ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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20 de dezembro de 2010

NOVENA DE NATAL (8° dia)


O CASAMENTO

TEXTO BÍBLICO: Mt 1, 18. 24b-25
Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. (...) José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa. E, sem que ele a tivesse conhecido, ela deu à luz o seu filho, que recebeu o nome de Jesus.

LEITURA/REFLEXÃO
1) A posição da Igreja sobre o Matrimônio não deixa a mínima sombra de dúvida. Com muita frequência podemos ler e ouvir a confirmação do matrimônio heterossexual como o único possível e legítimo. Ainda mais, diante de inúmeras campanhas e decisões de parlamentos em vários países, a voz da Igreja parece ficar cada vez mais forte e clara. De certo modo, resumo de todo este ensinamento, encontramos no documento da Congregação para a Doutrina da Fé (de 2003), assinado pelo, então, Prefeito dessa Congregaçã, o Cardeal Joseph Ratzinger (hoje o Papa Bento XVI), "Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais" (leia na íntegra aqui):
Nenhuma ideologia pode cancelar do espírito humano a certeza de que só existe matrimônio entre duas pessoas de sexo diferente, que através da recíproca doação pessoal, que lhes é própria e exclusiva, tendem à comunhão das suas pessoas. Assim se aperfeiçoam mutuamente para colaborar com Deus na geração e educação de novas vidas. (...) Não existe nenhum fundamento para equiparar ou estabelecer analogias, mesmo remotas, entre as uniões homossexuais e o plano de Deus sobre o matrimônio e a família. (...) Em presença do reconhecimento legal das uniões homossexuais ou da equiparação legal das mesmas ao matrimônio, com acesso aos direitos próprios deste último, é um dever opor-se-lhe de modo claro e incisivo. Há que abster-se de qualquer forma de cooperação formal na promulgação ou aplicação de leis tão gravemente injustas e, na medida do possível, abster-se também da cooperação material no plano da aplicação. Nesta matéria, cada qual pode reivindicar o direito à objeção de consciência.
2) A minha opinião pessoal pode não agradar a muitos ativistas de movimento GLBTS que lutam, justamente, pelo reconhecimento das uniões de homossexuais (ao menos na lei civil), pelo direito de adotar filhos e pelo direito de pensão, entre outros. Há quem lute pelo reconhecimento de um casamento entre pessoas do mesmo sexo na Igreja, ou seja, como uma das formas de Sacramento do Matrimônio. A minha opinião é que toda esta luta (especialmente no último caso citado) é como aquela de Dom Quixote de la Mancha (de Cervantes): uma luta contra moinhos. Com outras palavras, acredito que a Igreja nunca vai abrir mão de sua doutrina sobre o matrimônio (casamento). Alguém vai dizer que isso é um monopólio? Respondo: sim, é um monopólio. Usando termos populares: é como se Deus entregasse os seus direitos autorais à Igreja. O casamento é, por natureza (em sua dimensão sobrenatural), hetrossexual. Pois bem, não há, então, solução? De novo apresento apenas a minha opinião pessoal: acho que se gasta, inutilmente, muita energia numa batalha já perdida, somente por causa de uma palavra - o casamento (matrimônio). Se este já tem a sua definição, para que tentar - em vão - alterar isso? Agora faço uma observação, para que esta opinião fique mais clara. Não sou contra o amor entre duas pessoas do mesmo sexo. Ao contrário, acredito muito neste amor (pretendo dedicar a este assunto a meditação do 9° dia desta novena). Não sou contra o reconhecimento civil e religioso (!) das uniões estáveis entre as pessoas homossexuais. Falo apenas sobre o uso de termo "casamento" ou "matrimônio". Eu sei que são os termos importantes, cheios de conteúdo e de simbolismo. Sei, também, que este é um grande sonho de muitos homossexuais, mas... será que vale a pena brigar tanto pelo nome que usamos? Será que não vale mais a pena lutar mais pela realidade do que pelo nome da coisa? Por que não satisfaz o termo "união", "compromisso", ou outro qualquer? Porque parece "técnico" demais? Por não ser tão romântico? Ora, os homossexuais são mundialmente reconhecidos como pessoas mais sensíveis, criativas, poéticas, etc. Será que ninguém consegue inventar um termo novo, bonito e, também cheio de conteúdo e simbolismo?
3) Fairchild e Nancy Hayward, no livro “Agora que você já sabe. O que todo pai e toda mãe deveriam saber sobre a homossexualidade” (Editora Record; Rio de Janeiro, 1996), escrevem: Uma das principais preocupações dos pais amorosos é que seus filhos encontrem a felicidade no casamento. Para pais cientes de que seu filho é homossexual, esta esperança parece uma trágica farsa. A possibilidade de que um relacionamento homossexual possa proporcionar as mesmas ricas recompensas oferecidas pelo casamento tradicional parece remota, especialmente para aqueles que tenham ouvido apenas mitos e informações deturpadas a respeito da vida homossexual. Solidão e uma série de romances fracassados, aos quais se seguirão anos de solitária e desditosa velhice, parecem ser a única opção.
Nós, como pais, nos sentimos particularmente animados em ter boas notícias nessa área, porque compartilhamos a mesma preocupação - nós queremos que nosso filho ou filha experimentem os benefícios de um compromisso firme e maduro com aquela pessoa cujo amor significará mais do que qualquer coisa neste mundo. E isso acontece. Homens e mulheres homossexuais se apaixonam e vivem felizes tal como acontece com casais tradicionais. (p. 157-158).
ORAÇÃO
Hoje vou pedir ao Senhor a graça de reconhecimento de união estável de pessoas homossexuais pela Igreja. Oro, também, por aqueles que já vivem esta união, pelos que nela acreditam e estão procurando por "aquela pessoa especial". Depois do trecho do Salmo (Sl 85[86], 1-8), rezo um "Pai nosso" e uma "Ave Maria".
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Inclinai, ó Senhor, vosso ouvido,
escutai, pois sou pobre e infeliz!
Protegei-me, que sou vosso amigo,
e salvai vosso servo, meu Deus,
que espera e confia em vós!
Piedade de mim, ó Senhor,
porque clamo por vós todo o dia!
Animai e alegrai vosso servo,
pois a vós eu elevo a minh'alma.
Ó Senhor, vós sois bom e clemente,
sois perdão para quem vos invoca.
Escutai, ó Senhor, minha prece,
o lamento da minha oração!
No meu dia de angústia eu vos chamo,
porque sei que me haveis de escutar.
Não existe entre os deuses nenhum
que convosco se possa igualar;
não existe outra obra no mundo
comparável às vossas, Senhor!

