ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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31 de agosto de 2013

Mês da Bíblia 2013 (1)


by ~aheathphoto

 
"O Evangelho segundo Lucas sob o prisma do discipulado-missionário", conforme o enfoque do Projeto de Evangelização "O Brasil na missão Continental", é o tema do mês da Bíblia de 2013. O tema escolhido releva o Evangelho do Ano Litúrgico C, e os cinco aspectos fundamentais do processo do discipulado: o encontro com Jesus Cristo, a conversão, o seguimento, a comunhão fraterna e a missão propriamente dita. O lema indicado pela Comissão Bíblico-Catequética da Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB) é: “Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido” (Lc 15) [mais informações aqui].
 
A primeira ideia que aparece, ao associarmos o enfoque do tema e o lema deste Mês da Bíblia ("O Brasil na missão Continental" + “Alegrai-vos comigo, encontrei o que estava perdido”), é a (mencionada com mais frequência na ocasião da visita do Papa) perda dos fiéis católicos, principalmente aqueles que "mudam de religião" (na verdade, não é a religião, mas confissão, ou denominação cristã) e tornam-se evangélicos, além de todos os outros que, simplesmente, deixam a Igreja Católica de forma mais ou menos definitiva (entre eles estão aqueles que, ainda que se identifiquem com ela, deixam de praticar os atos religiosos e outros que, de maneira mais drástica, passam a se considerar como "pessoas sem religião").
 
Sem dúvida, em todos estes grupos de pessoas, estão os homossexuais que experimentam o preconceito, tanto de maneira prática e muito concreta, quanto em forma, digamos, teórica, ou seja, como um conflito interior que impede a união de duas identidades: a católica e a homossexual. É neste contexto que o atual Mês da Bíblia torna-se uma excelente oportunidade para refletir ainda mais sobre estes assuntos, procurando construir possíveis pontes. Este é o propósito de algumas próximas publicações neste blog.

A Comissão Bíblico-Catequética da propõe (em forma de um subsídio) 4 encontros e a celebração final, com os seguintes temas:

O primeiro encontro tratará sobre Lc 4,14-30 (a narrativa do início da missão pública de Jesus na Galileia que tem como centro a proclamação do cumprimento do texto do profeta Isaías [Is 61,1-2] sobre a missão do Messias e a salvação que é anunciada a todos).

O segundo encontro aborda temas da vocação, missão e as exigências do discipulado. Este tema está em ressonância com a perspectiva do tema deste ano, que é o discipulado-missionário em Lucas e objetiva mostrar a radicalidade, na resposta dos chamados ao discipulado (Lc 5,11) e acentua o desprendimento que é uma atitude própria de todo discípulo, no seguimento de Jesus e, sobretudo no Evangelho Segundo Lucas.

O terceiro encontro aprofundará o papel das mulheres, no seguimento de Jesus.

O quarto encontro tratará sobre os desafios e problemas no seguimento, priorizando Lc 15.
A celebração final será um resumo dos encontros baseado no texto de Lc 24,13-35. É um relato exclusivo de Lucas e descreve o caminho catequético-litúrgico, marcado pelo escutar e reler as Escrituras, à luz do Mistério Pascal de Jesus e o reavivar a certeza de que é no partir o pão, que o encontro com o Ressuscitado se faz sempre presente. É por meio desse encontro que somos chamados a anunciar a Alegre Notícia: Jesus ressuscitou e vive em nosso meio.

Aqui faremos também algumas reflexões no contexto da homossexualidade, vivida à luz da fé e sob a direção da Palavra de Deus. Para isso teremos a oportunidade de relembrar alguns métodos simples de leitura bíblica e de partilha em um grupo - vale lembrar que, de certo modo, um casal, também, pode se tornar um "círculo bíblico" e a leitura orante da Bíblia certamente irá reforçar os laços que unem aqueles que se amam.

30 de agosto de 2013

Quando fores velho

 
 
Em verdade, em verdade te digo: quando eras mais moço, cingias-te e andavas aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres. (Jo 21, 18)
 
A ONU informa (leia aqui):
- nos próximos dez anos, o número de pessoas com mais de 60 anos no planeta vai aumentar em quase 200 milhões, superando a marca de um bilhão de pessoas.
- Em 2050, os idosos chegarão a dois bilhões de pessoas – ou 20% da população mundial.
-  Em 2000, a população idosa do planeta superou pela primeira vez o número de crianças com menos de 5 anos e em 2050, o número de pessoas com mais de 60 anos vá superar também a população de jovens com menos de 15 anos.
- No Brasil, a previsão é que o número de idosos triplique de hoje até 2050 – passando de 21 milhões para 64 milhões. Por essas previsões, a proporção de pessoas mais velhas no total da população brasileira passaria de 10%, em 2012, para 29%, em 2050.
 
