entre os homens (até porque a mulher, naquele mesmo ambiente, é frequentemente ignorada). Não precisamos de provas científicas para constatar a influência que tal cultura exerce nos costumes e comportamentos da sociedade, por mais laica que ela própria se declare. Alguém já viu o abraço de dois homens? Evita-se o contato frontal, é algo que parece com a pegada de lado, com uns tapinhas que lembram os golpes de luta. Se passar além disso, já surge aquele "Opa!". Se tocar no assunto de sentimentos, ou de intimidade entre os homens, logo aparece o comentário sobre a "coisa do gay". É algo tão vergonhoso, nojento e estranho que a melhor coisa é, simplesmente, evitar o assunto. Entretanto, a própria cultura cristã, naquela dimensão que chamamos de espiritualidade, ou mística (e, por isso, não pertence ao nível popular), tais referências não só existem, mas ainda ganham a intensidade extraordinária.

Vejamos algumas afirmações:

Desde o século III, o celibato encontrou seu lugar na vida e na espiritualidade cristãs como estado superior ao casamento, comparado com a condição angélica, esponsais com Cristo, núpcias místicas, oferecimento total e perfeito a Deus (compare aqui). Embora a ideia das núpcias místicas com Cristo tenha sido mais difundida entre as mulheres (Santa Catarina, Santa Teresa, Santa Teresinha, etc.), também é conhecida e experimentada entre os homens. O clássico é, sem dúvida, São João da Cruz que, em vários textos, exalta essa dimensão da vida espiritual. A referência direta é o amor entre homem e mulher. Ainda que se possa tentar interpretar essa imagem tendo Cristo como "ele" e a alma como "ela", não deixa de ser a união íntima entre "ele" (Cristo, verdadeiro homem) e "ele" (no caso, João da Cruz, também verdadeiro homem, composto de alma e corpo). O grande místico espanhol do século XVI não teve problema em escrever, por exemplo, no "Cântico espiritual":

(I) Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo fugiste,
Havendo‑me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido.
 
(XI) Mostra tua presença!
Mate‑me a tua vista e formosura;
Olha que esta doença
De amor jamais se cura,
A não ser com a presença e com a figura.
 
(XXIV) Nosso leito é florido,
De covas de leões entrelaçado,
Em púrpura estendido,
De paz edificado,
De mil escudos de ouro coroado.
 
(XXVI) Na interior adega
Do Amado meu, bebi; quando saía,
Por toda aquela várzea
já nada mais sabia,
E o rebanho perdi que antes seguia.
 
(XXVII) Ali me abriu seu peito
E ciência me ensinou mui deleitosa;
E a ele, em dom perfeito,
Me dei, sem deixar coisa,
E então lhe prometi ser sua esposa.
 
(XXXVI) Gozemo‑nos, Amado!
Vamo‑nos ver em tua formosura,
No monte e na colina,
Onde brota a água pura;
Entremos mais adentro na espessura.

Na verdade, toda essa questão de relação íntima entre dois seres do sexo masculino, é bem anterior à experiência mística do século XVI. A teologia cristã, embora sempre consciente de que se trata de um "mistério indizível", quando procura expor a dinâmica da Santíssima Trindade, diz: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho (Catecismo da Igreja Católica, Compêndio, n. 48). Evidentemente, tal afirmação não quer dizer que as três Pessoas da Santíssima Trindade sejam de "sexo masculino", ainda que essa tenha sido a imagem comum: é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ao mesmo tempo, a frase "o Pai gera o Filho", leva-nos à analogia com a família humana. Disse sobre isso o Papa Bento XVI: Não é só a Igreja que é chamada a ser imagem do Deus Uno em Três Pessoas, mas também a família fundada no matrimônio entre o homem e a mulher. Talvez para tentar superar aquela "masculinização" de Deus, o Papa João Paulo I, em seu brevíssimo pontificado de apenas 33 dias, tenha se referido a Deus-Mãe, sem deixar de espantar, tanto os teólogos, quanto a parte "popular" da Igreja, isto é o povo. O Papa dizia, por exemplo:

