ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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14 de setembro de 2013

Tem ou não tem problema?


A cultura popular cristã, ou se alguém quiser, a consciência coletiva cristã popular, enfim, a mentalidade, o mundo, ou seja qual for o nome que tenhamos usado, sempre com o destaque no "popular", reage com repulsa a qualquer referência à intimidade entre as pessoas do mesmo sexo, especialmente, entre os homens (até porque a mulher, naquele mesmo ambiente, é frequentemente ignorada). Não precisamos de provas científicas para constatar a influência que tal cultura exerce nos costumes e comportamentos da sociedade, por mais laica que ela própria se declare. Alguém já viu o abraço de dois homens? Evita-se o contato frontal, é algo que parece com a pegada de lado, com uns tapinhas que lembram os golpes de luta. Se passar além disso, já surge aquele "Opa!". Se tocar no assunto de sentimentos, ou de intimidade entre os homens, logo aparece o comentário sobre a "coisa do gay". É algo tão vergonhoso, nojento e estranho que a melhor coisa é, simplesmente, evitar o assunto. Entretanto, a própria cultura cristã, naquela dimensão que chamamos de espiritualidade, ou mística (e, por isso, não pertence ao nível popular), tais referências não só existem, mas ainda ganham a intensidade extraordinária.

Vejamos algumas afirmações:

Desde o século III, o celibato encontrou seu lugar na vida e na espiritualidade cristãs como estado superior ao casamento, comparado com a condição angélica, esponsais com Cristo, núpcias místicas, oferecimento total e perfeito a Deus (compare aqui). Embora a ideia das núpcias místicas com Cristo tenha sido mais difundida entre as mulheres (Santa Catarina, Santa Teresa, Santa Teresinha, etc.), também é conhecida e experimentada entre os homens. O clássico é, sem dúvida, São João da Cruz que, em vários textos, exalta essa dimensão da vida espiritual. A referência direta é o amor entre homem e mulher. Ainda que se possa tentar interpretar essa imagem tendo Cristo como "ele" e a alma como "ela", não deixa de ser a união íntima entre "ele" (Cristo, verdadeiro homem) e "ele" (no caso, João da Cruz, também verdadeiro homem, composto de alma e corpo). O grande místico espanhol do século XVI não teve problema em escrever, por exemplo, no "Cântico espiritual":

(I) Onde é que te escondeste,
Amado, e me deixaste com gemido?
Como o cervo fugiste,
Havendo‑me ferido;
Saí, por ti clamando, e eras já ido.
 
(XI) Mostra tua presença!
Mate‑me a tua vista e formosura;
Olha que esta doença
De amor jamais se cura,
A não ser com a presença e com a figura.
 
(XXIV) Nosso leito é florido,
De covas de leões entrelaçado,
Em púrpura estendido,
De paz edificado,
De mil escudos de ouro coroado.
 
(XXVI) Na interior adega
Do Amado meu, bebi; quando saía,
Por toda aquela várzea
já nada mais sabia,
E o rebanho perdi que antes seguia.
 
(XXVII) Ali me abriu seu peito
E ciência me ensinou mui deleitosa;
E a ele, em dom perfeito,
Me dei, sem deixar coisa,
E então lhe prometi ser sua esposa.
 
(XXXVI) Gozemo‑nos, Amado!
Vamo‑nos ver em tua formosura,
No monte e na colina,
Onde brota a água pura;
Entremos mais adentro na espessura.

Na verdade, toda essa questão de relação íntima entre dois seres do sexo masculino, é bem anterior à experiência mística do século XVI. A teologia cristã, embora sempre consciente de que se trata de um "mistério indizível", quando procura expor a dinâmica da Santíssima Trindade, diz: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho (Catecismo da Igreja Católica, Compêndio, n. 48). Evidentemente, tal afirmação não quer dizer que as três Pessoas da Santíssima Trindade sejam de "sexo masculino", ainda que essa tenha sido a imagem comum: é o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Ao mesmo tempo, a frase "o Pai gera o Filho", leva-nos à analogia com a família humana. Disse sobre isso o Papa Bento XVI: Não é só a Igreja que é chamada a ser imagem do Deus Uno em Três Pessoas, mas também a família fundada no matrimônio entre o homem e a mulher. Talvez para tentar superar aquela "masculinização" de Deus, o Papa João Paulo I, em seu brevíssimo pontificado de apenas 33 dias, tenha se referido a Deus-Mãe, sem deixar de espantar, tanto os teólogos, quanto a parte "popular" da Igreja, isto é o povo. O Papa dizia, por exemplo:

(...) somos objeto, da parte de Deus, de um amor que não se apaga. Sabemos que tem os olhos sempre abertos para nos ver, mesmo quando parece que é de noite. Ele é papai; mais ainda, é mãe. Não quer fazer-nos mal, só nos quer fazer bem, a todos. Os filhos, se por acaso estão doentes, possuem um título a mais para serem amados pela mãe. (Angelus, 10. 09. 1978)

...bem que o Catecismo explica isso assim: Ao designar Deus com o nome de «Pai», a linguagem da fé indica principalmente dois aspectos: que Deus é a origem primeira de tudo e a autoridade transcendente, e, ao mesmo tempo, que é bondade e solicitude amorosa para com todos os seus filhos. Esta ternura paternal de Deus também pode ser expressa pela imagem da maternidade, que indica melhor a imanência de Deus, a intimidade entre Deus e a sua criatura. (...) Convém, então, lembrar que Deus transcende a distinção humana dos sexos. Não é homem nem mulher: é Deus. Transcende também a paternidade e a maternidade humanas, sem deixar de ser de ambas a origem e a medida: ninguém é pai como Deus. (CIC, 239). Nesta linha expressa-se, também, Bento XVI, em seu livro "Jesus de Nazaré": Não é Deus também mãe? Há a comparação do amor de Deus com o amor de uma mãe: "Como uma mãe consola os seus filhos, assim Eu vos consolo" (Is 66, 13) (...) Se na linguagem formada a partir da corporeidade do homem parece inscrito o amor da mãe na imagem de Deus, vale porém, ao mesmo tempo, que Deus nunca é designado como mãe nem com esta invocação alguém a Ele se dirija, nem no Antigo nem no Novo Testamento. "Mãe" não é na Bíblia um título divino. (...) Naturalmente, Deus não é nem homem nem mulher, mas precisamente Deus, o criador do homem e da mulher. (Bento XVI, "Jesus de Nazaré", vol. I, p. 130).

Deus não é nem homem nem mulher, entretanto, a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, "distinta na sua essência única e igual na sua majestade" (cf. Prefácio "O Mistério da Santíssima Trindade"), veio a este mundo como verdadeiro ser humano (sem deixar de ser verdadeiro Deus) e ser humano do sexo masculino. É com este Deus-Homem sou convidado a viver em mais profunda intimidade que, na experiência mística, assemelha-se e muito, à intimidade conjugal.

Ora, não estou reduzindo a vida mística ao nível do ato sexual puramente carnal. Apenas procuro mostrar que a linguagem e a simbologia cristã, com seus mais firmes fundamentos na Bíblia, recorrem à imagem de intimidade humana e, neste caso, a intimidade de dois seres humanos do mesmo sexo. Parece que o próprio Deus revela o seu mistério através de uma realidade que - devido às limitações da mentalidade humana - causa espanto, nojo e medo em tanta gente.

Afinal, na tradição espiritual cristã, tem ou não tem problema com a intimidade entre dois homens?

Exaltar a CRUZ

 
A festa litúrgica da Exaltação da Santa Cruz inspira-se na tradição que conta a história da descoberta da cruz de Jesus Cristo, por volta do ano 326. Helena, a mãe do imperador Constantino teria recebido a revelação do local, onde se encontravam as três cruzes e, entre elas, aquela na qual morreu Jesus. No local da descoberta foi construída a igreja do Santo Sepulcro por ordem de Helena e dedicada em 335, com uma parte da cruz em exposição. Em 13 de setembro ocorreu a dedicação da igreja e a cruz foi posta em exposição no dia 14, para que os fiéis pudessem orar e venerá-la.
 
A Igreja convida-nos à reflexão sobre o mistério da Cruz, relembrando as palavras de Jesus: Do mesmo modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o Filho do Homem seja levantado, para que todos os que nele crerem tenham a vida eterna. (Jo 3, 13-14) e, também: Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim (Mt 10, 38). 
 
A tradição cristã (que podemos chamar de "sabedoria espiritual do povo") sempre associou a cruz ao sofrimento (à provação, em geral) e ao cumprimento do dever, interpretando assim a exigência de "tomar a cruz" expressa nas palavras de Jesus. É um caminho à santificação e, consequentemente, à salvação e à vida eterna.
 