O envelhecimento é um fato, mas não passa de estatísticas, enquanto não se tornar uma experiência própria. E quando isso acontece, pode ser assustador até um simples fato de olhar para um calendário. Pior ainda quando você começa a perceber que um simples resfriado que, há pouco, você curava com algumas doses de suco de laranja com acerola + uma aspirina, hoje em dia dura mais e exige, quem sabe, um antibiótico, ou pior, uma detestável visita ao médico. Mas a mais assustadora é a solidão. Se você (como eu!) não se sente realizado na "pegação", no sexo casual, mas procura um relacionamento duradouro e mesmo que você consiga tal façanha (digamos, com um jovem que curta os "maduros", ou "coroas"), a sensação de insegurança parece inevitável. "Será que consigo segurá-lo comigo, ou, qualquer dia desses, ele vai sair à procura de algo mais?". É a questão de baixa autoestima? Provavelmente. Muito provavelmente ela faz parte do processo de envelhecimento.
 
Assim chamada "consciência coletiva", reforçada bastante pela mídia, traz a imagem de um gay velho, uma figura bizarra, ridícula, certamente de um indivíduo frustrado, esquisito, inevitavelmente perverso: um palhaço cheio de rugas que ninguém leva a sério, a não ser como uma fonte de dinheiro fácil.
 
Ora, estou falando apenas de primeiras impressões, pois a realidade pode ser diferente. A diferença de idade (digamos, de uns 30 anos, por exemplo), evoca a relação entre pai e filho. O fato muito comprovado é que são inúmeros homossexuais que carregam profundos traumas em relação ao próprio pai. Não é, portanto, de se surpreender que a preferência de vários gays jovens seja direcionada às pessoas mais velhas. É uma natural busca de segurança, carinho, experiência e - porque não - uma estabilidade material. Tudo isso, porém, requer um cuidadoso discernimento. Somente o amor verdadeiro, profundo e comprovado será capaz de sustentar uma relação assim.
 
No blog "Grisalhos" encontrei um comentário interessante de um jovem ("Neto"): Bem, tenho 22 anos e comecei a me relacionar com homens há pouco mais de um ano…sempre gostei dos grisalhos, mas todos que eu conheci nem cheguei além de uma conversa, porque no bate papo mesmo eles me dispensavam logo depois que eu falava a minha idade, eles diziam: “22 anos?.. tô fora, não quero bancar malandro!”….mas eu não desisti…Há oito meses atrás conheci no Disponível meu atual esposo, tem 45 anos, moramos juntos, o salario dele é 10 vezes maior que o meu, mais tenho meu trabalho e nunca pedi um centavo dele. E temos também uma regra, nada de presentes caros, ele só pode me dar presentes que eu posso pagar., assim quando eu compro presente pra ele não me sinto tão envergonhado de dar um presentinho simples a ele.. mas isso é o de menos, amo meu esposo mais que tudo nessa vida, e esse amor sinto que é reciproco…
É uma das respostas à matéria que conta a história de Olívio, um gay de 70 anos. As suas palavras resumem a preocupação com a perspectiva (ou já realidade) de velhice: Querido, estou sozinho e vou morrer sozinho. Quem quer um velho gay? Todos que eu encontro querem o meu dinheiro. Sexo é coisa do passado… E o vento levou. (...) Apareceu glaucoma, labirintite, pressão alta e uma lesão interna que vou ter que fazer biópsia. Tô morrendo de medo, não da biópsia, mas por não ter ninguém para ir comigo. Acho que vou pagar um michê para me acompanhar no hospital. Ninguém merece né, um michê acompanhante de um velho gay doente. 
 
Termino com uma mensagem do Papa Francisco que, embora tenha vindo para um encontro mundial com a juventude, chamou atenção à realidade de idade avançada.
 
Como os avós são importantes na vida da família, para comunicar o patrimônio de humanidade e de fé que é essencial para qualquer sociedade! E como é importante o encontro e o diálogo entre as gerações, principalmente dentro da família. (...) Esta relação, este diálogo entre as gerações é um tesouro que deve ser conservado e alimentado! Nesta Jornada Mundial da Juventude, os jovens querem saudar os avós. Eles saúdam os seus avós com muito carinho. Aos avós. Saudamos os avós. Eles, os jovens, saúdam os seus avós com muito carinho e lhes agradecem pelo testemunho de sabedoria que nos oferecem continuamente. (Angelus do Papa Francisco no Palácio São Joaquim, Rio de Janeiro, durante JMJ, 26. 07. 2013)

29 de agosto de 2013

A PAZ esteja na Síria!

