ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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17 de dezembro de 2010

NOVENA DE NATAL (5° dia)

“The Dancing Angel”; fonte – DeviantArt (aqui)

OS ANJOS

TEXTO BÍBLICO: (Lc 2, 10-11. 13-14)
O anjo então lhes disse: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste cantando a Deus: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado!”
LEITURA/REFLEXÃO
1)
Eu creio em Deus, o Criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis. Acredito, portanto, na existência dos Anjos e louvo ao Senhor por eles. Especialmente pelo Anjo que me foi dado como o Guardião. Hoje, entretanto, neste quinto dia da novena de Natal, quero homenagear outros “anjos” – os amigos. São Gregório Magno disse que “é preciso saber que a palavra anjo indica o ofício, não a natureza” e São Bernardo assim se refere aos anjos: “Estão aqui, portanto, e estão junto de ti, não apenas contigo, mas em teu favor. Estão aqui para proteger, para te serem úteis”. A Palavra de Deus, por sua vez, revela: “Um amigo fiel é uma poderosa proteção: quem o achou, descobriu um tesouro. Nada é comparável a um amigo fiel; (...) é um remédio de vida e imortalidade”. (Eclo 6, 14-16).
2) Quando o adolescente homossexual encontra outros adolescentes ou adultos homossexuais para efetivarem amizades, torna-se saudável, pois assumir-se para estes amigos ajuda-o a superar as dificuldades e transtornos causados pela estigmatização e rejeição por parte dos colegas ou da família e atenua a sensação de isolamento cognitivo e social (Marina Castañeda, citada por Isaac Azevedo dos Santos, no portal G1aqui). Um outro autor (Richard A. Isay, no livro “Tornar-se gay”), citado no 3° dia desta novena (aqui), observa: Por se sentirem diferentes e por causa da rejeição paterna, alguns adolescentes homossexuais são mais introvertidos ou se sentem menos à vontade para interagir com seus amigos que seus companheiros heterossexuais. Sentindo-se como estranhos, estes adolescentes ficam frequentemente à margem dos grupos de amigos, que são tão essenciais neste estágio da vida para que seja possível separar-se dos pais e sentir-se aceito. Embora essa não seja a única solução, Isay descreve o caminho traçado por muitos nesse período de descobertas e definições (adolescência): Fazer amizades com outros adolescentes gays e envolver-se em meios sociais gays propicia a estes adolescentes a criação de alianças, o encontro de parceiros sexuais e a descoberta de modelos que possam idealizar e com quem possam se identificar.
3) Certamente, a “homossocialização” (termo usado por Isay) não é e não pode ser o único caminho para os gays adolescentes, jovens ou adultos. O “gueto” nunca é a solução. Por isso mesmo tão importantes são amizades com pessoas simpatizantes, tolerantes, abertas. A minha observação e a própria experiência me levam a crer que, com frequência, as mulheres tornam se esses anjos, confidentes, oferecendo uma amizade sincera, leal e incondicional. É nelas que penso nesta meditação sobre os “Anjos de Belém”. Lá, diante do mistério a ser revelado, o anjo disse aos pastores: “Não tenham medo!” (cf. Lc 2, 10). A verdadeira amizade dá a mesma sensação: acalma, encoraja, acolhe e compreende. Igualmente merece o destaque a confiança oferecida pelos irmãos e irmãs (quando acontece). Fairchild e Hayward, no citado (aqui) livro “Agora que você já sabe” contam sobre a reação de dois irmãos mais velhos à notícia, transmitida pela mãe, sobre a homossexualidade do caçula Philip: “Philip, mamãe nos disse. E nós o amamos mais do que nunca. Você terá que nos dar algum tempo para entender isso, mas queremos que você saiba que nossos sentimentos por você não mudaram nem um pouco” (p. 242). Finalmente, não podia deixar de mencionar mais uma, muito preciosa, experiência de amizade. Sei que nem sempre acontece e que, para muitos, parece impossível. É a amizade com o “ex-companheiro”. Eu tenho esta experiência e posso dizer, sem exagero, que o Deley é o meu maior e melhor amigo, apesar de estar (ele!) vivendo atualmente um relacionamento com outro rapaz.
ORAÇÃO
Hoje louvo e agradeço a Deus pelos amigos – estes invisíveis (os anjos) e outros, não menos reais e autênticos anjos: os Amigos. Inspiro-me em alguns versículos do Salmo 90(91) e, depois, rezo um “Pai nosso” e uma “Ave Maria”.


