Muito tempo se passou desde a minha última postagem neste blog. Aconteceram, também, muitas coisas: no mudo, na Igreja, no "Universo GLBTS", na minha vida... Enfim, talvez esteja na a hora de voltar a escrever aqui. Recebi vários sinais de apoio, inclusive em outros idiomas (só tratei como spam os textos de propaganda de produtos que não têm nada a ver com o contexto do blog). Publiquei, também, as críticas recebidas no espaço de comentários (às quais, sucessivamente, vou tentar responder). Agradeço a todos pelas visitas e prometo continuar a reflexão que pretende buscar (ou construir) as pontes entre a homossexualidade e a fé cristã [católica], por mais que isso seja considerado (por muitos) impossível. O impossível era o fato de andar sobre as águas, mesmo assim aconteceu. Aos Leitores "casuais" e aos "de propósito", dirigo este pedido: "FAVOR, NÃO ALIMENTAR OS MEDOS!".
15 de maio de 2013
17 de julho de 2012
JMJ RIO2013
É muito natural que a Jornada Mundial da Juventude ocupe o lugar de destaque em todos os meios católicos de comunicação, bem como em nossas paróquias. Temos agora apenas um ano de contagem regressiva. Será que a Igreja (enquanto a instituição e enquanto o povo) saberá aproveitar esta HORA DA GRAÇA? Ou, mais uma vez, deixará tudo escorrer por entre os dedos...? E tudo isso, de novo, pela falta de atenção que, neste contexto, é o sinônimo de arrogância. O Idealizador (Fundador) das Jornadas, Beato João Paulo II, em sua última mensagem designada a tal evento [aqui] - que por isso pode ser lida como um testamento - escreveu:
São tantos os nossos contemporâneos que ainda não conhecem o amor de Deus, ou procuram encher o coração com alternativas insignificantes. É urgente, por conseguinte, ser testemunhas do amor contemplado em Cristo. O convite para participar na Jornada Mundial da Juventude é também para vós, queridos amigos que não sois batizados ou que não vos reconheceis na Igreja. Não é porventura verdade que também vós tendes sede de Absoluto e andais em busca de "algo" que dê significado à vossa existência? Dirigi-vos a Cristo e não sereis desiludidos.
Os homossexuais (entre tantos outros) não somente são ignorados/banalizados/desprezados (etc.) no ambiente eclesial, mas, eles próprios, em grande maioria, não admitem qualquer ligação sua com a Igreja. Há uns meses conversei com um gay assumido, católico, sobre a ideia de encontros para promover uma "Pastoral para homossexuais". Mesmo com todos os dilemas próprios para essa (aparente) dupla identidade, o rapaz definiu tal ideia como improvável.
Posso sonhar? Os grupos organizados de jovens homossexuais católicos, em vez de protagonizar atos do tipo "beijação" (a exemplo de Madri), poderiam formar núcleos da JMJ-GLBTS. Não para protestar, contestar e atrapalhar. Seria para marcar presença (na linguagem cristã: dar testemunho) e, justamente, aproveitar a HORA DA GRAÇA...
EI, VOCÊ QUE FAZ PARTE DA COMUNIDADE GLBTS!
EXERÇA SUA JUVENTUDE
E SEJA UM(A) VOLUNTÁRIO(A) DA JMJ RIO2013!
[AQUI]
23 de junho de 2012
Retorno do "Retorno (G-A-Y)"
Meus amores, desculpem-me por ter abandonado este espaço virtual ao longo de vários meses. Não sei explicar diteito o que houve. Talvez tenha sido algo como deixar a roupa suja de molho ou um frango temperado de repouso para o dia seguinte... Aos eventuais preocupados digo: não deixei de ser gay nem de ser católico. Não desisti também da ideia de promover a reconciliação desses dois mundos, pois creio que, como aconteceu em mim, pode acontecer no mundo também. Acontecer o que mesmo? A reconciliação entre gay e católico, entre o "mundo gay" e a Igreja Católica. Antigamente este blog levava o nome de "Reconciliado consigo mesmo". Um dia desisti dele, mas, voltei correndo e criei este "retorno". Quem sabe, dei uma pausa agora, para reviver, de fato, um retorno.. Há muitos temas, várias reflexões, experiências boas e menos boas... Enfim ,creio que a inspiração tenha voltado.
