ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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2 de setembro de 2013

Mês da Bíblia (3) - leitura existencial

 
 
"Leitura existencial" (vivencial, existencialista, etc.) é um dos métodos de estudo bíblico que, a princípio, não exige muito, além de atenção e imaginação - sempre acompanhadas pela fé e oração. Vários autores recomendam este método. Entre eles, gostaria de citar o Pe. Léo, scj (Léo Tarcísio Gonçalves Pereira - 1961-2007; sacerdote dehoniano, escritor, pregador, compositor e cantor, fundador da Comunidade Bethânia que trabalha com a recuperação de dependentes químicos). Em seu livro "Roteiros bíblicos de cura interior" (Edições Loyola, São Paulo, 2005), o Pe. Léo escreve:
 
Como estamos nos orientando por roteiros bíblicos, que são experiências vividas por pessoas em situações similares às nossas, devemos fazer ao máximo o uso da imaginação (p. 23). Conforme os roteiros que vamos rezando, precisamos aprender a nos colocar dentro da cena. Não adianta nada ler esses roteiros somo se fossem uma informação geral sobre um tema. Esses roteiros são exercícios práticos. Precisam ser vividos. Nenhum de nós chegará a alcançar as metas desejadas se não seguir pelas trilhas que a Bíblia vai apresentando. Somos convidados a fazer a mesma experiência. Somos convidados a ouvir o que o Senhor está nos falando, a respeito de nossa vida, a partir da rota que estamos seguindo (p. 25). Tome consciência da presença de Jesus. Peça ao Espírito Santo que venha em socorro de sua fraqueza. Leia e releia o texto bíblico até conseguir memorizar suas partes principais. Depois tente reproduzir, para si mesmo, mentalmente, o esquema do texto. A partir disso comece a se inserir na história. A Bíblia não é um livro escrito para contar a história de fulano, sicrano ou beltrano. A Bíblia é o livro escrito sobre a sua história. É um roteiro no mais amplo e perfeito sentido dessa palavra. Retome o texto. Observe, conforme a situação que você está vivendo, que personagem se encaixa melhor em você. Coloque-se no lugar de cada um deles. Pergunte, muitas vezes, para Deus o que ele quer lhe falar. Peça, muitas vezes, as luzes do Espírito Santo. E não se canse de rezar a partir desses roteiros. Com certeza essa oração lhe fará um bem imenso. Experimente (p. 28-29).
 
A mesma proposta metodológica de leitura da Bíblia propõe o Pe. James Alison (James Nicholas Francis Alison, inglês, nascido em 1959 em Londres, sacerdote, teólogo, escritor. Estudou, viveu e trabalhou na Inglaterra, no México, Brasil, Bolívia, Chile e Estados Unidos. Obteve o doutorado em Teologia pelas Faculdades Jesuítas de Belo Horizonte. Além de teólogo, é um dos raros padres e teólogos católicos assumidamente gays). Em seu livro "Fé além do ressentimento - fragmentos católicos em voz gay" (Editora É Realizações, São Paulo, 2010), o Pe. James escreve:
 
A leitura não ficará restrita a um simples comentário, será uma tentativa de fazer um experimento sobre a própria perspectiva da leitura. Isso significa que faremos estas perguntas: "Quem está lendo esta passagem?", "Com quem nos identificamos?". A razão para o uso de tal abordagem é afinar a nossa inteligência, para que possamos, então, começar a levantar certas questões sobre aspectos fundamentais da moral, de como falamos sobre essas coisas, ou mesmo de como as vivemos de uma forma mais ou menos coerente e convincente. (...) Minha intenção não é causar escândalo, mas provocar um tipo de discussão que habilite a formação de um caminho mais completo para se viver uma vida cristã (p. 35).

1 de setembro de 2013

Mês da Bíblia 2013 (2)


 
O vídeo dura quase uma hora e meia e não só traz uma variedade de sérios argumentos, em forma de estudo sistemático, mas também é o excelente exemplo de uma conversa serena e objetiva, tão diferente da maior parte de discussões sobre o mesmo tema: "Bíblia e homossexualidade: exegese e hermenêutica". Neste Mês da Bíblia é uma grande oportunidade de abrir o Livro Sagrado, de maneira mais consciente, sem medo e não se deixar intimidar pela postura de tantos fundamentalistas e ignorantes que falam "em nome de Deus".