 
 
Em qualquer casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz esteja nesta casa!. Se ali morar um amigo da paz, a vossa paz repousará sobre ele; senão, ela retornará a vós. (Lc 10, 5-6)
 
Enquanto Barack Obama e seus aliados elaboram as estratégias de ataque à Síria, a UNESCO qualifica de "catastrófico" o nível a que chegou a destruição do patrimônio cultural na Síria, quem sabe, a Greenpeace lamenta sobre a poluição causada pelas armas químicas e outras, as ONGs protetoras de animais fazem contagem de cães e gatos... eu quero escrever algo sobre os gays na Síria. Seria bem mais fácil se tivesse um amigo gay sírio, ou pudesse viajar até lá e fazer uma pesquisa. Descartadas ambas as possibilidades, só me resta recorrer às profundezas da internet. Temos por aqui tudo, mas nem tudo é fidedigno. A primeira notícia que encontrei foi, justamente, sobre uma fraude "jornalística", já corrigida (leia a matéria no site da Revista Época).
 
Um estudante americano revelou que era a pessoa por trás do blog "A Gay Girl in Damascus", supostamente feito por Amina Abdallah Araf, uma garota síria, lésbica e que se opunha ao governo ditatorial de Bashar al-Assad. O golpe foi desfeito a partir de questionamentos iniciados no Twitter por um jornalista americano. Quem deu a dica ao jornalista sobre a grande chance de a história de Amina ser falsa foi um homem sírio, gay, que escreve sob o pseudônimo de Daniel Nassar. Daniel escreveu um artigo explicando que suspeitou porque situação dos gays na Síria é precária, não apenas por conta do governo, mas por preconceitos existentes na sociedade síria.
 
Eu vivi no Egito e no Líbano e visitei outros países árabes. Cada vez que eu viajei pelo mundo árabe, pude ver que a comunidade LGBT síria é o elo mais fraco na região. Socialmente, a Síria ainda está presa na década de 1980, protegendo-se de qualquer influência estrangeira. Esta prática tem ferido a comunidade gay: os meninos e meninas não podem ter uma escolha sobre identidade de gênero ou preferência sexual; elas simplesmente não estão expostas a informações sobre a luta global por direitos dos homossexuais. Gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros na Síria estão lutando por conta própria, sem qualquer rede de segurança para cair. A ameaça de violência é real. Certa vez meu pai puxou uma arma e apontou-a para o meu rosto durante uma briga sobre a minha homossexualidade. Oito anos depois, o meu relacionamento com minha família ainda é tenso. Vivo sozinho desde os 17 anos, e sou monitorado pelo meu pai durante todas as conversas com os meus irmãos para ele se certificar de que eu não vou espalhar a homossexualidade. O pai imaginário da ficcional Amina, que apoiava tanto o seu lesbianismo, é algo que eu desejo. É algo que eu sonho.
 
Segundo Nassar, os gays na Síria são “fantasmas navegando na internet e em sites de namoro”, e pessoas como ele e outros poucos gays e lésbicas que saíram do armário são “os gays reais” do país. “Esses são os que lutam a luta boa – não um blogueiro falso enganando o mundo sobre a comunidade LGBT da Síria”.
 
A outra matéria ("Vida gay na Síria"), encontra-se no interessante blog "Grisalhos". Transcrevo algumas frases:
 
- Na Síria existem todos os problemas comuns dos gays árabes. A homossexualidade é ilegal e os gays são punidos com três anos de prisão. A exposição para a sociedade como homossexual ainda é impensável.
- A palavra árabe “shaz” era a única palavra para descrever um homossexual. A palavra “shaz” pode ser traduzida como “desviante” ou “anormal.” É uma palavra muito ofensiva em árabe. Por outro lado, as pessoas criativas em cada domínio na mídia, literatura e arte estão agora tentando trazer o assunto para discussão aberta. Infelizmente, quase a totalidade da população considera a homossexualidade um pecado. Enquanto isso, a palavra “gay” entrou no idioma falado, principalmente por causa dos filmes e programas de TV americanos, e é usado com frequência por jovens instruídos.
- A Síria ficou estagnada desde a década de 1980, protegendo-se de qualquer influencia estrangeira, e, portanto, pode ser considerado um país atrasado nas questões da diversidade sexual. A prática do protecionismo cultural tem ferido a comunidade gay aberta e não há perspectivas que evolução.
- Outro problema recorrente são os casamentos forçados e a pressão familiar, porque a cultura árabe vê na família o alicerce da sociedade. Nesse cenário as lésbicas são as mais afetadas. Isso fez com que surgissem algumas comunidades secretas compostas de lésbicas, principalmente na capital Damasco.
 
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Para mim, o nome da cidade de Damasco, sempre traz à memória a figura de Saulo.
 