Tu que habitas sob a proteção do Altíssimo,
que moras à sombra do Onipotente,
dize ao Senhor: Sois meu refúgio e minha cidadela,
meu Deus, em que eu confio.
É ele quem te livrará do laço do caçador,
e da peste perniciosa.
Ele te cobrirá com suas plumas,
sob suas asas encontrarás refúgio.
Sua fidelidade te será um escudo de proteção.
Tu não temerás os terrores noturnos,
nem a flecha que voa à luz do dia,
nem a peste que se propaga nas trevas,
nem o mal que grassa ao meio-dia.
Nenhum mal te atingirá,
nenhum flagelo chegará à tua tenda,
porque aos seus anjos ele mandou
que te guardem em todos os teus caminhos.
Eles te sustentarão em suas mãos,
para que não tropeces em alguma pedra.
Sobre serpente e víbora andarás,
calcarás aos pés o leão e o dragão.
Pois que se uniu a mim, eu o livrarei;
e o protegerei, pois conhece o meu nome.
Quando me invocar, eu o atenderei;
na tribulação estarei com ele.
Hei de livrá-lo e o cobrirei de glória.
Será favorecido de longos dias,
e mostrar-lhe-ei a minha salvação.

NOVENA DE NATAL (4° dia)

A MÃE
TEXTO BÍBLICO (Lc 2, 6-7a. 19)
Quando estavam ali, chegou o tempo do parto. Ela deu à luz o seu filho primogênito, envolveu-o em faixas e deitou-o numa manjedoura. (...) Maria, porém, guardava todas estas coisas, meditando-as no seu coração.
LEITURA/REFLEXÃO
1)
Existe um laço muito profundo entre mãe e filho (filha). Algo que se estabelece desde o início da gravidez e perdura por resto da vida. Ser mãe é um carisma que inclui uma misteriosa intuição dela em relação ao(s) filho(s). Por mais que ela, às vezes, não saiba viver ou expressar a sua maternidade, a essência está no amor singular e incomparável. É, justamente, por este amor que, de vez em quando, a mãe toma atitudes e decisões exageradas, erradas, confusas, mas – quem sabe – possamos compreendê-las (ou tolerar, desculpar) em nome deste mesmo amor. Lembro-me bem as minhas conversas com o Deley (na época quando namorávamos) sobre as nossas mães. Chegávamos à conclusão de que elas sabem de nós muito mais do que imaginamos. Talvez tenha sido um otimismo ingênuo da nossa parte, mas lá no fundo do coração tivemos aquela sonhada cena de “revelação” (da nossa identidade gay e/ou do nosso relacionamento), em que elas diziam: “Ah, já sabíamos disso o tempo todo, só estávamos esperando vocês acharem a hora certa para nos contar”. Se, de fato, ainda não aconteceu esta conversa (pelo menos no meu caso), deve ter sido pela falta de oportunidade (eu e a minha mãe moramos em lugares muito distantes) e, também, por falta de coragem da minha parte. Digo: lá no fundo do meu ser acredito de que a minha mãe sabe. E mais: sabe e aceita. Pois bem... conheço a minha mãe.
2) O livro de Betty Fairchild e Nancy Hayward “Agora que você já sabe. O que todo pai e toda mãe deveriam saber sobre a homossexualidade” (Editora Record; Rio de Janeiro, 1996) traz vários depoimentos, tanto de pais e mães, quanto dos filhos e filhas homossexuais, além de relatório sobre o trabalho dos grupos de pais de homossexuais e alguns outros assuntos. Neste quarto dia da novena, ao refletirmos a figura de Maria, transcrevo aqui o fragmento de depoimento de uma das mães (Charlotte Spitzer, de Los Angeles):
Quando a minha filha Robin tinha mais ou menos 21 anos de idade ela me contou que era lésbica. A notícia me atingiu como uma tijolada. Eu fiquei arrasada. Como é que eu pude fazer uma coisa dessas com a minha filhinha? O que foi que eu fiz de errado? Imediatamente comecei a me sentir responsável por seu homossexualismo. Minha reação me surpreendeu bastante, nunca pensei que reagiria de uma maneira tão drástica. (...) Na verdade, eu não havia escapado ao condicionamento preconceituoso da sociedade; eu simplesmente enterrei o preconceito dentro de mim, onde ficou dormindo pronto a vir à tona quando fui “atingida” emocionalmente. (...) Levou algum tempo para que eu reajustasse o meu modo de pensar, para ganhar novas perspectivas e finalmente para perguntar a mim mesma o que é que eu queria para o futuro da minha filha. Quando percebi que o que realmente queria era que ela encontrasse felicidade, amor e realização na vida, percebi que isso não tinha nada a ver com a sua orientação sexual. Foi então que percebi que por fim a havia aceito do jeito que ela era. (p. 71-72).
3) No site do Grupo de Pais de Homossexuais você encontra vários depoimentos comoventes (aqui) de mães e pais que aprendem a lidar com a homossexualidade de seus filhos. Não somente a lidar, mas a amá-los de coração. De fato, um trabalho como este, está trazendo paz e reconciliação a muitas famílias. Aliás, está salvando vidas! Parabéns para a Fundadora deste Grupo, Edith Modesto, um símbolo esplêndido e exemplo de todas as mães que acolhem com amor os seus filhos homossexuais.
ORAÇÃO
Hoje a oração é, em primeiro lugar, de louvor e ação de graças pelas mães, por seu amor. É o cântico de Maria, a Mãe de Jesus – o Magnificat (Lc 1, 46-55). Peçamos, também, por aquelas que ainda não encontraram as forças para aceitar a homossexualidade de seus filhos ou filhas. Pelas mães que não sabem, mas estão prestes a tomar conhecimento desta realidade. Que o Poderoso que faz maravilhas olhe à pequenez de suas servas. No final rezo um “Pai nosso” e uma “Ave Maria”.