(...) somos objeto, da parte de Deus, de um amor que não se apaga. Sabemos que tem os olhos sempre abertos para nos ver, mesmo quando parece que é de noite. Ele é papai; mais ainda, é mãe. Não quer fazer-nos mal, só nos quer fazer bem, a todos. Os filhos, se por acaso estão doentes, possuem um título a mais para serem amados pela mãe. (Angelus, 10. 09. 1978)

...bem que o Catecismo explica isso assim: Ao designar Deus com o nome de «Pai», a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é a origem primeira de tudo e a autoridade transcendente, e, ao mesmo tempo, que é bondade e solicitude amorosa para com todos os seus filhos. Esta ternura paternal de Deus também pode ser expressa pela imagem da maternidade, que indica melhor a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura. (...) Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas, sem deixar de ser de ambas a origem e a medida: ninguém é pai como Deus. (CIC, 239). Nesta linha expressa-se, também, Bento XVI, em seu livro "Jesus de Nazaré": Não é Deus também mãe? Há a comparação do amor de Deus com o amor de uma mãe: "Como uma mãe consola os seus filhos, assim Eu vos consolo" (Is 66, 13) (...) Se na linguagem formada a partir da corporeidade do homem parece inscrito o amor da mãe na imagem de Deus, vale porém, ao mesmo tempo, que Deus nunca é designado como mãe nem com esta invocação alguém a Ele se dirija, nem no Antigo nem no Novo Testamento. "Mãe" não é na Bíblia um título divino. (...) Naturalmente, Deus não é nem homem nem mulher, mas precisamente Deus, o criador do homem e da mulher. (Bento XVI, "Jesus de Nazaré", vol. I, p. 130).

Deus não é nem homem nem mulher, entretanto, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, "distinta na sua essência única e igual na sua majestade" (cf. Prefácio "O Mistério da Santíssima Trindade"), veio a este mundo como verdadeiro ser humano (sem deixar de ser verdadeiro Deus) e ser humano do sexo masculino. É com este Deus-Homem sou convidado a viver em mais profunda intimidade que, na experiência mística, assemelha-se e muito, à intimidade conjugal.

Ora, não estou reduzindo a vida mística ao nível do ato sexual puramente carnal. Apenas procuro mostrar que a linguagem e a simbologia cristã, com seus mais firmes fundamentos na Bíblia, recorrem à imagem de intimidade humana e, neste caso, a intimidade de dois seres humanos do mesmo sexo. Parece que o próprio Deus revela o seu mistério através de uma realidade que - devido às limitações da mentalidade humana - causa espanto, nojo e medo em tanta gente.

Afinal, na tradição espiritual cristã, tem ou não tem problema com a intimidade entre dois homens?

Exaltar a CRUZ

 
A festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz inspira-se na tradição que conta a história da descoberta da cruz de Jesus Cristo, por volta do ano 326. Helena, a mãe do imperador Constantino teria recebido a revelação do local, onde se encontravam as três cruzes e, entre elas, aquela na qual morreu Jesus. No local da descoberta foi construída a igreja do Santo Sepulcro por ordem de Helena e dedicada em 335, com uma parte da cruz em exposição. Em 13 de setembro ocorreu a dedicação da igreja e a cruz foi posta em exposição no dia 14, para que os fiéis pudessem orar e venerá-la.
 
A Igreja convida-nos à reflexão sobre o mistério da Cruz, relembrando as palavras de Jesus: Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. (Jo 3, 13-14) e, também: Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim (Mt 10, 38). 
 
A tradição cristã (que podemos chamar de "sabedoria espiritual do povo") sempre associou a cruz ao sofrimento (à provação, em geral) e ao cumprimento do dever, interpretando assim a exigência de "tomar a cruz" expressa nas palavras de Jesus. É um caminho à santificação e, consequentemente, à salvação e à vida eterna.
 