Durante a viagem, quando já estava perto de Damasco, Saulo se viu repentinamente cercado por uma luz que vinha do céu.  Caiu por terra, e ouviu uma voz que lhe dizia: "Saulo, Saulo, por que você me persegue?"  Saulo perguntou: "Quem és tu, Senhor?" A voz respondeu: "Eu sou Jesus, a quem você está perseguindo. Agora, levante-se, entre na cidade, e aí dirão o que você deve fazer." (At 9, 3-6)
 
Peçamos ao Senhor, pela intercessão deste grande homem de Deus, o dom da PAZ na Síria e no mundo inteiro. A PAZ para todos!

João Batista e casamento

Saint John the Baptist (Guido Reni, 1637)
Dulwich Picture Gallery, London, UK
 
 
A Igreja celebra hoje a memória do Martírio de São João Batista. Há quem diga, nesta ocasião, que os ideais pelos quais ele derramou o seu sangue, hoje em dia tenham sido ameaçados pela postura usurpadora do movimento GLBSTT em relação ao matrimônio, quer dizer, "a união entre as pessoas do mesmo sexo equiparada ao matrimônio que, por sua natureza, é a união entre homem e mulher". A lógica apresentada pela Igreja é esta: "A sociedade deve a sua sobrevivência à família fundada sobre o matrimônio. É, portanto, uma contradição equiparar à célula fundamental da sociedade o que constitui a sua negação. A consequência imediata e inevitável do reconhecimento legal das uniões homossexuais seria a redefinição do matrimônio, o qual se converteria numa instituição que, na sua essência legalmente reconhecida, perderia a referência essencial aos fatores ligados à heterossexualidade, como são, por exemplo, as funções procriadora e educadora. Se, do ponto de vista legal, o matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente for considerado apenas como um dos matrimônios possíveis, o conceito de matrimônio sofrerá uma alteração radical, com grave prejuízo para o bem comum." (Congregação para a Doutrina da Fé, "Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais", Vaticano, 2003).
 
Interessante, porém, é o fato de ser, tranquilamente, equiparada a essa mesma "célula fundamental da sociedade", isto é, a família, tanta coisa que, também, pode ser considerada a sua negação. A própria humanidade é chamada de "família das nações", os cristãos de várias denominações são vistos como "a grande família cristã", a Igreja como "família de Deus", o Instituto das religiosas como uma "família em Cristo", sem falar de expressões mais populares, de fora do âmbito eclesial, como, por exemplo "família vascaína". É claro que trata-se apenas de interpretação de termos e expressões, mas o fenômeno em si (o de usar o mesmo nome para tantas realidades distintas) mostra que tal de "equiparação" não deve causar tanto escândalo. Pelo contrário: é, justamente, por ser a "célula fundamental da sociedade", que a família torna-se uma belíssima inspiração para muitas experiências, baseadas na convivência entre as pessoas. Se os funcionários de uma empresa chegam a dizer que o trabalho e todas as outras relações entre as pessoas lembram o clima familiar, o chefe só pode ficar satisfeito. O mesmo acontece dentro de uma escola, no clube esportivo, em qualquer equipe de trabalho, mesmo que nenhuma dessas entidades tenha "funções procriadoras". Falando nisso, vale a pena prestar atenção a um detalhe, relacionado ao Sacramento do Matrimônio. Não é verdade que - como tanta gente afirma - a procriação tenha sido a sua única, ou mesmo a mais importante finalidade e, portanto, a razão de existir. O mesmo pode ser dito sobre o ato sexual. Muitos adversários e críticos da Igreja citam essa "única razão" como prova maior da caducidade da doutrina católica sobre o Matrimônio. Há, entretanto, algo mais. O Papa João Paulo II, em sua Exortação Apostólica "Familiaris consortio", aponta quatro finalidades (deveres gerais) da família: 1) a formação de uma comunidade de pessoas;  2) o serviço à vida; 3) a participação no desenvolvimento da sociedade; 4) a participação na vida e na missão da Igreja (n. 17 e seguintes).
 