NOVENA DE NATAL (7° dia)


OS PASTORES

TEXTO BÍBLICO: Lc 2, 8-11. 15-16Havia naquela região pastores que passavam a noite nos campos, tomando conta do rebanho. Um anjo do Senhor lhes apareceu, e a glória do Senhor os envolveu de luz. Os pastores ficaram com muito medo. O anjo então lhes disse: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor! (...) Quando os anjos se afastaram deles, para o céu, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos a Belém, para ver a realização desta palavra que o Senhor nos deu a conhecer”. Foram, pois, às pressas a Belém e encontraram Maria e José, e o recém-nascido deitado na manjedoura.
LEITURA/REFLEXÃO1) Estamos, sem dúvida, diante dos privilegiados daquela hora: os pastores. O anjo não foi avisar nem ao rabino da cidade de Belém, nem às locais autoridades civis. Será porque Deus já conhecia a dureza de coração daquela elite religioso-social, ou porque a figura de um pastor foi sempre muito querida para o Altíssimo? Não são raras as vezes, em que Ele próprio se revela como pastor que as suas ovelhas conduz e guia (cf. Sl 23), apascenta seu rebanho, reúne os dispersos, carrega os cordeiros nas dobras de seu manto e conduz lentamente as ovelhas que amamentam (cf. Is 40, 11); inquieta-se por causa de seu rebanho, apascenta suas ovelhas em boas pastagens, procura a ovelha perdida e reconduz a desgarrada, cura a ovelha ferida e restabelece a doente, vela sobre a que estiver gorda e vigorosa (cf. Ez 34, 11-16). Finalmente, afirma em Jesus: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas. Eu vim para que as ovelhas tenham vida e para que a tenham em abundância. Conheço as minhas ovelhas e elas conhecem a mim. Dou a minha vida pelas minhas ovelhas. Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Preciso conduzi-las também, e ouvirão a minha voz e haverá um só rebanho e um só pastor (cf. Jo 10, 11-16).
2) A Igreja sempre procurou viver o ideal do bom pastor. Esta é a sua missão e toda a razão de sua existência. É a sua identidade. Guiada pelo Espírito Santo, ao longo da história e pelos caminhos da humanidade, a Igreja compreendeu que tudo que ela própria faz, requer uma dimensão pastoral. Com o tempo, a palavra pastoral, entrou no vocabulário eclesial e tornou-se o sinônimo de toda ação e de todo projeto. Já em nossos tempos (com o impulso do Concílio Vaticano II), multiplicaram-se as pastorais específicas (que podemos comparar, por exemplo, com os ministérios de um governo do estado). As pastorais vão amadurecendo e ganhando estruturas próprias e, também, surgem outras, de acordo com as novas circunstâncias que o mundo apresenta. Não deve ser surpresa alguma, no contexto desta novena e deste blog, que vou refletir hoje sobre a pastoral dos (ou para com os) homossexuais. Não é uma ideia nova nem minha, pois já existe, ainda que um pouco timidamente.
3) Antes de falar sobre alguns trabalhos concretos, realizados e, de certa forma, reconhecidos, quero voltar à declaração oficial da Igreja, apresentada no Catecismo da Igreja Católica (n° 2358 e 1359): Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizr a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição. As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.
Em breve, vamos analisar a "Carta aos bispos da Igreja Católica sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais" (Congregação para a Doutrina da Fé, 1986). Leia na íntegra aqui.
4) Em 1998 foi lançado o livro de um sacerdote católico, doutor em teologia e filosofia, o Padre José Trasferetti, “Pastoral com Homossexuais: Retratos de uma experiência” (Editora Vozes, Petrópolis, RJ). Sobre esta obra leia um artigo aqui. O padre fala sobre a sua experiência, também, numa entrevista, concedida à revista ISTOÉ em 1997 (veja aqui o texto na íntegra) : Conheço artigos de alguns teólogos, mas não tenho ciência de nenhuma outra paróquia que faça um trabalho voltado para esse segmento da população. Defendo a criação de uma pastoral do homossexual justamente para poder ampliar e enriquecer essa experiência. É importante dizer que não estamos falando do homossexual que vai para Miami. Me refiro sempre aos pobres, que não têm acolhida em nenhum outro lugar. Um sem-terra, por exemplo, é excluído, mas participa da sociedade. Os gays não. Principalmente os travestis. (...) No começo houve muita preocupação. Muitos tinham dificuldades para entender esse comportamento e vieram perguntar se a igreja não ficaria cheia de homossexuais, se era certo um gay entrar na igreja. Outros me trataram com deboche, chegavam a dizer: "Lá vem o padre das bichas." Mas não tardaram a aceitar, até porque minha paróquia abriga muitos familiares desses homossexuais.
5) Sem dúvida, a pastoral com (ou para) homossexuais é necessária. É urgente. Mas, ao mesmo tempo, precisa de muita sabedoria e delicadeza, também em seus métodos. As dificuldades surgem não só por parte dos “demais paroquianos”, ainda muito preconceituosos, mas também e não menos, no meio dos próprios homossexuais. É como um choque de dois mundos opostos, pelo menos assim parece. Na minha opinião, deve ser realizado um “trabalho de formiguinha”, bem discreto, mas destemido (nada de timidez ou medo!). Creio que a dinâmica das CEB-s (Comunidade Eclesiais de Base), também conhecidos como Círculos Bíblicos ou Grupos de Partilha (de estudo, de reflexão, etc.), seja a melhor de todas. As reuniões podem ser realizadas, inicialmente, nas casas dos participantes. Um dos componentes seria, com certeza, o Grupo de Pais de Homossexuais (já mencionado nesta novena). Haverá padres, teólogos e outros profissionais para fornecerem o material, elaborado para esta finalidade. Se não houver, podem ser utilizados os textos já existentes: livros, artigos, textos publicados na web. Afinal de contas, é a própria Bíblia que é uma fonte, mais que suficiente, para começar um trabalho. Uma Bíblia + a fé + a boa vontade + a coragem = a pastoral de homossexuais. O ideal seria o trabalho com a presença permanente de um padre, diácono ou catequista. Alguém acha impossível? Pois eu não acho.