O grito da PAZ

 

Hoje, queridos irmãos e irmãs, queria fazer-me intérprete do grito que se eleva, com crescente angústia, em todos os cantos da terra, em todos os povos, em cada coração, na única grande família que é a humanidade: o grito da paz! É um grito que diz com força: queremos um mundo de paz, queremos ser homens e mulheres de paz, queremos que nesta nossa sociedade, dilacerada por divisões e conflitos, possa irromper a paz! Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra! A paz é um dom demasiado precioso, que deve ser promovido e tutelado.
 
Estas são as palavras do Papa Francisco, pronunciadas hoje, 01 de setembro de 2013, na Praça de São Pedro, na ocasião da oração do Angelus (leia na íntegra aqui).
 
Como destacam as principais agências de notícias, visivelmente preocupado, Francisco dedicou inteiramente seu encontro de domingo à situação na Síria, onde a guerra civil já matou mais de 100 mil pessoas em três anos. Foi a primeira vez que o Papa não fez alguma menção à liturgia do dia antes de rezar a oração mariana do Angelus no Vaticano.

Gostaria de acrescentar aqui uma importante afirmação. Embora o Santo Padre tenha se referido particularmente à situação na Síria, as suas palavras expressam um princípio que se aplica em todas as situações, em todos os tempos e lugares. Quem de nós não tenha experimentado, tantas vezes, as dolorosas consequências da falta de paz? Entre as situações, às quais dedico este espaço, encontra-se a constante "guerra civil", em toda a face da terra, mais frequentemente chamada de homofobia. Também nesta perspectiva vale a pena meditar as palavras do Papa Francisco.
 
O que podemos fazer pela paz no mundo? Como dizia o Papa João XXIII, a todos corresponde a tarefa de estabelecer um novo sistema de relações de convivência baseados na justiça e no amor (cf. Pacem in terris).
 
Possa uma corrente de compromisso pela paz unir todos os homens e mulheres de boa vontade! Trata-se de um forte e premente convite que dirijo a toda a Igreja Católica, mas que estendo a todos os cristãos de outras confissões, aos homens e mulheres de todas as religiões e também àqueles irmãos e irmãs que não creem: a paz é um bem que supera qualquer barreira, porque é um bem de toda a humanidade.
 
Repito em alta voz: não é a cultura do confronto, a cultura do conflito, aquela que constrói a convivência nos povos e entre os povos, mas sim esta: a cultura do encontro, a cultura do diálogo: este é o único caminho para a paz.
 
Que o grito da paz se erga alto para que chegue até o coração de cada um, e que todos abandonem as armas e se deixem guiar pelo desejo de paz.
 
Por isso, irmãos e irmãs, decidi convocar para toda a Igreja, no próximo dia 7 de setembro, véspera da Natividade de Maria, Rainha da Paz, um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio, e no mundo inteiro, e convido também a unir-se a esta iniciativa, no modo que considerem mais oportuno, os irmãos cristãos não católicos, aqueles que pertencem a outras religiões e os homens de boa vontade.
 
No dia 7 de setembro, na Praça de São Pedro, aqui, das 19h00min até as 24h00min, nos reuniremos em oração e em espírito de penitência para invocar de Deus este grande dom para a amada nação síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo. A humanidade precisa ver gestos de paz e escutar palavras de esperança e de paz! Peço a todas as Igrejas particulares que, além de viver este dia de jejum, organizem algum ato litúrgico por esta intenção.
 
Peçamos a Maria que nos ajude a responder à violência, ao conflito e à guerra com a força do diálogo, da reconciliação e do amor. Ela é mãe: que Ela nos ajude a encontrar a paz; todos nós somos seus filhos! Ajudai-nos, Maria, a superar este momento difícil e a nos comprometer a construir, todos os dias e em todo lugar, uma autêntica cultura do encontro e da paz. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!

