ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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4 de maio de 2011

GAYPÉDIA

Não posso deixar de noticiar e aplaudir o surgimento da primeira enciclopédia virtual gay do mundo: GAYPÉDIA (link). O projeto foi lançado hoje, por isso ainda não possui muito material, mas a iniciativa é excelente. O site funciona da mesma maneira que a bem conhecida Wikipédia, onde cada internauta é, ao mesmo tempo, leitor e autor. De acordo com o portal vidaG (aqui) que idealizou e lançou este trabalho, o novo site tem o objetivo de reunir o máximo de informações do mundo GLBT, como fatos históricos, gírias, curiosidades e até revelações. Os interessados podem, com muita facilidade, criar a sua própria conta, contribuir com os artigos e participar em discussões. Enfim, achei um espetáculo!

O modo de viver

A liturgia desta quarta-feira da II semana do tempo pascal, traz o resumo de toda a doutrina cristã. Primeiro, temos o resumo do Evangelho inteiro, numa só frase: Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. (Jo 3, 16). Alguém disse que, se desaparecessem da face da terra todos os textos da Bíblia, esta frase seria suficiente para manter viva a fé dos seguidores de Jesus, pois resume toda a Sagrada Escritura. De fato, a revelação e - ainda mais - a experiência do amor de Deus, tornam-se a maior motivação para o nosso jeito de ser. É muito interessante como o anjo, ao libertar os apóstolos da prisão, refere-se à missão deles. Não diz: "Continuem pregando sobre a ressurreição de Cristo", mas: "Ide falar ao povo, no Templo, sobre tudo o que se refere a este modo de viver." (At 5, 20) O Evangelho e a doutrina cristã - e, principalmente, a fé em todo o seu conteúdo - não consistem em uma teoria, mas no determinado modo de viver. Crer é viver e não apenas aceitar como verdadeiro aquilo que não se pode comprovar cientificamente. A teoria, inclusive aquela sofisticada e bem elaborada (a teologia) é importante, enquanto a motivação. Mas não é suficiente. É como uma sinfonia, em forma de partitura. Já possui o sentido e a beleza, mesmo no papel, mas ganha a vida, realiza-se plenamente, quando é executada e ouvida. Notamos isso logo nao início da pregação apostólica. No dia de Pentecostes, quando [judeus devotos, de todas as nações - cf. At 2, 5] ouviram isso [teoria], ficaram com o coração compungido e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, que devemos fazer?” (At 2, 37) - ou seja: "qual deve ser agora o nosso modo de viver?". Pedro respondeu: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo. (At 2, 38) Os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo. Naquele dia, foram acrescentadas mais ou menos três mil pessoas. (At 2, 41) Abre-se aqui, evidentemente, o debate sobre o que seria este "modo de viver". Já imagino os argumentos dos escandalizados pelo fato de um homossexual ter a ousadia de falar sobre isso. Acredito, entretanto, que o dito "modo de viver", resume-se, basicamente, ao novo mandamento de Jesus: Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros. (Jo 13,34) Sem dúvida, são necessárias as definições, sábias e profundas, sobre este amor mútuo. Mas o novo modo de viver refere-se à maneira de realizar a própria identidade de cada um. Se eu sou um homossexual, o meu amor (e não estou falando de sexo) será homossexual, assim como a minha caridade, honestidade, paciência, fidelidade e todas as outras virtudes cristãs que traduzem na prática esta modo de viver do qual fala o anjo aos apóstolos na prisão.

3 de maio de 2011

O que nos basta?