ORAÇÃO
Provavelmente o mais conhecido entre todos os Salmos (22[23]) servirá hoje como inspiração para louvor e prece. Como de costume, termino com um “Pai nosso” e uma “Ave Maria”.


O Senhor é o pastor que me conduz;
não me falta coisa alguma.
Pelos prados e campinas verdejantes
ele me leva a descansar.
Para as águas refrescantes me encaminha,
e restaura as minhas forças.
Ele me guia no caminho mais seguro,
pela honra do seu nome.
Mesmo que eu passe pelo vale tenebroso,
nenhum mal eu temerei;
estais comigo com bastão e com cajado;
eles me dão a segurança!
Preparais à minha frente uma mesa,
bem à vista do inimigo,
e com óleo vós ungis minha cabeça;
o meu cálice transborda.
Felicidade e todo bem hão de seguir-me
por toda a minha vida;
e, na casa do Senhor, habitarei
pelos tempos infinitos.

18 de dezembro de 2010

NOVENA DE NATAL (6° dia)


A REJEIÇÃO

TEXTO BÍBLICO: (Lc 2, 7)
Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria.
LEITURA/REFLEXÃO
1)
Jesus, o Filho de Deus, desde o início – mesmo antes de nascer – e, principalmente, na sua vida pública, sofreu a rejeição. Talvez seja essa a mais dramática realidade (além dos momentos extremos de agonia e da morte), na qual “ele se uniu a cada homem”. Jesus se uniu (identificou), de maneira particular, a cada pessoa desprezada, rejeitada e marginalizada, independentemente das causas de hostilidade por parte dos outros. O Papa João Paulo II insiste sobre esta união, usando generosamente várias redundâncias (quase desafiando as regras de gramática), no texto que temos na introdução a esta novena (confira aqui): Trata-se do homem em toda a sua verdade, com a sua plena dimensão. Não se trata do homem “abstrato”, mas sim real: do homem “concreto”, “histórico”. Trata-se de “cada” homem, porque todos e cada um foram compreendidos no mistério da Redenção, e com todos e cada um Cristo se uniu, para sempre, através deste mistério. (João Paulo II, Encíclica Redemptor hominis, n. 13). Um pouco mais tarde, no mesmo documento, o Papa continua: O homem — todos e cada um dos homens, sem exceção alguma — foi remido por Cristo; e porque com o homem — cada homem, sem exceção alguma — Cristo de algum modo se uniu, mesmo quando tal homem disso não se acha consciente (n. 14). Não será, portanto, o abuso achar que Cristo se uniu, também, com cada homossexual (em toda a sua singular realidade do ser e do agir, da inteligência e da vontade, da consciência e do coração – palavras de João Paulo II sobre “cada homem”). Inclusive nessa dramática experiência de rejeição.
2) É fácil perceber que o tema da reflexão neste 6° dia da novena é a homofobia. Não é possível abordar exaustivamente este assunto. Primeiro, pela sua enorme dimensão e segundo, porque em praticamente todos os sites, portais e blogs (de orientação GLBTS) é justamente a homofobia que ocupa as primeiras páginas (em forma de notícias alarmantes ou de divulgação de campanhas). Tenho a impressão de que os que procuram descobrir as causas de homofobia sejam tão numerosos quanto aqueles que pesquisam as origens de homossexualidade. Uns e outros têm suas teorias, mas parece que estamos ainda longe de uma resposta definitiva. Em todos os dicionários sérios, a palavra “fobia” é descrita como medo obsedante, angustiante, que certas doenças provocam em circunstâncias determinadas. Esta palavra entra como composto nos nomes de diversas espécies de medos doentios: claustrofobia, medo de ficar encerrado, ou de lugares fechados em geral; acrofobia, medo das alturas; etc. Estes medos irracionais fazem parte dos transtornos da ansiedade, conjunto de anomalias emocionais que, segundo a Organização Mundial da Saúde, afetam hoje cerca de 400 milhões de pessoas (confira aqui). Na mitologia grega, Phobos (ou Fobos) é um dos filhos de Ares (Marte para os romanos) e Afrodite (Vênus para os romanos). Esse deus simbolizava o temor e acompanhava Ares nos campos de batalha, injetando nos corações dos inimigos a covardia e o medo que os fazia fugir. Por sua vez, o termo homofobia, é um neologismo criado pelo psicólogo George Weinberg, em 1971, numa obra impressa, combinando a palavra grega phobos ("fobia", medo), com o prefixo homo-, como remissão à palavra "homossexual".