29 de novembro de 2011
André e os gregos
Havia alguns gregos entre os que tinham subido a Jerusalém para adorar durante a festa. Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e disseram: “Senhor, queremos ver Jesus”. Filipe conversou com André, e os dois foram falar com Jesus. (Jo 12, 20-22)
O Papa Bento XVI dedicou uma das suas catequeses [em junho de 2006 - leia aqui] à figura de Santo André (cuja festa é celebrada no dia 30 de novembro):
A primeira característica que em André chama a atenção é o nome: não é hebraico, como teríamos pensado, mas grego, sinal de que não deve ser minimizada uma certa abertura cultural da sua família. Estamos na Galileia, onde a língua e a cultura gregas estão bastante presentes. (...)
Para a festa da Páscoa narra João tinham vindo à cidade santa alguns Gregos, provavelmente prosélitos ou tementes a Deus, que vinham para adorar o Deus de Israel na festa da Páscoa. André e Filipe, os dois apóstolos com nomes gregos, servem como intérpretes e mediadores deste pequeno grupo de Gregos junto de Jesus.
A resposta do Senhor à sua pergunta parece como muitas vezes no Evangelho de João enigmática, mas precisamente por isso revela-se rica de significado. Jesus diz aos dois discípulos e, através deles, ao mundo grego: "Chegou a hora de se revelar a glória do Filho do Homem. Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto" (12, 23-24).
O que significam estas palavras neste contexto? Jesus quer dizer: sim, o encontro entre mim e os Gregos terá lugar, mas não como simples e breve diálogo entre mim e algumas pessoas, estimuladas sobretudo pela curiosidade. Com a minha morte, comparável à queda na terra de um grão de trigo, chagará a hora da minha glorificação. A minha morte na cruz originará grande fecundidade: o "grão de trigo morto" símbolo de mim crucificado tornar-se-á na ressurreição pão de vida para o mundo; será luz para os povos e para as culturas. Sim, o encontro com a alma grega, com o mundo grego, realizar-se-á naquela profundidade à qual faz alusão a vicissitude do grão de trigo que atrai para si as forças da terra e do céu e se torna pão. Por outras palavras, Jesus profetiza a Igreja dos gregos, a Igreja dos pagãos, a Igreja do mundo como fruto da sua Páscoa.
Tradições muito antigas vêem em André, o qual transmitiu aos gregos esta palavra, não só o intérprete de alguns Gregos no encontro com Jesus agora recordado, mas consideram-no como apóstolo dos Gregos nos anos que sucederam ao Pentecostes; fazem-nos saber que no restante da sua vida ele foi anunciador e intérprete de Jesus para o mundo grego. Pedro, seu irmão, de Jerusalém, passando por Antioquia, chegou a Roma para aí exercer a sua missão universal; André, ao contrário, foi o apóstolo do mundo grego. (...)
Todas essas afirmações podem nos ajudar a reconhecer em Santo André o símbolo de um intercâmbio entre dois mundos diferentes. Antes: a civilização grega e a realidade judaica (depois cristã). Hoje, por que não: uma ponte, um encontro possível, entre o mundo cristão e o "mundo gay" (coincidentemente, o amor homossexual, é chamado de "amor grego").
Jesus insiste em nos convencer de todas as maneiras (hoje, por meio de Santo André) de que esse diálogo é possível e é necessário. Com outras palavras: fazem-se necessários homens e mulheres que, como André, pertençam a dois mundos, reconciliando-os mutuamente com o seu testemunho e a sua identidade...
Santo André, rogai por nós!
25 de outubro de 2011
o que realmente importa
Transcrevo o texto de Dom Orani, Arcebispo do Rio (os grifos são meus).