Disse Filipe: “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta!” (Jo 14, 8) Filipe coloca-se no lugar do mestre e pretende explicar a Jesus o que seria suficiente para todos. Mais uma vez encontramos no Evangelho a confirmação das limitações humanas daqueles que hoje veneramos como gloriosos e santos apóstolos. A mensagem é consoladora: eles eram seres humanos, de carne e ossos, iguais a nós. Nada de super-heróis. Há quem diga que esta maneira de apresentar os discípulos de Jesus é uma das provas da autenticidade do testemunho evangélico. Se fossem eles, os apóstolos, que inventaram a história de Jesus, o Filho de Deus e, por conseguinte, criaram a instituição da Igreja, certamente teríam se mostrado como homens cheios de virtudes e capacidades extraordinárias. Entretanto, os evangelhos estão repletos de suas atitudes estúpidas e mesquinhas, além da constante dificuldade de compreender aquilo que o Mestre ensinava. É sobre isso que escreve São Paulo: De fato, irmãos, reparai em vós mesmos, os chamados: não há entre vós muitos sábios de sabedoria humana, nem muitos poderosos, nem muitos de família nobre. Mas o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa. (1Cor 1, 26-28) A oração para pedir as graças pela intercessão de João Paulo II, inclui uma das características deste Papa: Ele foi para nós uma imagem viva de Jesus Bom Pastor, indicando-nos a santidade como a mais alta medida da vida cristã ordinária.
Os homossexuais que no mundo não tem nome nem prestígio e cuja vida é para o mundo uma loucura (cf. 1Cor 1, 27-28), são chamados à santidade. O Catecismo da Igreja diz: [As pessoas homossexuais] são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã. (n° 2359)
Voltando à pergunta inicial - o que nos basta? - vejo a resposta clara, inclusive no contexto da vocação à santidade, numa experiência descrita pelo Apóstolo Paulo: (...) foi-me dado um espinho na carne, um anjo de Satanás, para me esbofetear, a fim de que eu não me torne orgulhoso. A esse respeito, roguei três vezes ao Senhor que ficasse longe de mim. Mas o Senhor disse-me: “Basta-te a minha graça; pois é na fraqueza que a força se realiza plenamente”. (2Cor 7-9)

2 de maio de 2011

O Dia do Trabalho

A beatificação de João Paulo II e a Festa da Divina Misericórdia deixaram no segundo plano - pelo menos em meio dos católicos - o Dia Internacional do Trabalho (ou do Trabalhador, como querem algumas fontes). Em 1º de Maio de 1886, na cidade de Chicago, principal centro industrial dos Estados Unidos da época, milhares de trabalhadores saíram às ruas em passeata para protestar contra as condições de trabalho. Eles eram submetidos a uma jornada diária de 13 horas, e reivindicavam a redução para oito, como é atualmente. Naquele dia, o tumulto tomou conta da cidade. Pessoas foram presas, muitas ficaram feridas e algumas chegaram a morrer no conflito com a polícia. No ano de 1889, em homenagem à greve geral de Chicago, o Congresso Socialista, em Paris, instituiu a data de 1º de Maio como o Dia Mundial do Trabalho. No Brasil, o reconhecimento só ocorreu em 1925, pelo então presidente Arthur Bernardes, que decretou 1º de Maio como feriado nacional. Comícios, passeatas e manifestações sindicais costumam marcar a passagem da data. No leste europeu, o dia 01 de maio, serviu como instrumento para solidificar o sistema comunista (ou socialista), até a sua queda, na virada dos anos 80 e 90. Para os católicos, oprimidos pelo sistema político-social, a data trazia emoções negativas, mesmo com a tentativa da Igreja de "preencher" o conteúdo desse dia, através da memória litúrgica de São José Operário. O Beato João Paulo II dedicou ao fenômeno do trabalho humano uma das suas primeiras encíclicas ("Laborem exercens", 1981 - o texto está no site do Vaticano: aqui), dando continuidade à doutrina social da Igreja. O Papa conclui assim este verdadeiro tratado sobre o trabalho humano: Procuramos, ao longo das presentes reflexões dedicadas ao trabalho humano, pôr em realce tudo aquilo que parecia indispensável, dado que é mediante ele que devem multiplicar-se sobre a face da terra não só «os frutos da nossa atividade», mas também «a dignidade do homem, a comunhão fraterna e a liberdade». O cristão que está atento em ouvir a Palavra de Deus vivo, unindo o trabalho à oração, procure saber que lugar ocupa o seu trabalho não somente no progresso terreno, mas também no desenvolvimento do Reino de Deus, para o qual todos somos chamados pela potência do Espírito Santo e pela palavra do Evangelho. (n° 27)
Neste blog estão sendo publicadas as reflexões a partir do ponto de vista de um homem católico e homossexual. No contexto do Dia Internacional do Trabalho (Trabalhador), trago um trecho do livro de Kimeron N. Hardin: "Auto-estima para homossexuais. Um guia para o amor próprio" (Editora Summus; São Paulo, 2000): Algumas das ideias que você tem a seu respeito como funcionário ou profissional podem estar diretamente relacionadas às ideias genéricas que você tem a respeito de si mesmo. Se você acha, por exemplo, que não merece elogios ou atenção na sua vida pessoal, é provável que também se sinta assim na sua vida profissional. (...) Caso você, como criança gay ou lésbica, tenha aprendido que chamar atenção para si mesmo frequentemente gerava especulações a respeito de sua sexualidade, talvez você tenha tendência à adequação, mantendo-se medíocre. Você pode estar dizendo a si mesmo que, ao evitar o olhar extra do seu chefe, está se protegendo da possibilidade de a sua sexualidade ser descoberta. A discriminação no emprego certamente é uma realidade, tanto no que diz respeito a gênero, religião ou orientação sexual. Várias demissões ocorreram por razões não relacionadas diretamente ao trabalho e que de nenhuma maneira afetavam o desempenho profissional dos envolvidos. Como nós, infelizmente, não deispomos de proteção contra discriminação em muitos ambientes, o medo de se expor e perder o emprego pode ser real. Sua carreira pode, portanto, ter consequências positivas e negativas na sua auto-estima e vice-versa. Encontrar um equilíbrio confortável entre as necessidades pessoais e as profissionais será importante para a sua satisfação de uma maneira geral. (p. 109-110)

