O filme "Heterofobia" é chocante. E "chocante", enquanto um termo, tem dois lados, assim como uma moeda. O filme é chocante de tão real. Um dos melhores métodos pedagógicos é fazer com que a pessoa se veja no lugar do outro. Somente assim tem a possibilidade real de conhecer e compreender o outro. O filme, de uma maneira inédita e nada banal, faz isso e alcança um nível que, lamentavelmente, muitos não alcançam. Basta ler os (mais de 2.500) comentários no facebook. É por isso, também, que o filme é chocante. Várias pessoas se manifestaram chocadas, a partir de uma perspectiva de quem não entendeu nada. Essas pessoas, certamente, nunca irão ler as obras de Kafka, nem apreciar a arte de Picasso, ou Salvador Dalí. O mesmo aconteceu com as parábolas de Jesus. Muitos não entenderam (e não entendem até hoje). Outros entenderam bem, mas foi por isso que o crucificaram... Recomendo o filme e continuo torcendo e orando que muitos consigam compreender a sua mensagem. E que surta efeitos!
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11 de abril de 2014
25 de janeiro de 2014
Café com leite
Queridos ouvintes, dentro de alguns instantes vai começar a cerimônia do casamento. O clima é festivo, mas também sente-se no ar um pouco de tensão. Afinal, não é todo dia que acontece uma coisa dessas. Os noivos são muito diferentes e há quem diga que esta união não vai dar certo. Entre os convidados as opiniões se dividem entre a comoção e a indignação. Para entendermos melhor as razões que levaram esses dois a tomarem uma decisão tão radical e definitiva, vamos conversar com os próprios noivos que não escondem a felicidade tão esperada. Vou começar pelo senhor Leite que acaba de conversar com seus familiares que, aliás, são a maioria dos convidados à festa, em comparação com um número visivelmente menor de parentes do outro noivo.
- Bom dia! Em primeiro lugar, os meus parabéns antecipados! Os nossos ouvintes gostariam de saber o que levou o senhor a decisão tão corajosa que, segundo alguns dos seus convidados, é uma renúncia da própria identidade, quase uma traição dos milenares costumes da tribo?
- Bem, eu poderia responder com apenas uma palavra: o amor. No entanto, gostaria de acrescentar mais algumas coisas. A mais importante tradição da nossa família e a mais autêntica identidade é a entrega, a generosidade, a doação. Nós existimos para dar a vida.
- Ah, que bonito! Mas, numa união dessas que paradoxalmente chama-se indissolúvel, não acontece justamente o contrário, quer dizer, o senhor fica diluído? Muita gente, aqui mesmo, diz que o senhor vai perder a sua pureza, a sua brancura, o seu sabor e o aroma? Para ser mais exato, o senhor vai perder até o seu nome que passará a funcionar como secundário...
- Na verdade, tudo depende da ótica. Dizem que vou perder tudo isso, enquanto, de fato, eu estou entregando o que tenho de melhor. Ao mesmo tempo vou ganhar uma cor nova, um sabor e aroma também novos. Não concordo quando as pessoas dizem que o branco é a mesma coisa que incolor, mas a nova cor que irei ganhar acho mais interessante. Pelo menos vou perder a minha palidez que, para mim, é o sinônimo da solidão. Mal posso esperar!
- O senhor tem uma família muito grande, mas fiquei sabendo que nem todos compareceram no seu casamento...
- É verdade. Uma irmã minha não veio porque, como disse, ela se derrete no calor das emoções. A outra irmã minha, a mais velha, ela é meio esnobe e se acha nobre demais para se misturar com os pobres [risos]. É a nata da família, muito conservadora, coitada. Mas, olha aqui os meus primos coloridos. Todos já se casaram: um ficou vermelho, outro cor-de-rosa e assim por diante. Para eles, o meu casamento é a coisa mais normal na face da terra. Alguns parentes vieram até do exterior. Já viu aquele esquisitão que parece estragado? O cheiro dele também não é dos melhores, mas dizem que ele é muito caro lá, onde mora. Enfim, a questão de cor não é mais um problema na nossa família, acabamos com este preconceito. E tem outra coisa, inclusive confirmada pelos cientistas. Sim, sim, eu li muito sobre isso. Nesta nova união, nenhuma das minhas propriedades se perde, além das coisas exteriores. Pelo contrário! Além de ganhar algumas novas, aquelas que tenho ficam ainda mais refinadas, agradáveis e até assimilam-se melhor. Com outras palavras, será uma fusão, mas não confusão. Eu entrego e não perco a minha vida para ganhar outra, nova, diferente. Alguns dizem que vou sofrer alterações. Mas, para que usar o termo "sofrer" em vez de "conquistar"? Sofre-se uma derrota e aquilo que estou vivendo não é uma derrota. É uma vitória e a vitória se conquista. Ah, sim, o sofrimento também faz parte do processo, é inevitável, porém, não essencial. Vou deixar de ser apenas eu para me tornar a metade de um "nós" que, neste caso, é mais um singular do que um plural. Como dizem os jovens: "É nós". Se quiser saber, isso vem da Bíblia que diz que "não serão mais dois, mas uma só carne". Não é maravilhoso?
- Bem, só posso agradecer pela sua atenção e desejar muita felicidade. E aproveito aqui a presença do outro noivo que ouviu toda a nossa conversa, sem esconder a emoção. Reitero as minhas felicitações também para o senhor e gostaria de perguntar se a sua opinião é semelhante. Não posso deixar de notar o fato de serem pouquíssimos os seus familiares, presentes no casamento...
- Ah, sim, é verdade. A minha família é bem menor do que a do meu noivo. E também tem gente reclamando, mas eu não ligo. Um irmão meu, o Expresso, me chamou de vacilão, mas ele é assim mesmo, tem um temperamento forte e esquenta com cada coisa. Eu, porém, prefiro a ideia do meu noivo e concordo com cada palavra dele, embora a nossa história tenha sido diferente. Por exemplo, aquilo que ele falou sobre a cor. Nossa! Eu já passei por tanta coisa! Nasci verde, virei vermelho e agora estou marrom quase preto. Primeiro me regaram, depois arrancaram, descascaram, queimaram, trituraram... enfim. Tive uma vida cheia de contradições. A água me deu a vida, mas fiquei desidratado, sequinho mesmo e ainda trancado hermeticamente, só para não pegar a umidade. Depois me afogaram na água fervente para que ficasse assim como está me vendo agora. Falando verdade, fiquei muito amargurado com tudo isso, mas agora isso vai mudar, graças a Deus e graças ao meu noivo. Para quem fala sobre as perdas, respondo: já pensou que, para mim, a escuridão é o mesmo que a solidão? O resto é a mesma coisa que ele disse: não perco nada e ganho tudo, torno-me mais suave. Estou muito feliz com esta mudança e se quiser saber, é por todo o resto da minha vida. Aliás, da nossa vida. Ah, lembrei! Em relação ao nome... Foi ele que pediu para colocar o meu na frente...
- Ai, que bonitinho! Parabéns então, de coração mesmo. E uma última palavra: vocês têm planos para a lua de mel e para depois?
- Temos sim, inclusive a sua dica sobre o mel é interessante. Por enquanto pensávamos apenas no açúcar, mas podemos testar outros adoçantes. Além de umas pitadas de canela e de sal. É sério! Muita gente não sabe, mas uma pitada de sal faz com que o sabor fique ainda mais refinado, só não se pode exagerar [risos]. E vamos viajar pelo mundo inteiro, de caneca, de copo e de xícara... Temos tantas possibilidades! E vamos testar novas proporções, novas cores e novos sabores. Vai ser um espetáculo! Agora precisamos pedir licença, porque a cerimônia vai começar...
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Obs.: O vídeo não é exatamente sobre a história relatada acima, mas não deixa de ter algo a ver com ela.
23 de outubro de 2013
Love of Siam - LINDO !
"The Love of Siam" é um comovente filme tailandês, lançado em 2007, que mistura drama e romance com belíssima música. Um dos adolescentes protagonistas, lindo Mew (Witwit Hiranyawongkul, popularmente apelidado de "Phit"), é acompanhado pelo Dong (Mario Maurer) e a história deles baseia-se no crescente e conturbado romance gay. Vale a pena assistir o FILME COMPLETO (legendado em português). De acordo com a Wikipédia, o fato de possuir um enredo gay inicialmente causou polêmica, mas o filme foi recebido com aclamação da crítica e provou ser bem sucedido financeiramente. Ele dominou a temporada de premiações na Tailândia em 2007, vencendo a categoria de Melhor Filme em quase todos os grandes eventos de cinema do país.
O filme traz uma das mais lindas declarações de amor, eu diria, uma cantada (em todos os sentidos):
Se eu disser
que escrevi essa música pra você,
você acreditaria?
Pode não ser tão bem escrita ou bela
como as outras músicas, mas...
Eu quero que você saiba
que uma música de amor
não pode ser escrita
quando não estamos apaixonados.
Mas por você eu posso escrever
essa música tão facilmente.
Você deve ter ouvido centenas
ou milhares de canções de amor.
Elas podem ser significativas,
mas seus significados
são para qualquer um.
Se você ouvir essa música
que foi escrita apenas pra você...
Se você compreender o significado,
nossos corações ficarão juntos.
Existem muitas verdades no amor.
No passado, eu perdi muito tempo
procurando pelo significado disso.
