ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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12 de novembro de 2010

Bento XVI sobre Zaqueu

No último dia 31 de outubro, durante a tradicional oração do "Angelus", o Papa Bento VXI comentou, em breves palavras, o Evangelho daquele domingo (Lc 19, 1-10). "Jesus entrou em Jericó (...). Havia aí um homem muito rico chamado Zaqueu (...). Ele procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia por causa da multidão, porque era de baixa estatura. Ele correu adiante, subiu a um sicômoro para o ver, quando ele passasse ali. Chegando Jesus àquele lugar e levantando os olhos, viu-o e disse-lhe 'Zaqueu, desce depressa, porque é preciso que eu fique hoje em tua casa'. Ele desceu a toda a pressa e recebeu-o alegremente. Vendo isso, todos murmuravam (...)".

Bento XVI, entre outras coisas (o texto completo está aqui), disse:

"Deus não exclui ninguém, nem pobres nem ricos. Deus não se deixa condicionar pelos nossos preconceitos humanos, mas vê em cada um de nós uma alma para salvar e é atraído especialmente por aquelas que são julgadas perdidas e se consideram elas mesmas tais. (...) Queridos amigos, Zaqueu acolheu Jesus e converteu-se porque Jesus o acolheu antes! Não o condenou, mas foi ao encontro do seu desejo de salvação. Peçamos à Virgem Maria, modelo perfeito de comunhão com Jesus, para que também nós possamos experimentar a alegria de ser visitados pelo Filho de Deus, de ser renovados pelo seu amor, e transmitir aos outros a sua misericórdia."

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Fotografia: http://www.flickr.com/photos/justinbess/2529902178/

11 de novembro de 2010

Anselm Grün - "Lutar e amar" (3)

Mais um trecho do livro de Anselm Grüm sobre masculinidade à luz da Bíblia. Outros fragmentos e alguns comentários encontram-se aqui (1) e aqui (2).


Davi não era somente amante, mas também amigo. A amizade com Jônatas (alguns tradutores preferem "Jonatan"), o filho de Saul, seu pior inimigo, é descrita na Bíblia com palavras comoventes. Homens homossexuais vêem nessa amizade entre os dois guerreiros um modelo do que eles sentem um pelo outro. Isso não significa que Davi ou Jônatas fossem homossexuais. A Bíblia não diz nada a esse respeito. Mas os sentimentos que ambos percebiam em si tinham ao menos uma nuance homossexual. Não um companheirismo entre dois guerreiros, mas uma amizade profunda e emocional. Portanto, como rei, Davi é tudo: guerreiro, amante, amigo, poeta e cantor. (...) Davi é festejado como um herói, o que causa ciúmes em Saul. Então, ele procura matá-lo. Davi trava amizade com Jônatas, filho de Saul. “Jônatas se apegou a Davi e começou a amá-lo tanto quanto a si” (1Sm 18, 1). Ele fica do lado de seu amigo quando seu pai o ameaça. Davi está fugindo de Saul. Por duas vezes, Davi poderia ter matado Saul; ele, porém, sempre poupa seu inimigo. Por fim, Saul e Jônatas caem na batalha contra os filisteus. Davi entoa um comovente canto fúnebre. Ele lamente a morte de seu inimigo Saul: “Filhas de Israel, chorai sobre Saul, que vos cobria de púrpura e de enfeites e com jóias de ouro ornava vossas vestidos” (2Sm 1, 24). Davi encontra palavras maravilhosas para sua amizade com Jônatas: “Quanta pena sinto por ti, Jônatas, meu irmão! Eu te amava tanto! Tua amizade era para mim maravilhosa, mais bela que o amor das mulheres” (2Sm 1, 26). Davi não é o guerreiro duro. Ele luta pela vida, é capaz de amizade. Sua amizade com Jônatas mostra quanto sentimento e quanto amor há nele. Seu amor não se dirige somente às suas duas mulheres Abigail e Aquinoam, e à sua amante, Betsabéia, mas também ao homem Jônatas. Sua amizade para com ele poderia ser vista como um modelo para uma relação masculina. Homossexuais sentem-se profundamente comovidos com a canção da amizade que Davi canta por Jônatas, mas homens e mulheres heterossexuais também compreendem-na.

