ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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15 de junho de 2011

verdadeira adoração

O Papa Bento XVI dedicou a sua catequese de hoje ao profeta Elias (leia na íntegra aqui). Já é o sexto discurso nessa série de catequeses sobre a oração, proferidas pelo Papa no Vaticano às quartas-feiras. Ao concluir o resumo da história bíblica sobre Elias, Bento XVI disse: Os Padres dizem-nos que também essa história de um profeta é profética, está – dizem – à sombra do futuro, do futuro Cristo; é um passo no caminho rumo a Cristo. E dizem-nos que aqui vemos o verdadeiro fogo de Deus: o amor que guia o Senhor até a cruz, até o dom total de si. A verdadeira adoração de Deus, portanto, é dar a si mesmo a Deus e aos homens, a verdadeira adoração é o amor. E a verdadeira adoração a Deus não destrói, mas renova, transforma. Certamente, o fogo de Deus, o fogo do amor queima, transforma, purifica, mas mesmo assim não destrói, mas sim cria a verdade do nosso ser, recria o nosso coração. E, assim, realmente vivos pela graça do fogo do Espírito Santo, do amor de Deus, somos adoradores em espírito e em verdade.

Em nossa realidade de pessoas homossexuais, muitas vezes ouvimos - e acabamos acreditando - que amar (de um determinado jeito) é errado, portanto, proibido. Entretanto, amamos de maneira que nos foi dada pelo Criador. Como disse o Papa, o amor cria a verdade do nosso ser. Quanto mais nos damos conta do nosso amor, descobrimos melhor quem somos. É interessante, também, olhar ao amor do ponto de vista proposto pelo Papa. A verdadeira adoração é o amor. Será um equívoco dizer: o amor é a verdadeira adoração?

Bento XVI falou sobre o significado da palavra "adoração" aos jovens reunidos na Esplanada de Marienfeld em Colônia, durante XX Jornada Mundial da Juventude (2005): A palavra grega ressoa proskynesis. Ela significa o gesto da submissão, o reconhecimento de Deus como a nossa verdadeira medida, cuja norma aceitamos seguir. Significa que liberdade não quer dizer gozar a vida, considerar-se absolutamente autônomos, mas orientar-se segundo a medida da verdade e do bem, para, desta forma, nos tornarmos nós próprios verdadeiros e bons. Este gesto é necessário, mesmo se a nossa ambição de liberdade num primeiro momento resiste a esta perspectiva. Fazê-la completamente nossa só será possível na segunda passagem que a Última Ceia nos apresenta. A palavra latina para adoração é ad-oratio - contato boca a boca, beijo, abraço e, por conseguinte, fundamentalmente amor. A submissão torna-se união, porque Aquele ao qual nos submetemos é Amor. Assim, submissão adquire um sentido, porque não nos impõe coisas alheias, mas liberta-nos em função da verdade mais íntima do nosso ser. (Leia a homilia do Papa aqui).

Quando você estiver experimentando o amor e, por exemplo, beijando a boca da pessoa amada, não-se esqueça que está adorando a Deus.

Prêmio Ratzinger




De acordo com o Portal GaudiumPress (aqui), um patrólogo italiano (leigo), um sacerdote espanhol e um jovem cisterciense alemão são os primeiros vencedores do "Prêmio Ratzinger", instituído pela "Fundação Vaticana Joseph Ratzinger - Bento XVI". A cerimônia de entrega será na Sala Clementina do Palácio Apostólico, no Vaticano, no próximo dia 30 de junho, e contará com a presença do próprio Papa, que entregará pessoalmente os prêmios. Cada um dos vencedores receberá um diploma do Papa com um cheque de 50 mil euros. Os fundos provêm dos direitos de autoria dos livros do Papa, mas também de doadores particulares. A escolha dos três ganhadores foi feita pelo comitê científico da Fundação e confirmada pelo Santo Padre. Os critérios para a escolha, segundo os organizadores, são três: a excelência do estudo; pessoas pouco conhecidas e premiadas até agora, e/ou jovens teólogos; não exclusão de teólogos de outras profissões cristãs, não se restringindo a católicos somente. A Fundação Vaticana Joseph Ratzinger - Bento XVI, com sede na Via della Conciliazione, em Roma, pretende promover o pensamento teológico através de diversas iniciativas culturais e científicas. A primeira delas é o "Prêmio Ratzinger", entregue uma vez por ano.