Do ponto de vista de uma pessoa homossexual, a Exaltação da Santa Cruz, pode ser uma ocasião para refletir sobre a sua condição e, de fato, exaltá-la. O texto do Catecismo da Igreja Católica, justamente assim, descreve a situação:

Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição. (CIC, 2358)
 
Na Carta aos Gálatas (3, 13) lemos: Cristo remiu-nos da maldição da lei, fazendo-se por nós maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro (Dt 21, 23). Se a cruz que no Antigo Testamento foi o sinônimo de maldição e Jesus teve o poder de transformá-la em maior fonte de bênção, por que não podemos assim contemplar algo que faz parte integral de nossa identidade? O Catecismo diz que, sendo cristãos, devemos unir à cruz do Senhor as nossas dificuldades. Pergunto, pois: é unir à cruz na visão do Antigo, ou do Novo Testamento? Em outra Carta, São Paulo escreve: nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos - força de Deus e sabedoria de Deus (2Cor 1, 23-24).
 
ORAÇÃO:
(a primeira parte inspirada no texto de Pe. Reginaldo Manzotti)
 
Ó Santa Cruz, Cruz Bendita onde a humanidade foi redimida
e o Filho do homem teve suas mãos e seus pés transpassados
e teve seu peito aberto de onde jorrou água e sangue.
Ó Santa Cruz, instrumento de morte e de castigo,
mas que no Sangue Redentor se tornou sinal de nossa salvação.
Ó Cruz Bendita, chave de nossa eternidade,
coroa de nossa salvação, na cruz do Senhor eu coloco estas intenções:
 
Por todos os homossexuais,
crucificados em suas famílias
e em qualquer parte da sociedade,
muitas vezes por "motivos religiosos"...
Por todos os homossexuais
que não aceitam a sua própria condição,
pelos que vivem em depressão e solidão,
por aqueles que atentam contra a própria vida...
Pelos que foram expulsos de casa
abandonados pelos amigos
desprezados por colegas na escola e no trabalho,
agredidos na rua
e rejeitados pela Igreja.
 
Que todos possam descobrir
a Cruz gloriosa e vitoriosa.
Que encontrem na Cruz a força
para viver, lutar e amar
e que cheguem pela Cruz
à glória da eternidade.
Amém.

13 de setembro de 2013

Mês da Bíblia (5) - 2° encontro

Foto: meh sea by ~oasis1

Sigo a proposta da CNBB de reflexão bíblica, baseada no texto do Evangelho de Lucas, de acordo com alguns temas principais. A minha leitura tem como o pano de fundo a identidade homossexual e católica, ambas em busca de conhecimento mútuo, através de um diálogo sereno e objetivo.
 
O segundo encontro aborda temas da vocação, missão e as exigências do discipulado. Este tema está em ressonância com a perspectiva do tema deste ano, que é o discipulado-missionário em Lucas e objetiva mostrar a radicalidade, na resposta dos chamados ao discipulado (Lc 5,11) e acentua o desprendimento que é uma atitude própria de todo discípulo, no seguimento de Jesus e, sobretudo no Evangelho Segundo Lucas.
 
O texto indicado é: "Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo, e seguiram a Jesus." (Lc 5, 11) Talvez seja interessante olhar o contexto mais amplo, principalmente os acontecimentos anteriores. É a passagem que contém o convite de um pregador (então pouco conhecido) aos pescadores: "Avance para águas mais profundas, e lancem as redes para a pesca." (Lc 5, 4) e a pesca milagrosa, acompanhada pelo espanto de Simão e de seus companheiros (cf. Lc 5, 6-9). Chama atenção, também, a prontidão de Simão em contrariar a própria lógica e experiência, para obedecer a estranha ordem do homem estranho... O "avançar às águas mais profundas" aconteceu tanto no sentido literal, quanto em forma de uma "viagem interior". Uma viagem na contramão, diga-se de passagem. É muito importante notar isso: Jesus mostra os novos horizontes e as realidades desconhecidas. Depois, convida a explorá-los. Não posso deixar de lembrar aqui de algumas afirmações do Pe. Frederico Lombardi, o porta-voz da Santa Sé, durante a entrevista concedida à Rádio Vaticano: O Papa Francisco fala muito de uma Igreja não auto-referencial, de uma Igreja de missão, de uma Igreja que olha para além de si mesma e a todo o mundo. A mim, veio em mente a belíssima Carta de João Paulo II no final do Jubileu, "Duc in altum", dirigida à Igreja do terceiro milênio. Assim, me parece que efetivamente, com o Papa Francisco, a barca da Igreja esteja viajando, sem medo, antes, com alegria de poder encontrar o mistério de Deus em novos horizontes.
 