Mas agora eu descobri,
em todos os momentos
em que você está perto de mim.
Eu apenas descobri
que se a vida é uma melodia,
você é a letra que a torna significativa
e a transforma em uma linda música.
Deixe a música tocar pelo caminho,
juntamente com a sua e a minha voz...
Que estaremos juntos por muito tempo.
Assim como a frase de uma poesia:
"Enquanto você amar, você ainda tem esperança".
Todas as vezes que eu vejo seu amor
brilhando em meu coração,
eu posso ver o meu destino.
18 de outubro de 2013
Shawn Thomas
Shawn Thomas une em suas músicas o testemunho cristão e a própria identidade homossexual. Vale a pena conhecer melhor e apreciar a sua arte.
I see the Christ in you.
I know that there is truth.
And deep inside your heart
resides a grace that's shining through.
I see the Christ in you,
in everything you do.
And when the world yells, 'Crucify!'
that part of you will rise...
and they will see the Christ in you."
I know that there is truth.
And deep inside your heart
resides a grace that's shining through.
I see the Christ in you,
in everything you do.
And when the world yells, 'Crucify!'
that part of you will rise...
and they will see the Christ in you."
Eu vejo o Cristo em você.
Não sei qual é a sua verdade.
Mas no fundo do seu coração
reside a graça que está brilhando.
Eu vejo o Cristo em você,
e em tudo que você faz.
E quando o mundo grita: "Crucifica-o!"
essa parte de você vai aparecer...
e eles vão ver o Cristo em você.
Não sei qual é a sua verdade.
Mas no fundo do seu coração
reside a graça que está brilhando.
Eu vejo o Cristo em você,
e em tudo que você faz.
E quando o mundo grita: "Crucifica-o!"
essa parte de você vai aparecer...
e eles vão ver o Cristo em você.
17 de outubro de 2013
O porquê do(s) Feliciano(s)
Quando tudo parecia ser o fim da tempestade, eis que está de volta o personagem que, há pouco, ocupava as manchetes da mídia e, em particular, da mídia GLBTTS: o Deputado Marco Feliciano. Ainda que o mais recente projeto não tenha sido, literalmente, de sua autoria, inevitavelmente todos fazem a associação direta com o dito cujo. A notícia diz o seguinte: A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado federal Marco Feliciano (PSC-SP), aprovou um projeto de lei nesta quarta-feira que livra templos religiosos de punição por preconceito ao recusar a permanência de pessoas “em desacordo com suas crenças”. O texto impede que igrejas sejam criminalizadas ao não permitir casamentos entre homossexuais, por exemplo. O texto propõe a alteração da Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define crimes resultantes do preconceito de raça e cor. O autor do projeto, o deputado Washington Reis (PMDB-RJ), sugeriu a inclusão de uma ressalva no artigo que trata sobre a incitação de preconceito. Apesar de o texto sugerido não falar em gays, o autor da proposta cita na justificativa que crenças religiosas não estão de acordo com a “prática homossexual”. O texto ainda precisa passar pela Comissão de Constituição de Justiça (CCJ). Atualmente, incitar o preconceito pode levar a uma pena de um a três anos de reclusão, além de multa.
Complementando, de outra fonte: A Lei livra os templos religiosos da lei de discriminação e os autoriza de vetar casamento gay, batizado de filhos de casais homossexuais e outras cerimônias religiosas. A proposta permite ainda que padres e pastores não aceitem a presença de gays em seus cultos. O objetivo do projeto é evitar que os religiosos sejam criminalizados caso se recusem a aceitar homossexuais em seus templos.
Li nestes dias o ótimo texto, escrito por Vinícius, no seu blog "...E Sempre Há Muito A Ser Dito". É a Carta a Feliciano. Entre outras coisas importantes (por isso vale a pena ler o texto inteiro), Vinícius escreve:
Infelizmente sei que esta carta jamais chegará até você, embora eu sonhe que um dia você digite seu lindo e gracioso nome no Google e ache mais uma de suas estripulias por lá. Infelizmente, devem haver vários resultados. Possivelmente nenhum relevante para a raça humana, mas é o seu papel, certo? Você deve ter sido destinado a isso: a ser alguém que veio trazer a tempestade. A bonança ainda ficaremos aguardando.
Voltando aos seus sentimentos em relação a nós, não heterossexuais, fico me perguntando: "Por que será que somos pauta principal em tudo o que ele faz? Será que isso é coisa da mídia?". Fico pensando se você é algo fabricado para nos espantar das outras atrocidades políticas que acontecem no Brasil. Acho essa uma possibilidade bastante válida. Mas não creio que é somente isso: você tem sentimentos muito fortes além disso.
Como acontece na blogosfera, deixei o meu comentário, vinculado ao texto de Vinícius: Excelente texto, pelo menos para nós, porque, como você mesmo diz, o destinatário da carta, muito provavelmente, não terá a mesma cultura para responder (ainda que tenha lido). Eu mesmo procuro refletir sobre as questões que envolvem a homossexualidade e a doutrina cristã. Cada vez mais me convenço de que o diálogo seja muitíssimo difícil (e para muitos, impossível) e o obstáculo já está no início de qualquer tentativa, pois consiste em profundas diferenças linguísticas. É, justamente, a questão de orientação/opção, natural/antinatural, homossexualidade/homossexualismo e assim por diante. O curioso é que muitos religiosos, de um lado negam a nossa existência enquanto seres humanos e, por outro lado - como você aponta - dedicam muito tempo e muita atenção à nossa vida. Pode parecer uma conclusão pessimista, mas acredito que as reflexões - como a sua - tenham uma enorme importância para (lenta, mas eficaz) formação da mentalidade de muita gente. Obrigado por isso!
Aí veio uma dica de um outro blogueiro, Rubens, que disse: Para que vocês entendam o motivo do Feliciano e do Malafaia não largarem do nosso pé:
6 de outubro de 2013
O passinho e o silêncio
O rapaz desta foto se parece um pouco com o G.
Estava pensando em interromper aquela série (meio pesada) de polêmicas, publicadas aqui, envolvendo os assuntos do Papa, dos fundamentalistas católicos, da superficialidade da mídia (inclusive, católica) - e tudo isso, em relação ao mundo GLBTTS que não é uma massa sem rosto, não se compõe apenas de movimentos militantes, mas é o mistério do ser humano. Sim, o tema é importante, urgente, necessário. Pensei, porém, em dar uma pausa.
Já tinha visto no facebook o vídeo encantador de um grupo de dançarinos, fazendo o seu performance no cruzamento do centro do Rio e na plataforma da Central do Brasil. Hoje encontrei (finalmente!) o vídeo no YouTube, divulgado pelo portal Pheeno, junto com a "Versão Bafo", na qual um dos dançarinos, Rene, usa o vestido (que coxas! - diga-se de passagem). Então, a ideia da postagem deste domingo, foi essa: apertar o play, deliciar-se, por exemplo, com o corpito do Pablinho Fantástico (o rapaz de cabelo cor-de-fogo que fica geralmente como o primeiro do lado direito) e deixar-se levar pelo funk-estilo-soft... No entanto, há mais coisas. Não posso deixar de mencionar aqui uma visita que fiz hoje, na casa de uma família. Daqui a pouco falo sobre isso. Primeiro, os dois vídeos:
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O título desta postagem é "O passinho e o silêncio". O que tem uma coisa com a outra? Talvez... a paixonite. Confesso que me encanto facilmente por certas coisas. Assim, fiquei encantado com a turma do passinho - eu que não curto o funk, em geral (já morei nos lugares, onde o funk-da-pesada, dominava todas as noites de sábado para domingo). Cheguei a declarar, naquela época, que "o funk não é música", mas depois de assistir uma obra de arte como essa, mudo a opinião.
A coisa (da paixonite) torna-se mais complexa, quando entra, não apenas em um vídeo, mas em cena real, uma pessoa encantadora. Já tive várias paixonites, outras ainda tenho.. Algumas agudas. Algumas adormeceram, com o tempo, dentro de mim. O mal da paixonite consiste em não conseguir avaliar a realidade com precisão. A gente começa a "imaginar coisas". Tive e tenho essas paixonites em relação aos "gays declarados", mas também, àqueles que se encaixam na famosa e clássica pergunta: "será que ele é?". É o caso do G. Sou amigo dessa família, mas - evidentemente - tudo isso trabalha em função da minha aproximação ao G. Hoje fui almoçar na casa deles. Deve ter sido por causa das minhas pesquisas de últimos dias e das coisas que tenho escrito neste blog recentemente que comecei a comentar os assuntos ligados à homossexualidade, à teoria do gênero, às reações dos fundamentalistas católicos ao que disse o Papa, etc. Preciso acrescentar que aquela família é católica e engajada na vida pastoral da comunidade paroquial. Inclusive, o próprio G...
