ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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1 de dezembro de 2010

O mundo colorido (2)


A BANDEIRA DO ARCO-ÍRIS
(um resumo de sua história)

A primeira bandeira do arco-íris foi desenhada por em 1978 por Gilbert Baker, um artista de São Francisco que criou a bandeira em resposta ao pedido de um ativista local, da necessidade de um símbolo da comunidade (antes do triângulo cor de rosa ser usado popularmente como símbolo do orgulho gay). Usando a bandeira de corrida (de cinco listras) como inspiração, Baker desenhou uma bandeira com oito cores: rosa, vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, índigo (anil), e violeta (roxo). As cores representavam respectivamente: sexualidade, vida, cura, sol, natureza, arte, harmonia e espirito. Baker tingiu e costurou o material da primeira bandeira sozinho, mas logo contatou a empresa de bandeiras de São Francisco, Paramount, para a confecção e venda em massa de sua "bandeira gay". Infelizmente, Baker tingiu artesanalmente todas as cores e a cor "rosa choque" não era disponibilizada comercialmente, a produção em massa de sua bandeira de oito cores tornava-se impossível. A bandeira era, portanto, reduzida a sete listras. Em novembro de 1978, a comunidade gay de São Francisco ficou estarrecida quando o supervisor gay, Harvey Milk, foi assassinado. Querendo demonstrar a força e solidariedade da comunidade gay, sucedendo esta tragédia, o Comitê da Parada do Orgulho Gay de 1979 decidiu usar a bandeira de Baker. O comitê eliminou a listra índigo para que fosse possível dividir a bandeira em partes iguais ao longo do percurso da parada - três cores em um lado da rua e três do outro. Logo as seis cores foram incorporadas em uma versão de seis listras que tornou-se popular e reconhecida pela Conferencia Internacional de Confeccionadores de Bandeiras. Com o passar do tempo começaram a surgir, também, as versões modificadas como, por exemplo, a bandeira com a barra de cor preta, para simbolizar os homossexuais mortos, vítimas da AIDS (sem esquecer das vítimas de perseguições!!!) ou trazendo uma tonalidade acastanhada (marrom), para identificar os gays "ursos".
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Temos hoje, portanto, pelo menos três versões principais da bandeira do arco-íris. E como o próprio arco-íris, enquanto fenômeno da natureza (repetido em laboratórios por meio do prisma), tem as próprias variações - essas diferenças não ofuscam a principal mensagem: o arco-íris representa a diversidade e, no sentido bíblico, é um sinal da aliança de Deus com a humanidade.

30 de novembro de 2010

o mundo colorido (1)

Com a chegada do Advento veio o convite para reflexão mais demorada, detalhada, profunda. Eu sei que o conceito de um blog não permite as postagens longas e exageradas, mas peço um pouco de paciência. Percebi que o "vício" de textos muito curtos pode levar (o que tem acontecido na mídia em geral) a uma banalização. A vida banalizada torna-se cruel, fria e vazia. Quem quiser, então, reflita comigo...
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Entre os mais diversos elementos de simbologia cristã (assim, como em todo tipo de cultura), AS CORES ocupam um lugar de destaque. A sua origem está na natureza e a sua expressão privilegiada na liturgia. A distribuição de significados vem de uma mistura de costumes, intuições, experiências místicas e artísticas. A Igreja, ao recolher uma herança milenar de jornada espiritual do Povo de Deus, definiu as regras, também neste aspecto. Temos, portanto, as quatro cores principais (branco, verde, vermelho e roxo) e mais algumas, digamos, adicionais (róseo, azul, preto, dourado e prateado).