No último final de semana, comemoramos o Dia Mundial das Missões e celebramos o XXX Domingo do Tempo Comum. A Palavra de Deus deste final de semana nos convida a ir para a própria essência da nossa vida cristã e religiosa, trazendo para o centro da nossa reflexão e meditação o preceito do amor, que tem duas direções distintas e inseparáveis: o amor a Deus e o amor aos irmãos. Duas direções que estão integradas em um caminho de santidade e purificação, tendo os olhos fixos naquilo que realmente importa na vida humana e cristã: amar a todos e sempre, a qualquer pessoa, mesmo aquele que possa ser nosso maior inimigo.
Não é fácil viver de amor e no verdadeiro amor! É sempre mais fácil viver de amores superficiais e passageiros, inconclusivos, e que produzem apenas algum momento de prazer. O amor verdadeiro, que usa a linguagem de Cristo e é centrado em Cristo, nos convida a subir até o cume do Calvário, onde ele se manifesta como uma oblação, da obediência total à vontade de Deus, como uma resposta consciente de que Deus nos ama e nos ama tanto a ponto de dar o seu Filho por nós.
Amarás com todo... com todo... com todo ... Três vezes Jesus repete o convite à totalidade, ao impossível. Porque o homem ama, mas somente o amor de Deus é pleno e eterno, aquele que é o próprio Amor. Repete dois mandamentos antigos e bem conhecidos, mas acrescenta: o segundo é semelhante ao primeiro. Deduz-se com isso que o próximo é semelhante a Deus: este é o escândalo, a revolução trazida pelo Evangelho.
Amar a Deus com todo o coração. Ainda assim o coração dever amar o marido, a esposa, o filho, o amigo, o vizinho, e até mesmo o inimigo. Deus não rouba seu coração, Ele o multiplica.
Não é subtração, mas adição de amor! A novidade do cristianismo não é o mandamento de amar a Deus: amam o seu Deus muitos homens; fazem isso os místicos de todas as religiões. Mesmo aquele de amar o próximo como a si mesmo, já que está presente no Antigo Testamento. A novidade do cristianismo é o amor como aquele de Cristo. Os homens amam, os cristãos amam ao modo de Jesus. O amor é Ele quando lava os pés dos seus discípulos, quando chora pelo amigo morto, quando se alegra pelo nardo perfumado de Maria, quando se dirige ao traidor chamando-o de amigo e ora pelos que o matariam. Nem mesmo o seu sangue mantém para si mesmo, e recomeça pelos que estavam condenados, e tem a intenção de apagar o próprio conceito de inimigo. Amai-vos como eu vos amei. Não quando, mas como; não a quantidade, mas o estilo. Impossível amar quanto Ele, mas podemos seguir os seus passos para compreender o sabor, o fermento, o sal, e inseri-los em nossos dias: como eu fiz, vocês também devem fazer.
Amarás... Todo o nosso futuro está em um verbo, apresentado, porém, não como uma liminar, um imperativo nítido, mas conjugado no futuro, porque amar é uma ação interminável, pois vai durar tanto quanto perdurar o tempo e perdurará para a eternidade. Não uma exigência, mas uma necessidade para a vida, como respirar.
Amar, voz do verbo viver, voz do verbo morrer! O que devo fazer amanhã, Senhor, para estar vivo? Tu amarás. O que farei no mês seguinte ou no próximo ano, e depois, para o meu futuro? Tu amarás. E a humanidade, o seu destino, a sua história? Somente isso: o homem amará. Amar significa não morrer! Vai também e faze o mesmo e encontrarás a vida.
O Evangelho de Mateus deste final de semana, em sua extrema brevidade, é tudo o que pode e deve dizer-se sobre o significado da nossa fé e da nossa esperança. Aos presumidos mestres do tempo de Jesus era bem conhecida a lei de Deus a esse respeito. Já no Antigo Testamento, Deus tinha dado a conhecer os seus pensamentos através dos patriarcas, dos profetas, e tinha colocado no centro da religiosidade do seu povo o amor para com Deus sem limites, sem restrições, sem parcialidade ou reducionismo em todas os sentidos. Se o primeiro e fundamental mandamento do "Eu sou o Senhor vosso Deus, não terás outros deuses além de mim", deve ser traduzido em estilo de vida e de comportamento, ele só pode ser amor e só amor, porque Deus é Amor e Nele está a fonte de todo amor verdadeiro. Isso é bem diferente das paixões e das caricaturas de amor que permeiam a nossa sociedade. Jesus, nesta circunstância, dirige-se aos fariseus em resposta à sua pergunta específica. Não há muito para discutir sobre o tema sobre qual é o maior mandamento – é o amor a Deus e aos irmãos!