Primeiro, a conversa fluiu de maneira bastante solta, isto é, sobre a escola e os planos do G. para o futuro. "Pesquei", em uma das falas dele, que o casamento não faz parte desses planos. Aí entra, ou o "gaydar", ou a paixonite: "Não pensa em casar, por que?"... Acendeu uma lampadazinha dentro da minha cabeça e me deu vontade de... compartilhar os resultados das minhas pesquisas. Falei do Papa e de suas declarações de respeito para com os homossexuais, também sobre a cabeça dura dos fundamentalistas. Toquei no assunto do "casamento gay", lembrei das palavras de Jesus, sobre os três tipos daqueles que não se casam (cf. Mt 19, 12), com o destaque na primeira situação, "dos que nasceram assim" e tal. Fiquei o tempo todo sentado no sofá, ao lado do G, mas nesta (longa) parte da conversa, não ousei olhar para ele. Tive medo de revelar mais do que deveria ou, talvez, de deixar me lavar pelo impulso e, por exemplo, declarar a minha paixonite por ele (para quem não sabe: sou gay quarentão e permaneço no armário). Todo mundo tinha algo para perguntar e opinar. Mas, o G. ficou em silêncio absoluto, enquanto abordávamos esses assuntos. Eu sei que posso estar totalmente enganado, afinal, a paixonite traz esse efeito, mas o silêncio dele falou, para mim, mais do que mil palavras. Ele que gosta de perguntar, levantar questões, dar opinião - dessa vez ficou quieto. Ao meu ver, quieto demais. Repito: posso estar enganado e, até, seria interessante saber a opinião dos (eventuais) leitores. Digo uma coisa: esse silêncio me levou a pensar que "tem alguma coisa aí"... e fiquei mais esperançoso com isso. Quem sabe, na próxima vez e, certamente, sem os familiares em volta, a gente volte ao assunto?
Esse foi o meu domingo do passinho e do silêncio. A paixonite aumentou...
27 de setembro de 2013
Impressionismo cinematográfico
Procurei uma palavra que retratasse a minha impressão, depois de assistir o filme coreano "Hello my love" e me veio à mente, justamente, o impressionismo. O termo, obviamente, pertence ao mundo da arte de pintura (é um movimento artístico surgido na França no século XIX que criou uma nova visão conceitual da natureza utilizando pinceladas soltas dando ênfase na luz e no movimento - leia mais aqui). As cores frequentemente são empregadas puras na tela, em pinceladas desassociadas. Os impressionistas retratam em suas telas os reflexos e efeitos que a luz do sol produz nas cores da natureza. A fonte das cores está nos raios do sol. Uma mudança no ângulo destes raios implica na alteração de cores e tons. É comum um mesmo motivo ser retratado diversas vezes no mesmo local, porém com as variações causadas pela mudanças nas horas do dia e nas estações ao longo do ano. O estilo artístico que hoje fascina tanta gente, nem sempre foi acolhido com tanto entusiasmo. As maiores críticas recebeu logo no início. O pintor e crítico de Arte, Louis Leroy disse: “Selvagens obstinados, não querem por preguiça ou incapacidade terminar seus quadros. Contentam-se com uns borrões que representam suas impressões. Que farsantes! Impressionistas!”
Eu sei que o filme em questão pode despertar diversas emoções e muitos podem, simplesmente, não compartilhar o meu entusiasmo. Afinal, estamos diante de uma cultura oriental, tão distante da nossa. O tema principal gira em torno da homoafetividade, mas, o que posso dizer é que - como um soldado que põe tudo que tem dentro de um saco - o diretor, junto com toda a equipe do filme (que está longe de ser um saco) conseguiu, dentro de um pouco mais de 90 minutos, misturar - sem confundir - tanta coisa: amor e ódio, absurdo e mais pura lógica, fidelidade e traição, comédia e tragédia, covardia e coragem, religião, superstições e homofobia, sensualidade que não escandaliza, belíssimas paisagens e música, profundo mergulho na antiquíssima tradição oriental com o toque da moderna cultura ocidental, canalhice e nobreza, muita, muita chuva e realmente muita bebida, lágrimas e gargalhadas, homo- e hetroafetividade, família e amizade, sangue e morte, violência e ternura... e milhares de outras coisas. Vale acrescentar que o filme envolve, a ponto de você rir, chorar, xingar e torcer pelo final feliz. E tem mais: o elemento-surpresa, até o último minuto da história. E tudo isso protagonizado pelos lindos atores e atrizes!
É um filme a ser saboreado, como (e com) um bom vinho (que faz parte integral da trama). Recomendo especialmente aos casais (inclusive heterossexuais).
20 de setembro de 2013
Atrás da cortina de ferro
O termo "cortina de ferro" foi usado para designar a divisão da Europa em duas partes (ocidental e oriental), como áreas de influência político-econômica distintas, após a II Guerra Mundial, no período chamado "guerra fria", enquanto existia a União Soviética. Um fenômeno que dura várias décadas, ainda que acabe, continua exercendo a sua principal influência que consiste, sobretudo, em divisões e diferenças culturais. A maioria das fontes atribui a autoria deste termo ao primeiro-ministro britânico Winston Churchill que teria usado tal expressão em um discurso no ano de 1946. O outro termo, um pouco menos conhecido, é "homo sovieticus" que facilmente traduzimos do latim como "o homem soviético", para designar um tipo de mentalidade que se formou, justamente, pelas décadas de uma sistemática lavagem cerebral, através de educação e propaganda, acompanhadas pela cruel opressão.
Quando lemos as notícias sobre os atos de homofobia - tanto em forma oficial, digamos, estatal, quanto em sua dimensão popular, cultural - por exemplo na Rússia, ou em outros países que, neste sentido, ainda permanecem atrás da "cortina de ferro", precisamos ter em conta este contexto da história recente. É por isso que merecem um destaque especial todos os sinais positivos daquilo que podemos chamar de "primavera de tolerância". É o caso do filme polonês, cujo título podemos traduzir como "Em nome (de)" e que faz referência direta ao sinal da cruz: "Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo". O filme foi apresentado no Festival de Cinema de Berlim (Berlinale), neste ano e, embora não tenha recebido o sonhado Urso de Ouro, ganhou o prêmio independente Teddy Award, como melhor filme com temática gay do Festival de Berlim.
É muito importante notar que o objetivo do filme e a sua mensagem principal não formam qualquer acusação ou julgamento, antes, retratam a realidade que, não apenas atrás da "cortina de ferro", é uma experiência, vivida por vários (não poucos, mesmo!) padres católicos. Fala sobre isso, por exemplo, Pe. José Lisboa, em seu livro “Acompanhamento de vocações homossexuais” (falei sobre este livro aqui e aqui):
Hoje, em toda parte, aumenta cada vez mais o número de vocacionados e vocacionadas homossexuais. (...) No Brasil, a presença de homossexuais nos seminários, no meio da hierarquia, já é bem visível. (...) Na maioria das vezes, os casos permanecem velados, pois ainda existe muito preconceito contra esse tipo de conduta sexual. Além do mais, os altos escalões da hierarquia ainda preferem negar e até proibir a reflexão pública sobre essa realidade. Há os que, consciente ou inconscientemente, escondem a sua condição debaixo da capa das aparências da ortodoxia, da fidelidade, do rigorismo, do moralismo e das vestes eclesiásticas. (...) Diante disso, percebo que a confusão é geral. A hierarquia, na maioria das vezes, encontra-se perdida e não sabe o que fazer. (...) Penso, porém, que é preciso encarar essa realidade de maneira diferente. Deixando de lado os preconceitos, com bastante naturalidade e tranquilidade, sem superficialidade, e sem fazer vista grossa para as questões mais sérias e delicadas. (p. 5-7)
O resumo do filme encontrei na página CineSplendor:
O filem segue a história do padre católico Adam, responsável pela paróquia de um pequeno vilarejo polonês ao mesmo tempo em que trabalha com um grupo de jovens desajustados. Assediado por uma das moradoras, ele diz já estar comprometido e, aos poucos, vai admitindo para si mesmo seu desejo por um de seus garotos. Abordando o tema do celibato e, simultaneamente, da homossexualidade de forma direta e natural, a diretora Malgorzata (ou Malgoska, em forma crinhosa) Szumowska constrói um extraordinário filme não para chocar, mas para nos fazer refletir. O padre Adam nunca é retratado como um predador, mas sim como uma vítima de uma situação que não tem saída. Religioso devoto, ele vive sempre em conflito consigo mesmo, apelando para o álcool ocasionalmente como forma de fuga.
Suas caminhadas – filmadas com uso de bela fotografia e com planos gerais que tiram proveito da estupenda paisagem local –, descobrimos mais tarde, quando o vemos sugerindo a um jovem homossexual que corra 5km como forma de penitência, são mais uma forma de tentar desviar seus pensamentos das tentações de pecar. As caminhadas, diga-se de passagem, não são apenas belas, mas brilhantes em seu significado. Usando-as como interlúdios durante o filme, elas são os únicos trechos do longa que possuem trilha – composta unicamente com o uso de violinos, com apenas uma exceção – e mostram gradualmente sua aceitação/compreensão de sua “doença“.
Com menos simbolismo, mas igualmente genial ao dizer tanto em uma conversa tão curta, é em uma ligação – via skype – que ele faz para a irmã, que todas as dificuldades de sua vida são expostas. Primeiramente pelo fato dele, por vezes, tentar sem sucesso entrar em contato com a irmã. Passando por um momento difícil, quando ele finalmente consegue falar com ela, a conversa se mostra como um desabafo por parte dele, enquanto ela demonstra clara falta de interesse. E ao confessar para ela que ele se sente atraído por homens, os comentários dela de que “você não é doente” e “mas você sempre gostou de mulheres” demonstram o claro preconceito que há – não apenas – por parte da família, além de também revelar o fato de que ele vinha escondendo isso há muito tempo, mesmo de entes queridos.