1 de maio de 2011

Divina Misericórdia

A Festa da Divina Misericórdia foi instituída pelo Beato João Paulo II em 2000 e esta decisão foi uma resposta aos apelos de Jesus, dirigidos a Santa Faustina Kowalska, ainda nos anos 30 do século XX. Irmã Faustina, beatificada em 1993 e canonizada em 2000, registrou em seu Diário as palavras de Jesus: Desejo que a Festa da Misericórdia seja refúgio e abrigo para todas as almas, especialmente para os pecadores. Nesse dia, estão abertas as entranhas da Minha misericórdia. Derramo todo um mar de graças sobre as almas que se aproximam da fonte da Misericórdia. A alma que se confessar e comungar alcançará perdão das culpas e das penas. Nesse dia, estão abertas todas as comportas divinas pelas quais fluem as graças. Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. A Minha misericórdia é tão grande que, por toda a eternidade, nenhuma mente, nem humana, nem angélica, a aprofundará. Tudo o que existe saiu das entranhas da Minha misericórdia. A Festa da Misericórdia saiu das minhas entranhas. Desejo que seja celebrada solenemente no primeiro domingo depois da Páscoa. A humanidade não terá paz enquanto não se voltar à fonte da Minha misericórdia. (n° 699) Durante a última viagem à Polônia, sua terra natal, em 2002, o Beato João Paulo II consagrou a nova igreja-santuário da Divina Misericórdia, em Cracóvia. Durante a homilia disse: "Pai eterno, ofereço-Te o Corpo e o Sangue, a Alma e a Divindade do Teu diletíssimo Filho e nosso Senhor Jesus Cristo, pelos nossos pecados e pelos pecados de todo o mundo; pela Sua dolorosa Paixão, tem piedade de nós e de todo o mundo" (Diário, 476). De nós e do mundo inteiro... Quanta necessidade da misericórdia de Deus tem hoje o mundo! Em todos os continentes, do profundo do sofrimento humano, parece que se eleva a invocação da misericórdia. Onde predominam o ódio e a sede de vingança, onde a guerra causa o sofrimento e a morte dos inocentes, é necessária a graça da misericórdia para aplacar as mentes e os corações, e para fazer reinar a paz. Onde falta o respeito pela vida e pela dignidade do homem, é necessário o amor misericordioso de Deus, a cuja luz se manifesta o indescritível valor de cada ser humano. É necessária a misericórdia para fazer com que toda a injustiça no mundo encontre o seu fim no esplendor da verdade. (O texto na íntegra: aqui) E concluiu com a oração de entrega de toda a humanidade à Divina Misericórdia:
Deus, Pai misericordioso
que revelaste o Teu amor
no Teu Filho Jesus Cristo
e o derramaste sobre nós
no Espírito Santo, Consolador
confiamos-te hoje o destino
do mundo e de cada homem.
Inclina-te sobre nós, pecadores
cura a nossa debilidade
vence o mal
faz com que todos
os habitantes da terra
conheçam a tua misericórdia
para que em Ti, Deus Uno e Trino
encontrem sempre a esperança.
Pai eterno
pela dolorosa Paixão e Ressurreição
do teu Filho
tem misericórdia de nós
e do mundo inteiro.
Amém!
Seria uma insensatez, total e absurda, dizer que nós, os homossexuais, não precisamos da Divina Misericórdia. Jesus disse: Que nenhuma alma tenha medo de se aproximar de Mim, ainda que seus pecados sejam como o escarlate. E o Beato João Paulo II confirma estas palavras ao dizer: Onde falta o respeito pela vida e pela dignidade do homem, é necessário o amor misericordioso de Deus, a cuja luz se manifesta o indescritível valor de cada ser humano.