01. 09. - uma lição de História


(Fonte: deviantart)

 
Há um ditado, repetido algumas vezes pelo Beato João Paulo II que afirma: "A nação que perde a memória, perde identidade". Estudar a história, relembrar os fatos do passado e aprender com eles é um dos caminhos que permitem o desenvolvimento de uma nação, de toda a humanidade e de um indivíduo, também. Hoje, 01 de setembro, é o dia que se inscreveu na história mundial como início da II Guerra Mundial. O tema é amplo, complexo, até hoje polêmico, mas as noções básicas podem e devem ser repetidas, mesmo depois desses 74 anos.

A pergunta que, neste contexto, nunca perde a sua atualidade é: até onde pode nos levar a ideologia da superioridade de um grupo de pessoas, em relação a outro grupo? No caso do nazismo hitlerista, tratava-se de ideologia de superioridade racial ariana (a noção dos alemães como o Herrenvolk ["raça-mestra"] e o Übermensch ["super-homem"], bem como a ideia de "espaço vital" que precisava ser aberto para essa "raça pura", através das invasões militares e da exterminação de outras nações, consideradas inferiores).
 
Isso não nos parece familiar?
A homofobia, com todas as suas expressões, não se baseia nos mesmos princípios?
Quantas pessoas acreditam seriamente que a "raça heterossexual" e superior à "homossexual" ("bi-", "trans-" e tantas outras que não se encaixam em "heteronormatividade"?).
 
Ora, eu não pretendo comparar os fatos históricos com a realidade de hoje, pois as proporções, por enquanto, são diferentes. Apenas aponto os princípios ideológicos que têm a mesma base.
 
De acordo com alguns importantes autores, entre eles o próprio Freud e também Daniel Chaves de Brito e Wilson José Barp (ambos da UFPA) [leia aqui], "o medo de um inimigo externo é funcional para aglutinar socialmente povos que até pouco tempo não se identificavam enquanto uma só nação, como foram os casos de países unificados apenas no século XIX (Alemanha e Itália). Como Freud havia demonstrado, a necessidade da criação artificial da identidade em grupos sociais pode levar à homogeneização forçada destes, e a existência de membros diferentes no grupo é desestabilizadora, o que leva o grupo a tentar eliminá-lo. Entretanto, era necessário algo mais, além do medo de um inimigo externo, para conseguir atingir o ultranacionalismo e totalitarismo. Era funcional criar inimigos internos, sorrateiros, subterrâneos, conspiratórios. O nazismo acrescentou ao rol de inimigos - em que já estava incluído o comunismo - algumas minorias étnico-religiosas e outras: os judeus,  em um primeiro momento, e depois os ciganos e os povos eslavos, mas também os cristãos em geral, os homossexuais e vários outros grupos" (Wikipédia, com alterações).
 
Não preciso lembrar a ninguém de que o termo "fobia", proveniente do grego (φόβος), significa "medo".

31 de agosto de 2013

Mês da Bíblia 2013 (1)


by ~aheathphoto

 
"O Evangelho segundo Lucas sob o prisma do discipulado-missionário", conforme o enfoque do Projeto de Evangelização "O Brasil na missão Continental", é o tema do mês da Bíblia de 2013. O tema escolhido releva o Evangelho do Ano Litúrgico C, e os cinco aspectos fundamentais do processo do discipulado: o encontro com Jesus Cristo, a conversão, o seguimento, a comunhão fraterna e a missão propriamente dita. O lema indicado pela Comissão Bíblico-Catequética da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) é: “Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido” (Lc 15) [mais informações aqui].
 
A primeira ideia que aparece, ao associarmos o enfoque do tema e o lema deste Mês da Bíblia ("O Brasil na missão Continental" + “Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido”), é a (mencionada com mais frequência na ocasião da visita do Papa) perda dos fiéis católicos, principalmente aqueles que "mudam de religião" (na verdade, não é a religião, mas confissão, ou denominação cristã) e tornam-se evangélicos, além de todos os outros que, simplesmente, deixam a Igreja Católica de forma mais ou menos definitiva (entre eles estão aqueles que, ainda que se identifiquem com ela, deixam de praticar os atos religiosos e outros que, de maneira mais drástica, passam a se considerar como "pessoas sem religião").
 