Do ponto de vista de uma pessoa homossexual, a Exaltação da Santa Cruz, pode ser uma ocasião para refletir sobre a sua condição e, de fato, exaltá-la. O texto do Catecismo da Igreja Católica, justamente assim, descreve a situação:

Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objetivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição. (CIC, 2358)
 
Na Carta aos Gálatas (3, 13) lemos: Cristo remiu-nos da maldição da lei, fazendo-se por nós maldição, pois está escrito: Maldito todo aquele que é suspenso no madeiro (Dt 21, 23). Se a cruz que no Antigo Testamento foi o sinônimo de maldição e Jesus teve o poder de transformá-la em maior fonte de bênção, por que não podemos assim contemplar algo que faz parte integral de nossa identidade? O Catecismo diz que, sendo cristãos, devemos unir à cruz do Senhor as nossas dificuldades. Pergunto, pois: é unir à cruz na visão do Antigo, ou do Novo Testamento? Em outra Carta, São Paulo escreve: nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos, mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos - força de Deus e sabedoria de Deus (2Cor 1, 23-24).
 
ORAÇÃO:
(a primeira parte inspirada no texto de Pe. Reginaldo Manzotti)
 
Ó Santa Cruz, Cruz Bendita onde a humanidade foi redimida
e o Filho do homem teve suas mãos e seus pés transpassados
e teve seu peito aberto de onde jorrou água e sangue.
Ó Santa Cruz, instrumento de morte e de castigo,
mas que no Sangue Redentor se tornou sinal de nossa salvação.
Ó Cruz Bendita, chave de nossa eternidade,
coroa de nossa salvação, na cruz do Senhor eu coloco estas intenções:
 
Por todos os homossexuais,
crucificados em suas famílias
e em qualquer parte da sociedade,
muitas vezes por "motivos religiosos"...
Por todos os homossexuais
que não aceitam a sua própria condição,
pelos que vivem em depressão e solidão,
por aqueles que atentam contra a própria vida...
Pelos que foram expulsos de casa
abandonados pelos amigos
desprezados por colegas na escola e no trabalho,
agredidos na rua
e rejeitados pela Igreja.
 
Que todos possam descobrir
a Cruz gloriosa e vitoriosa.
Que encontrem na Cruz a força
para viver, lutar e amar
e que cheguem pela Cruz
à glória da eternidade.
Amém.

13 de setembro de 2013

Mês da Bíblia (5) - 2° encontro

Foto: meh sea by ~oasis1

Sigo a proposta da CNBB de reflexão bíblica, baseada no texto do Evangelho de Lucas, de acordo com alguns temas principais. A minha leitura tem como o pano de fundo a identidade homossexual e católica, ambas em busca de conhecimento mútuo, através de um diálogo sereno e objetivo.
 
O segundo encontro aborda temas da vocação, missão e as exigências do discipulado. Este tema está em ressonância com a perspectiva do tema deste ano, que é o discipulado-missionário em Lucas e objetiva mostrar a radicalidade, na resposta dos chamados ao discipulado (Lc 5,11) e acentua o desprendimento que é uma atitude própria de todo discípulo, no seguimento de Jesus e, sobretudo no Evangelho Segundo Lucas.
 
O texto indicado é: "Então levaram as barcas para a margem, deixaram tudo, e seguiram a Jesus." (Lc 5, 11) Talvez seja interessante olhar o contexto mais amplo, principalmente os acontecimentos anteriores. É a passagem que contém o convite de um pregador (então pouco conhecido) aos pescadores: "Avance para águas mais profundas, e lancem as redes para a pesca." (Lc 5, 4) e a pesca milagrosa, acompanhada pelo espanto de Simão e de seus companheiros (cf. Lc 5, 6-9). Chama atenção, também, a prontidão de Simão em contrariar a própria lógica e experiência, para obedecer a estranha ordem do homem estranho... O "avançar às águas mais profundas" aconteceu tanto no sentido literal, quanto em forma de uma "viagem interior". Uma viagem na contramão, diga-se de passagem. É muito importante notar isso: Jesus mostra os novos horizontes e as realidades desconhecidas. Depois, convida a explorá-los. Não posso deixar de lembrar aqui de algumas afirmações do Pe. Frederico Lombardi, o porta-voz da Santa Sé, durante a entrevista concedida à Rádio Vaticano: O Papa Francisco fala muito de uma Igreja não auto-referencial, de uma Igreja de missão, de uma Igreja que olha para além de si mesma e a todo o mundo. A mim, veio em mente a belíssima Carta de João Paulo II no final do Jubileu, "Duc in altum", dirigida à Igreja do terceiro milênio. Assim, me parece que efetivamente, com o Papa Francisco, a barca da Igreja esteja viajando, sem medo, antes, com alegria de poder encontrar o mistério de Deus em novos horizontes.
 