Não fugindo de mostrar como a Igreja católica trata desse assunto, o filme nos permite testemunhar a conversa de um membro da paróquia de Adam com o bispo responsável pela região, onde ele acusa o padre de ser homossexual – após tê-lo flagrado em um momento íntimo com um garoto. Evitando qualquer conflito, o bispo diz não ser nada demais o que ocorreu e que ele resolverá a questão, o que resulta na transferência de Adam para outra cidade.
O filme ainda conta com boas atuações por parte de seu elenco, mas real destaque vai mesmo para a fenomenal e tocante performance de Andrzej Chyra como o Padre protagonista que, embora sempre contido, consegue claramente transmitir uma sensação de serenidade quando está “a trabalho”, enquanto demonstra claro desconforto em sua vida pessoal, mesmo antes de suas crises depressivas. Nos poucos momentos de prazer e felicidade em que o vemos, é comovente notar a dificuldade que Adam tem para se entregar por completo, para verdadeiramente desfrutá-los.
Só nos resta aguardar o lançamento deste filme aqui, no Brasil...
Enquanto isso, veja o trailer (legendas em inglês):
Só nos resta aguardar o lançamento deste filme aqui, no Brasil...
Enquanto isso, veja o trailer (legendas em inglês):
19 de setembro de 2013
Quanto valem cinco minutos?
"Ah, depende" - vai dizer qualquer um e eu também diria. E os 5 minutos diferentes, surpreendentes e cheios de graça? Estes, sim! Têm o poder de transformar um dia chato em uma data inesquecível. Ainda que a grande parte daquela experiência se desenvolva, apenas, na imaginação da gente, os 5 minutos em questão, permanecem mais reais do que o resto da vida e da história. Sem dúvida, trata-se de um efeito extraordinário, capaz de alcançar aqueles "sensores de emoção", muito pessoais e incomparáveis. É a prerrogativa de cada ser humano - dizer: "eu sou assim". E é por isso que um evento qualquer torna-se para alguém o início de uma vida nova, o "divisor de águas", enquanto todo o resto da humanidade passa por aquele momento sem notar coisa alguma...
Eu sou assim: preciso de um ambiente pequeno e aconchegante, com a música (com preferência, apenas instrumental) e com algumas pessoas (com preferência, poucas e, necessariamente, simpáticas e... bonitas). É, justamente por isso (e por alguns outros motivos) eu não vou ao Rock in Rio... Quanto ao ambiente, acredite quem quiser, pode ser, até, um vagão do metrô que, apesar da hora do rush, está quase vazio, porque vai na direção oposta da multidão. Tipo, a linha 1 (Saens Peña - Cantagalo), por volta das 20 h.
O início, como em cada aventura, é inesperado e as aparências enganam. Pela plataforma correm alguns atrasados, mas correm bem, sem se incomodar com os objetos que carregam. Afinal, são jovens. Como uns garotos em mais uma travessura, sorrindo, colocam mochilas e algumas outras coisas no meio do vagão e, depois de um pedido de licença e de desculpas, começa o show. Os três rapazes são músicos. Tocam alguns trechos da mais ampla MP(B). A maestria chama atenção, mas só ela não completaria o espetáculo. O sorriso está perfeitamente sintonizado com a música, faz parte integral desta arte. Os músicos e, depois, algumas pessoas no vagão, deixam se levar pela melodia e agora os corpos retratam o ritmo. Parece que até o trem batuca junto.
Mais uns sorrisos, um "obrigado", o pandeiro, como uma sacolinha, recolhe as moedinhas e algumas amassadas notas azuis. Porta se abre - porta se fecha. O momento - em si - acabou, mas você foi transportado para uma dimensão indescritível. A vida ganhou o novo sentido. Se for possível, eu me casaria com o banjoísta (o músico que toca banjo e o dono de um lindo sorriso).
Agora vamos às pesquisas...
Basta digitar, em "busca" do YouTube, algo do tipo "música metrô rio" e logo você se depara com a imagem e o som bem familiares. É possível notar que a formação não é, exatamente, fixa, mas possui um nome e uma história. É o grupo chamado "Mambembes" (entre os significados, fornecidos pelos dicionários, está o de um grupo de artistas de rua). Mambembes têm a sua página no facebook e por ali consegui identificar a formação que encontrei na noite de terça-feira passada.
O grupo assim se descreve: Mambembes é o encontro de artistas com o intuito de realizar intervenções urbanas e onde quer que seja. Realiza intervenções pela cidade, isto é, a proposta, primeiramente, é atuar como músicos de rua. Mas somos, acima de tudo, músicos. O repertório abarca diversos estilos, mas os mais presentes fazem parte da música brasileira, principalmente a regional.
A página no facebook traz, também, a lista dos músicos:
Felipe Lemos - Pandeiro
Mário Laignier - Violino
Yuri Rodrigues - Banjo
Tive a honra de ver e ouvir o Felipe (o do pandeiro) e o Yuri (músico freelancer, compositor, arranjador, intérprete, professor particular... sim, é este com quem me casaria HAHAHA, falando mais sério: ele também tem uma página no facebook). Nessa ocasião o violonista, Mário, (provavelmente) tinha sido substituído por um outro músico que tocava uma escaleta (o instrumento de sopro com o teclado), parecido com o Jamiliano, mas não tenho certeza...
17 de setembro de 2013
Olavo de Carvalho
Recentemente, um amigo meu me mostrou o livro de Olavo de Carvalho "O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota" que tinha comprado. A apresentação dele foi feita com aquele brilho nos olhos que me deixou curioso. O amigo me disse que, para compreender melhor o conteúdo do livro, ele vai intercalar a leitura com os inúmeros vídeos, gravados pelo autor e disponíveis no YouTube. Curioso por natureza, fui lá para ver do que se trata. Já sabia que o cara é um filósofo e jornalista. Descobri que é, também, ex-astrólogo (o que explica muita coisa). Bem... assisti alguns vídeos e já sei que NÃO VOU LER aquele livro. Para mim foi mais que suficiente, ouvir as declarações do tipo:
- Vamos falar o português claro: no que consiste a homoafetividade masculina, né? Consiste um comer o cu do outro, meu filho. Consiste na boa e velha sodomia, você tá entendendo?
- A homofobia jamais existiu!
- [referindo-se ao Deputado Jean Wyllys] Você está nos acusando de incentivar uma violência que nem sequer existe. Você me pega esses 100 casos, onde não tem conexão alguma entre o discurso religioso e esses crimes... Ele vem com esses 100 casos de gays mortos que ele não tem nem sequer a prova que foi por preconceito antigay... Vocês, gauzistas, matam os cristãos desde I século! Vocês são os assassinos de cristãos! Desde o século I vocês são!
Quem tiver paciência, assista esses dois vídeos (existem muitos outros!), mas a minha conclusão, inspirada no título daquele livro, é: O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota, é ler os livros de Olavo de Carvalho e assistir os vídeos dele...
Quem quiser, tire as suas próprias conclusões (porra! - como diria Olavo de Carvalho)
16 de setembro de 2013
A prova de fogo
Escrevi recentemente sobre a hetronormatividade como algo que, infelizmente, ainda existe e, muito provavelmente, tem uma vida longa pela frente. A minha tese é que, apesar de todos os seus defeitos, esse fenômeno pode contribuir para o bem das pessoas que não sejam heterossexuais. Evidentemente, é necessário retirar tudo que naquele sistema filosófico-social tenha qualquer cheiro de preconceito. Porém, como se trata de relacionamento amoroso entre dois seres humanos, independentemente de sua orientação sexual, podemos encontrar nas experiências de casais heterossexuais muita coisa útil e aproveitá-la para nossa vivência homossexual. Como uma verdadeira "prova de fogo", gostaria de convidar a todos a uma sessão cinematográfica. Este, também, é o título do filme: "A prova de fogo".
Provavelmente seja necessário deixar aqui uma advertência: o filme é evangélico, dura quase duas horas e aborda o tema de relacionamento conjugal, evidentemente, heterossexual. A pergunta que fiz a mim mesmo e quero fazer aos eventuais leitores/espectadores, é: o que posso aprender com a experiência de um casal, formado por um homem e uma mulher e ainda buscando os argumentos na Bíblia e na fé? Bem... eu acho que, neste caso, posso aprender muito. E digo mais: lamento não ter conhecido este filme (e o livro "O Desafio de Amar" que é uma referência para o roteiro) na época em que vivi cada um dos meus relacionamentos. Creio muito que eles (ou, pelo menos um deles) pudesse ter uma história diferente e hoje eu não estaria sozinho... Mas, tenho a esperança de que, um dia, poderei colocar em prática algumas orientações práticas do filme (e do livro). Só falta um candidato que queira experimentar isso comigo...
Agora vem o que interessa. Imagino que não vou conseguir convencer ninguém de ler o texto somente depois de assistir o filme, embora fosse melhor, na minha modesta opinião. Enfim, tanto faz, pode continuar a leitura...
O principal destinatário deste material (o filme + o livro) é alguém que enfrenta problemas de relacionamento, principalmente conjugal, mas, igualmente, pode servir aos namorados e, até, aquele solteiro que queira realizar uma espécie de simulação para se preparar ao futuro convívio com alguém especial. O meu propósito é provar que as orientações, elaboradas originalmente com a finalidade de ajudar os casais heterossexuais, podem se aplicar muito bem nos relacionamentos homossexuais, requerendo apenas pouquíssimas adaptações.