Sem dúvida, em todos estes grupos de pessoas, estão os homossexuais que experimentam o preconceito, tanto de maneira prática e muito concreta, quanto em forma, digamos, teórica, ou seja, como um conflito interior que impede a união de duas identidades: a católica e a homossexual. É neste contexto que o atual Mês da Bíblia torna-se uma excelente oportunidade para refletir ainda mais sobre estes assuntos, procurando construir possíveis pontes. Este é o propósito de algumas próximas publicações neste blog.

A Comissão Bíblico-Catequética da propõe (em forma de um subsídio) 4 encontros e a celebração final, com os seguintes temas:

O primeiro encontro tratará sobre Lc 4,14-30 (a narrativa do início da missão pública de Jesus na Galileia que tem como centro a proclamação do cumprimento do texto do profeta Isaías [Is 61,1-2] sobre a missão do Messias e a salvação que é anunciada a todos).

O segundo encontro aborda temas da vocação, missão e as exigências do discipulado. Este tema está em ressonância com a perspectiva do tema deste ano, que é o discipulado-missionário em Lucas e objetiva mostrar a radicalidade, na resposta dos chamados ao discipulado (Lc 5,11) e acentua o desprendimento que é uma atitude própria de todo discípulo, no seguimento de Jesus e, sobretudo no Evangelho Segundo Lucas.

O terceiro encontro aprofundará o papel das mulheres, no seguimento de Jesus.

O quarto encontro tratará sobre os desafios e problemas no seguimento, priorizando Lc 15.
A celebração final será um resumo dos encontros baseado no texto de Lc 24,13-35. É um relato exclusivo de Lucas e descreve o caminho catequético-litúrgico, marcado pelo escutar e reler as Escrituras, à luz do Mistério Pascal de Jesus e o reavivar a certeza de que é no partir o pão, que o encontro com o Ressuscitado se faz sempre presente. É por meio desse encontro que somos chamados a anunciar a Alegre Notícia: Jesus ressuscitou e vive em nosso meio.

Aqui faremos também algumas reflexões no contexto da homossexualidade, vivida à luz da fé e sob a direção da Palavra de Deus. Para isso teremos a oportunidade de relembrar alguns métodos simples de leitura bíblica e de partilha em um grupo - vale lembrar que, de certo modo, um casal, também, pode se tornar um "círculo bíblico" e a leitura orante da Bíblia certamente irá reforçar os laços que unem aqueles que se amam.

30 de agosto de 2013

Quando fores velho

 
 
Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. (Jo 21, 18)
 
A ONU informa (leia aqui):
- nos próximos dez anos, o número de pessoas com mais de 60 anos no planeta vai aumentar em quase 200 milhões, superando a marca de um bilhão de pessoas.
- Em 2050, os idosos chegarão a dois bilhões de pessoas – ou 20% da população mundial.
-  Em 2000, a população idosa do planeta superou pela primeira vez o número de crianças com menos de 5 anos e em 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos vá superar também a população de jovens com menos de 15 anos.
- No Brasil, a previsão é que o número de idosos triplique de hoje até 2050 – passando de 21 milhões para 64 milhões. Por essas previsões, a proporção de pessoas mais velhas no total da população brasileira passaria de 10%, em 2012, para 29%, em 2050.
 
O envelhecimento é um fato, mas não passa de estatísticas, enquanto não se tornar uma experiência própria. E quando isso acontece, pode ser assustador até um simples fato de olhar para um calendário. Pior ainda quando você começa a perceber que um simples resfriado que, há pouco, você curava com algumas doses de suco de laranja com acerola + uma aspirina, hoje em dia dura mais e exige, quem sabe, um antibiótico, ou pior, uma detestável visita ao médico. Mas a mais assustadora é a solidão. Se você (como eu!) não se sente realizado na "pegação", no sexo casual, mas procura um relacionamento duradouro e mesmo que você consiga tal façanha (digamos, com um jovem que curta os "maduros", ou "coroas"), a sensação de insegurança parece inevitável. "Será que consigo segurá-lo comigo, ou, qualquer dia desses, ele vai sair à procura de algo mais?". É a questão de baixa autoestima? Provavelmente. Muito provavelmente ela faz parte do processo de envelhecimento.
 