3) Achei interessante o fato de que as palavras do anjo aos pastores em Belém, na noite em que nasceu Jesus, foram: “Não tenhais medo”. Se os moradores daquela pequena cidade ouvissem o mesmo, um dia antes, talvez não teria sido essa a sua atitude (de rejeição), diante de uma mulher prestes a dar à luz e de um “pai” apavorado com tudo que estava acontecendo. Acredito, no entanto, que justamente esta situação fazia parte do misterioso plano de Deus. São João, no Prólogo do seu Evangelho, escreveu assim: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava junto de Deus e o Verbo era Deus. (...) Estava no mundo e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. (...) E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1, 1. 10-11. 14a). O eco destas palavras encontrei no livro “Reflexões sobre a questão gay” de Didier Eribon (Editora Companhia de Freud; Rio de Janeiro, 2008; p. 27-28): No começo há injúria. Aquela que todo gay pode ouvir num momento ou outro da vida, e que é sinal de sua vulnerabilidade psicológica e social. (...) São agressões verbais que marcam a conciência. São traumatismos sentidos de modo mais ou menos violento no instante, mas que se inscrevem na memória e no corpo. (...) E uma das consequências da injúria é moldar a relação com os outros e com o mundo. E, por conseguinte, moldar a personalidade, a subjetividade, o próprio ser de um indivíduo. (...) A injúria me faz saber que sou alguém que não é como os outros, que não está na norma. Alguém que é “viado” [queer]: estranho, bizarro, doente. Anormal. Logo, o insulto é um veredito. É uma sentença quase definitiva, uma condenação perpétua, e coma qual vai ser preciso viver.
4) Marco Aurélio Máximo Prado e Frederico Viana Machado escreveram na introdução de seu livro “Preconceito contra homossexualidades: A hierarquia da invisibilidade” (Editora Cortez, São Paulo, 2008; p. 7): Uma vez que compreendemos que este debate é, por princípio, provisório e inacabado, apresentamos este livro que pretende introduzir o leitor em um conjunto de literaturas, pesquisas e debates que não só abarcam os temas relativos à sexualidade e à orientação sexual, mas também colaboram na construção de uma sociedade mais justa (...). De fato, o último capítulo do livro, intitulado “Para continuidades”, fornece títulos de livros e vários links úteis. No capítulo 4 (“Preconceito, invisibilidades e manutenção das hierarquias sociais”), lemos: No âmbito da sexualidade, o preconceito social produziu a invisibilidade de certas identidades sexuadas, garantindo a subalternidade de alguns direitos sociais e, por sua vez, legitimando práticas de inferiorizações sociais, como a homofobia. O preconceito, neste caso, possui um funcionamento que se utiliza, muitas vezes, de atribuições sociais negativas advindas da moral, da religião ou mesmo das ciências, para produzir o que aqui denominamos de hierarquia sexual, a qual é embasada em um conjunto de valores e práticas sociais que constituem a heteronormatividade como um campo normativo e regulador das relações humanas (p. 70).
ORAÇÃO
Hoje vou pedir tanto por aqueles que vivem e promovem a homofobia, quanto pelas vítimas da mesma. Que penetre no coração de todos a mensagem que Jesus transmite ao longo do Evangelho, desde o seu nascimento, até a ressurreição: “Não tenham medo!”. A inspiração da prece vem de um trecho do Salmo 24(25), 15-21. No final rezo “Pai nosso” e “Ave Maria”.