(Anselm Grün; “Lutar e amar; Como os homens encontram a si mesmos”, p. 79 e 80-81; Edições Loyola, São Paulo 2006).

8 de novembro de 2010

Anselm Grün - "Lutar e amar" (2)

Continuo a (re)leitura do livro de Anselm Grün "Lutar e amar - Como os homens encontram a si mesmos" (veja a primeira reflexão). Digo logo: não é um livro sobre a homossexualidade, mas sobre a masculinidade. O autor, entretanto, não foge de assuntos delicados e polêmicos. É honesto e corajoso. Fala, por exemplo, sobre a afetividade do homem. Voltada, inclusive, ao outro homem.

O discípulo preferido (João) tem um papel importante na Paixão e na Ressurreição de Jesus. Na última Ceia está escrito a seu respeito: “Um dos discípulos, aquele que Jesus amava, achava-se ao lado dele”. (Jo 13, 23). Jesus havia dito que alguém o trairia. Isso deixa seus discípulos desorientados. Por isso Pedro acena ao discípulo preferido: “’Pergunta de quem fala’; o discípulo então se inclinou sobre o peito de Jesus e lhe disse: ‘Senhor, quem é?’” (Jo 13, 24-25). Essa cena chamada “o amor de João”, inspirou muitos artistas medievais. João é representado quando repousa a cabeça no peito de Jesus, ou quando deita sua cabeça no colo de Jesus. É uma imagem de um profundo amor entre os dois, uma imagem de íntima amizade entre dois homens. Um deles repousa no outro. Muitas vezes Jesus colocou sua mão ternamente sobre a cabeça de João. Para homens, sempre é difícil mostrar seus sentimentos. A imagem do “amor de João” encorajou muitos a expressar seus sentimentos de amizade e a defendê-los. Na Idade Média, o “amor de João” foi um tema de mística. Hoje, essas imagens podem encorajar os homens a aceitar com gratidão seu amor por outro homem e a experimentá-lo como um lugar em que o amor de Deus os toca.

(Anselm Grün; “Lutar e amar; Como os homens encontram a si mesmos”, p. 148-149; Edições Loyola, São Paulo 2006)

7 de novembro de 2010

O caminho é este???

De acordo com algumas agências de notícias "Ao menos cem ativistas gays e lésbicas se beijaram na passagem do papamóvel de Bento XVI pela praça da Catedral de Barcelona, quando o religioso seguia para o templo da Sagrada Família neste domingo na visita à Espanha." (G1, Brasil - é da Rede Globo - não confunda com Gay1). Há uns dias, encontrei na internet, as informações sobre os preparativos para este "ato público". Destaco:
>> Cerca de 500 casais gays planejam beijar-se em frente à catedral de Barcelona, na Espanha, durante a visita do papa Bento 16 ao país no próximo domingo.
>> A manifestação, que segue o modelo flashmob (ação coletiva que dura pouco e se dispersa rapidamente) foi organizada por meio de um
blog e uma página no site Facebook que defendem os direitos dos homossexuais.
>> Segundo Joan Pérez, um dos organizadores, o evento não é especificamente contra o papa. “O beijo coletivo é uma forma de manifestar nosso desacordo com a maneira como a Igreja concebe as relações entre as pessoas”.
>> A convocação também foi estendida a heterossexuais. No entanto, o comunicado esclarece que todos devem beijar alguém do mesmo sexo.
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Casal gay se beija durante passagem do papamóvel em Barcelona, neste domingo (07/11/2010) (Foto: Josep Lago / AFP) [Fonte: G1] __________________________________________________