Por mais óbvio que pareça, é extremamente importante admitir: existem, sim, novos horizontes, novos caminhos, novos rumos. É, justamente, o nome "Rumos novos" que foi escolhido para definir o "grupo de homossexuais católicos de Portugal que encoraja a animação da fé com homossexuais e suas famílias e que, acompanhado por um número cada vez maior de participantes de todas as idades, está lançando um novo olhar à Igreja Católica, reclamando a sua pertença ao Corpo de Cristo".

Eu sei que esta perspectiva de leitura e de reflexão bíblica pode irritar muita gente. Imagino os comentários, baseados principalmente na interpretação direta do texto de Lucas, mais ou menos neste sentido: "Aqueles homens, chamados por Cristo, deixaram as barcas e seguiram a Jesus e isso significa que vocês, gays e outros pervertidos, devem deixar esta vida de pecado e seguir os mandamentos de Deus e a doutrina da Igreja!". Bem, no momento, seria difícil esperar outra coisa. Tudo o que se refere aos dilemas de consciência, inclusive os conceitos de pecado, é delicado e não se resume, nem resolve, com apenas uma frase radical. É necessário o diálogo e o Papa Francisco tem falado sobre isso desde o início. Bento XVI também deixou orientações claras a esse respeito, por exemplo:  é absolutamente necessário o diálogo, conhecer-se reciprocamente, respeitar-se e procurar colaborar de todas as formas possíveis para as grandes finalidades da humanidade, ou para as suas grandes necessidades, para superar fanatismos e criar um espírito de paz e de amor. E isto está também no espírito do Evangelho, cujo sentido é precisamente que o espírito de amor, que aprendemos de Jesus, a paz de Jesus que Ele nos doou através da cruz, se torne presente universalmente no mundo. Neste sentido o diálogo deve ser diálogo verdadeiro, no respeito pelo próximo e na aceitação da sua alteridade; mas deve ser também  evangélico, no sentido que a sua finalidade fundamental é ajudar os homens a viver no amor e fazer com que este amor se possa expandir em todas as partes do mundo.

Sem dúvida, os homossexuais têm muitas "barcas a serem deixadas na margem", para seguir Jesus, sobretudo o pecado. O pecado, porém, está associado à condição humana e não apenas homossexual. Sim, as pessoas homossexuais enfrentam muitas situações particulares (inclusive, devido à falta de assistência pastoral séria), mas a solução não está na generalização, nem no preconceito. Esta é, de fato, a primeira "barca" que precisa ser abandonada. Seguir Jesus consiste em empregar a sua maneira de ir ao encontro do outro, sempre com o coração cheio de compreensão.

Servir, acompanhar, defender


Com frequência o Papa Francisco recorre ao "método de três pontos/três palavras" em seus discursos. A homilética (a metodologia da pregação) recomenda, sobretudo, a clareza da mensagem e a sua eficácia que consiste em deixar a lição gravada na memória dos ouvintes. Outra característica da pregação é a sua universalidade, exatamente como no ensinamento de Jesus: embora trate de uma situação particular, a sua sabedoria se estende ao fenômeno existencial e serve para lançar a luz da Palavra de Deus a outros casos que acontecem em circunstâncias análogas. Assim podemos ler o discurso do Papa, dirigido no último dia 10 de setembro em Roma, aos refugiados. Vale lembrar aqui um termo, criado no Leste Europeu, na época do regime comunista. Dizia-se naquele tempo de uma "emigração interior" - um termo da área de psicologia que significa a postura de se ausentar da vida pública, devido à opressão moral (e, muitas vezes, física), por parte do sistema totalitário. Pois bem... O totalitarismo não é o atributo apenas do comunismo, ou fascismo, nem se limita aos sistemas político-partidários. É algo que consegue sobreviver (e muito bem!) na sociedade dita democrática e moderna. Um desses casos é a heteronormatividade fanática, tão presente, ainda hoje, em pleno século XXI.

Como escreve Didier Eribon, no livro "Reflexões sobre a questão gay" [Ed. Companhia de Freud, Rio de Janeiro, 2008; p. 33]: Houve - e, com certeza, ainda há -uma fantasmagoria do "outro lugar" que ofereceria a possibilidade de realizar aspirações que tantas razões pareciam tornar impossíveis, em seu próprio país. (...) Hoje ainda, é permanente a migração dos gays e das lésbicas para as cidades grandes ou as capitais.