O livro de Stephen & Alex Kendrick com Lawrence Kibrought, "O desafio de amar" (BV Films Editora Ltda, Niterói - RJ, 2009) traz a seguinte apresentação:
O desafio de amar é um desafio de 40 dias para maridos e esposas que desejam entender e praticar o amor incondicional. Independentemente de como está o seu casamento, ameaçado ou saudável, O desafio de amar é uma estrada que precisa ser seguida. É hora de descobrir os segredos de um casamento cheio de vida e da verdadeira intimidade. Aceite o desafio! "Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba". (1 Coríntios 13:7-8). OUSE AMAR
A realização deste desafio de amar fica muito melhor com o livro que, além de uma tarefa para cada dia, traz uma fundamentação bíblica e a motivação detalhada para cada passo (e ainda tem espaço para as anotações). Encontrei o livro nas seguintes livrarias: Saraiva, Submarino, gospelgoods. Pode ser encontrado, também, em forma de arquivo pdf para baixar, p. ex.: aqui.
Para quem não tiver vontade de ler o livro, transcrevo aqui as tarefas para 40 dias que podem ser modificadas, de acordo com a situação em que cada um está vivendo. Evidentemente, a realização mais completa, só é possível no caso de um casal que mora junto, mas - com adaptações que se fizerem necessárias - as tarefas podem ser cumpridas, também, pelos namorados. A dinâmica do desafio prevê a ação, digamos, unilateral e um tanto secreta (para preservar o elemento surpresa). Quer dizer: um segue o desafio e surpreende o outro. Aconselha-se, também, o uso de anotações (um caderno ou, quem sabe, um blog...).
Vamos lá...
1° dia [O Amor é paciente] : Decida demonstrar paciência e de modo algum diga algo negativo para o seu cônjuge (namorado). Se a tentação surgir, não diga nada. É melhor segurar a língua do que dizer algo de que possa se arrepender depois. (Leituras bíblicas: Ef 4, 2; 1Tes 5, 15; Tg 1, 19; Pr 14, 29; 15, 18)
2° dia [O Amor é bondoso]: Além de, mais uma vez, não dizer palavras negativas ao seu cônjuge (namorado) hoje, demonstre bondade com, no mínimo, um gesto inesperado. (Leituras bíblicas: Ef 4, 32; Lc 10, 30-35; Pr 31, 26)
3° dia [O Amor não é egoísta]: Aquilo em que você colocar seu tempo, energia e dinheiro, será mais importante para você. É difícil se importar com algo em que você não está investindo. Além de evitar comentários negativos, compre para o seu cônjuge (namorado) alguma coisa que diga: "eu estava pensando em você hoje". (Leituras bíblicas: Rm 12, 1; 1Cor 13, 5; Flp 2, 3; Tg 3, 16)
4° dia [O Amor é atencioso]: Faça contato com o seu cônjuge (namorado) em algum momento durante a agitação do dia. Não faça outra coisa senão perguntar como ele está e se tem algo que você pode fazer por ele. (Leituras bíblicas: Gn 2, 18; Flp 1, 3)
5° dia [O Amor não maltrata]: Peça ao seu cônjuge (namorado) para lhe dizer três coisas sobre você que o deixam desconfortável e irritado. Faça isso sem atacá-lo e sem justificar seu comportamento. Preocupe-se apenas com a perspectiva dele. (Leituras bíblicas: Lc 6, 31; Pr 25, 24)
6° dia [O Amor não se irrita facilmente]: Escolha hoje para reagir de maneira amorosa, apesar das circunstâncias do seu casamento (namoro, relacionamento). Comece fazendo uma lista das áreas em que você precisa separar um tempo para respirar. Então, faça uma lista das motivações negativas e abra mão delas. (Leituras bíblicas: Mt 12, 34; Col 3, 12-14; Flp 4, 6-7; Tg 4, 1-3; Ef 4, 31)
7° dia [O Amor acredita sempre no melhor]: Para o desafio de hoje, pegue duas folhas de papel. Na primeira, passe alguns minutos escrevendo coisas positivas a respeito do seu cônjuge (namorado). Depois, na segunda folha, faça o mesmo com as coisas negativas. Coloque as duas folhas em um lugar secreto para o próximo dia. Existe um propósito e um plano diferente para cada uma dessas listas. Em algum ponto durante o resto do dia, escolha um atributo positivo e agradeça ao seu cônjuge (namorado) por ter essa característica. (Leituras bíblicas: 1Cor 13, 7; Flp 4, 8)
8° dia [O Amor não arde em ciúmes]: Decida ser o maior fã do seu cônjuge (namorado), e decida rejeitar qualquer pensamento invejoso. Para ajudá-lo a manter o coração em seu cônjuge (namorado) e a focar nas conquistas dele, pegue a lista de atributos negativos que você fez ontem e, discretamente, queime-a. Depois, compartilhe com seu cônjuge (namorado) o quanto você está feliz com o sucesso que ele conquistou recentemente. (Leituras bíblicas: Rm 12, 15; Tg 3, 16. 4, 1-2; Ct 8, 6; Pr 27, 4)
9° dia [O Amor deixa boas impressões]: Pense em uma maneira especial de cumprimentar o seu cônjuge (namorado) hoje. Faça isso com um sorriso e com entusiasmo. Então, decida mudar a maneira como o cumprimenta de modo que reflita o seu amor por ele. (Leituras bíblicas: 1Pd 5, 14; Fm 7)
10° dia [O Amor é incondicional]: Faça algo fora do normal para o seu cônjuge (namorado) - algo que prove (para você e para ele) que o seu amor é baseado em suas escolhas e em nada mais. Lave o carro dele. Limpe a cozinha. Compre a sobremesa favorita dele. Dobre as roupas lavadas. Demonstre amor pela simples alegria de serem parceiros no casamento (namoro). (Leituras bíblicas: Rm 5, 8; 1Jo 30, 10. 4, 19)
11° dia [O Amor cuida]: Quais as necessidades do seu marido (namorado) podem ser supridas por você hoje? Você pode adiar uma viagem de negócios? Fazer uma massagem nas costas ou no pé dele? Tem algum trabalho doméstico onde possa ajudar? Escolha um gesto hoje, diga, "eu cuido de você" e faça isso com um sorriso. (Leitura bíblica: Mc 10, 51)
12° dia [O Amor deixa o outro vencer]: Demonstre amor através da disposição, escolhendo ceder em uma área de desacordo entre você e seu cônjuge (namorado). Diga a ele que você está colocando a preferência dele em primeiro lugar. (Leituras bíblicas: Rm 12, 18; Flp 2, 4-5; Tg 3, 17)
13° dia [O Amor é justo]: Converse com o seu cônjuge (namorado) e estabeleça regras saudáveis de conflito. Se ele não estiver pronto para isso, então escreva os seus limites pessoais para a "briga". Decida colocá-los em prática quando o próximo desentendimento ocorrer. (Leituras bíblicas: Mt 7, 3; Mc 3, 25; Rm 12, 16)
14° dia [O Amor sente prazer]: Propositadamente, negligencie uma atividade que normalmente faria. Para gastar um tempo de qualidade com o seu cônjuge (namorado). Faça algo que ele amaria fazer, ou um projeto que ele gostaria muito de realizar. Apenas estejam juntos. (Leituras bíblicas: Ct 2, 3-4; Pr 23, 26)
15° dia [O Amor é nobre]: Escolha uma maneira de demonstrar honra e respeito ao seu cônjuge (namorado) que vá além da sua rotina. Pode ser abrir a porta para ele. Pode ser separar as roupas que ele irá vestir. Pode ser a forma como você ouve e fala com ele. Mostre ao seu cônjuge (namorado) que ele é altamente honrado aos seus olhos. (Leituras bíblicas: Rm 12, 10; 13, 7)
16° dia [O Amor intercede]: Comece hoje orando pelo coração do seu cônjuge (namorado). Ore por três áreas específicas da vida dele onde você deseja que Deus trabalhe. Ore por seu casamento (namoro, relacionamento). (Leituras bíblicas: Mt 7, 7; Lc 18, 1; Flp 4, 6-7; Tg 5, 16; 3Jo 2)
17° dia [O Amor traz intimidade]: Decida guardar os segredos do seu cônjuge (namorado), (a menos que seja perigoso para ele ou para você) e orar por ele. Fale com ele e demonstre amor, apesar desses segredos. Ouça-o quando ele compartilha com você seus pensamentos mais secretos e suas lutas. Faça com que ele se sinta seguro. (Leituras bíblicas: Gn 2, 25; Pr 17, 9; Ct 6, 3; 1Jo 4, 18)
18° dia [O Amor busca entender]: Prepare um jantar especial em casa só para vocês dois. O jantar pode ser tão agradável quanto você preferir. Separe este momento para conhecer seu cônjuge (namorado) melhor, talvez em áreas que vocês raramente conversam. Decida fazer desta uma noite agradável para você e para o seu amor. (Leituras bíblicas: Pr 3, 13; 4, 7; 24, 3-4)
19° dia [É impossível Amar?]: Olhe os desafios dos dias anteriores. Existe algum que parecia impossível para você? Você percebeu que precisa de Deus para mudar seu coração e lhe dar capacidade para amar? Peça a Ele para mostrar onde você precisa da intervenção Dele, e peça força e graça para cumprir o seu destino eterno. (Leituras bíblicas: Mt 19, 26; 1Jo 4, 7)
20° dia [Jesus Cristo é amor]: Desafio você a conhecer a Deus pela palavra. Desafio você a crer em Jesus como seu Salvador. Desafio você a orar: "Senhor Jesus, sou pecador, mas o Senhor mostrou o seu amor por mim morrendo para perdoar os meus pecados e o Senhor provou o seu poder de me salvar da morte através da ressurreição. Senhor, mude o meu coração, e salve-me pela sua graça." (Leituras bíblicas: Rm 5, 7-8; 2Cor 6, 2; Ef 2, 8-9; 1Jo 4, 8)
21° dia [O Amor é saciado em Deus]: Separe hoje um tempo para orar e ler a Bíblia. Tente ler um capítulo de Provérbios (são trinta e um - um suprimento para o mês todo), ou um capítulo do Evangelho (Mt, Mc, Lc, Jo) a cada dia. Enquanto você faz isso, mergulhe no amor e nas promessas que Deus tem para você. Isso lhe proporcionará crescimento na sua caminhada com Ele. (Leituras bíblicas: Jo 4, 10; Flp 4, 6-7. 19; Is 58, 11)