Não sei bem como fazer isso na prática, mas gostaria que fosse inserido na lista de candidatos para este prêmio, quem sabe, no ano que vem, o jovem teólogo, ainda pouco conhecido e premiado até agora que, entretanto, apresenta a excelência do estudo em uma área pouco explorada pela teologia católica. O candidato, JAMES ALISON, nascido em 1959 em Londeres, é sacerdote jesuíta, teólogo e escritor. Estudou, viveu e trabalhou no México, Brasil, Bolívia, Chile e Estados Unidos, bem como sua terra natal, a Inglaterra. Obteve o doutorado em Teologia pelas Faculdades Jesuítas de Belo Horizonte. Na introdução ao livro de James Alison "Fé Além do Ressentimento: Fragmentos católicos em voz gay" (São Paulo: É Realizações, 2010), o seu professor de Belo Horizonte, Pe. João Batista Libanio escreveu: Conheci Alison quando fez teologia na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte, tendo-o como aluno. (...) Já naqueles idos percebia que ali jazia enorme potencial cultural, que se desabrochou em teologia tão criativa como aparece no livro. Vale dele naquele tempo o provérbio latino: ex digito gigans. Pelo dedo se conhece o gigante. (...) Alison trabalha com imensa originalidade textos e contextos bíblicos do Primeiro e do Segundo Testamento. Consegue, sem forçar a exegese, conduzir o leitor à profunda compreensão da passagem bíblica. Logo no primeiro capítulo, nos surpreende com releitura extremamente original e fecunda da cura do cego de nascimento. Escapa das interpretações comuns e conhecidas, introduzindo o leitor, com sutileza, em novo campo hermenêutico. (...) Não se trata de clássica obra acadêmica, mas de ensaio com toques geniais e originais. Esse tipo de escrito não necessita de carregar-se de outras autoridades. Vale por ele mesmo. Isso o autor passa com modéstia no livro.

Enfim... Em outra postagem (aqui) deixei mais algumas informações, além das dicas sobre como adquirir o livro. Agora é só promover uma campanha para levar James Alison ao "Prêmio Ratzinger". Alguém tem ideia como fazer isso?


14 de junho de 2011

A Igreja



O "Portal Um" publicou (aqui) a homilia de Bento XVI proferida no dia de Pentecostes. Além das belas frases sobre Jesus [que] tem dignidade divina e Deus [que] tem o rosto humano de Jesus, o Papa fala bastante sobre a Igreja. Esperamos, cada vez mais, que essas palavras não fiquem, simplesmente, no ar, mas que se tornem realidade:

Recitando o Credo, nós entramos no mistério do primeiro Pentecostes: da confusão de Babel, daquelas vozes que clamam uma contra a outra, acontece uma transformação radical: a multiplicidade torna-se unidade multiforme, do poder unificador da Verdade cresce a compreensão. No Credo que nos une de todos os cantos da Terra, que, através do Espírito Santo, faz com que nos compreendamos mesmo na diversidade de línguas, através da fé, esperança e amor, se forma a nova comunidade da Igreja de Deus.

O Espírito Santo vivifica a Igreja. Ela não deriva da vontade humana, da reflexão, da habilidade do homem e da sua capacidade de organização, porque se assim fosse há muito tempo ela teria morrido, conforme passam todas as coisas humanas. Ela é o Corpo de Cristo, animada pelo Espírito Santo.

A Igreja é Católica desde o primeiro momento, que a sua universalidade não é fruto da inclusão sucessiva de várias comunidades. Desde o primeiro instante, o Espírito Santo a criou como a Igreja de todos os povos; ela abraça o mundo inteiro, supera todas as fronteiras de raça, classe e nação; derruba todas as barreiras e une as pessoas na profissão do Deus Uno e Trino. Desde o início, a Igreja é una, católica e apostólica: esta é a sua verdadeira natureza e como tal deve ser reconhecida. Ela é santa, não por causa da capacidade de seus membros, mas porque o próprio Deus, com o seu Espírito, a cria e santifica para sempre.