É neste contexto que leio as seguintes afirmações do Papa:
 
- Cada um de vocês traz, acima de tudo, uma riqueza humana e religiosa, uma riqueza de acolher, e não temer. Muitos de vocês são muçulmanos; de outras religiões; vêm de diferentes países, de diferentes situações. Não devemos ter medo das diferenças! A fraternidade nos faz descobrir que elas são um tesouro, um presente para todos! Vivemos a fraternidade!
 
- Quantas vezes (...)  muitas pessoas (...)  são forçados a viver em situações difíceis, às vezes degradante, sem a possibilidade de iniciar uma vida digna, para pensar em um novo futuro!
 
- Tenham sempre viva a esperança! Ajudem a recuperar a confiança! Mostrar que, com acolhida e fraternidade se pode abrir uma janela para o futuro, uma porta, e mais, se pode ainda ter futuro!
 
- Servir significa acolher a pessoa que chega, com atenção; significa que inclinar-se aos necessitados, estender-lhe a mão, sem cálculo, sem medo, com ternura e compreensão, como Jesus se inclinou para lavar os pés dos Apóstolos. Servir significa trabalhar ao lado dos mais necessitados, estabelecer com eles, antes de tudo, relações humanas, de proximidade, laços de solidariedade. Solidariedade, a palavra que assusta os países mais desenvolvidos. Eles procuram não dizê-la. É quase um palavrão para eles. Mas é a nossa palavra! Servir significa reconhecer e respeitar as exigências da justiça, esperança e procurar juntos as estradas, os percursos concretos de libertação.
 
- Os pobres também são mestres privilegiados de nosso conhecimento de Deus; A fragilidade e simplicidade deles desmascaram o nosso egoísmo, nossas falsas seguranças, nossas pretensões de autossuficiência e nos guiam à experiência da proximidade e ternura de Deus, de receber em nossa vida seu amor, sua misericórdia de Pai que, com discrição e paciente confiança, cuida de nós, de todos nós.
 
- Deste lugar de acolhida, de encontro e serviço, gostaria que partisse uma pergunta para todos, para todas as pessoas que vivem aqui nesta diocese de Roma: eu me curvo diante de quem está com dificuldades ou eu tenho com medo de sujar as mãos? Estou fechado em mim mesmo, nas minhas coisas, ou percebo quem precisa de ajuda? Sirvo somente a mim mesmo, ou sei servir aos outros como Cristo que veio para servir ao ponto de dar a sua vida? Eu olho nos olhos daqueles que pedem justiça ou dirijo o olhar para o outro lado? Para não olhar nos olhos?
 
- Este é um direito: a integração! (...) Eis, essa responsabilidade é a base ética, é a força para construir juntos. Eu me pergunto: nós acompanhamos este caminho?
 
- Defender. Servir, acompanhar significa também defender, significa colocar-se do lado de quem é mais fraco. Quantas vezes nós levantamos a voz para defender os nossos direitos, mas quantas vezes somos indiferentes aos direitos dos outros! Quantas vezes não sabemos ou não queremos dar voz a quem – como vocês – sofreram e estão sofrendo, quem viu serem pisoteados seus direitos, quem viveu tanta violência que sufocou também o desejo de ter justiça!

11 de setembro de 2013

Mês da Bíblia (4) - 1° encontro

 
Como já mencionei (aqui), a Comissão Bíblico-Catequética da CNBB propõe, para o Mês da Bíblia deste ano,  4 encontros e a celebração final, com os seguintes temas:

1° Lc 4,14-30 (o início da missão pública de Jesus na Galileia que tem como centro a proclamação do cumprimento do texto do profeta Isaías [Is 61,1-2] sobre a missão do Messias e a salvação que é anunciada a todos).

2° Temas da vocação, missão e as exigências do discipulado (de acordo com o tema deste ano: "O discipulado-missionário em Lucas"; objetiva mostrar a radicalidade, na resposta dos chamados ao discipulado [Lc 5,11] e o desprendimento - uma atitude própria de todo discípulo, no seguimento de Jesus).

3° O papel das mulheres, no seguimento de Jesus.

4° Os desafios e problemas no seguimento (Lc 15).

A celebração final: o resumo dos encontros baseado no texto de Lc 24,13-35 (o caminho catequético-litúrgico, marcado pelo escutar e reler as Escrituras, à luz do Mistério Pascal de Jesus e o reavivar a certeza de que é no partir o pão, que o encontro com o Ressuscitado se faz sempre presente. É por meio desse encontro que somos chamados a anunciar a Alegre Notícia: Jesus ressuscitou e vive em nosso meio.
 