RESULTADO:

>> Ao menos cem ativistas gays e lésbicas se beijaram (e não 500 casais = 1000 pessoas)
>> Os gays e lésbicas gritaram em coro palavras ao papa, chamando-o de "pederasta" e frases como a "Igreja que ilumina é a que arde"
>> Em contrapartida, jovens cristãos saíram em defesa, dizendo "aqui está a juventude do papa"

CONCLUSÃO (minha):

Tenho minhas dúvidas em relação a manifestações como esta. Concordo (neste caso específico) com a opinião de D. Eugenio Sales, Cardeal Arcebispo Emérito do Rio de Janeiro (citado aqui recentemente):

"Toda a campanha em favor do homossexualismo, bem estruturada e muito difundida, não ajuda a resolver os males resultantes. Pelo contrário, agrava-os."

Sem dúvida, muitas campanhas são corretas e úteis, especialmente as "bem estruturadas e muito difundidas", mas, neste caso, dou razão ao Dom Eugenio. Em outras palavras: em vez de promover as manifestações que se resumem e reduzem à troca de ofensas, por que não sentar a uma mesa? O diálogo é muito mais eficaz, ainda que seja lento e doloroso...

6 de novembro de 2010

Deus viu que era bom... e belo

Adorar o Criador consiste, também, em contemplar a beleza de suas obras. Proponho, nesta madrugada de domingo, o dia do Senhor, este exercício de contemplação. Sem ironia, com toda sinceridade, repito aqui as palavras do Salmo 139(138), 13-14:
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Foste Tu que criaste minhas entranhas
e me teceste no seio de minha mãe.
Eu Te louvo porque me fizeste maravilhoso;
são admiráveis as Tuas obras;
Tu me conheces por inteiro.
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Lembrei deste Salmo e louvei o Senhor, admirando a beleza masculina, documentada em centenas de fotografias, exibidas pelo portal DeviantArt, pelo Andrei ("*vishstudio") - endereço AQUI. O portal todo merece atenção. É ótimo. Espetacular! "
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(Espero que o fato de citar a fonte e fazer a referência ao autor/proprietário das obras, fica resolvida a questão dos direitos autorais. Caso não fique resolvida, alguém me informe, por favor!)
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Como incentivo trago aqui duas fotografias que, aliás, podem perfeitamente servir como o "pano de fundo" na tela (no ecrã) de seu computador. Tomei a liberdade de "inverter horizontalmente" a segunda foto. Pareceu-me melhor, para encaixá-la na tela.

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5 de novembro de 2010

Dom Eugenio - 90 anos

Amanhã na Catedral Metropolitana do Rio de Janeiro será celebrada a Missa solene em ação de graças pelo 90° Aniversário natalício de Dom Eugenio de Araújo Sales, Cardeal Arcebispo Emêrito desta cidade. Há muito de se dizer sobre esta figura, mas não cabe isso a mim (vários autores competentes abordam esse assunto com mais propriedade). Trago aqui - de acordo com o propósito deste blog - alguns trachos de um artigo que D. Eugenio escreveu sobre a homossexualidade. Não é surpresa que o Cardeal repete os principais pontos doutrinais da Igreja - como ele mesmo diz: "Este é o ensinamento da Igreja, em nome de Cristo, transmitido a seus fiéis e às pessoas de boa vontade."
Não pretendo, neste momento, citar as afirmações dogmáticas da Igreja às quais se refere D. Eugenio. Transcrevo, entretanto, algumas frazes de seu texto (leia na íntegra aqui).
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"Diante de manifestações favoráveis ao homossexualismo, parece-me oportuna uma abordagem do assunto, tranqüila e serena, dirigida aos católicos à luz dos ensinamentos da Igreja nessa matéria. Esse tema, por vezes, provoca reações apaixonadas. Prevalece, no entanto, o dever de proclamar a verdade!"
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"Devemos distinguir entre tendência e atos homossexuais. A simples inclinação não leva necessariamente à ação, pois não se pode ignorar a liberdade humana. Esta confere à pessoa a capacidade de resistir. Jamais faltará a graça de Deus a quem a busca."
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"Toda a campanha em favor do homossexualismo, bem estruturada e muito difundida, não ajuda a resolver os males resultantes. Pelo contrário, agrava-os. Os sofrimentos decorrentes de atitudes anti-cristãs, infelizmente ainda existentes, em alguns ambientes, por vezes tornam-se mais acentuados. Propor solução não correta pode criar outros problemas. Por exemplo: elevar a união de homossexuais ao nível do matrimônio, a adoção de crianças... Nós, cristãos, devemos combater a discriminação promovendo a dignidade da pessoa humana, amada por Deus."
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Enfim...
Parabéns ao Dom Eugenio pelo seu aniversário.