BRANCO - é usado na liturgia do Tempo Pascal e do Natal do Senhor, bem como nas suas festas e memórias, exceto as da Paixão; nas festas e memórias da Santíssima Virgem Maria, dos Santos Anjos, dos Santos não Mártires. É símbolo da luz, da inocência e da pureza, de alegria e da glória.
VERDE - usado no Tempo Comum. Lembrando a cor das plantas e árvores, simboliza a vida, e o crescimento, prenunciando a esperança da vida eterna.
VERMELHO - usado no Domingo de ramos e na Sexta-feira Santa; no domingo de Pentecostes, nas celebrações da Paixão do Senhor, nas festas dos Apóstolos e Mártires. Simboliza as línguas de fogo em Pentecostes e o sangue derramado por Cristo e pelos mártires, além de indicar a caridade inflamante.
ROXO - usado no tempo do Advento e da Quaresma, nos Ofícios e Missas pelos mortos e no Sacrameno de Reconciliação (Confissão). Significa penitência, conversão, luto e saudade.
RÓSEO - usado apenas duas vezes ao longo de todo o ano litúrgico: no 3° Domingo do Advento e no 4° Domingo da Quaresma. Significa a proximidade (ou a esperança e a alegria antecipada) da[s] Festa[s] que se aproxima[m].
AZUL - usado (em algumas regiões) nas solenidades e festas de Nossa Senhora. Simboliza a Santíssima Virgem Maria e o céu.
PRETO - pode ser usado, onde for o costume, nas Missas pelos mortos. Simboliza o luto, a tristeza da morte e a escuridão do sepulcro. Na prática, o uso desta cor foi abolida pela maioria dos padres.
DOURADO e PRATEADO - usados nos dias festivos, podem substituir qualquer outra cor (menos o preto). Na prática, com maior frequencia, substituem a cor branca.
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Na próxima postagem vamos ver algumas semelhanças/analogias ao refletirmos as cores da BANDEIRA ARCO-ÌRIS...

28 de novembro de 2010

O que espero? (1)


Começou o tempo do Advento. Além de preparação para o Natal, é o tempo de uma reflexão/oração mais atenta, talvez mais demorada, profunda. O Papa Bento XVI, durante a tradicional oração do ANGELUS, deixou hoje uma pergunta "no ar". Nestas próximas semanas vou tentar responder ao Papa e a mim mesmo. Quem sabe, também aqui, por escrito. Transcrevo algumas partes deste texto do portal da Agência Zenit (já que o site do Vaticano ainda está apenas com a versão em italiano).

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"A espera, o aguardar, é uma dimensão que atravessa toda a nossa existência pessoal, familiar e social. A espera é presente em milhares de situações, das menores e mais banais às mais importantes, que nos comprometem totalmente e no profundo".

Bento XVI citou exemplos de momentos marcantes nesse sentido, como a espera dos pais pelo filho, a espera de um jovem pelo êxito em um exame decisivo ou em uma entrevista de trabalho; nas relações afetivas, a espera do encontro com a pessoa amada, da resposta a uma carta, ou da acolhida de um pedido de perdão.

Segundo o Papa, “pode-se dizer que o homem está vivo enquanto espera, enquanto em seu coração é viva a esperança. E por sua esperança o homem se reconhece: a nossa ‘estatura’ moral e espiritual se pode medir por aquilo que esperamos, por aquilo em que temos esperança”.

Neste tempo que prepara o Natal, o Papa convidou cada pessoa a se perguntar aquilo que espera. “O que, neste momento de minha vida, clama em meu coração?”.