Assim chamada "consciência coletiva", reforçada bastante pela mídia, traz a imagem de um gay velho, uma figura bizarra, ridícula, certamente de um indivíduo frustrado, esquisito, inevitavelmente perverso: um palhaço cheio de rugas que ninguém leva a sério, a não ser como uma fonte de dinheiro fácil.
 
Ora, estou falando apenas de primeiras impressões, pois a realidade pode ser diferente. A diferença de idade (digamos, de uns 30 anos, por exemplo), evoca a relação entre pai e filho. O fato muito comprovado é que são inúmeros homossexuais que carregam profundos traumas em relação ao próprio pai. Não é, portanto, de se surpreender que a preferência de vários gays jovens seja direcionada às pessoas mais velhas. É uma natural busca de segurança, carinho, experiência e - porque não - uma estabilidade material. Tudo isso, porém, requer um cuidadoso discernimento. Somente o amor verdadeiro, profundo e comprovado será capaz de sustentar uma relação assim.
 
No blog "Grisalhos" encontrei um comentário interessante de um jovem ("Neto"): Bem, tenho 22 anos e comecei a me relacionar com homens há pouco mais de um ano…sempre gostei dos grisalhos, mas todos que eu conheci nem cheguei além de uma conversa, porque no bate papo mesmo eles me dispensavam logo depois que eu falava a minha idade, eles diziam: “22 anos?.. tô fora, não quero bancar malandro!”….mas eu não desisti…Há oito meses atrás conheci no Disponível meu atual esposo, tem 45 anos, moramos juntos, o salario dele é 10 vezes maior que o meu, mais tenho meu trabalho e nunca pedi um centavo dele. E temos também uma regra, nada de presentes caros, ele só pode me dar presentes que eu posso pagar., assim quando eu compro presente pra ele não me sinto tão envergonhado de dar um presentinho simples a ele.. mas isso é o de menos, amo meu esposo mais que tudo nessa vida, e esse amor sinto que é reciproco…
É uma das respostas à matéria que conta a história de Olívio, um gay de 70 anos. As suas palavras resumem a preocupação com a perspectiva (ou já realidade) de velhice: Querido, estou sozinho e vou morrer sozinho. Quem quer um velho gay? Todos que eu encontro querem o meu dinheiro. Sexo é coisa do passado… E o vento levou. (...) Apareceu glaucoma, labirintite, pressão alta e uma lesão interna que vou ter que fazer biópsia. Tô morrendo de medo, não da biópsia, mas por não ter ninguém para ir comigo. Acho que vou pagar um michê para me acompanhar no hospital. Ninguém merece né, um michê acompanhante de um velho gay doente. 
 
Termino com uma mensagem do Papa Francisco que, embora tenha vindo para um encontro mundial com a juventude, chamou atenção à realidade de idade avançada.
 
Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família. (...) Esta relação, este diálogo entre as gerações é um tesouro que deve ser conservado e alimentado! Nesta Jornada Mundial da Juventude, os jovens querem saudar os avós. Eles saúdam os seus avós com muito carinho. Aos avós. Saudamos os avós. Eles, os jovens, saúdam os seus avós com muito carinho e lhes agradecem pelo testemunho de sabedoria que nos oferecem continuamente. (Angelus do Papa Francisco no Palácio São Joaquim, Rio de Janeiro, durante JMJ, 26. 07. 2013)

29 de agosto de 2013

A PAZ esteja na Síria!

 
 
Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz esteja nesta casa!. Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; senão, ela retornará a vós. (Lc 10, 5-6)
 
Enquanto Barack Obama e seus aliados elaboram as estratégias de ataque à Síria, a UNESCO qualifica de "catastrófico" o nível a que chegou a destruição do patrimônio cultural na Síria, quem sabe, a Greenpeace lamenta sobre a poluição causada pelas armas químicas e outras, as ONGs protetoras de animais fazem contagem de cães e gatos... eu quero escrever algo sobre os gays na Síria. Seria bem mais fácil se tivesse um amigo gay sírio, ou pudesse viajar até lá e fazer uma pesquisa. Descartadas ambas as possibilidades, só me resta recorrer às profundezas da internet. Temos por aqui tudo, mas nem tudo é fidedigno. A primeira notícia que encontrei foi, justamente, sobre uma fraude "jornalística", já corrigida (leia a matéria no site da Revista Época).
 