A minha alma engrandece ao Senhor
e exulta meu espírito em Deus, meu Salvador;
porque olhou para humildade de sua serva,
doravante as gerações hão de chamar-me de bendita.
O Poderoso fez em mim maravilhas
e Santo é o seu nome!
Seu amor para sempre se estende
sobre aqueles que o temem;
manifestou o poder de seu braço,
dispersou os soberbos;
derrubou os poderosos de seus tronos
e elevou os humildes;
saciou de bens os famintos,
despediu os ricos sem nada.
Acolheu Israel, seu servidor,
fiel ao seu amor,
como havia prometido a nossos pais,
em favor de Abraão e de seus filhos, para sempre.
(Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre. Amém.)

16 de dezembro de 2010

NOVENA DE NATAL (3° dia)

A FIGURA PATERNA
TEXTO BÍBLICO (Mt 1, 20-21. 24)
“José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados”. (...) Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa.
LEITURA/REFLEXÃO
1)
A meditação do mistério da Encarnação do Verbo Eterno de Deus abre vários horizontes e leva-nos em mais diversas direções. É muito interessante como o Pai celeste inclui a figura paterna no seu plano, como se quisesse mostrar a importância de um pai na vida de cada ser humano. Há muito tempo percebi um fenômeno, confirmado em quase 100% de conversas com vários homossexuais. Sem insinuar a eventual causa da própria homossexualidade, notei que quase todos os gays têm alguma coisa negativa para contar sobre o seu pai. Seja um pai ausente ou um “durão”, sem a menor possibilidade de diálogo, seja um chefe de família que bebe ou vive traindo a esposa ou os filhos. De fato, existe uma enorme variedade de experiências tristes e dolorosas no campo de relacionamento pai-filho. Evidentemente isso não impede a existência de homossexuais com pais presentes e amorosos.
2) Richard A. Isay, norte-americano, formado em psiquiatria e psicanálise, ativista da Associação Nacional de Saúde de Gays e Lésbicas, é o autor do Livro “Tornar-se gay; O caminho da auto-aceitação” (Edições GLS; São Paulo, 1898). Em sua obra apresenta (entre vários outros assuntos) a ideia de um processo necessário para a “reconciliação consigo mesmo” ou para “tornar-se gay”:
Para tornar-se gay é preciso ser capaz de se autodenominar “homossexual” ou “gay”. Garotos homossexuais com pais amorosos, que aceitam seus desejos sexuais distintos e seu tipo diferente de masculinidade, costumam desenvolver uma auto-imagem forte e positiva. É provável também que consigam se assumir como “gays” antes e mais facilmente do que aqueles que sentiram necessidade de se adequar às expectativas sociais para serem amados. Meninos que foram rejeitados pelos pais por causa de sua condição homossexual, em geral, manifestarão, quando adultos, raiva e autopiedade, tornando-se, portanto, muito menos capazes de estabelecer relações adultas de amor mútuo do que aqueles que se sentiram aceitos e amados pelos pais. (p. 15)