26 de novembro de 2010

pelo menos falam

Prometi ontem não tocar mais no assunto do livro-entrevista ("Luz do mundo", Seewald&Bento XVI), até conseguir ter, ler, analisar e compreender a própria obra. Senti um tanto o "puxão de orelha" de Peter Seewald, dirigido em primeiro lugar aos jornalistas, mas também a todos que comentam e criticam o livro, sem tê-lo conhecido por inteiro, mas baseando-se apenas em alguns trechos "descontextualizados". Ele tem toda razão. Entretanto, toda essa "tempestade num copo d'água", tem o seu lado bom. As mais diversas autoridades (além daqueles sem autoridade alguma!), começaram a falar mais sobre a sexualidade. Até que enfim. Não digo que a Igreja tenha se omitido nesta questão. Existem inúmeros documentos doutrinais, o Catecismo, os discursos do Papa, etc. Basta entrar no site do Vaticano ou em qualquer livraria católica. O problema é que diante de um cidadão (digamos) "simples", surgem vários obstáculos pelo caminho (supondo já que ele queira seguir o caminho de reflexão): o próprio acesso aos arquivos em questão (o portal do Vaticano e, principalmente, o seu sistema de busca, não é uma coisa tão simples assim); a linguagem filosófico-teologica e o tamanho dos textos... Enfim, para muitos, a leitura (além das manchetes de jornais), não faz parte de rotina diária. Por isso, o surgimento de artigos, comentários, entrevistas (provocado, exatamente, pela confusão jornalística dos últimos dias), permite-nos ouvir mais e de maneira mais simples. Trago hoje algumas palavras de D. Filippo Santoro (bispo de Petrópolis - RJ) que comenta as reações do mundo ao lançamento daquele livro. A fonte e o artigo na íntegra: aqui. Grifes no texto são meus. Ah, quero lembrar o contexto e o propósito deste blog: eu leio, reflito e interpreto tudo do ponto de vista de um HOMOSSEXUAL.
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O objetivo da entrevista do Papa é superar uma visão puramente mecânica da sexualidade e abrir a uma visão mais humana, que comporta a doação à vida do outro e não apenas uma droga para uma satisfação narcisista de si. Trata-se de ampliar a afetividade e não de frustrá-la ou reduzi-la. “É por isso que o combate contra a banalização da sexualidade também faz parte da luta para que ela seja valorizada positivamente e o seu efeito positivo se possa desenvolver sobre o ser humano na sua totalidade”. Assim o Papa se coloca na perspectiva da valorização da sexualidade humana como expressão de amor, responsabilidade e dom de si e não como redução do outro a objeto. Isso aprofunda e não reforma o ensinamento moral da Igreja. Quando a prática sexual representa um efetivo risco para a vida do outro, e somente neste caso excepcional, o uso do preservativo, reduzindo o risco do contagio, é um primeiro ato de responsabilidade, um primeiro passo para uma sexualidade mais humana. (...) Não estamos diante de nenhuma revolução na visão da moral cristã, mas sim diante de um aprofundamento do valor da sexualidade e do valor pleno da vida, que nasce do respeito da dignidade humana. O horizonte do Papa é muito maior que a pura questão do preservativo. (...) O centro da mensagem do Papa nesta entrevista é uma proposta de esperança para a humanidade, que tem um horizonte grande e quer oferecer uma luz para o presente e o destino das pessoas.

24 de novembro de 2010

Livro-entrevista com Bento XVI (4)

Esta é quarta e, por enquanto, última (prometo!) reflexão sobre o livro-entrevista "Luz do mundo", comentado aqui e em quase todos os meios de comunicação nos últimos dias. Concordo com o Peter Seewald, o autor (junto com o Papa), que estamos diante de um delírio jornalístico que, de fato, revela a fragilidade doentia de muitos representantes desta profissão. Eu não sou jornalista, mas o blog não deixa de ser um meio de comunicação. Decidi parar por aqui, até ter em mãos o dito (e bendito) livro. O que posso dizer, exatamente graças à divulgação mundial feita de tantas maneiras, é que o livro promete. Mal posso esperar. Quero crer que os tradutores (de alemão para português) estejam (ou tenham sido) bastante atentos para não cometer erros e falhas, como aconteceu com a versão em italiano (justamente na parte que fala de preservativos). Enfim, transcrevo aqui algumas palavras de Peter Seewald e me proponho a naõ esquecer delas na elaboração de conteúdo deste blog. O atrigo que traz as afirmações do jornalista e escritor alemão encontrei no portal da Agência Zenit (aqui).
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O autor do livro "Luz do mundo", Peter Seewald, está visivelmente decepcionado pelo fato de que a recepção do livro tenha se reduzido a artigos sobre o preservativo, quando ele pretende falar do "futuro do planeta", como indica no subtítulo: "O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos". (...)
Durante a apresentação no Vaticano, o jornalista e escritor bávaro respondeu às perguntas dos jornalistas, em alemão, e deplorou diante deles a "crise do jornalismo", como demonstra a acolhida oferecida à sua obra. (...)
"Nosso livro - afirma - evoca a sobrevivência do planeta que está ameaçado, o Papa lança um apelo à humanidade, nosso mundo está no transe do colapso e a metade dos jornalistas só se interessa pela questão do preservativo."
Seewald insiste em que o Papa busca "a humanização da sexualidade" e apresenta a questão de fundo: "A sexualidade tem algo a ver com o amor?". Trata-se da "responsabilidade da sexualidade".
Para o escritor, o excesso de concentração no tema do preservativo é "ridículo", enquanto se esquece da questão de transformar o mundo, que é a proposta do Papa, pois "não podemos continuar assim", como insiste o livro.