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Escrevi (em 2011) uma reflexão sobre os acontecimentos na sinagoga de Nazaré à luz da experiência de "coming out", que se aplica, de forma nítida, à atitude de Jesus naquela época. Seguindo o método de "leitura existencial", procuro me identificar com um, ou outro personagem do texto. Como na mencionada reflexão tentei olhar da perspectiva daquele que sai do armário (embora eu, particularmente, ainda tenha adiado esse ato, em seu sentido pleno e público). Talvez seja interessante colocar-me, agora, no meio daquela gente que recebe a notícia: "Vejam, eu sou o que sou", pelo menos em dois aspectos. Como reajo quando alguém (de quem eu nem desconfiava) diz: "Eu sou gay"? Realmente, a primeira ideia é: "Eu não desconfiava!". Há quem diga que existe tal de "gaydar" (um "radar" interior, uma intuição, para reconhecer os gays). No meu caso funciona raramente. Não sou muito atento, eu acho, embora já tenha tido alguns, pouquíssimos, acertos. Outra ideia é - penso eu - associada a um tipo de inveja (olha, não é tão fácil admitir os próprios medos e outros erros). Mas, de fato, a minha admiração pela coragem daquela pessoa que revela publicamente a sua homossexualidade, mistura-se com uma espécie de autocobrança: "por que eu ainda não tive essa coragem?". Vem, ainda, o julgamento, do tipo: "Pelo qual motivo ele/ela está fazendo isso?" - indiretamente surge outra pergunta por trás: "Por que eu ainda não fiz isso?"... Aí, é claro, começa aquela interminável discussão interior, baseada sobretudo nas comparações (eu me comparo com os outros) e na série de justificativas: "Ah, para ele/ela é muito fácil!" (não sei o que estou dizendo!), ou "Ah, hoje em dia está na moda assumir a homossexualidade" (ideia bastante superficial)... Enfim, de qualquer maneira, a minha postura não está muito diferente daquelas mostradas no Evangelho (anda que apenas dentro da minha cabeça). Pode parecer estranho, mas, apesar de toda essa tempestade mental, ainda sou capaz de ficar feliz com o "coming out" de quem quer que seja e - com toda sinceridade - dou o meu total apoio. Voltando, ainda, ao assunto da minha própria e definitiva saída do armário, posso dizer que - ainda que parcialmente - fiz isso em alguns ambientes e/ou círculos de pessoas (incluindo aqueles nos quais fui tirado do armário forçadamente). Pode ser que os meus receios nesta questão tenham a ver com o tipo desastrado que sou. Algumas vezes, ao tentar me revelar como gay, deixei a pessoa assustada e com a impressão de ter "dado em cima" dela (a pessoa, mas, neste caso, seria "dele" rs). Em alguns casos, os velhos e novos amigos, deixaram de falar comigo a partir daquele momento. E eu não quero mais perder amigos. Quero fazer amigos, mas não é sempre que consigo...
 
Lembro-me de um livro que fala sobre a necessidade de comunicação. É o "Arrancar máscaras! Abandonar papéis" de John Powell e Loretta Brady (tenho a edição da Loyola-SP de 1985). Entre outras coisas importantes, os autores fazem as seguintes perguntas: "A comunicação é importante para mim?", "Quero realmente conhecer e ser conhecido?",  "Se eu fosse me revelar honestamente a alguém, o que receio pudesse acontecer?" (p. 25). Em um dos primeiros capítulos colocam, também, essa regra: "Somente quando estamos dispostos a partilhar todo o nosso eu, imperfeições e tudo, estamos realmente nos comunicando. Mas, mais do que isso, minha franqueza terá um efeito definitivo nos outros. A honestidade, como tudo o que é humano, é contagiante. O fato de eu sair de trás de muros protetores para encontrá-lo frente a frente vai inspirá-lo a fazer o mesmo. Quando somos verdadeiros e honestos a respeito de nossa vulnerabilidade, os outros ficam aliviados" (p. 65-66).
 
Bem... Não sei se isso funciona, exatamente assim, no caso de homossexuais.
 
Existe, porém, um outro "coming out", não menos complicado do que o "clássico". Estou pensando naquela situação em que um(-a) homossexual, dentro da "comunidade GLBT", revela-se como pessoa religiosa, principalmente cristã (acho que existe maior tolerância neste ambiente para quem se declara um espírita, ou budista, ou seguidor de alguma outra "doutrina exótica"... e, quanto mais exótica, melhor). Eu sei que a intolerância gera intolerância e a antipatia em relação às Igrejas cristãs é bastante comum no meio GLBT, tendo sua razão em mágoas e injustiças, sofridas na própria pele. Para um gay católico, ou protestante, a carga do preconceito sofrido, tem dose dupla. Assim, muita gente, na minha opinião, permanece em dois armários ao mesmo tempo...
 