Pais de meninos homossexuais, que podem não gostar que seus filhos sejam menos convencionalmente masculinos do que outros meninos ou que se sentem desconfortáveis pela conexão erótica de seus filhos com eles ou com outros homens, podem se retrair. Uma criança homossexual pode se afastar de seu pai por sentir-se mais à vontade com a mãe e ter mais afinidade com ela ou por sentir-se incomodada com seus sentimentos eróticos para com o seu pai ou outro homem de suas relações. A rejeição paterna, real ou percebida, em resposta ao desejo do filho por alguém do mesmo sexo, interesses diferentes, ou uma masculinidade não convencional são fatores determinantes para a baixa auto-estima de alguns meninos recém-entrados na adolescência. (p. 63-64)
3) Seja qual for a sua relação com o pai, proponho hoje, no contexto de nossa jornada espiritual, uma “revisão” desta relação. Talvez seja necessário trabalhar o processo de perdão. Queiramos ou não, temos este pai e não algum outro. Carregamos em nós uma grande herança paterna (genética, cultural, espiritual). São Paulo dá um conselho que pode ser aplicado aqui: “Examinai tudo e guardai o que for bom.” (1 Tes 5, 21). Outro exercício deste terceiro dia da novena pode ser a oração por cada homossexual rejeitado, agredido, desprezado, expulso de casa pelo próprio pai. Por aquele rapaz que ouviu o seu pai falar: “Prefiro um filho morto a um homossexual” (leia sobre isso uma excelente matéria – e tantas outras - de Isaac Azevedo dos Santos no portal “Gay1” – aqui). E precisamos orar muito por cada pai, especialmente pai de homossexual (homossexuais)! Peçamos que ele ouça, como José, a voz de Deus, dizendo: "Não temas acolher em casa e no coração este filho, porque antes de ser teu, ele é o meu filho amado".
4) ORAÇÃO
Os trechos do Salmo 26(27) podem inspirar uma oração espontânea de louvor, súplica e entrega. Conclusão: “Pai nosso” e “Ave Maria”

[1] O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei?
O Senhor é o protetor de minha vida, de quem terei medo?
[4] Uma só coisa peço ao Senhor e a peço incessantemente:
é habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida,
para admirar aí a beleza do Senhor e contemplar o seu santuário.
[5] Assim, no dia mau ele me esconderá na sua tenda,
ocultar-me-á no recôndito de seu tabernáculo,
sobre um rochedo me erguerá.
[7] Escutai, Senhor, a voz de minha oração,
tende piedade de mim e ouvi-me.
[8] Fala-vos meu coração, minha face vos busca;
a vossa face, ó Senhor, eu a procuro.
[9] Não escondais de mim vosso semblante,
não afasteis com ira o vosso servo.
Vós sois o meu amparo, não me rejeiteis.
Nem me abandoneis, ó Deus, meu Salvador.
[10] Se meu pai e minha mãe me abandonarem,
o Senhor me acolherá.
[11] Ensinai-me, Senhor, vosso caminho;
por causa dos adversários, guiai-me pela senda reta.

NOVENA DE NATAL (2° dia)