22° dia [O Amor é fiel]: Amar é uma escolha. Não um sentimento. É uma ação inicial não uma ação automática. Hoje, escolha estar comprometido a amar, mesmo que seu cônjuge (namorado) tenha perdido o interesse em receber o seu amor. Diga a ele hoje, com palavras semelhantes a essas, "eu amo você e ponto final. Eu escolho amar você mesmo se você não me amar em troca". (Leitura bíblica: Lc 6, 32-33)
23°dia [O Amor sempre protege]: Remova qualquer coisa que esteja atrapalhando seu relacionamento, qualquer vício ou influência que esteja se infiltrando em seu amor e afastando seu coração do seu cônjuge (namorado). (Leituras bíblicas: Mt 24, 43; 1Cor 13, 7)
24° dia [Amor x cobiça]: Acabe com a cobiça agora. Identifique todo objeto dela em sua vida e remova-o. Rejeite todas as mentiras em que você acreditava ter prazer. A cobiça não pode terá permissão de ficar por perto. Ela deve ser destruída e exterminada - hoje - e substituída pelas promessas de Deus e por um coração cheio do seu perfeito amor. (Leituras bíblicas: Mt 6, 25-34; 1Tm 6, 7)
25° dia [O Amor perdoa]: Seja o que for que você ainda não perdoou em seu cônjuge (namorado), perdoe hoje. Esqueça. Assim como pedimos a Deus para "perdoar as nossas ofensas" a cada dia, devemos pedir a Deus para ajudar-nos a "perdoar a quem nos tem ofendido" a cada dia também. A falta de perdão tem mantido você e seu cônjuge (namorado) na prisão por muito tempo. Diga de coração, "eu escolhi perdoar". (Leitura bíblica: Mt 18, 21-35)
26° dia [O Amor é responsável]: Separe um tempo para orar pelas áreas onde você tem errado. Peça o perdão de Deus, então, humilhe-se a ponto de admiti-los ao seu cônjuge (namorado). Faça isso sinceramente e verdadeiramente. Peça perdão a seu cônjuge (namorado) também. Não importa como ele irá responder, certifique-se de ter assumido sua responsabilidade em amor. Mesmo se ele responder com uma crítica, aceite-a como um conselho. (Leituras bíblicas: Rm 2, 1; 1Jo 1, 8-9)
27° dia [O Amor encoraja]: Elimine do seu lar (do seu namoro, do seu convívio) o veneno das expectativas erradas. Pense em uma área onde seu cônjuge (namorado) tenha dito que você está esperando muito, e diga a ele que você está arrependido por ter exigido muito dele. Prometa que você procurará entendê-lo, e o assegure de seu amor incondicional. (Leituras bíblicas: 1Tes 5, 11; Hbr 10, 24)
28° dia [O Amor se sacrifica]: Qual é a maior necessidade do seu cônjuge (namorado) nesse momento? Existe alguma necessidade que você pode suprir hoje através de um ato corajoso de sacrifício da sua parte? Independente da necessidade ser grande ou pequena. Proponha-se a fazer o que você puder para suprir essa necessidade. (Leituras bíblicas: Mt 25, 35-36; Gl 6, 2; 1Jo 3, 16)
29° dia [A motivação do Amor]: Antes de ver seu cônjuge (namorado) hoje, ore por ele e por suas necessidades. Diga "eu te amo", sendo fácil para você ou não. Então expresse amor de maneira sensível. Volte-se a Deus em oração mais uma vez, agradecendo a Ele por ter lhe dado o privilégio de amar essa pessoa tão especial - incondicionalmente. Assim como Ele ama vocês dois. (Leituras bíblicas: Jo 15, 12-17; Cl 3, 23)
30° dia [O Amor traz unidade]: Separe uma área que causa divisão em seu casamento (namoro, relacionamento) e olhe para ela hoje como uma oportunidade de orar. Peça a Deus para revelar o que há no seu ração que está ameaçando sua unidade com seu cônjuge (namorado). Ore para que Deus faça o mesmo com ele. E se for apropriado, discuta abertamente esse problema, buscando em Deus a unidade. (Leituras bíblicas: Gn 1, 26; Jo 17, 11)
31° dia [O Amor e o casamento]: Existe algum "rompimento" (com a família ou os amigos) que você ainda não teve coragem de realizar? Confesse-o ao seu cônjuge (namorado) hoje, e decida agir corretamente. A unidade do seu casamento (namoro, relacionamento) depende disso. Siga a unidade com o compromisso com seu cônjuge (namorado) e com Deus de fazer do seu casamento (namoro) o relacionamento humano mais importante da sua vida. (Leitura bíblica: Lc 9, 57-62)
32° dia [O Amor satisfaz as necessidades sexuais]: Se possível, relacione-se sexualmente com o seu marido (namorado) hoje. Faça isso de maneira que honre o que seu cônjuge (namorado) lhe disse (ou deixou implícito) a respeito das necessidades dele em relação à sexualidade. Peça a Deus para que esse momento seja agradável para os dois e para que também seja um caminho para uma intimidade cada vez maior. (Leitura bíblica: Ct 5, 10-16). Observação: No caso de namorados que ainda não tiveram a experiência de intimidade sexual, a tarefa deste dia não deve ser compreendida como obrigatória, no sentido literal. Pode ser substituída pelas atitudes de carinho e de intimidade, dentro dos atuais padrões de relacionamento.
33° dia [O Amor completa um ao outro]: Faça-o saber hoje que você deseja incluí-lo em suas próximas decisões, e que você precisa do seu conselho e ponto de vista. Se você ignorou as ideias dele no passado, admita seu descuido e peça-o para perdoá-lo. (Leituras bíblicas: Cl 3, 14-15; Ecl 4, 9-11)
34° dia [O Amor celebra a Deus]: Encontre um exemplo específico e recente de quando seu cônjuge (namorado) demonstrou o caráter cristão de forma notável. Elogie-o verbalmente por isto em algum momento do dia. (Leitura bíblica: 2Ts 1, 3-4)
35° dia [O Amor presta contas]: Busque um conselheiro para casais - alguém que seja um cristão firme e que será honesto e amoroso (e isento de homofobia). Se você sente que o aconselhamento é necessário, então dê o primeiro passo para marcar o primeiro encontro. Durante esse processo, peça a Deus para direcionar suas decisões e discernimento. (Leitura bíblica: Lc 3, 10-14)
36° dia [O Amor é a palavra de Deus]: Tenha o compromisso de ler a Bíblia todos os dias. Encontre um livro devocional ou outra fonte que lhe servirá como guia. Se seu cônjuge (namorado) está aberto a isto, veja se ele se comprometerá a ler a Bíblia diariamente (ou frequentemente) com você. Inicie submetendo cada área da sua vida à direção da palavra de Deus e comece a construir a sua vida e seu casamento (namoro, relacionamento) na rocha. (Leituras bíblicas: Rm 15, 4; 2Tm 3, 14)
37° dia [O Amor concorda em Oração]: Pergunte ao seu cônjuge (namorado) se vocês podem começar a orar juntos. Conversem sobre a melhor hora para fazer isso, seja pela manha na hora do almoço ou antes de dormir. Utilize este tempo para colocar suas preocupações, discórdias e necessidades diante do Senhor. Não esqueça de agradecê-lo pela provisão e pelas bênçãos. Mesmo se o seu cônjuge (namorado) se recusara fazer isso, decida ter esse tempo de oração diariamente, ainda que sozinho. (Leituras bíblicas: Lc 11, 5-13; Mt 18, 19-20)
38° dia [O Amor realiza sonhos]: Pergunte a si mesmo o que o seu cônjuge (namorado) iria querer, se fosse possível de obter. Leve isso em oração e comece a mapear um plano para atender a alguns (se não todos) desses desejos, em todos os níveis possíveis. (Leituras bíblicas: Rm 5, 8; 2Cor 9, 8)
39° dia [O Amor permanece]: Passe um tempo orando individualmente, então escreva uma carta de comprometimento ao seu cônjuge (namorado). Inclua a razão pela qual está se comprometendo com este casamento até a morte (ou namoro, relacionamento) e que decidiu amá-lo, não importam as razões. Deixe-a em um lugar onde o seu cônjuge (namorado) possa encontrá-la. (Leituras bíblicas: 1Cor 13, 8; 1Jo 3, 16.18)
40° dia [O Amor é uma aliança]: Escreva novas promessas assim como você fez no dia do seu casamento (compromisso, início de namoro). Guarde-as em algum lugar da sua casa. Talvez, se for apropriado (e possível), você possa renovar essas promessas formalmente diante de um ministro e com a família presente. Faça dessas promessas um testamento vivo do valor do casamento (namoro) aos olhos de Deus e da grande honra de ser um com seu cônjuge (namorado). (Leituras bíblicas: Jo 15, 9; 1Sm 18, 1-4)
Parabéns! Você chegou ao final de O Desafio de Amar - o livro. Mas a experiência e o desafio de amar o seu cônjuge (namorado) é algo que não tem que ter um fim. Continua para o resto da sua vida. Este livro termina no 40° dia, mas quem disse que o seu desafio terminou? E, à medida que você vê o seu casamento (namoro, relacionamento) por essa perspectiva, nós desafiamos você a considerá-lo como uma aliança e não como um contrato. Essas duas palavras são parecidas em significado e intenção, mas, na realidade, são bastante diferentes. Ver o casamento como um contrato é como dizer ao seu cônjuge: "Eu tomo você para mim e vamos ver se dá certo". Porém, vê-lo como uma aliança muda a fala para: "Eu me entrego a você e me comprometo com este casamento por toda a minha vida".