Tudo aqui em um nível conceitual e de mensagem e até poderíamos dizer: sob um plano jurídico. O problema é como traduzir este amor ao nível de princípio inspirador da fé e do nosso comportamento cotidiano. Desse mandamento depende a sabedoria, a organização, a perspectiva de cada pessoa e cada instituição. Deus reina onde há paz, justiça e a fraternidade. Onde impera o egoísmo reina a divisão da luta fratricida.
Eis porque já no livro do Êxodo, primeira leitura da Palavra de Deus deste final de semana, somos lembrados de como se traduz em obra o amor pelos outros. Em resumo, disse exatamente isso: que no coração de uma pessoa que ama existe a atenção para o estrangeiro, o órfão, a viúva, o forasteiro que está com problemas de toda espécie, principalmente no econômico. O amor não permite descontos e exceções, todos podem e devem ocupar um lugar especial em nossos corações e em nossas afeições e pensamentos. Ninguém deve ser excluído do nosso amor arraigado em Jesus Cristo.
É uma questão de tornar visível este amor através do testemunho da nossa vida. E, neste domingo, São Paulo Apóstolo nos lembra disso na passagem da Primeira Carta aos Tessalonicenses. Quem coloca Deus no centro de sua vida abandona o caminho do mal e da idolatria, que hoje são o dinheiro, o poder, o prazer, o sucesso, a carreira, a posição social e tudo o que é exterioridade.
Para vivermos em estado permanente de missão e com coragem testemunharmos o Senhor Ressuscitado, presente entre nós, somos chamados a viver com alegria o amor a Deus e ao próximo. Quem assim vive e é testemunha é missionário.
Que o Senhor nos livre de um egoísmo cada vez mais prevalente e emergente em todos os setores. Eis por que as nossas orações dirijam-se ao Senhor com todas as nossas boas intenções e nosso desejo sincero de fazer o bem: "Ó Pai, que fazeis todas as coisas por amor e sois a mais segura defesa dos humildes e dos pobres, dai-nos um coração livre de todos os ídolos para servir somente a Vós e amar nossos irmãos e irmãs segundo o Espírito do vosso Filho, fazendo do mandamento novo a única lei da vida" Amém.
Dom Orani João Tempesta,
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro.
17 de outubro de 2011
O Ano da Fé
O Vaticano divulgou hoje a Carta Apostólica "Porta fidei" ("A porta da fé"), com a qual o Papa Bento XVI proclama o Ano da Fé. Trata-se de período de 11 de outubro de 2012 (50º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II) a 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei do Universo. "Será um momento de graça e de empenho para uma sempre mais plena conversão a Deus, para reforçar a nossa fé n'Ele e para anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo", explicou o Papa durante a Missa de encerramento do Encontro Novos Evangelizadores para a Nova Evangelização, que presidiu neste domingo, 16/10, na Basílica de São Pedro no Vaticano.
Leia a Carta do Papa aqui.
Para o contexto deste blog, achei muito interessante o seguinte trecho do texto de Bento XVI (os grifos são meus):
O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tg 2, 14-18).
A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra de realizar o seu caminho. De fato, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Pd 3, 13; cf. Ap 21, 1). ["Porta fidei", n. 14]
Agora (e sempre) a questão é de os católicos e demais seres humanos de boa vontade seguirem o ensinamento do Papa...