Eu já li (ou ouvi), em algum lugar que, em muitos ambientes e por várias autoridades, os termos "raça" e "classe" são considerados ultrapassados. Por outro lado, nunca me reparei com a expressão "raça/classe" homossexual (ou, mais aplamente: GLBTT), mas - tirando qualquer impressão pejorativa - acredito que, tal (pelo menos) "classe" exista mesmo e, apesar de algumas dificuldades, aos poucos, esteja tomando consciência disso. E não é a "classe" no sentido marxista, quer dizer, não é um grupo de pessoas que procura apenas estar contra outras classes, mas é - como se costuma dizer às vezes - uma comunidade. Como seria bom e bonito, se os gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais e transgêneros, construíssem uma "classe", baseada no respeito mútuo, no intercâmbio de seus conhecimentos e experiências e não apenas numa luta contra alguém (muitas vezes, contra o "resto do mundo"). E, seria ainda melhor e mais bonito se essa comunidade/classe fosse reconhecida e acolhida pela Igreja, como sugere - ainda que indiretamente - o discurso do Papa.


mitologia católica


São muito de recomendar os exercícios piedosos do povo cristão, desde que estejam em conformidade com as leis e as normas da Igreja, e especialmente quando se fazem por mandato da Sé Apostólica. (Concílio Vaticano II, Constituição Sacrosanctum concilium sobre a Sagrada Liturgia, n° 13)

Na ocasião da memória litúrgica de Santo Antônio, aparecem os problemas antigos e nunca resolvidos que podemos chamar de "mitologia católica". Justamente como na religiosidade da Grécia Antiga havia Afrodite - deusa do amor e da beleza, Ares - deus da guerra, Hades - deus da morte, e Atena - deusa da sabedoria e da coragem (e muitos outros personagens), assim nós temos Santo Antônio casamenteiro, São Pedro que cuida (ou não) da meteorologia e, também, uma série de especialistas em causas impossíveis. Para conseguir um marido (não sei se vale para uniões de pessoas do mesmo sexo), aconselha-se colocar o Santo de cabeça para baixo em um copo d'água, ou tirar o Menino Jesus do colo da imagem, e só devolver depois que se consegue um marido (ou, pelo menos, namorado). Vale muito, também, uma promessa, por exemplo, de comparecer nas 13 novenas, ininterruptamente, durante um ano. Sem falar das coisas mais modernas e bastante simples, como mandar imprimir alguns milhares de "santinhos", certamente com alguma "oração milagrosa" no verso. Não falta, nessas horas, a presença generosa da soberana mídia, que faz questão de dedicar a esse assunto seus preciosos minutos. E como sabemos, uma grande parte do "povo católico" costuma basear as suas convicções, inclusive religiosas, naquilo que vê e ouve na telinha. Não é de estranhar que os evangélicos zombam da Igreja católica. Culpados somos também nós, os "devotos".

Achei interessante como a liturgia de hoje parece trazer a resposta clara a este tipo de equívocos. Vale lembrar que trata-se, simplesmente, de segunda-feira da XI semana do tempo comum e não de um formulário próprio, dedicado a Santo Antônio.  

Na primeira leitura (2Cor 6,1-10) temos a exortação e uma espécie de autodefesa de Paulo: Nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus (v. 1). Em tudo nos recomendamos como ministros de Deus, com muita paciência, em tribulações, em necessidades, em angústias, em açoites, em prisões, em tumultos, em fadigas, em insônias, em jejuns, em castidade, em compreensão, em longanimidade, em bondade, no Espírito Santo, em amor sincero, em palavras verdadeiras, no poder de Deus, em armas de justiça, ofensivas e defensivas, em honra e desonra, em má ou boa fama; considerados sedutores, sendo, porém, verazes; como desconhecidos, sendo porém, bem conhecidos; como moribundos, embora vivamos; como castigados, mas não mortos; como aflitos, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo muitos; como quem nada possui, mas tendo tudo. (vv. 4-10) Parece que Santo Antônio (o ministro de Deus, como conhecido, sendo porém, bastante desconhecido), também quer se defender de todo exagero e distorção. Mas, ele não precisa de defesa, porque está na glória do céu e nada o pode atingir. Ele, de fato, gostaria de defender o próprio povo. E, certamente, conta com os pregadores e catequistas (que o têm por padroeiro), que teriam coragem de repetir a expressão de Jesus do Evangelho de hoje (Mt 5,38-42), também no contexto das devoções, ou melhor, da espiritualidade: Ouvistes o que foi dito...? Eu, porém, vos digo... (cf. vv. 38-39). Ou seja, não é bem assim...