Contemplando a família composta por duas pessoas do mesmo sexo, percebemos que apenas no ponto 2) - no seu sentido mais literal possível - a sua participação (o cumprimento do dever) pode se realizar de forma diferente. O próprio texto da Exortação afirma: "A fecundidade do amor conjugal não se restringe somente à procriação dos filhos, mesmo que entendida na dimensão especificamente humana: alarga-se e enriquece-se com todos aqueles frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que o pai e a mãe são chamados a doar aos filhos e, através dos filhos, à Igreja e ao mundo." (n. 28).
A mesma verdade repete o Catecismo da Igreja Católica: "A fecundidade do amor conjugal se estende aos frutos da vida moral, espiritual e sobrenatural que os pais transmitem a seus filhos pela educação. Os pais são os principais e primeiros educadores de seus filhos. Neste sentido, a tarefa fundamental do Matrimônio e da família é estar a serviço da vida." (n. 1653) E acrescenta algo muito importante: "Os esposos a quem Deus não concedeu a graça de ter filhos podem, no entanto, ter uma vida conjugal cheia de sentido, humana e cristãmente falando. O seu Matrimônio pode irradiar uma fecundidade de caridade, de acolhimento e de sacrifício." (n. 1654) [obs.: as citações do CIC acima foram corrigidas, de acordo com a edição brasileira]. Embora o Código de Direito Canônico afirme que "a impotência para copular, antecedente e perpétua, absoluta ou relativa, por parte do homem ou da mulher, dirime o matrimônio por sua própria natureza" (Cân. 1084 §1), logo depois declara: "A esterilidade não proíbe nem dirime o matrimônio" (Cân. 1084 §3), ou seja, a fecundidade biológica não é a condição sine qua non do Matrimônio, e/ou da família.
 
Voltando ao santo de hoje, João Batista acusou o rei Herodes de adultério (conf. Mc 6, 17-29), quer dizer de infidelidade conjugal que, diga-se de passagem, é algo que destrói, tanto o casamento hetero, quanto homossexual. É por isso que escrevi antes: a família, por ser a "célula fundamental da sociedade", torna-se uma belíssima inspiração para muitas experiências, inclusive para a união entre as pessoas do mesmo sexo.


28 de agosto de 2013

O direito de existir


 
Como de costume, o contexto desta reflexão é, digamos, multifocal. De um lado a comemoração dos 50 anos do discurso de Martin Luther King ("I have a dream"), de outro, a memória litúrgica de Santo Agostinho e, sempre como uma espécie de pano de fundo, a experiência de um homossexual que busca as respostas em Deus. Há uma analogia entre toda a batalha contra o racismo (simbolizada na trajetória e no martírio de Martin Luther King) e a luta, ainda em andamento, pelos direitos de GLBTT. Entre estes direitos destaca-se o reconhecimento da própria existência: "Sim, nós existimos, somos reais, ainda que diferentes, mas, justamente pelo fato de existir, temos o direito de sermos conhecidos e respeitados". Bem, no caso da luta contra o racismo, ninguém negava a existência real das pessoas com a cor da pele diferente daquela mais clara. O problema era (e, para muitos, infelizmente, ainda é) a ideia de que teriam sido seres inferiores, por isso não mereceriam gozar dos mesmos direitos. Em relação aos "não-heterossexuais", há quem duvide em sua existência, mas isso deve ter sido motivado pela burrice, ou má vontade (todas aquelas teorias sobre um "passageiro estado de confusão emocional" e outras ainda mais bizarras). Em geral, porem, já podemos dizer que a nossa existência é admitida. Agora a batalha é pelos direitos, pela igualdade, pelo respeito - tudo isso, como o primeiro grau para, finalmente, subir à altura de uma convivência verdadeiramente fraterna. Resumindo: quero que você admita o fato da minha existência, depois que você não me despreze, a fim de podermos, futuramente, conviver no estado de verdadeira harmonia, paz e - como Cristo quer - no amor mútuo.
 
É justamente neste contexto que trago aqui alguns trechos de uma grande obra de Santo Agostinho, "O livre arbítrio" (o arquivo em pdf, com o texto inteiro, pode ser lido aqui).
 