5 de outubro de 2011
o povo GLBTS
São Benedito, celebrado hoje, nasceu na Itália por volta do ano de 1526 no seio de família pobre, descendente de escravos oriundos da Etiópia, daí o fato de ser chamado de Benedito, o Preto ou Mouro. Uniu-se aos eremitas organizados por São Jerônimo de Lanza por desejar entregar-se a uma vida de maior perfeição cristã, já que eles viviam conforme a regra de São Francisco de Assis, tanto assim que foi a sua observância que mereceu o cargo de superior daquela corporação de eremitas. Assumiu com dedicação e responsabilidade o cargo de mestre de noviços, e terminando o seu tempo de superior, voltou com a máxima simplicidade e naturalidade para os serviços da cozinha, onde ficou até a sua morte, em 05 de abril de 1589.
A oração da Missa diz: Ó Deus, quem em são Benedito, o Negro, manifestais as vossas maravilhas, chamando à vossa Igreja homens de todos os povos, raças e nações, concedei, por sua intercessão, que todos, feitos vossos filhos e filhas pelo batismo, convivam como verdadeiros irmãos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.
A expressão “homens de todos os povos, raças e nações” chamou a minha atenção. Primeiro, fui procurar no Dicionário do Aurélio (on-line aqui). Povo s.m. Conjunto de homens que vivem em sociedade. / Conjunto de indivíduos que constituem uma nação. / Conjunto de indivíduos de uma região, cidade, vila ou aldeia. / Conjunto de pessoas que não habitam o mesmo país, mas que estão ligadas por sua origem, sua religião ou por qualquer outro laço. / Conjunto dos cidadãos de um país em relação aos governantes. / Conjunto de pessoas que pertencem à classe mais pobre, à classe operária ou à classe dos não-proprietários; plebe. / Lugarejo, aldeia, vila, pequena povoação: um povo. / Público, considerado em seu conjunto. / Multidão de gente, as massas. / Fam. Família, a gente da casa.
Daí o termo que usei no título desta postagem: “o povo GLBTS”. Ainda que existam diferenças de pensamento e de comportamento, além de certas animosidades (talvez inevitáveis por ora), sem dúvida podemos falar de um “povo”. Se, portanto, Deus quis formar a Igreja de todos os povos, obviamente, é impossível excluir dessa realidade o povo GLBTS. Quem procura fazê-lo, esta pecando contra a vontade de Deus.
Os textos oficiais da Igreja católica, naquele seu típico estilo medroso (pois vai muito além de cautela), mencionam indiretamente a existência de tal “povo”. Infelizmente, tudo o que tem de dizer nesse assunto, a Igreja faz em tom de advertência. Vejamos uns trechos da “Carta aos Bispos da Igreja Católica sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais”, assinada em 1986 pelo então Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, cardeal Joseph Ratzinger, atual Papa Bento XVI (na íntegra aqui):
(...) Um número cada vez mais largo de pessoas, mesmo dentro da Igreja, exerce fortíssima pressão para levá-la a aceitar a condição homossexual como se não fosse desordenada e a legitimar os atos homossexuais. Os que, no interior da Igreja, pressionam nesta direção, frequentemente mantêm estreita ligação com os que agem fora dela. Ora, tais grupos externos são movidos por uma visão oposta à verdade acerca da pessoa humana, verdade que nos foi revelada plenamente no mistério de Cristo. Embora de modo não de todo consciente, eles manifestam uma ideologia materialista, que nega a natureza transcendente da pessoa humana bem como a vocação sobrenatural de cada indivíduo. (...) Mesmo dentro da Igreja formou-se uma corrente, constituída por grupos de pressão com denominações diferentes e diferente amplitude, que tenta impor-se como representante de todas as pessoas homossexuais que são católicas. Na realidade, seus adeptos são, na maioria dos casos, pessoas que, ou desconhecem o ensinamento da Igreja, ou procuram subvertê-lo de alguma maneira. Tenta-se reunir sob a égide do catolicismo pessoas homossexuais que não têm a mínima intenção de abandonar o seu comportamento homossexual. Uma das táticas usadas é a de afirmar, em tom de protesto, que qualquer crítica ou reserva às pessoas homossexuais, à sua atitude ou ao seu estilo de vida, é simplesmente uma forma de injusta discriminação. Em algumas nações funciona, como consequência, uma tentativa de pura e simples manipulação da Igreja, conquistando-se o apoio dos pastores, frequentemente em boa fé, no esforço que visa mudar as normas da legislação civil. Finalidade de tal ação é ajustar esta legislação à concepção própria de tais grupos de pressão, para a qual o homossexualismo é, pelo menos, uma realidade perfeitamente inócua, quando não totalmente boa. (nn. 8-9)