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Retomando a leitura da passagem do Evangelho de Lucas (4, 16-30), proposta para este primeiro encontro do Mês da Bíblia, há mais uma coisa que chama a minha atenção. O texto diz:
 
Foi-lhe dado o livro do profeta Isaías. Desenrolando o livro, escolheu a passagem onde está escrito: "O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu; e enviou-me para anunciar a boa nova aos pobres, para sarar os contritos de coração, para anunciar aos cativos a redenção, aos cegos a restauração da vista, para pôr em liberdade os cativos, para publicar o ano da graça do Senhor." E enrolando o livro, deu-o ao ministro e sentou-se; todos quantos estavam na sinagoga tinham os olhos fixos nele. Ele começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu este oráculo que vós acabais de ouvir. (Lc 4, 17-21)
 
É claro que Jesus tem a total autoridade e liberdade para ler a passagem bíblica que quiser. Entretanto, se olhássemos com atenção à citação de Isaías, notaríamos uma curiosidade. O texto faz parte do capítulo 61 da profecia de Isaías e, em sua versão original, a última frase tem uma continuação lógica: depois de falar "para publicar o ano da graça do Senhor", acrescenta "e um dia de vingança de nosso Deus". Pode não ter tanta importância, mas acho interessante a maneira de pregar que Jesus escolheu, evitando tudo que tenha qualquer conotação de violência, ou de castigo (neste caso, a vingança). Quem sabe, os pregadores de hoje, possam aprender algo com este detalhe...

10 de setembro de 2013

Not All Like That

 
Dan Savage, colunista e escritor americano e o seu companheiro, Terry Miller, lançaram em setembro de 2010, nos Estados Unidos, a campanha "It Gets Better Project" (a maioria das fontes em português traduz como "Tudo vai melhorar" - veja aqui o material de Portugal) que divulgou vários vídeos de esperança no YouTube, destinados aos jovens LGBT, vítimas de violência física e psicológica. Surgiu como resposta ao elevado número de estudantes que vinham atentando contra as próprias vidas após terem sido vítimas de bullying na escola e em casa. A intenção foi criar um núcleo pessoal de apoiantes que, em todo o mundo, pudessem dizer aos jovens LGBT que sim, TUDO VAI MELHORAR. Entre os vídeos encontra-se o apelo do presidente Barack Obama, além de Hilary Clinton, do consultor de moda e apresentador Tim Gunn, do pessoal dos Estúdios Pixar Animation, da popstar Kesha, das estrelas do Broadway, da atriz ("Glee") Lea Michele, dos funcionários do facebook, de estudantes do Brigham Young University, universidade privada mantida pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e de muitos outros.
 
 
 
Agora chegou a vez de abrir o espaço aos cristãos que apoiam as pessoas GLBT. O nome do novo projeto é "Not all like that" que pode ser entendido como "Não todos somos assim" (talvez "Não Todos Gostamos Disso") e faz alusão à agressão e ao desprezo que caracterizam a postura de muitos cristãos em relação às pessoas GLBT. A ideia do projeto nasceu no coração de Dan Savage, durante as conversas com os cristãos que diziam: "Nós não somos assim, como tantos cristãos que usurpam para si o dirito de falar em nome de todos os crentes e, na base desta usurpação, condenam os gays, lésbicas e tantos outros". O idealizador do projeto, Dan Savage, diz: "Agora vocês terão um instrumento para dizer abertamente que sendo cristãos, vocês não são assim. Vocês têm que fazer barulho, porque o silêncio só vai ajudar àqueles que prejudicam não só às pessoas GLBT, mas ao próprio cristianismo".
 
No momento, o site oficial do projeto e todos os vídeos, estão em inglês, mas acredito que em breve, graças ao empenho dos cristãos GLBT do Brasil, ou de Portugal, haverá algo semelhante em português.

O amigo do noivo

 
(...)  o amigo, que está aí esperando, se enche de alegria quando ouve a voz do noivo. Esta é a minha alegria, e ela é muito grande (Jo 3, 29).
 