Beato João Paulo II

Em homenagem ao Papa João Paulo II, na ocasião de sua beatificação, neste 01 de maio de 2011, faço aqui o convite a todos: conheçam o seu ensinamento, aprofundem o seu testemunho, reconheçam nele o grande Apóstolo do homem. Eu sei que, no "mundo gay", a Igreja, enquanto instituição e cada um dos sucessores de Pedro, não têm uma boa fama. De fato, até o Santo Padre João Paulo II tem, no seu arquivo de documentos e pronunciamentos, coisas referentes à homossexualidade, que nam sempre conseguimos aceitar. A explicação para isso está no entendimento de que todo papa, por mais que tenha sido o chefe da Igreja, o soberano, precisa de um "jogo de cintura", para agir e falar dentro do contexto doutrinal e institucional. Muitos chamavam João Paulo II de revolucionário. Outros, talvez em número ainda maior, viram nele um conservador e "cabeça dura". Precisamos ler mais, estudar os textos, conhecer o pensamento. Vamos descobrir um grande servo de Deus e defensor do homem. Como exemplo, cito hoje algumas frases da Mensagem para o Dia Mundial da Paz, 01 de janeiro de 1989. O texto inteiro pode ser lido aqui.
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O primeiro princípio é a inalienável dignidade de cada pessoa humana, sem distinções relativas à sua origem racial, étnica, cultural e nacional ou à sua crença religiosa. Não há pessoa alguma que exista só para si mesma; mas encontrará a sua mais completa identidade na relação com os outros; o mesmo se pode afirmar dos grupos humanos. Estes têm efetivamente um direito à identidade coletiva que deve ser tutelado, em conformidade com a dignidade de todos e cada um dos que dele fazem parte.
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A obrigação de aceitar e de tutelar a diversidade não cabe somente ao Estado ou aos grupos. Cada pessoa, como membro da única família humana deve compreender e respeitar o valor da diversidade entre os homens e ordená-lo para o bem comum.
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O primeiro direito das minorias é o direito a existirem.
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Um outro direito a ser salvaguardado é o direito que têm as minorias a preservar e a desenvolver a própria cultura.
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Não há dúvida de que o desenvolvimento de uma cultura baseada no respeito pelos outros é essencial para a construção de uma sociedade pacífica; mas, infelizmente, também é evidente que a prática efetiva desse respeito nos dias de hoje encontra não pequenas dificuldades.
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As minorias, de fato, devem oferecer a sua específica contribuição para a construção de urn mundo pacífico, que reflita a rica diversidade de todos os seus habitantes.
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A crescente tomada de consciência que hoje se observa, em todos os níveis, a respeito das condições das minorias, constitui no nosso tempo um sinal de firme esperança para as novas gerações e para as aspirações desses grupos minoritários. O respeito para com estes, efetivamente, deve ser considerado, de algum modo, como a pedra de toque para uma convivência social harmoniosa, e como o índice da maturidade civil alcançada por um país e pelas suas instituições.
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Quando o Pai enviou o seu Filho à terra, confiou-lhe uma missão de salvação universal. Jesus veio para que todos «tenham a vida e a tenham abundantemente» (Jo 10, 10). Nenhuma pessoa e nenhum grupo estão excluídos desta missão de amor unificante, que agora nos está confiada a nós.
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Quando a Igreja fala de discriminação em geral ou - como na presente Mensagem - daquela particular que atinge os grupos minoritários, ela dirige-se em primeiro lugar aos próprios membros, seja qual for a sua posição ou responsabilidade no seio da sociedade. Assim como não pode existir espaço para a discriminação dentro da Igreja, assim também nenhum cristão pode conscientemente encorajar ou apoiar estruturas e atitudes que dividem as pessoas das outras pessoas e os grupos dos outros grupos. O mesmo ensinamento deve aplicar-se a todos aqueles que fazem recurso à violência e a apóiam.
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Concluindo, desejo exprimir a minha proximidade espiritual àqueles membros de grupos minoritários que se encontram no sofrimento. (...) Elevo a minha oração, para que as provações em que se encontram cessem logo, e todos possam gozar na segurança dos próprios direitos.