O mesmo serve para muitos outros assuntos. Também para o tema da homossexualidade. Ouvistes o que foi dito? Eu, porém, vos digo...

13 de junho de 2011

Igreja é diversidade



A Solenidade de Pentecostes inspirou vários bispos a escreverem as suas reflexões que, suponho, tenham sido expostas, também, em seus sermões. No site da CNBB (aqui) alguns textos chamaram a minha atenção. Dom Pedro Carlos Cipolini, Bispo Diocesano de Amparo – SP, em seu artigo “Pentecostes: Festa da Unidade na Diversidade” (aqui), escreve: Pela linguagem do amor, o Espírito une a diversidade na força do ressuscitado: “Um só Senhor, uma só fé um só batismo” (Ef 4,5). O mesmo Espírito produz a multiplicidade de dons e ao mesmo tempo produz a unidade, pois o Espírito Santo é o amor de Deus que tudo une. O mundo de hoje, maravilhoso no seu aspecto tecnológico e científico, precisa de um novo Pentecostes, para perceber que é o Espírito Santo de Deus, a fonte de toda novidade, inspiração e força criativa do ser humano. Desde o início, o Espírito pairava sobre tudo o que era criado (Gn 1,2). É necessário considerar que em nível interno da Igreja, o Espírito Santo nos convida à unidade. A paixão pelo Reino é inseparável da paixão pela unidade: somos membros diversos do mesmo Corpo (Rm 12, 3-8; 1Cor 12, 3-13).

Ideologizar a mensagem do Evangelho é um perigo que ronda nossas comunidades. Quando isto acontece, a Igreja se torna “casa de estranhos”, como um hotel onde as pessoas estão juntas, mas não unidas, reunidas, mas não unidas. Em nível externo, a força e o dinamismo do Espírito Santo, impelem a Igreja para a missão. O Espírito Santo desinstala sempre a comunidade, para que vá avante e seja criativa nos meios, métodos e linguagem, que a evangelização exige.

E hoje, em tempo de mudanças, ou melhor, em mudança de época como se convencionou caracterizar nossa realidade vista de forma abrangente, mais que nunca é necessário ouvir o que diz o Espírito Santo à Igreja (cf. Ap 2,27). Mais que nunca é necessário perceber os “sinais dos tempos” que pedem uma “conversão pastoral” (cf. Doc. de Aparecida n. 365-366). Conversão pastoral que só é possível, na fidelidade ao Espírito Santo que conduz a Igreja, inspirando-lhe “a necessidade de uma renovação eclesial que implica reformas espirituais, pastorais e também institucionais” (Doc. De Aparecida n. 367).

Na força do Espírito que recebemos, o qual nos inspira e ampara, tenhamos a paixão pela unidade, saibamos sofrer para construí-la na diversidade e adversidade. Ao mesmo tempo tenhamos a paixão pela missão, cada dia mais urgente e exigente.

Há quem diga que os homossexuais apropriaram-se do termo “diversidade”. Não concordo com isso, antes acredito que nós, o “mundo GLBTS”, somos como uma pedrinha no rico e belo mosaico (e não no sapato) da humanidade e, portanto, da Igreja. Algo neste sentido fala o outro artigo da mesma coleção, usando a figura de vitral que não deixa de ser uma espécie de mosaico. É o texto de Dom Salvador Paruzzo, bispo de Ourinhos – SP que diz (aqui): Admirando o maravilhoso efeito destes vitrais compostos por centenas de pedaços de vidros coloridos, harmoniosamente coligados e chumbados, fiquei imaginando como será a Igreja quando se realizará o sonho de Jesus, expresso na oração sacerdotal. Polemizando com o conceito do “sonho de Jesus” (leia aqui a minha reflexão sobre a oração de Jesus), dou plena razão ao autor em uma das frases subsequentes: Certamente o Inimigo, que é chamado de Diabo, cuja palavra originária significa “aquele que divide”, continua realizando a sua missão sem parar, continua separando as famílias, os partidos políticos, os torcedores de futebol, as raças, os povos, ricos e pobres, jovens e adultos etc. Dom Salvador conclui: Certamente vai chegar o tempo em que todas estas igrejas e comunidades, que nascem para ir ao encontro das necessidades da humanidade, como tantos pedaços de vidros de diferentes cores, pela força do Espírito Santo, se harmonizarão entre elas para formar um maravilhoso vitral. Será a glória de Jesus, a unidade realizada, a Igreja que Ele sonhou e pela qual derramou o seu sangue.