O principal destinatário deste material (o filme + o livro) é alguém que enfrenta problemas de relacionamento, principalmente conjugal, mas, igualmente, pode servir aos namorados e, até, aquele solteiro que queira realizar uma espécie de simulação para se preparar ao futuro convívio com alguém especial. O meu propósito é provar que as orientações, elaboradas originalmente com a finalidade de ajudar os casais heterossexuais, podem se aplicar muito bem nos relacionamentos homossexuais, requerendo apenas pouquíssimas adaptações.
O livro de Stephen & Alex Kendrick com Lawrence Kibrought, "O desafio de amar" (BV Films Editora Ltda, Niterói - RJ, 2009) traz a seguinte apresentação:
O desafio de amar é um desafio de 40 dias para maridos e esposas que desejam entender e praticar o amor incondicional. Independentemente de como está o seu casamento, ameaçado ou saudável, O desafio de amar é uma estrada que precisa ser seguida. É hora de descobrir os segredos de um casamento cheio de vida e da verdadeira intimidade. Aceite o desafio! "Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acaba". (1 Coríntios 13:7-8). OUSE AMAR
A realização deste desafio de amar fica muito melhor com o livro que, além de uma tarefa para cada dia, traz uma fundamentação bíblica e a motivação detalhada para cada passo (e ainda tem espaço para as anotações). Encontrei o livro nas seguintes livrarias: Saraiva, Submarino, gospelgoods. Pode ser encontrado, também, em forma de arquivo pdf para baixar, p. ex.: aqui.
Para quem não tiver vontade de ler o livro, transcrevo aqui as tarefas para 40 dias que podem ser modificadas, de acordo com a situação em que cada um está vivendo. Evidentemente, a realização mais completa, só é possível no caso de um casal que mora junto, mas - com adaptações que se fizerem necessárias - as tarefas podem ser cumpridas, também, pelos namorados. A dinâmica do desafio prevê a ação, digamos, unilateral e um tanto secreta (para preservar o elemento surpresa). Quer dizer: um segue o desafio e surpreende o outro. Aconselha-se, também, o uso de anotações (um caderno ou, quem sabe, um blog...).
Vamos lá...
1° dia [O Amor é paciente] : Decida demonstrar paciência e de modo algum diga algo negativo para o seu cônjuge (namorado). Se a tentação surgir, não diga nada. É melhor segurar a língua do que dizer algo de que possa se arrepender depois. (Leituras bíblicas: Ef 4, 2; 1Tes 5, 15; Tg 1, 19; Pr 14, 29; 15, 18)
2° dia [O Amor é bondoso]: Além de, mais uma vez, não dizer palavras negativas ao seu cônjuge (namorado) hoje, demonstre bondade com, no mínimo, um gesto inesperado. (Leituras bíblicas: Ef 4, 32; Lc 10, 30-35; Pr 31, 26)
3° dia [O Amor não é egoísta]: Aquilo em que você colocar seu tempo, energia e dinheiro, será mais importante para você. É difícil se importar com algo em que você não está investindo. Além de evitar comentários negativos, compre para o seu cônjuge (namorado) alguma coisa que diga: "eu estava pensando em você hoje". (Leituras bíblicas: Rm 12, 1; 1Cor 13, 5; Flp 2, 3; Tg 3, 16)
4° dia [O Amor é atencioso]: Faça contato com o seu cônjuge (namorado) em algum momento durante a agitação do dia. Não faça outra coisa senão perguntar como ele está e se tem algo que você pode fazer por ele. (Leituras bíblicas: Gn 2, 18; Flp 1, 3)
5° dia [O Amor não maltrata]: Peça ao seu cônjuge (namorado) para lhe dizer três coisas sobre você que o deixam desconfortável e irritado. Faça isso sem atacá-lo e sem justificar seu comportamento. Preocupe-se apenas com a perspectiva dele. (Leituras bíblicas: Lc 6, 31; Pr 25, 24)
6° dia [O Amor não se irrita facilmente]: Escolha hoje para reagir de maneira amorosa, apesar das circunstâncias do seu casamento (namoro, relacionamento). Comece fazendo uma lista das áreas em que você precisa separar um tempo para respirar. Então, faça uma lista das motivações negativas e abra mão delas. (Leituras bíblicas: Mt 12, 34; Col 3, 12-14; Flp 4, 6-7; Tg 4, 1-3; Ef 4, 31)
7° dia [O Amor acredita sempre no melhor]: Para o desafio de hoje, pegue duas folhas de papel. Na primeira, passe alguns minutos escrevendo coisas positivas a respeito do seu cônjuge (namorado). Depois, na segunda folha, faça o mesmo com as coisas negativas. Coloque as duas folhas em um lugar secreto para o próximo dia. Existe um propósito e um plano diferente para cada uma dessas listas. Em algum ponto durante o resto do dia, escolha um atributo positivo e agradeça ao seu cônjuge (namorado) por ter essa característica. (Leituras bíblicas: 1Cor 13, 7; Flp 4, 8)
8° dia [O Amor não arde em ciúmes]: Decida ser o maior fã do seu cônjuge (namorado), e decida rejeitar qualquer pensamento invejoso. Para ajudá-lo a manter o coração em seu cônjuge (namorado) e a focar nas conquistas dele, pegue a lista de atributos negativos que você fez ontem e, discretamente, queime-a. Depois, compartilhe com seu cônjuge (namorado) o quanto você está feliz com o sucesso que ele conquistou recentemente. (Leituras bíblicas: Rm 12, 15; Tg 3, 16. 4, 1-2; Ct 8, 6; Pr 27, 4)
9° dia [O Amor deixa boas impressões]: Pense em uma maneira especial de cumprimentar o seu cônjuge (namorado) hoje. Faça isso com um sorriso e com entusiasmo. Então, decida mudar a maneira como o cumprimenta de modo que reflita o seu amor por ele. (Leituras bíblicas: 1Pd 5, 14; Fm 7)
10° dia [O Amor é incondicional]: Faça algo fora do normal para o seu cônjuge (namorado) - algo que prove (para você e para ele) que o seu amor é baseado em suas escolhas e em nada mais. Lave o carro dele. Limpe a cozinha. Compre a sobremesa favorita dele. Dobre as roupas lavadas. Demonstre amor pela simples alegria de serem parceiros no casamento (namoro). (Leituras bíblicas: Rm 5, 8; 1Jo 30, 10. 4, 19)
11° dia [O Amor cuida]: Quais as necessidades do seu marido (namorado) podem ser supridas por você hoje? Você pode adiar uma viagem de negócios? Fazer uma massagem nas costas ou no pé dele? Tem algum trabalho doméstico onde possa ajudar? Escolha um gesto hoje, diga, "eu cuido de você" e faça isso com um sorriso. (Leitura bíblica: Mc 10, 51)
12° dia [O Amor deixa o outro vencer]: Demonstre amor através da disposição, escolhendo ceder em uma área de desacordo entre você e seu cônjuge (namorado). Diga a ele que você está colocando a preferência dele em primeiro lugar. (Leituras bíblicas: Rm 12, 18; Flp 2, 4-5; Tg 3, 17)
13° dia [O Amor é justo]: Converse com o seu cônjuge (namorado) e estabeleça regras saudáveis de conflito. Se ele não estiver pronto para isso, então escreva os seus limites pessoais para a "briga". Decida colocá-los em prática quando o próximo desentendimento ocorrer. (Leituras bíblicas: Mt 7, 3; Mc 3, 25; Rm 12, 16)
14° dia [O Amor sente prazer]: Propositadamente, negligencie uma atividade que normalmente faria. Para gastar um tempo de qualidade com o seu cônjuge (namorado). Faça algo que ele amaria fazer, ou um projeto que ele gostaria muito de realizar. Apenas estejam juntos. (Leituras bíblicas: Ct 2, 3-4; Pr 23, 26)
15° dia [O Amor é nobre]: Escolha uma maneira de demonstrar honra e respeito ao seu cônjuge (namorado) que vá além da sua rotina. Pode ser abrir a porta para ele. Pode ser separar as roupas que ele irá vestir. Pode ser a forma como você ouve e fala com ele. Mostre ao seu cônjuge (namorado) que ele é altamente honrado aos seus olhos. (Leituras bíblicas: Rm 12, 10; 13, 7)
16° dia [O Amor intercede]: Comece hoje orando pelo coração do seu cônjuge (namorado). Ore por três áreas específicas da vida dele onde você deseja que Deus trabalhe. Ore por seu casamento (namoro, relacionamento). (Leituras bíblicas: Mt 7, 7; Lc 18, 1; Flp 4, 6-7; Tg 5, 16; 3Jo 2)