Por mais óbvio que pareça, é extremamente importante admitir: existem, sim, novos horizontes, novos caminhos, novos rumos. É, justamente, o nome "Rumos novos" que foi escolhido para definir o "grupo de homossexuais católicos de Portugal que encoraja a animação da fé com homossexuais e suas famílias e que, acompanhado por um número cada vez maior de participantes de todas as idades, está lançando um novo olhar à Igreja Católica, reclamando a sua pertença ao Corpo de Cristo".

Eu sei que esta perspectiva de leitura e de reflexão bíblica pode irritar muita gente. Imagino os comentários, baseados principalmente na interpretação direta do texto de Lucas, mais ou menos neste sentido: "Aqueles homens, chamados por Cristo, deixaram as barcas e seguiram a Jesus e isso significa que vocês, gays e outros pervertidos, devem deixar esta vida de pecado e seguir os mandamentos de Deus e a doutrina da Igreja!". Bem, no momento, seria difícil esperar outra coisa. Tudo o que se refere aos dilemas de consciência, inclusive os conceitos de pecado, é delicado e não se resume, nem resolve, com apenas uma frase radical. É necessário o diálogo e o Papa Francisco tem falado sobre isso desde o início. Bento XVI também deixou orientações claras a esse respeito, por exemplo:  é absolutamente necessário o diálogo, conhecer-se reciprocamente, respeitar-se e procurar colaborar de todas as formas possíveis para as grandes finalidades da humanidade, ou para as suas grandes necessidades, para superar fanatismos e criar um espírito de paz e de amor. E isto está também no espírito do Evangelho, cujo sentido é precisamente que o espírito de amor, que aprendemos de Jesus, a paz de Jesus que Ele nos doou através da cruz, se torne presente universalmente no mundo. Neste sentido o diálogo deve ser diálogo verdadeiro, no respeito pelo próximo e na aceitação da sua alteridade; mas deve ser também  evangélico, no sentido que a sua finalidade fundamental é ajudar os homens a viver no amor e fazer com que este amor se possa expandir em todas as partes do mundo.

Sem dúvida, os homossexuais têm muitas "barcas a serem deixadas na margem", para seguir Jesus, sobretudo o pecado. O pecado, porém, está associado à condição humana e não apenas homossexual. Sim, as pessoas homossexuais enfrentam muitas situações particulares (inclusive, devido à falta de assistência pastoral séria), mas a solução não está na generalização, nem no preconceito. Esta é, de fato, a primeira "barca" que precisa ser abandonada. Seguir Jesus consiste em empregar a sua maneira de ir ao encontro do outro, sempre com o coração cheio de compreensão.

Servir, acompanhar, defender


Com frequência o Papa Francisco recorre ao "método de três pontos/três palavras" em seus discursos. A homilética (a metodologia da pregação) recomenda, sobretudo, a clareza da mensagem e a sua eficácia que consiste em deixar a lição gravada na memória dos ouvintes. Outra característica da pregação é a sua universalidade, exatamente como no ensinamento de Jesus: embora trate de uma situação particular, a sua sabedoria se estende ao fenômeno existencial e serve para lançar a luz da Palavra de Deus a outros casos que acontecem em circunstâncias análogas. Assim podemos ler o discurso do Papa, dirigido no último dia 10 de setembro em Roma, aos refugiados. Vale lembrar aqui um termo, criado no Leste Europeu, na época do regime comunista. Dizia-se naquele tempo de uma "emigração interior" - um termo da área de psicologia que significa a postura de se ausentar da vida pública, devido à opressão moral (e, muitas vezes, física), por parte do sistema totalitário. Pois bem... O totalitarismo não é o atributo apenas do comunismo, ou fascismo, nem se limita aos sistemas político-partidários. É algo que consegue sobreviver (e muito bem!) na sociedade dita democrática e moderna. Um desses casos é a heteronormatividade fanática, tão presente, ainda hoje, em pleno século XXI.