Aliviai meu coração de tanta angústia,
e libertai-me das minhas aflições!
Considerai minha miséria e sofrimento
e concedei vosso perdão aos meus pecados!
Olhai meus inimigos que são muitos,
e com que ódio violento eles me odeiam!
Defendei a minha vida e libertai-me;
em vós confio, que eu não seja envergonhado!
Que a retidão e a inocência me protejam,
pois em vós eu coloquei minha esperança!

17 de dezembro de 2010

NOVENA DE NATAL (5° dia)

“The Dancing Angel”; fonte – DeviantArt (aqui)

OS ANJOS

TEXTO BÍBLICO: (Lc 2, 10-11. 13-14)
O anjo então lhes disse: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste cantando a Deus: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado!”
LEITURA/REFLEXÃO
1)
Eu creio em Deus, o Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. Acredito, portanto, na existência dos Anjos e louvo ao Senhor por eles. Especialmente pelo Anjo que me foi dado como o Guardião. Hoje, entretanto, neste quinto dia da novena de Natal, quero homenagear outros “anjos” – os amigos. São Gregório Magno disse que “é preciso saber que a palavra anjo indica o ofício, não a natureza” e São Bernardo assim se refere aos anjos: “Estão aqui, portanto, e estão junto de ti, não apenas contigo, mas em teu favor. Estão aqui para proteger, para te serem úteis”. A Palavra de Deus, por sua vez, revela: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; (...) é um remédio de vida e imortalidade”. (Eclo 6, 14-16).
2) Quando o adolescente homossexual encontra outros adolescentes ou adultos homossexuais para efetivarem amizades, torna-se saudável, pois assumir-se para estes amigos ajuda-o a superar as dificuldades e transtornos causados pela estigmatização e rejeição por parte dos colegas ou da família e atenua a sensação de isolamento cognitivo e social (Marina Castañeda, citada por Isaac Azevedo dos Santos, no portal G1aqui). Um outro autor (Richard A. Isay, no livro “Tornar-se gay”), citado no 3° dia desta novena (aqui), observa: Por se sentirem diferentes e por causa da rejeição paterna, alguns adolescentes homossexuais são mais introvertidos ou se sentem menos à vontade para interagir com seus amigos que seus companheiros heterossexuais. Sentindo-se como estranhos, estes adolescentes ficam frequentemente à margem dos grupos de amigos, que são tão essenciais neste estágio da vida para que seja possível separar-se dos pais e sentir-se aceito. Embora essa não seja a única solução, Isay descreve o caminho traçado por muitos nesse período de descobertas e definições (adolescência): Fazer amizades com outros adolescentes gays e envolver-se em meios sociais gays propicia a estes adolescentes a criação de alianças, o encontro de parceiros sexuais e a descoberta de modelos que possam idealizar e com quem possam se identificar.
3) Certamente, a “homossocialização” (termo usado por Isay) não é e não pode ser o único caminho para os gays adolescentes, jovens ou adultos. O “gueto” nunca é a solução. Por isso mesmo tão importantes são amizades com pessoas simpatizantes, tolerantes, abertas. A minha observação e a própria experiência me levam a crer que, com frequência, as mulheres tornam se esses anjos, confidentes, oferecendo uma amizade sincera, leal e incondicional. É nelas que penso nesta meditação sobre os “Anjos de Belém”. Lá, diante do mistério a ser revelado, o anjo disse aos pastores: “Não tenham medo!” (cf. Lc 2, 10). A verdadeira amizade dá a mesma sensação: acalma, encoraja, acolhe e compreende. Igualmente merece o destaque a confiança oferecida pelos irmãos e irmãs (quando acontece). Fairchild e Hayward, no citado (aqui) livro “Agora que você já sabe” contam sobre a reação de dois irmãos mais velhos à notícia, transmitida pela mãe, sobre a homossexualidade do caçula Philip: “Philip, mamãe nos disse. E nós o amamos mais do que nunca. Você terá que nos dar algum tempo para entender isso, mas queremos que você saiba que nossos sentimentos por você não mudaram nem um pouco” (p. 242). Finalmente, não podia deixar de mencionar mais uma, muito preciosa, experiência de amizade. Sei que nem sempre acontece e que, para muitos, parece impossível. É a amizade com o “ex-companheiro”. Eu tenho esta experiência e posso dizer, sem exagero, que o Deley é o meu maior e melhor amigo, apesar de estar (ele!) vivendo atualmente um relacionamento com outro rapaz.
ORAÇÃO
Hoje louvo e agradeço a Deus pelos amigos – estes invisíveis (os anjos) e outros, não menos reais e autênticos anjos: os Amigos. Inspiro-me em alguns versículos do Salmo 90(91) e, depois, rezo um “Pai nosso” e uma “Ave Maria”.


Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo,
que moras à sombra do Onipotente,
dize ao Senhor: Sois meu refúgio e minha cidadela,
meu Deus, em que eu confio.
É ele quem te livrará do laço do caçador,
e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com suas plumas,
sob suas asas encontrarás refúgio.
Sua fidelidade te será um escudo de proteção.
Tu não temerás os terrores noturnos,
nem a flecha que voa à luz do dia,
nem a peste que se propaga nas trevas,
nem o mal que grassa ao meio-dia.
Nenhum mal te atingirá,
nenhum flagelo chegará à tua tenda,
porque aos seus anjos ele mandou
que te guardem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão em suas mãos,
para que não tropeces em alguma pedra.
Sobre serpente e víbora andarás,
calcarás aos pés o leão e o dragão.
Pois que se uniu a mim, eu o livrarei;
e o protegerei, pois conhece o meu nome.
Quando me invocar, eu o atenderei;
na tribulação estarei com ele.
Hei de livrá-lo e o cobrirei de glória.
Será favorecido de longos dias,
e mostrar-lhe-ei a minha salvação.

NOVENA DE NATAL (4° dia)

A MÃE
TEXTO BÍBLICO (Lc 2, 6-7a. 19)
Quando estavam ali, chegou o tempo do parto. Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura. (...) Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração.
LEITURA/REFLEXÃO
1)
Existe um laço muito profundo entre mãe e filho (filha). Algo que se estabelece desde o início da gravidez e perdura por resto da vida. Ser mãe é um carisma que inclui uma misteriosa intuição dela em relação ao(s) filho(s). Por mais que ela, às vezes, não saiba viver ou expressar a sua maternidade, a essência está no amor singular e incomparável. É, justamente, por este amor que, de vez em quando, a mãe toma atitudes e decisões exageradas, erradas, confusas, mas – quem sabe – possamos compreendê-las (ou tolerar, desculpar) em nome deste mesmo amor. Lembro-me bem as minhas conversas com o Deley (na época quando namorávamos) sobre as nossas mães. Chegávamos à conclusão de que elas sabem de nós muito mais do que imaginamos. Talvez tenha sido um otimismo ingênuo da nossa parte, mas lá no fundo do coração tivemos aquela sonhada cena de “revelação” (da nossa identidade gay e/ou do nosso relacionamento), em que elas diziam: “Ah, já sabíamos disso o tempo todo, só estávamos esperando vocês acharem a hora certa para nos contar”. Se, de fato, ainda não aconteceu esta conversa (pelo menos no meu caso), deve ter sido pela falta de oportunidade (eu e a minha mãe moramos em lugares muito distantes) e, também, por falta de coragem da minha parte. Digo: lá no fundo do meu ser acredito de que a minha mãe sabe. E mais: sabe e aceita. Pois bem... conheço a minha mãe.
2) O livro de Betty Fairchild e Nancy Hayward “Agora que você já sabe. O que todo pai e toda mãe deveriam saber sobre a homossexualidade” (Editora Record; Rio de Janeiro, 1996) traz vários depoimentos, tanto de pais e mães, quanto dos filhos e filhas homossexuais, além de relatório sobre o trabalho dos grupos de pais de homossexuais e alguns outros assuntos. Neste quarto dia da novena, ao refletirmos a figura de Maria, transcrevo aqui o fragmento de depoimento de uma das mães (Charlotte Spitzer, de Los Angeles):
Quando a minha filha Robin tinha mais ou menos 21 anos de idade ela me contou que era lésbica. A notícia me atingiu como uma tijolada. Eu fiquei arrasada. Como é que eu pude fazer uma coisa dessas com a minha filhinha? O que foi que eu fiz de errado? Imediatamente comecei a me sentir responsável por seu homossexualismo. Minha reação me surpreendeu bastante, nunca pensei que reagiria de uma maneira tão drástica. (...) Na verdade, eu não havia escapado ao condicionamento preconceituoso da sociedade; eu simplesmente enterrei o preconceito dentro de mim, onde ficou dormindo pronto a vir à tona quando fui “atingida” emocionalmente. (...) Levou algum tempo para que eu reajustasse o meu modo de pensar, para ganhar novas perspectivas e finalmente para perguntar a mim mesma o que é que eu queria para o futuro da minha filha. Quando percebi que o que realmente queria era que ela encontrasse felicidade, amor e realização na vida, percebi que isso não tinha nada a ver com a sua orientação sexual. Foi então que percebi que por fim a havia aceito do jeito que ela era. (p. 71-72).
3) No site do Grupo de Pais de Homossexuais você encontra vários depoimentos comoventes (aqui) de mães e pais que aprendem a lidar com a homossexualidade de seus filhos. Não somente a lidar, mas a amá-los de coração. De fato, um trabalho como este, está trazendo paz e reconciliação a muitas famílias. Aliás, está salvando vidas! Parabéns para a Fundadora deste Grupo, Edith Modesto, um símbolo esplêndido e exemplo de todas as mães que acolhem com amor os seus filhos homossexuais.
ORAÇÃO
Hoje a oração é, em primeiro lugar, de louvor e ação de graças pelas mães, por seu amor. É o cântico de Maria, a Mãe de Jesus – o Magnificat (Lc 1, 46-55). Peçamos, também, por aquelas que ainda não encontraram as forças para aceitar a homossexualidade de seus filhos ou filhas. Pelas mães que não sabem, mas estão prestes a tomar conhecimento desta realidade. Que o Poderoso que faz maravilhas olhe à pequenez de suas servas. No final rezo um “Pai nosso” e uma “Ave Maria”.