A ideia inicial é esta: "Todos os seres, pelo fato de existirem, são, com todo direito, dignos de serem apreciados. Porque, pelo simples fato de existirem, são bons" (Livro III, cap. 7, n. 21). Um pouco mais adiante, Agostinho continua: só a inveja poderia levar a dizer: "Esta realidade não deveria existir assim". Ou ainda: "Aquela deveria ser de outro modo". (...) E aquele que dissesse: "Esta aqui não deveria existir" seria igualmente mau e invejoso, visto que, ao recusar-lhe a existência, ver-se-ia forçado a considerar tal outra menos perfeita. Seria, por exemplo, como se dissesse: "A lua não deveria existir". Ora, a claridade de uma candeia que seja, ainda que bem inferior, continua bela em seu gênero e agradável, quando as trevas cobrem a terra, e assim mostra-se ela bem apropriada aos afazeres noturnos. Devido a tudo isso, meu interlocutor deve bem confessar que a referida candeia é digna de ser louvada em sua humilde limitação. Negá-lo, seria próprio de um doido ou de um obstinado. Como, pois, ousar dizer convenientemente: "A lua não deveria existir entre os seres", quando ao dizer: "A candeia não deveria existir", essa pessoa já é digna de zombaria? E caso não afirmasse: "A lua não deveria existir", mas sim: "Deveria ser semelhante ao sol", ela não se daria conta de que esse desejo reduz-se a : "A lua não deveria existir, mas deveria haver dois sóis". Nisso engana-se duplamente, porque acrescentar ao mesmo tempo nova perfeição às coisas que já são perfeitas em sua natureza é desejar como que outro sol. E diminuir a sua perfeição é como desejar eliminar a lua.
Talvez meu interlocutor dirá, a propósito desse exemplo, que ele não se lamenta de modo algum a respeito da lua, porque o esplendor menor que ela possui não é de natureza a torná-la infeliz. Mas que é a respeito das almas que ele se contrista. Não devido à obscuridade delas, mas, precisamente, por causa do seu estado de desgraça. Seja, mas que ele considere então, atentamente, que se a lua não é infeliz por sua opacidade, do mesmo modo o sol não é feliz por seu brilho. Pois, ainda que sendo corpos celestes, são contudo corpos e, pelo que diz respeito à luz, são capazes de serem percebidos por nossos olhos corporais: nunca, porém, os corpos como corpos podem sentir felicidade ou desdita, ainda que possam ser corpos de seres felizes ou infelizes. Mas a comparação tirada desses corpos luminosos ensina-nos o seguinte: contemplando a diversidade dos corpos, vês uns mais brilhantes do que outros, mas estarias no erro ao pedir a supressão dos mais obscuros ou o nivelamento com os mais brilhantes. Pois, se os consideras a todos em sua relação com a perfeição do universo, quanto mais eles diferem de brilho entre si, mais te é fácil constatar que todos eles existem. Aliás, o conjunto não te parece perfeito, senão porque coexistem corpos mais nobres com outros mais humildes. Considera, por aí, igualmente, a diversidade existente nas almas e encontrarás como compreender que essa miséria da qual te lamentas também possui seu papel na perfeição do universo. 
(Santo Agostinho, "O livre arbítrio"; Livro III, cap. 9, n. 24-25)
 

I have a dream


 
Para todos aqueles que sonham com um futuro melhor, o dia 28 de agosto tem grande significado. Há exatamente 50 anos, Martin Luther King, nos degraus do Memorial de Lincoln, em Washington, fez o seu mais famoso discurso. Muitos enxergam a figura do atual presidente dos E.U.A. como a encarnação (ou realização) deste sonho. Sem dúvida, grandes coisas aconteceram ao longo dos últimos 50 anos, mas muitos ainda continuam sonhando. Entre eles somos nós, os homossexuais (e outras minorias não heterossexuais). Será necessário mais sangue derramado para que o sonho se torne realidade? Proponho a leitura de alguns trechos do discurso de Martin Luther King:
 
“Ainda que enfrentemos as dificuldades de hoje e de amanhã, Eu tenho um sonho. Eu ainda tenho um sonho. Eu tenho um sonho no qual vejo que um dia esta nação se levantará e cumprirá o seu princípio mais importante: ‘Nós acreditamos que estas verdades são auto-evidentes: que os homens são criados iguais pelo seu Criador’ Eu tenho um sonho. (...)
Eu tenho um sonho de que um dia, `cada vale será exaltado, cada colina e montanha será rebaixada, os lugares ásperos serão tornados suaves, os lugares de maldade serão tornados honestos, e a Glória do Senhor se revelará, e toda a carne a verá ao mesmo tempo’.
Esta é a nossa esperança. É com esta fé que retorno ao Sul. Com esta fé, estamos dispostos a trabalhar juntos, a rezar juntos, a lutar juntos, a ir para a cadeia juntos, e a nos levantarmos juntos em defesa da liberdade, sabendo que seremos livres algum dia.
Este será o dia em que os filhos de Deus cantarão juntos : Meu país, doce terra de liberdade, para ti eu canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, de qualquer lado da montanha, que toque o sino da liberdade. Se a América quiser ser uma grande nação, então isto terá que se tornar verdadeiro. Que toque então o sino da liberdade. Quando permitirmos que toque o sino da liberdade, quando deixarmos que toque em qualquer cidadezinha de qualquer Estado, estaremos preparados para nos erguer neste dia, e todos os filhos de Deus, brancos ou negros, judeus ou gentios, protestantes ou católicos, daremos as mãos para cantar uma antiga canção negra religiosa: `Enfim livres. Enfim livres. Graças ao Senhor todo-poderoso. Estamos livres enfim”.
 