Recebi recentemente o convite para um casamento. O meu amigo vai se casar com o seu namorado no mês que vem. OK... na verdade é o seguinte: só o termo "amigo" está exato nas afirmações acima. Na verdade, o meu amigo não veio para me fazer um convite, mas para saber o que eu penso a respeito... Também fiquei na dúvida se trata-se de um casamento civil mesmo, ou apenas de um ato de formalizar a união estável, através da certidão e da escritura registrada no cartório. Tentei, mais tarde, tirar essa dúvida, mas, até o momento presente, não obtive resposta. Pelo que descobri, a união estável registrada no cartório não altera o estado civil – ou seja, os dois continuam solteiros. Já o casamento, registrado no cartório de registros públicos, altera o estado civil e faz do cônjuge um “herdeiro necessário”, que não pode ficar sem ao menos parte da herança. Assim como no casamento convencional, os noivos podem escolher o regime de bens (comunhão parcial, comunhão total ou separação total) e mudar o sobrenome (veja o esclarecimento no portal do governo brasileiro). Por outro lado, desde o mês de abril deste ano, aqui no Estado do Rio (e em vários outros), todo casal homoafetivo pode solicitar junto ao cartório, a habilitação direta para o casamento civil... (leia a matéria no JB).
 
Entretanto, lembro-me de que o meu amigo tinha dito sobre o pedido de casamento que recebeu do seu namorado. Tratava-se, de fato (entre outras coisas, é claro), das questões de herança. O meu amigo é relativamente jovem (sim, maior de idade) e o seu amado tem uns 50 anos... Enfim, perante à questão principal, esses são apenas detalhes e a questão é o que é que eu penso sobre isso...
 
Confesso que fiquei, por um (demorado) momento, simplesmente calado. O que é que eu deveria responder? Já percebi que o povo tem, entre as suas mais (con)sagradas frases, aquela que é capaz de extrair lágrimas, até do mais macho entre os machos e que diz, simplesmente: "Eu estou realizando o meu sonho". Diante desta afirmação, até o mais chato e perspicaz jornalista, fica calado (quem não se lembra dessas mesmas palavras na boca do Neymar, ao afirmar a sua transferência para o "Barça"?). Enfim, isso encerraria a nossa conversa: "Vai lá e realiza o teu sonho", mas confesso que fiquei na dúvida. Afinal, mesmo sendo homossexual, ainda me considero um católico (e o meu amigo, também é). Na mesma hora vieram à minha memória todas aquelas frases - praticamente gritos - da doutrina católica (seguem alguns trechos de "Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais" da Congregação para a Doutrina da Fé, de 2003):
 
- Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimônio e a família. O matrimônio é santo, ao passo que as relações homossexuais estão em contraste com a lei moral natural. Os atos homossexuais, de fato, «fecham o ato sexual ao dom da vida. Não são fruto de uma verdadeira complementaridade afetiva e sexual. Não se podem, de maneira nenhuma, aprovar». (n. 4);
- Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objeção de consciência. (n. 5);
- As uniões homossexuais não desempenham, nem mesmo em sentido analógico remoto, as funções pelas quais o matrimônio e a família merecem um reconhecimento específico e qualificado. Há, pelo contrário, razões válidas para afirmar que tais uniões são nocivas a um reto progresso da sociedade humana, sobretudo se aumentasse a sua efetiva incidência sobre o tecido social. (n. 8);
- (...) todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. (n. 10).
- A Igreja ensina que o respeito para com as pessoas homossexuais não pode levar, de modo nenhum, à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais. O bem comum exige que as leis reconheçam, favoreçam e protejam a união matrimonial como base da família, célula primária da sociedade. Reconhecer legalmente as uniões homossexuais ou equipará-las ao matrimônio, significaria, não só aprovar um comportamento errado, com a consequência de convertê-lo num modelo para a sociedade atual, mas também ofuscar valores fundamentais que fazem parte do patrimônio comum da humanidade. A Igreja não pode abdicar de defender tais valores, para o bem dos homens e de toda a sociedade. (n. 11).
 
E agora, José? Fiquei pensativo, porque, de um lado acredito em milagres e um deles seria a mudança de opinião da Igreja sobre esse assunto. Por outro lado, há bastante tempo, discuto (inclusive aqui, neste blog) e discordo de certas afirmações, contidas nos textos doutrinais da Igreja. Seria eu, portanto, um "fiel rebelde" (o mesmo que "o infiel")? Seria eu, ainda, um católico?
 
Enfim, comecei depois "enrolar" um pouco o meu amigo, só para adiar a minha resposta definitiva. Perguntei sobre algumas coisas, falei sobre outras, até chegar à conclusão: "Não sei o que dizer". Sei, porém, o que vou fazer: vou ao casamento do meu amigo e darei a ele o meu total apoio. Afinal, sou o amigo do noivo!
 
Confesso que surgiu, na ocasião, um desejo no meu coração de... casar também. Bem... no meu caso é um pouco mais complicado. A princípio, falta um candidato...