Como escreve Didier Eribon, no livro "Reflexões sobre a questão gay" [Ed. Companhia de Freud, Rio de Janeiro, 2008; p. 33]: Houve - e, com certeza, ainda há -uma fantasmagoria do "outro lugar" que ofereceria a possibilidade de realizar aspirações que tantas razões pareciam tornar impossíveis, em seu próprio país. (...) Hoje ainda, é permanente a migração dos gays e das lésbicas para as cidades grandes ou as capitais.

É neste contexto que leio as seguintes afirmações do Papa:
 
- Cada um de vocês traz, acima de tudo, uma riqueza humana e religiosa, uma riqueza de acolher, e não temer. Muitos de vocês são muçulmanos; de outras religiões; vêm de diferentes países, de diferentes situações. Não devemos ter medo das diferenças! A fraternidade nos faz descobrir que elas são um tesouro, um presente para todos! Vivemos a fraternidade!
 
- Quantas vezes (...)  muitas pessoas (...)  são forçados a viver em situações difíceis, às vezes degradante, sem a possibilidade de iniciar uma vida digna, para pensar em um novo futuro!
 
- Tenham sempre viva a esperança! Ajudem a recuperar a confiança! Mostrar que, com acolhida e fraternidade se pode abrir uma janela para o futuro, uma porta, e mais, se pode ainda ter futuro!
 
- Servir significa acolher a pessoa que chega, com atenção; significa que inclinar-se aos necessitados, estender-lhe a mão, sem cálculo, sem medo, com ternura e compreensão, como Jesus se inclinou para lavar os pés dos Apóstolos. Servir significa trabalhar ao lado dos mais necessitados, estabelecer com eles, antes de tudo, relações humanas, de proximidade, laços de solidariedade. Solidariedade, a palavra que assusta os países mais desenvolvidos. Eles procuram não dizê-la. É quase um palavrão para eles. Mas é a nossa palavra! Servir significa reconhecer e respeitar as exigências da justiça, esperança e procurar juntos as estradas, os percursos concretos de libertação.
 
- Os pobres também são mestres privilegiados de nosso conhecimento de Deus; A fragilidade e simplicidade deles desmascaram o nosso egoísmo, nossas falsas seguranças, nossas pretensões de autossuficiência e nos guiam à experiência da proximidade e ternura de Deus, de receber em nossa vida seu amor, sua misericórdia de Pai que, com discrição e paciente confiança, cuida de nós, de todos nós.
 
- Deste lugar de acolhida, de encontro e serviço, gostaria que partisse uma pergunta para todos, para todas as pessoas que vivem aqui nesta diocese de Roma: eu me curvo diante de quem está com dificuldades ou eu tenho com medo de sujar as mãos? Estou fechado em mim mesmo, nas minhas coisas, ou percebo quem precisa de ajuda? Sirvo somente a mim mesmo, ou sei servir aos outros como Cristo que veio para servir ao ponto de dar a sua vida? Eu olho nos olhos daqueles que pedem justiça ou dirijo o olhar para o outro lado? Para não olhar nos olhos?
 
- Este é um direito: a integração! (...) Eis, essa responsabilidade é a base ética, é a força para construir juntos. Eu me pergunto: nós acompanhamos este caminho?
 
- Defender. Servir, acompanhar significa também defender, significa colocar-se do lado de quem é mais fraco. Quantas vezes nós levantamos a voz para defender os nossos direitos, mas quantas vezes somos indiferentes aos direitos dos outros! Quantas vezes não sabemos ou não queremos dar voz a quem – como vocês – sofreram e estão sofrendo, quem viu serem pisoteados seus direitos, quem viveu tanta violência que sufocou também o desejo de ter justiça!