Um estudante americano revelou que era a pessoa por trás do blog "A Gay Girl in Damascus", supostamente feito por Amina Abdallah Araf, uma garota síria, lésbica e que se opunha ao governo ditatorial de Bashar al-Assad. O golpe foi desfeito a partir de questionamentos iniciados no Twitter por um jornalista americano. Quem deu a dica ao jornalista sobre a grande chance de a história de Amina ser falsa foi um homem sírio, gay, que escreve sob o pseudônimo de Daniel Nassar. Daniel escreveu um artigo explicando que suspeitou porque situação dos gays na Síria é precária, não apenas por conta do governo, mas por preconceitos existentes na sociedade síria.
 
Eu vivi no Egito e no Líbano e visitei outros países árabes. Cada vez que eu viajei pelo mundo árabe, pude ver que a comunidade LGBT síria é o elo mais fraco na região. Socialmente, a Síria ainda está presa na década de 1980, protegendo-se de qualquer influência estrangeira. Esta prática tem ferido a comunidade gay: os meninos e meninas não podem ter uma escolha sobre identidade de gênero ou preferência sexual; elas simplesmente não estão expostas a informações sobre a luta global por direitos dos homossexuais. Gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros na Síria estão lutando por conta própria, sem qualquer rede de segurança para cair. A ameaça de violência é real. Certa vez meu pai puxou uma arma e apontou-a para o meu rosto durante uma briga sobre a minha homossexualidade. Oito anos depois, o meu relacionamento com minha família ainda é tenso. Vivo sozinho desde os 17 anos, e sou monitorado pelo meu pai durante todas as conversas com os meus irmãos para ele se certificar de que eu não vou espalhar a homossexualidade. O pai imaginário da ficcional Amina, que apoiava tanto o seu lesbianismo, é algo que eu desejo. É algo que eu sonho.
 
Segundo Nassar, os gays na Síria são “fantasmas navegando na internet e em sites de namoro”, e pessoas como ele e outros poucos gays e lésbicas que saíram do armário são “os gays reais” do país. “Esses são os que lutam a luta boa – não um blogueiro falso enganando o mundo sobre a comunidade LGBT da Síria”.
 
A outra matéria ("Vida gay na Síria"), encontra-se no interessante blog "Grisalhos". Transcrevo algumas frases:
 
- Na Síria existem todos os problemas comuns dos gays árabes. A homossexualidade é ilegal e os gays são punidos com três anos de prisão. A exposição para a sociedade como homossexual ainda é impensável.
- A palavra árabe “shaz” era a única palavra para descrever um homossexual. A palavra “shaz” pode ser traduzida como “desviante” ou “anormal.” É uma palavra muito ofensiva em árabe. Por outro lado, as pessoas criativas em cada domínio na mídia, literatura e arte estão agora tentando trazer o assunto para discussão aberta. Infelizmente, quase a totalidade da população considera a homossexualidade um pecado. Enquanto isso, a palavra “gay” entrou no idioma falado, principalmente por causa dos filmes e programas de TV americanos, e é usado com frequência por jovens instruídos.
- A Síria ficou estagnada desde a década de 1980, protegendo-se de qualquer influencia estrangeira, e, portanto, pode ser considerado um país atrasado nas questões da diversidade sexual. A prática do protecionismo cultural tem ferido a comunidade gay aberta e não há perspectivas que evolução.
- Outro problema recorrente são os casamentos forçados e a pressão familiar, porque a cultura árabe vê na família o alicerce da sociedade. Nesse cenário as lésbicas são as mais afetadas. Isso fez com que surgissem algumas comunidades secretas compostas de lésbicas, principalmente na capital Damasco.
 
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Para mim, o nome da cidade de Damasco, sempre traz à memória a figura de Saulo.
 
Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo se viu repentinamente cercado por uma luz que vinha do céu.  Caiu por terra, e ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo, Saulo, por que você me persegue?"  Saulo perguntou: "Quem és tu, Senhor?" A voz respondeu: "Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer." (At 9, 3-6)
 
Peçamos ao Senhor, pela intercessão deste grande homem de Deus, o dom da PAZ na Síria e no mundo inteiro. A PAZ para todos!