Só posso dizer: Amém!

Namoro é Pentecostes



Não sei se você costuma assistir o seriado "CSI-Las Vegas/Nova York/Miami" na Rede Record. Há uma cena que se repete em quase todos os capítulos. O perito insere no sofisticado sistema de identificação os vestígios de impressões digitais coletados na cena do crime. Você já sabe o resultado. Quando a impressão encontrada naquele local corresponde aos dados armazenados no sistema, acende-se uma luz e o sinal sonoro é acionado.

Por que estou falando nisso? Nós também temos um sistema parecido e ainda mais sofisticado. É quando encontramos aquela pessoa única que dará o novo sentido à nossa vida. Justamente, como na tela do computador de um investigador forense, passam diante dos nossos olhos milhares de rostos e siluetas, mas o sistema só apita e acende aquela luz verde, quando encontramos a pessoa certa. Sem dúvida, é um mistério que não acontece sem que o próprio Deus tenha metido o seu dedo ali. Costuma-se chamar isso de química ou, mais popularmente, de um "clima que pinta". Mas não é um clima qualquer e, quando pinta, é algo totalmente diferente. A sensação que a gente tem é como se conhecesse aquela pessoa há séculos, quem sabe, numa outra encarnação (caso a reencarnação existisse). Surgem fenômenos de comunicação ultra-sensorial, algum tipo de telepatia ou, pelo menos, a compreensão instantânea em um só olhar, sorriso ou gesto. Nasce o amor. Começa o namoro.

Veja agora o Cenáculo de Pentecostes. De repente, veio do céu um barulho como se fosse uma forte ventania, que encheu a casa onde eles se encontravam. Então apareceram línguas como de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito os inspirava. (At 2, 2-4) Deus também gosta de usar os sinais sonoros e a luz que se acende no momento certo. Maria, os Apóstolos e os demais discípulos foram identificados e alcançados pelo amor de Deus em Pessoa, o Espírito Santo. Cheios deste amor, saíram, corajosos e proclamaram em todas as línguas, o fim da solidão do mundo. Deus começou a namorar a humanidade de um jeito novo.

Por isso acho que a coincidência, neste ano, de Pentecostes com o Dia dos Namorados, não é coincidência.

12 de junho de 2011

Meu Dia dos Namorados



O PRIMEIRO foi um tipo de “mestre” que me levou ao mundo desconhecido, mas acabou deixando-me esgotado, emocional e financeiramente. Fugi. O SEGUNDO surgiu como o antídoto do PRIMEIRO. Talvez tenha sido por isso que terminamos em ciúmes e brigas. Tudo terminou, também, porque no horizonte já havia aparecido o TERCEIRO. Com este príncipe encantado e encantador – eu acreditava – tinha tudo para dar certo. Por algum tempo deu mesmo, até que surgisse - desta vez, no horizonte dele - o outro príncipe. Fiquei só. Em um ato de desespero, lancei-me ao QUARTO (que seria, de novo, um remédio). Mas o QUARTO revelou-se um bandido. Sobrevivi àquele relâmpago por pouco. Continuei só. Recentemente, ousei dizer “não” a um eventual QUINTO, talvez, por medo de novos traumas. O que posso dizer hoje, depois dessa viagem de uns 12 anos? Não sou mais o mesmo. E agradeço pela riqueza das lições existenciais.

Os meus sinceros PARABÉNS para todos e todas:
namorados e namoradas
apaixonados e apaixoandas
casados e casadas
os/as que estão começando
e os/as que comemoram tantos e tantos anos de amor
aos/às que estão em crise
...enfim...
AMEM E SEJAM AMADOS/AMADAS