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"Rádio Vaticano - a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo" [sic!] (aqui) divulgou hoje, 28 de agosto, a seguinte notícia: O sonho de Martin Luther King continua vivo, depois de 50 anos. Recordando os cinquenta anos do célebre discurso “Eu tenho um sonho” (I have a dream), de Martin Luther King, o Cardeal de Washington, Donald William Wuerl, ressalta o engajamento da Igreja Católica nos EUA com a justiça racial e social. “A magistral estátua de King, no novo memorial em Washington, nos lembra seu imponente compromisso em conduzir nossa nação à plena consciência da igualdade de todas as pessoas diante de Deus”, declara o cardeal, publicado no Osservatore Romano. “O seu sonho, tão enraizado na oração e na Sagrada Escritura, continua a nos encorajar a vermos uns aos outros como irmãos e irmãs, filhos do mesmo amoroso Deus”, continua.

27 de agosto de 2013

Cura gay pelo olhar da mãe de gay


 
Ainda no contexto de Santa Mônica que traz a reflexão sobre a experiência de uma mãe aflita, reproduzo aqui o excelente texto de Maju Giorgi, publicado no site do iG, no dia 23 de junho deste ano (aqui), em sua própria coluna "Mãe pela igualdade" (todos os textos da colunista estão aqui). O título "Não existe cura gay, o que existe é a cura da egodistônia e esse é um direito de qualquer um", fez com que procurasse o significado de um dos termos (a gente aprende a vida toda). Eis o que descobri (aqui - o site de Portugal que se apresenta como destinado aos homossexuais egodistônicos): Egodistônico significa que uma pessoa apresenta uma característica que não desejaria ter, que a torna infeliz, que vai contra os seus desejos e aspirações mais profundas. Por outro lado os homossexuais egosintônicos são aqueles bem adaptados e felizes com a sua condição homossexual. Feito este esclarecimento, vamos ao texto (vale a pena ler na edição original, especialmente por causa das ilustrações que acompanham o texto). Ao transcrever o artigo, mantenho a escrita original...
 
Não existe cura gay, o que existe é a cura da egodistônia e esse é um direito de qualquer um...
Esta é a cura gay pelo viés, olhar da mãe de gay. Hoje, vocês vão ter que ter paciência comigo, porque vou falar muito. Os LGBTT carregam uma carga imensa de estigmas culturais históricos: não nascem em famílias bem constituídas, OPTARAM, são todos ateus e da esquerda radical e fazem parte ou são uma arma da agenda esquerdopata, são mal educados pelos pais que os criam para serem gays, promíscuos, marginais, drogados, doentes, condutores de doenças, transtornados, endemôniados e nem sei mais quantas tarjas e rótulos colocam no povo LGBTT. Me expliquem, de que forma, um pai ou uma mãe hétero, que muitas vezes tem mais de um filho ou muitos filhos e um deles é gay, faz? Escolhemos um aleatoriamente e dizemos: você vai ser “O filho gay”. E aí ensinamos meninos a brincar de boneca ou meninas a jogar futebol? Sorrimos, batemos palmas e gritamos: hora da aula, vem aprender a ser gay? Ou então, resolvi que você vai ser trans, e aí ensinamos meninos a se vestir “de mulher”, se maquiar, ou meninas a ter aversão dos seios e a se vestir “de homem”. Ou ainda… você vai ser Bi, porque hoje eu acordei com raiva dos evangélicos neopentecostais, então resolvi te escolher para ser o pior de todos, os que ficam de cá e de lá carregando os vícios e as doenças.
 
Você consegue imaginar este cenário? Me diga… Você se lembra em qual dia ou a que horas você resolveu ser hétero? Você resolveu sozinho ou foi uma escolha da sua família? Você foi ensinado? Porque com LGBTTs, funciona assim… Eles levam um choque na tomada do ventilador, na quarta feira de tarde, na mesma hora que um raio risca o céu, passa um ônibus para o centro e cai um galho de arvore no chão, e aí, eles resolvem: VOU SER GAY. Tô achando esse negócio muito bacana, tá na moda, deve ser incrível ser torturado, exilado, rejeitado pela família, religião, amigos, sociedade, mercado de trabalho, ser massa de manobra política, cortina de fumaça para os desmandos de certo parlamento proselitista. Tô ansioso para levar a pecha de promíscuo, marginal, doente, transtornado, drogado, vagabundo, condutor de doenças, para ser jogado no gueto, passar fome, ser levado à prostituição, passar pela dolorosa experiência de adequar meu corpo à minha identidade, ser culpado por ser a vítima de crimes hediondos, tô super querendo levar uma lâmpada nos olhos ou um tiro… Nossaaa, não vejo a hora. A-DO-REI esse script, é essa a vida que eu quero.
 