23 de novembro de 2010

Livro-entrevista com Bento XVI (3)

O portal Agência Ecclesia informa que a versão portuguesa do livro “Luz do mundo. O Papa, a Igreja e os sinais dos tempos” (entrevista de jornalista e escritor alemão Peter Seewald com o Papa Bento XVI) deve ser lançada no Portugal no final de novembro. Quem sabe, chegue ao Brasil antes de Natal. Enquanto isso não acontece, continuo a leitura de frases e trechos um pouco maiores, mesmo correndo risco de algum equívoco, por não conhecer o contexto mais amplo. Hoje trago aqui algumas expressões citadas pela Agência Ecclesia (aqui). Neste blog, esta é a terceira vez em que falo sobre o assunto. Se quiser, leia as duas postagens imediatamente anteriores. Na citação em seguida, o destaque no texto é meu...
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Bento XVI considera que a Igreja tem de exprimir de um “modo novo” a positividade do corpo e da sexualidade, mas alerta que as sondagens não são “o critério do verdadeiro e do justo”. Sobre a chamada moral sexual, o Papa reafirma o caráter “profético” da encíclica «Humanae Vitae», de Paulo VI, sobre a regulação da natalidade (1968). Apesar de reconhecer que as perspectivas deste documento “continuam válidas”, Bento XVI não esconde a dificuldade de “encontrar estradas humanamente percorríveis”, admitindo que neste campo “muitas coisas devem ser repensadas e expressas de um modo novo”.

22 de novembro de 2010

Livro-entrevista com Bento XVI (2)

Amanhã será lançado o livro “Luz do mundo”, que recolhe conversas de Bento XVI com o jornalista alemão Peter Seewald. Os meios de comunicação, no mundo inteiro, comentam isso, transmitindo muitas vezes opiniões fora do contexto. Como escrevi ontem (leia), é preciso esperar um pouco, ler o texto inteiro e depois, de fato, fazer os comentários adequados. Como o tema de preservativo ocupa a maior parte dos comentários sensacionalistas, trago aqui o trecho do livro sobre este assunto. A Agência Zenit (aqui) cita alguns fragmentos um pouco maiores (e não apenas frases tiradas - ou privadas - do contexto).

Concentrar-se só no preservativo quer dizer banalizar a sexualidade e esta banalização representa precisamente o motivo pelo qual muitas pessoas já não veem na sexualidade a expressão de seu amor, mas só uma espécie de droga, que se fornecem por sua conta. Por este motivo, também a luta contra a banalização da sexualidade forma parte do grande esforço para que a sexualidade seja valorizada positivamente e possa exercer seu efeito positivo no ser humano em sua totalidade. Pode haver casos justificados singulares, por exemplo, quando um prostituto utiliza um preservativo, e este pode ser o primeiro passo para uma moralização, um primeiro ato de responsabilidade para desenvolver de novo a consciência sobre o fato de que nem tudo está permitido e de que não se pode fazer tudo o que se quer. No entanto, este não é o verdadeiro modo para vencer a infecção do HIV. É verdadeiramente necessária uma humanização da sexualidade.