OS SEGREDOS DA GESTAÇÃO
TEXTO BÍBLICO (Lc 2, 3-5)
Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade. Também José, que era da família e da descendência de Davi, subiu da cidade de Nazaré, na Galiléia, à cidade de Davi, chamada Belém, na Judéia, para registrar-se com Maria, sua esposa, que estava grávida.
LEITURA/REFLEXÃO
1)
Continuamos a nossa leitura do texto de São Lucas. O tema para o segundo dia deste ciclo de reflexões pré-natalinas surge no final do versículo 5. Para entender melhor podemos citar ainda a expressão usada pelo evangelista Mateus (Mt 1, 18): “ela encontrou-se grávida pela ação do Espírito Santo.” Não quero, neste momento, entrar em detalhes teológicos. O que me vem na mente é contribuir numa reflexão sobre as causas ou origens da homossexualidade. Entre várias teorias e pesquisas existe uma linha de pensamento que aponta, exatamente, a gestação como o período de formação ou definição de sexualidade humana. Sem dúvida, a gestação é um tempo delicado, importante e misterioso. Há um tempo, existe e se desenvolve a psicoembriologia ou psicologia pré-natal que (resumindo) estuda o comportamento e desenvolvimento evolutivo e psico-afetivo-emocional do indivíduo antes do nascimento. Uma das conclusões fundamentais desse estudo afirma que vários fatores (p. ex. a falta de afeto) no desenvolvimento psicológico ocasiona alterações na estrutura emocional do bebê, influenciando a sua personalidade pós-natal, conduta e comportamento.
2) O Padre Alírio Pedrini, pregador e escritor, conhecido principalmente no meio da Renovação Carismática Católica, dedica a este assunto uma parte de seu livro “Jovens em renovação; espiritualidade, afetividade, sexualidade” (Edições Loyola, São Paulo, 1993). Vou deixar de lado algumas expressões típicas do autor sobre a “cura do homossexualismo” e passo diretamente ao que interessa:
A rejeição do sexo da criança em formação no seio da mãe, por parte dos pais ou de um deles, principalmente quando houve manifestações e declarações abertas, fortes e repetidas por muitas vezes, pode ser a causa de homossexualismo (...). Um menino está sendo gerado. Os pais, porém, desejam muito, esperam e falam abertamente que querem uma menina. Esta criança capta a linguagem, os desejos e as manifestações dos pais. Ela sabe que não é do sexo que eles querem. Sabe que, se fosse do sexo desejado, seria muito mais acolhida, festejada, bem-vinda e querida. Esta constatação a choca profundamente e a traumatiza. Seu inconsciente passa a desejar ser do sexo esperado pelos pais (...). O profundo desejo de ser do sexo esperado pelos pais se aninha no impulso inconsciente de sexualidade da criança. Quando ela nasce e cresce, aquele desejo de ser do sexo esperado, vai agir sobre a sua sexualidade.” (p. 119)
3) Estas teorias e descobertas parecem levar diretamente a uma atitude de culpar os pais, de odiá-los ou desprezar como “causadores da nossa infelicidade”. Não é este o meu objetivo! Pelo contrário, talvez a reflexão sirva, para quem precisar, como o alívio. A teoria em questão, como várias outras, reforça a convicção de que a homossexualidade não é, de maneira alguma, a “opção”, a “escolha” de quem quer que seja. Citado ontem Pe. James L. Empereur (autor do livro “Direção espiritual e homossexualidade”) diz: Rejeito a posição segundo a qual optamos por ser homossexuais, como se o escolhêssemos da mesma forma que escolhemos o lugar onde vamos passar as férias. Quanto aos pais, quem sabe se o conhecimento deste ponto de vista não ajude num diálogo mais aberto, com simplicidade, carinho e... humildade.
ORAÇÃO
Continuo a oração de louvor, desta vez com um trecho do Salmo 15 (16), depois rezo um “Pai nosso” e uma “Ave Maria”.

Bendigo o Senhor porque me deu conselho,
porque mesmo de noite o coração me exorta.
Ponho sempre o Senhor diante dos olhos,
pois Ele está à minha direita; não vacilarei.
Por isso meu coração se alegra e minha alma exulta,
até meu corpo descansará seguro,
porque Vós não abandonareis minha alma
na habitação dos mortos,
nem permitireis que vosso Santo conheça a corrupção.
Vós me ensinareis o caminho da vida,
há abundância de alegria junto de Vós,
e delícias eternas à Vossa direita.