Alguns grupos costumam até mesmo qualificar de «católicas» as suas organizações ou as pessoas às quais pretendem dirigir-se, mas, na realidade, não defendem nem promovem o ensinamento do Magistério; ao contrário, às vezes, atacam-no abertamente. Mesmo reafirmando a vontade de conformar sua vida ao ensinamento de Jesus, de fato os membros desses grupos abandonam o ensinamento da Sua Igreja. Este comportamento contraditório de forma alguma pode receber o apoio dos Bispos. (n. 14)
Deve ser retirado todo apoio a qualquer organização que procure subverter o ensinamento da Igreja, que seja ambígua quanto a ele ou que o transcure completamente. Tal apoio, mesmo só aparente, pode dar origem a mal-entendidos graves. Uma atenção especial deveria ser dedicada à programação de celebrações religiosas e ao uso, por parte desses grupos, de edifícios de propriedade da Igreja, inclusive a possibilidade de dispor das escolas e dos institutos católicos de estudos superiores. Para alguns, tal permissão de utilizar uma propriedade da Igreja pode parecer apenas um gesto de justiça e de caridade, mas, na realidade, ela contradiz as finalidades mesmas para as quais aquelas instituições foram fundadas, e pode ser fonte de mal-entendidos e de escândalo. (n. 17)
Para que não fiquemos totalmente desanimados, termino com outra citação. É do livro de Pe. José Lisboa “Acompanhamento de vocações homossexuais” que, partindo do principio de que “nada impede, nem mesmo uma aprovação pontifícia, que uma lei eclesiástica se torne obsoleta” (p. 72; leia também aqui), apresenta as seguintes orientações:
[Entre outros, um] caso emblemático é aquele da pessoa homossexual que decide viver a sua vocação cristã participando de um movimento de pessoas homossexuais. Quando isso acontece, o papel do animador ou da animadora vocacional é, em primeiro lugar, lembrar ao vocacionado ou vocacionada que tal participação não é algo eticamente neutro. Esse fato tem consequências, especialmente quando se trata de alguém que ocupa uma função paradigmática dentro da comunidade eclesial. Uma vez colocada essa premissa, a pessoa que acompanha quem está em discernimento precisa ajudá-lo a verificar atentamente qual a ideologia que está por trás do movimento. Será indispensável que a pessoa tome consciência do grau de liberdade que o envolvimento num movimento desse tipo deixa para os seus participantes. Às vezes a participação cm associações desse tipo, sobretudo quando são de inspiração cristã, pode ajudar a superar uma serie de dificuldades, especialmente o problema da solidão sofrida pelos homossexuais, em razão do isolamento da sociedade provocado pela discriminação e pelo preconceito. Porém, há casos de grupos fechados e desorientados, verdadeiros guetos, bastante complicados. Estes mais do que ajudar a resolver os problemas só fazem aumentar as dificuldades. Especialmente para aquelas pessoas que ainda não superaram certas dificuldades provenientes da descoberta da sua condição de homossexual.
Thévenot [Pe. Xavier Thévenot, professor de Teologia Moral no Instituto Católico de Paris] acredita que se o homossexual tem clareza da sua situação, conhece bem o ambiente, é capaz de avaliar as propostas do grupo e é suficientemente maduro para reagir a toda tentativa de manipulação e de fechamento do movimento, nada o impede de participar do mesmo. Todavia, lembra ainda esse autor, seria aconselhável que esse não fosse o único compromisso social da pessoa e que ela pudesse avaliar a sua participação com outros cristãos que não fazem parte do movimento homossexual. (pp. 78-79)
Marcadores:
GAY - filho de Deus,
Igreja,
livros,
Pastoral para Homossexuais
Assinar:
Postagens (Atom)