A minha alma engrandece ao Senhor
e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador;
porque olhou para humildade de sua serva,
doravante as gerações hão de chamar-me de bendita.
O Poderoso fez em mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
Seu amor para sempre se estende
sobre aqueles que o temem;
manifestou o poder de seu braço,
dispersou os soberbos;
derrubou os poderosos de seus tronos
e elevou os humildes;
saciou de bens os famintos,
despediu os ricos sem nada.
Acolheu Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,
como havia prometido a nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.
(Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.)

16 de dezembro de 2010

NOVENA DE NATAL (3° dia)

A FIGURA PATERNA
TEXTO BÍBLICO (Mt 1, 20-21. 24)
“José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados”. (...) Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa.
LEITURA/REFLEXÃO
1)
A meditação do mistério da Encarnação do Verbo Eterno de Deus abre vários horizontes e leva-nos em mais diversas direções. É muito interessante como o Pai celeste inclui a figura paterna no seu plano, como se quisesse mostrar a importância de um pai na vida de cada ser humano. Há muito tempo percebi um fenômeno, confirmado em quase 100% de conversas com vários homossexuais. Sem insinuar a eventual causa da própria homossexualidade, notei que quase todos os gays têm alguma coisa negativa para contar sobre o seu pai. Seja um pai ausente ou um “durão”, sem a menor possibilidade de diálogo, seja um chefe de família que bebe ou vive traindo a esposa ou os filhos. De fato, existe uma enorme variedade de experiências tristes e dolorosas no campo de relacionamento pai-filho. Evidentemente isso não impede a existência de homossexuais com pais presentes e amorosos.
2) Richard A. Isay, norte-americano, formado em psiquiatria e psicanálise, ativista da Associação Nacional de Saúde de Gays e Lésbicas, é o autor do Livro “Tornar-se gay; O caminho da auto-aceitação” (Edições GLS; São Paulo, 1898). Em sua obra apresenta (entre vários outros assuntos) a ideia de um processo necessário para a “reconciliação consigo mesmo” ou para “tornar-se gay”:
Para tornar-se gay é preciso ser capaz de se autodenominar “homossexual” ou “gay”. Garotos homossexuais com pais amorosos, que aceitam seus desejos sexuais distintos e seu tipo diferente de masculinidade, costumam desenvolver uma auto-imagem forte e positiva. É provável também que consigam se assumir como “gays” antes e mais facilmente do que aqueles que sentiram necessidade de se adequar às expectativas sociais para serem amados. Meninos que foram rejeitados pelos pais por causa de sua condição homossexual, em geral, manifestarão, quando adultos, raiva e autopiedade, tornando-se, portanto, muito menos capazes de estabelecer relações adultas de amor mútuo do que aqueles que se sentiram aceitos e amados pelos pais. (p. 15)
Pais de meninos homossexuais, que podem não gostar que seus filhos sejam menos convencionalmente masculinos do que outros meninos ou que se sentem desconfortáveis pela conexão erótica de seus filhos com eles ou com outros homens, podem se retrair. Uma criança homossexual pode se afastar de seu pai por sentir-se mais à vontade com a mãe e ter mais afinidade com ela ou por sentir-se incomodada com seus sentimentos eróticos para com o seu pai ou outro homem de suas relações. A rejeição paterna, real ou percebida, em resposta ao desejo do filho por alguém do mesmo sexo, interesses diferentes, ou uma masculinidade não convencional são fatores determinantes para a baixa auto-estima de alguns meninos recém-entrados na adolescência. (p. 63-64)
3) Seja qual for a sua relação com o pai, proponho hoje, no contexto de nossa jornada espiritual, uma “revisão” desta relação. Talvez seja necessário trabalhar o processo de perdão. Queiramos ou não, temos este pai e não algum outro. Carregamos em nós uma grande herança paterna (genética, cultural, espiritual). São Paulo dá um conselho que pode ser aplicado aqui: “Examinai tudo e guardai o que for bom.” (1 Tes 5, 21). Outro exercício deste terceiro dia da novena pode ser a oração por cada homossexual rejeitado, agredido, desprezado, expulso de casa pelo próprio pai. Por aquele rapaz que ouviu o seu pai falar: “Prefiro um filho morto a um homossexual” (leia sobre isso uma excelente matéria – e tantas outras - de Isaac Azevedo dos Santos no portal “Gay1” – aqui). E precisamos orar muito por cada pai, especialmente pai de homossexual (homossexuais)! Peçamos que ele ouça, como José, a voz de Deus, dizendo: "Não temas acolher em casa e no coração este filho, porque antes de ser teu, ele é o meu filho amado".
4) ORAÇÃO
Os trechos do Salmo 26(27) podem inspirar uma oração espontânea de louvor, súplica e entrega. Conclusão: “Pai nosso” e “Ave Maria”