30 de abril de 2011

Urbi et orbi

Tradicionalmente, na ocasião de Natal e de Páscoa, o Papa proclama uma mensagem especial, dirigida "à cidade [de Roma] e ao mundo". Neste ano, Bento XVI disse: Esta minha mensagem quer chegar a todos e, como anúncio profético, sobretudo aos povos e às comunidades que estão a sofrer uma hora de paixão, para que Cristo Ressuscitado lhes abra o caminho da liberdade, da justiça e da paz. (Leia a mensagem na íntegra aqui) Nós, homossexuais, também somos uma comunidade, um povo. E também, com frequência, sofremos uma hora de paixão. Nós também pedimos que Cristo Ressuscitado nos abra o caminho da liberdade, da justiça e da paz. Por isso escutamos com atenção as palavras do Papa: Tal como os raios do sol, na primavera, fazem brotar e desabrochar os rebentos nos ramos das árvores, assim também a irradiação que dimana da Ressurreição de Cristo dá força e significado a cada esperança humana, a cada expectativa, desejo, projeto. Por isso, hoje, o universo inteiro se alegra, implicado na primavera da humanidade, que se faz intérprete do tácito hino de louvor da criação. O aleluia pascal, que ressoa na Igreja peregrina no mundo, exprime a exultação silenciosa do universo e sobretudo o anseio de cada alma humana aberta sinceramente a Deus, mais ainda, agradecida pela sua infinita bondade, beleza e verdade. «Na vossa ressurreição, ó Cristo, alegrem-se os céus e a terra». A este convite ao louvor, que hoje se eleva do coração da Igreja, os «céus» respondem plenamente: as multidões dos anjos, dos santos e dos beatos unem-se unânimes à nossa exultação. No Céu, tudo é paz e alegria. Mas, infelizmente, não é assim sobre a terra! Aqui, neste nosso mundo, o aleluia pascal contrasta ainda com os lamentos e gritos que provêm de tantas situações dolorosas: miséria, fome, doenças, guerras, violências. E todavia foi por isto mesmo que Cristo morreu e ressuscitou! Ele morreu também por causa dos nossos pecados de hoje, e também para a redenção da nossa história de hoje Ele ressuscitou. Apresento a Jesus Ressuscitado o projeto de uma Pastoral de Homossexuais, levada a sério, estruturada, acolhida e acompanhada pela Igreja em todos os níveis. É um projeto de formação contínua e de plena participação de homossexuais na vida da Igreja. É um projeto de superação da homofobia e de outros tipos de preconceito, começando pelos católicos - sejam os membros da hierarquia, sejam os leigos. Se a situação continuar do jeito que está, isso significaraá que, mais uma vez, a palavra de Cristo e de seu representante, o Papa, não está sendo ouvida nem obedecida.