4 de novembro de 2010

Anselm Grün - "Lutar e amar" (1)

Pois bem... Fiquei alguns dias sem acesso à internet, o que me permitiu perceber o grau de minha "dependência" deste meio de comunicação (fiquei irritado, sim senhor!), mas, ao mesmo tempo, "ganhei" algumas horas-extras para voltar a uma paixão mais antiga que internet: OS LIVROS. De fato são as "releituras", entre algumas novas descobertas. Hoje decidi partilhar aqui alguns pensamentos de Anselm Grün.

Quem é Anselm Grün? É um monge beneditino (nascido em 1945), doutor em psicologia, conhecido e reconhecido no mundo inteiro. O autor cristão (católico) mais lido da atualidade já possui dezenas de livros publicados em 28 línguas, além de ser também o administrador da Abadia, em Münsterschwarzach, na Alemanha, sua cidade natal. Procurado frequentemente como palestrante e conselheiro em vários países, tornou-se ícone da espiritualidade e mestre do autoconhecimento no mundo contemporâneo.


Entre alguns livros de Grün (re)encontrei na minha prateleira o "Lutar e amar - Como os homens encontram a si mesmos" (Edições Loyola, São Paulo 2006). O autor procura mostrar a essência de masculinidade, analizando 18 figuras bíblicas, a partir de Adão. Um trecho chamou especialmente a minha atenção:


Neste livro, quando escrevo sobre homens, sempre tenho em mente tanto homens heterossexuais como homossexuais. E sei que muitos homens homossexuais sentem-se feridos pela Igreja. Eles ouviram vezes demais que a homossexualidade seria antinatural. Porém, tais juízos são falsos. Homossexualidade pode ter sua origem em diversas causas: na educação, em forte ligação materna, em experiências sexuais, mas também no código genético. Por fim, nunca é possível dizer por que um homem ou uma mulher é homossexual. Mas é decisivo que o homossexual faça pazes com sua predisposição e faça o melhor disso – o que também significa viver sua homossexualidade com dignidade humana. (p. 21).


Na mesma página, um pouco antes do trecho citado acima, Anselm Grün afirma o seguinte:


É importante para o homem confrontar-se com sua identidade sexual. Ele precisa saber se é heterossexual ou homossexual. Às vezes, as fronteiras não são claras. Alguns homens são bissexuais. Tomar consciência de sua identidade sexual é uma condição decisiva para se aceitar como homem. Aqui também é importante deixar de lado qualquer juízo de valor. Todo homem – homossexual ou heterossexual – tem suas qualidades e forças e também suas fragilidades. Nos últimos anos, homens homossexuais colocaram-se em busca da própria masculinidade mais intensamente do que heterossexuais. Em vez de se desculpar por sua homossexualidade – como ainda é normal acontecer em alguns círculos sociais -, eles se alegram com o seu ser homem. Eles têm consciência de seu corpo e expressam a si mesmos e à sua essência em seu corpo. Frequentemente, eles têm uma sensibilidade estética forte e acentuada e grande abertura para a espiritualidade.