NOVENA DE NATAL (1° dia)

O CONTEXTO HISTÓRICO
TEXTO BÍBLICO (Lc 2, 1-3)
Naqueles dias, saiu um decreto do imperador Augusto mandando fazer o recenseamento de toda a terra - o primeiro recenseamento, feito quando Quirino era governador da Síria. Todos iam registrar-se, cada um na sua cidade.
LEITURA/REFLEXÃO
1.
Otávio Augusto torna-se o primeiro imperador de Roma e o artífice de uma era de progresso intenso, com a proliferação de templos e monumentos importantes, a paz se disseminando por todo o Império, até a mais remota província. Artistas e empreendedores se multiplicam pela cidade dos Imperadores, as leis são renovadas e a educação conhece avanços anteriormente desconhecidos. Nesse período despontam mentes brilhantes e criativas, como Virgílio, Horácio, Ovídio, Tito Lívio, Mecenas, entre outros. Em outras regiões do mundo, também estavam acontecendo coisas (como as peripécias da dinastia Han na China, a prosperidade da Índia, considerada a maior economia mundial da época, o colapso da civilização fenícia, etc.). Numa pequena cidade de Belém, na Palestina, nasce um Menino...
2. Deus eterno, o Senhor do universo, escolheu exatamente este contexto histórico-geográfico para enviar ao mundo o seu Filho Unigênito, o Salvador da humanidade. Cristo entrou na história. São Paulo fala que tinha chegado a “plenitude dos tempos” (cf. Gal 4, 4). Não cabe a nós perguntar ou tentar entender o porquê desta escolha. Algo assim aconteceu, também com a o início da nossa própria existência. Vivemos, estamos aqui, porque Ele assim quis. Por que aqui? Por que agora? E, finalmente, por que deste jeito? Espero que, um dia, Deus vai responder a todas as nossas perguntas. Por enquanto buscamos uma intuição, ou melhor, uma FÉ.
3. No livro “Vidas em arco-íris”, Edith Modesto (entre outros méritos, a fundadora do Grupo de Pais de Homossexuais – confira aqui), ao entrevistar vários homens e mulheres homossexuais, faz uma pergunta interessante: “Deus criou você homossexual?”. A maioria dos entrevistados repudiou essa possibilidade: (Roberto): “Se Deus quis que eu fosse gay? Sem comentários. Essa frase é ridícula”. (Marcos): “Não, eu acho que Ele... Eu não penso muito nisso [risos], não consigo. Acho que Ele é superior a essas pequenas coisas”. Entretanto, um pequeno grupo de entrevistados respondeu “sim”, por exemplo: (Ricardo): “Criou. Ele, Deus, quis me criar gay porque Ele sabia que eu tinha um papel importante no mundo pra fazer... Ele me colocou aqui para fazer alguma coisa...”. (Beto): “Na verdade, até penso... Eu sou muito religioso e no Livro do Gênesis fala que Deus nos criou à sua imagem e semelhança, então eu fui criado assim por Deus.” [Então, há uma parte gay em Deus?] “Sem dúvida, como há uma parte mulher, como há uma parte negra, como há uma parte oriental, como... Na verdade é uma reflexão das multifacetas de Deus.” (p. 98).
4. A intuição de Ricardo e Beto confirma, em seu livro “Direção espiritual e homossexualidade”, o padre jesuíta James L. Empereur: A homossexualidade é um dos dons mais significativos de Deus para a humanidade. Ser gay ou lésbica é ter recebido uma bênção especial de Deus. Todos os humanos recebem suas graças especiais do Criador, mas Ele escolheu que alguns fossem gays e lésbicas como uma maneira de revelar algo a respeito de Sua identidade que os heterossexuais não revelam.
ORAÇÃO
Concluo a minha leitura/reflexão do primeiro dia da Novena de Natal com uma oração de agradecimento pela minha existência: aqui, agora e... da maneira como Deus quis. Podem me ajudar alguns trechos do Salmo 138 [139]. Acrescento um “Pai nosso” e uma "Ave Maria".
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Senhor, vós me perscrutais e me conheceis,
sabeis tudo de mim, quando me sento ou me levanto.
De longe penetrais meus pensamentos.
Vós me cercais por trás e pela frente,
e estendeis sobre mim a vossa mão.
Conhecimento assim maravilhoso me ultrapassa,
ele é tão sublime que não posso atingi-lo.
Fostes vós que plasmastes as entranhas de meu corpo,
vós me tecestes no seio de minha mãe.
Sede bendito por me haverdes feito
de modo tão maravilhoso.
Pelas vossas obras tão extraordinárias,
conheceis até o fundo a minha alma.
Nada de minha substância vos é oculto,
quando fui formado ocultamente,
quando fui tecido nas entranhas subterrâneas.
Cada uma de minhas ações vossos olhos viram,
e todas elas foram escritas em vosso livro;
cada dia de minha vida foi prefixado,
desde antes que um só deles existisse.
Ó Deus, como são insondáveis para mim vossos desígnios!
E quão imenso é o número deles!