Vamos raciocinar?
A CURA GAY, que os fundamentalistas podem fantasiar do que quiserem, olhar por qualquer prisma ou fazer qualquer discurso numa tentativa de amenizar ou suavizar o ABSURDO, continuará sendo EXATAMENTE isso: “CURA GAY”. A promessa de que profissionais evangélicos de psicologia têm o poder de mudar a CONDIÇÃO SEXUAL de alguém é MENTIRA de qualquer ângulo, lado ou ponto de vista.
Para quem não entendeu qual é a nossa luta: Ao contrario do que querem fazer crer o presidente da CDHM e seus asseclas, nenhum gay é proibido ou privado do direito de fazer terapia, de buscar apoio psicológico, de falar de sua sexualidade com seu psicólogo, ou mesmo de não assumir sua sexualidade. Mesmo porque não temos essa autoridade e, mesmo que tivéssemos, jamais privaríamos alguém de DIREITOS; ou, não estaríamos sendo coerentes com nossa luta. O psicólogo alias, é importantíssimo na função de colocar o ego em sintonia com a sexualidade, trazendo aceitação e conforto, então mais que não proibirmos, como se espalha por aí, incentivamos . Não assumir a sexualidade é um martírio voluntário, mas é inegavelmente um direito que assiste ao ser humano. A luta do movimento LGBTT é única e exclusivamente contra o CHARLATANISMO que promete a CURA ou MUDANÇA de sexualidade, a CURA GAY. E nessa luta temos aliados como a OMS (Organização Mundial da Saúde), o CFP (Conselho Federal de Psicologia), OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde) e a SBG (Sociedade Brasileira de Genética). Não existe cura, o que existe é um teatro, o desempenhar eterno de um papel que não é o seu, e, para isso, você não precisa de psicologia. Talvez uma escola de artes cênicas cumprisse melhor esta função e fosse menos contraindicada.
As terapias de CURA GAY desencadeiam a egodistonia e levam à homofobia internalizada, ao suicídio, a depressão, a fobia social e, em casos mais amenos, apenas a infelicidade. Faz com que pessoas se casem e tenham filhos para, de repente, resolverem dar um grito de liberdade abandonando mulher e filhos e desfazendo a família. Tem o direito esses pseudo-curados de envolver mais pessoas nos seus dramas pessoais?
O único intuito da Cura gay é reafirmar o preconceito, desmoralizar homossexuais, taxá-los de doentes, transtornados, aberrações. É uma manobra do oásis da lisura social, dos arautos da moralidade, dos fundamentalistas que teimam em dizer HOMOSSEXUALISMO no ano de 2013, quando a Organização Mundial de Saúde aboliu o termo em 1990.
A EGODISTÔNIA é sim passível de cura, a SEXUALIDADE, não.
Uma das vítimas da CURA GAY é o ex-pastor batista e teólogo Sérgio Viúla, que hoje é um dos maiores militantes da causa LGBTT e que escreveu o livro “Em busca de mim mesmo”, leitura mais que indicada para quem quer saber mais e se informar sobre a CURA GAY.
E, semana passada, ainda tivemos o plus da entidade americana que oferecia a CURA GAY há 37 anos (a maior do mundo) se desculpar com a comunidade LGBTT por todos os anos de pré-julgamento da Igreja, encerrando suas atividades.
Você é um dos que acha que tem direito a OPINIÃO? Você tem OPINIÃO sobre o quê? Sobre um assunto do qual você nada sabe, nunca estudou, nunca leu? Sobre uma realidade que você nunca viveu, nunca sentiu, que nunca foi sua? Você conhece algum gay ou transgenêro? Sabe o que se passa no coração deles? Sabia que qualquer uma das letras LGBTT tem sentimentos, anseios, sente dor, sofre e morre por causa do seu preconceito? Você é daqueles que pensam que se eles se suicidam é porque estão infelizes com sua condição e por isso tem que ser curados, mesmo sendo essa cura um blefe, sem nunca pensar que talvez estejam infelizes com a hostilidade de uma sociedade da qual você faz parte, que por isso se matam e que, talvez, o que precise ser curado seja o seu preconceito? Você já fez alguma coisa para ajudar, acolher ou incluir algum LGBTT… ou até mesmo, já conheceu algum, conversou, viu de perto? Já ofereceu uma oportunidade, um emprego, uma chance? Algum dia você fez alguma coisa para entender esta realidade além de cuspir A PALAVRA que é uma escolha sua, uma OPÇÃO sua e de mais ninguém? Você sabia que seu preconceito na forma de piadinha e opinião é o amolador da faca que ali adiante vai levar pessoas ao suicídio, destruir famílias, empurrar seres humanos para a marginalidade, torturar moralmente, fisicamente e matar? Você sabia que sua crença é opção e sua sexualidade é condição? Não? Não sabia de nada disso? Então me desculpe, mas você não deveria ter direito a “OPINIÃO”. OPINIÃO sobre o quê? Sobre o que você nada sabe? NÃO EXISTE CURA GAY, O QUE EXISTE É CURA DA EGODISTONIA, QUE É UM DIREITO DE QUALQUER UM…