[1] O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei?
O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo?
[4] Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente:
é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida,
para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário.
[5] Assim, no dia mau ele me esconderá na sua tenda,
ocultar-me-á no recôndito de seu tabernáculo,
sobre um rochedo me erguerá.
[7] Escutai, Senhor, a voz de minha oração,
tende piedade de mim e ouvi-me.
[8] Fala-vos meu coração, minha face vos busca;
a vossa face, ó Senhor, eu a procuro.
[9] Não escondais de mim vosso semblante,
não afasteis com ira o vosso servo.
Vós sois o meu amparo, não me rejeiteis.
Nem me abandoneis, ó Deus, meu Salvador.
[10] Se meu pai e minha mãe me abandonarem,
o Senhor me acolherá.
[11] Ensinai-me, Senhor, vosso caminho;
por causa dos adversários, guiai-me pela senda reta.

NOVENA DE NATAL (2° dia)

OS SEGREDOS DA GESTAÇÃO
TEXTO BÍBLICO (Lc 2, 3-5)
Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade. Também José, que era da família e da descendência de Davi, subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, à cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
LEITURA/REFLEXÃO
1)
Continuamos a nossa leitura do texto de São Lucas. O tema para o segundo dia deste ciclo de reflexões pré-natalinas surge no final do versículo 5. Para entender melhor podemos citar ainda a expressão usada pelo evangelista Mateus (Mt 1, 18): “ela encontrou-se grávida pela ação do Espírito Santo.” Não quero, neste momento, entrar em detalhes teológicos. O que me vem na mente é contribuir numa reflexão sobre as causas ou origens da homossexualidade. Entre várias teorias e pesquisas existe uma linha de pensamento que aponta, exatamente, a gestação como o período de formação ou definição de sexualidade humana. Sem dúvida, a gestação é um tempo delicado, importante e misterioso. Há um tempo, existe e se desenvolve a psicoembriologia ou psicologia pré-natal que (resumindo) estuda o comportamento e desenvolvimento evolutivo e psico-afetivo-emocional do indivíduo antes do nascimento. Uma das conclusões fundamentais desse estudo afirma que vários fatores (p. ex. a falta de afeto) no desenvolvimento psicológico ocasiona alterações na estrutura emocional do bebê, influenciando a sua personalidade pós-natal, conduta e comportamento.
2) O Padre Alírio Pedrini, pregador e escritor, conhecido principalmente no meio da Renovação Carismática Católica, dedica a este assunto uma parte de seu livro “Jovens em renovação; espiritualidade, afetividade, sexualidade” (Edições Loyola, São Paulo, 1993). Vou deixar de lado algumas expressões típicas do autor sobre a “cura do homossexualismo” e passo diretamente ao que interessa:
A rejeição do sexo da criança em formação no seio da mãe, por parte dos pais ou de um deles, principalmente quando houve manifestações e declarações abertas, fortes e repetidas por muitas vezes, pode ser a causa de homossexualismo (...). Um menino está sendo gerado. Os pais, porém, desejam muito, esperam e falam abertamente que querem uma menina. Esta criança capta a linguagem, os desejos e as manifestações dos pais. Ela sabe que não é do sexo que eles querem. Sabe que, se fosse do sexo desejado, seria muito mais acolhida, festejada, bem-vinda e querida. Esta constatação a choca profundamente e a traumatiza. Seu inconsciente passa a desejar ser do sexo esperado pelos pais (...). O profundo desejo de ser do sexo esperado pelos pais se aninha no impulso inconsciente de sexualidade da criança. Quando ela nasce e cresce, aquele desejo de ser do sexo esperado, vai agir sobre a sua sexualidade.” (p. 119)
3) Estas teorias e descobertas parecem levar diretamente a uma atitude de culpar os pais, de odiá-los ou desprezar como “causadores da nossa infelicidade”. Não é este o meu objetivo! Pelo contrário, talvez a reflexão sirva, para quem precisar, como o alívio. A teoria em questão, como várias outras, reforça a convicção de que a homossexualidade não é, de maneira alguma, a “opção”, a “escolha” de quem quer que seja. Citado ontem Pe. James L. Empereur (autor do livro “Direção espiritual e homossexualidade”) diz: Rejeito a posição segundo a qual optamos por ser homossexuais, como se o escolhêssemos da mesma forma que escolhemos o lugar onde vamos passar as férias. Quanto aos pais, quem sabe se o conhecimento deste ponto de vista não ajude num diálogo mais aberto, com simplicidade, carinho e... humildade.
ORAÇÃO
Continuo a oração de louvor, desta vez com um trecho do Salmo 15 (16), depois rezo um “Pai nosso” e uma “Ave Maria”.

Bendigo o Senhor porque me deu conselho,
porque mesmo de noite o coração me exorta.
Ponho sempre o Senhor diante dos olhos,
pois Ele está à minha direita; não vacilarei.
Por isso meu coração se alegra e minha alma exulta,
até meu corpo descansará seguro,
porque Vós não abandonareis minha alma
na habitação dos mortos,
nem permitireis que vosso Santo conheça a corrupção.
Vós me ensinareis o caminho da vida,
há abundância de alegria junto de Vós,
e delícias eternas à Vossa direita.