15 de dezembro de 2010

NOVENA DE NATAL (introdução)


No próximo dia 17 o Advento entra em sua segunda fase: a preparação imediata à Solenidade de Nascimento de Jesus Cristo. Este período, de 17 a 25 de dezembro, dura exatamente 9 dias, o que nos lembra uma antiga e consagrada tradição de novena. A primeira novena foi realizada, por ordem do próprio Cristo, nos dias entre a sua Ascensão e o Pentecostes. Os Apóstolos com Maria, a Mãe de Jesus e com um grupo de discípulos dele, permaneceram no Cenáculo, em oração, aguardando o derramamento do Espírito Santo. Mais tarde, tanto na liturgia, quanto em diversas devoções populares, desenvolveu-se o costume de promover novenas como forma de preparação espiritual para alguma festa importante. Apesar da existência de alguns abusos e mal-entendidos (como o atribuir à novena um poder quase mágico), esta forma de aprofundamento espiritual continua trazendo bons frutos. Resolvi, portanto, propor aos (eventuais) Leitores, uma "Novena de Natal", situada no contexto de um "gay-católico". Para terminar a novena um dia antes da Festa, vamos começar no dia 16. Orar e meditar nunca é demais. As reflexões têm como base a Sagrada Escritura, alguns documentos da Igreja e os textos extraídos de livros e atrigos encontrados por aí (sempre citando a fonte). A inspiração, o fio condutor, o pensamento principal, encontrei na primeira Encíclica do Papa João Paulo II, de 1979, "Redemptor hominis" (n°13):
Pela sua Encarnação, Ele, o Filho de Deus, se uniu de certo modo a cada homem. A Igreja reconhece, portanto, como sua tarefa fundamental fazer com que uma tal união se possa atuar e renovar continuamente. A Igreja deseja servir esta única finalidade: que cada homem possa encontrar Cristo, a fim de que Cristo possa percorrer juntamente com cada homem o caminho da vida, com a potência daquela verdade sobre o homem e sobre o mundo, contida no mistério da Encarnação e da Redenção, e com a potência do amor que de tal verdade irradia. (...) Aqui, portanto, trata-se do homem em toda a sua verdade, com a sua plena dimensão. Não se trata do homem "abstrato", mas sim real: do homem "concreto", "histórico". Trata-se de "cada" homem, porque todos e cada um foram compreendidos no mistério da Redenção, e com todos e cada um Cristo se uniu, para sempre, através deste mistério.

14 de dezembro de 2010

os perseguidos


O portal da Agência Zenit (aqui) traz hoje a informação sobre as perseguições sofridas pelos cristãos (especialmente católicos) na Europa. A fonte destas estatísticas é o Observatório sobre a Intolerância e a Discriminação dos Cristãos na Europa. Proponho a leitura de algumas frases desta notícia:
> "A intolerância e a discriminação dos cristãos inclui a negação de direitos dos cristãos em áreas como a liberdade de expressão e a liberdade de consciência".
> "A liberdade religiosa está em perigo especialmente no que diz respeito a sua dimensão pública e institucional".
> "Também recebemos muitas informações sobre a eliminação de símbolos cristãos, a tergiversação e o estereotipo negativo dos cristãos nos meios de comunicação, e desvantagens sociais para os cristãos, como ser ridicularizados ou ignorados para a promoção em seus postos de trabalho".
> "Nós trabalhamos para aumentar a consciência sobre um problema crescente na Europa como um primeiro passo para uma solução. Nosso objetivo é a igualdade de direitos para todos, incluídos os cristãos".
> "A comunidade política tem o dever de abordar o fenômeno de intolerância e discriminação contra os cristãos como um apelo à igualdade de direitos e liberdades de todos".
> "Para enfrentar esses problemas, o Observatório indica que os governos reconheçam e condenem a violência e assegurem o direito dos cristãos de participar plenamente da vida pública".
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Agora podemos fazer um pequeno exercício: Leia novamente estas frases e substitua a palavra cristãos pela palavra homossexuais. As coisas ficam mais claras. Vamos protestar juntos?