17° dia [O Amor traz intimidade]: Decida guardar os segredos do seu cônjuge (namorado), (a menos que seja perigoso para ele ou para você) e orar por ele. Fale com ele e demonstre amor, apesar desses segredos. Ouça-o quando ele compartilha com você seus pensamentos mais secretos e suas lutas. Faça com que ele se sinta seguro. (Leituras bíblicas: Gn 2, 25; Pr 17, 9; Ct 6, 3; 1Jo 4, 18)
18° dia [O Amor busca entender]: Prepare um jantar especial em casa só para vocês dois. O jantar pode ser tão agradável quanto você preferir. Separe este momento para conhecer seu cônjuge (namorado) melhor, talvez em áreas que vocês raramente conversam. Decida fazer desta uma noite agradável para você e para o seu amor. (Leituras bíblicas: Pr 3, 13; 4, 7; 24, 3-4)
19° dia [É impossível Amar?]: Olhe os desafios dos dias anteriores. Existe algum que parecia impossível para você? Você percebeu que precisa de Deus para mudar seu coração e lhe dar capacidade para amar? Peça a Ele para mostrar onde você precisa da intervenção Dele, e peça força e graça para cumprir o seu destino eterno. (Leituras bíblicas: Mt 19, 26; 1Jo 4, 7)
20° dia [Jesus Cristo é amor]: Desafio você a conhecer a Deus pela palavra. Desafio você a crer em Jesus como seu Salvador. Desafio você a orar: "Senhor Jesus, sou pecador, mas o Senhor mostrou o seu amor por mim morrendo para perdoar os meus pecados e o Senhor provou o seu poder de me salvar da morte através da ressurreição. Senhor, mude o meu coração, e salve-me pela sua graça." (Leituras bíblicas: Rm 5, 7-8; 2Cor 6, 2; Ef 2, 8-9; 1Jo 4, 8)
21° dia [O Amor é saciado em Deus]: Separe hoje um tempo para orar e ler a Bíblia. Tente ler um capítulo de Provérbios (são trinta e um - um suprimento para o mês todo), ou um capítulo do Evangelho (Mt, Mc, Lc, Jo) a cada dia. Enquanto você faz isso, mergulhe no amor e nas promessas que Deus tem para você. Isso lhe proporcionará crescimento na sua caminhada com Ele. (Leituras bíblicas: Jo 4, 10; Flp 4, 6-7. 19; Is 58, 11)
22° dia [O Amor é fiel]: Amar é uma escolha. Não um sentimento. É uma ação inicial não uma ação automática. Hoje, escolha estar comprometido a amar, mesmo que seu cônjuge (namorado) tenha perdido o interesse em receber o seu amor. Diga a ele hoje, com palavras semelhantes a essas, "eu amo você e ponto final. Eu escolho amar você mesmo se você não me amar em troca". (Leitura bíblica: Lc 6, 32-33)
23°dia [O Amor sempre protege]: Remova qualquer coisa que esteja atrapalhando seu relacionamento, qualquer vício ou influência que esteja se infiltrando em seu amor e afastando seu coração do seu cônjuge (namorado). (Leituras bíblicas: Mt 24, 43; 1Cor 13, 7)
24° dia [Amor x cobiça]: Acabe com a cobiça agora. Identifique todo objeto dela em sua vida e remova-o. Rejeite todas as mentiras em que você acreditava ter prazer. A cobiça não pode terá permissão de ficar por perto. Ela deve ser destruída e exterminada - hoje - e substituída pelas promessas de Deus e por um coração cheio do seu perfeito amor. (Leituras bíblicas: Mt 6, 25-34; 1Tm 6, 7)
25° dia [O Amor perdoa]: Seja o que for que você ainda não perdoou em seu cônjuge (namorado), perdoe hoje. Esqueça. Assim como pedimos a Deus para "perdoar as nossas ofensas" a cada dia, devemos pedir a Deus para ajudar-nos a "perdoar a quem nos tem ofendido" a cada dia também. A falta de perdão tem mantido você e seu cônjuge (namorado) na prisão por muito tempo. Diga de coração, "eu escolhi perdoar". (Leitura bíblica: Mt 18, 21-35)
26° dia [O Amor é responsável]: Separe um tempo para orar pelas áreas onde você tem errado. Peça o perdão de Deus, então, humilhe-se a ponto de admiti-los ao seu cônjuge (namorado). Faça isso sinceramente e verdadeiramente. Peça perdão a seu cônjuge (namorado) também. Não importa como ele irá responder, certifique-se de ter assumido sua responsabilidade em amor. Mesmo se ele responder com uma crítica, aceite-a como um conselho. (Leituras bíblicas: Rm 2, 1; 1Jo 1, 8-9)
27° dia [O Amor encoraja]: Elimine do seu lar (do seu namoro, do seu convívio) o veneno das expectativas erradas. Pense em uma área onde seu cônjuge (namorado) tenha dito que você está esperando muito, e diga a ele que você está arrependido por ter exigido muito dele. Prometa que você procurará entendê-lo, e o assegure de seu amor incondicional. (Leituras bíblicas: 1Tes 5, 11; Hbr 10, 24)
28° dia [O Amor se sacrifica]: Qual é a maior necessidade do seu cônjuge (namorado) nesse momento? Existe alguma necessidade que você pode suprir hoje através de um ato corajoso de sacrifício da sua parte? Independente da necessidade ser grande ou pequena. Proponha-se a fazer o que você puder para suprir essa necessidade. (Leituras bíblicas: Mt 25, 35-36; Gl 6, 2; 1Jo 3, 16)
29° dia [A motivação do Amor]: Antes de ver seu cônjuge (namorado) hoje, ore por ele e por suas necessidades. Diga "eu te amo", sendo fácil para você ou não. Então expresse amor de maneira sensível. Volte-se a Deus em oração mais uma vez, agradecendo a Ele por ter lhe dado o privilégio de amar essa pessoa tão especial - incondicionalmente. Assim como Ele ama vocês dois. (Leituras bíblicas: Jo 15, 12-17; Cl 3, 23)
30° dia [O Amor traz unidade]: Separe uma área que causa divisão em seu casamento (namoro, relacionamento) e olhe para ela hoje como uma oportunidade de orar. Peça a Deus para revelar o que há no seu ração que está ameaçando sua unidade com seu cônjuge (namorado). Ore para que Deus faça o mesmo com ele. E se for apropriado, discuta abertamente esse problema, buscando em Deus a unidade. (Leituras bíblicas: Gn 1, 26; Jo 17, 11)
31° dia [O Amor e o casamento]: Existe algum "rompimento" (com a família ou os amigos) que você ainda não teve coragem de realizar? Confesse-o ao seu cônjuge (namorado) hoje, e decida agir corretamente. A unidade do seu casamento (namoro, relacionamento) depende disso. Siga a unidade com o compromisso com seu cônjuge (namorado) e com Deus de fazer do seu casamento (namoro) o relacionamento humano mais importante da sua vida. (Leitura bíblica: Lc 9, 57-62)
32° dia [O Amor satisfaz as necessidades sexuais]: Se possível, relacione-se sexualmente com o seu marido (namorado) hoje. Faça isso de maneira que honre o que seu cônjuge (namorado) lhe disse (ou deixou implícito) a respeito das necessidades dele em relação à sexualidade. Peça a Deus para que esse momento seja agradável para os dois e para que também seja um caminho para uma intimidade cada vez maior. (Leitura bíblica: Ct 5, 10-16). Observação: No caso de namorados que ainda não tiveram a experiência de intimidade sexual, a tarefa deste dia não deve ser compreendida como obrigatória, no sentido literal. Pode ser substituída pelas atitudes de carinho e de intimidade, dentro dos atuais padrões de relacionamento.
33° dia [O Amor completa um ao outro]: Faça-o saber hoje que você deseja incluí-lo em suas próximas decisões, e que você precisa do seu conselho e ponto de vista. Se você ignorou as ideias dele no passado, admita seu descuido e peça-o para perdoá-lo. (Leituras bíblicas: Cl 3, 14-15; Ecl 4, 9-11)
34° dia [O Amor celebra a Deus]: Encontre um exemplo específico e recente de quando seu cônjuge (namorado) demonstrou o caráter cristão de forma notável. Elogie-o verbalmente por isto em algum momento do dia. (Leitura bíblica: 2Ts 1, 3-4)
35° dia [O Amor presta contas]: Busque um conselheiro para casais - alguém que seja um cristão firme e que será honesto e amoroso (e isento de homofobia). Se você sente que o aconselhamento é necessário, então dê o primeiro passo para marcar o primeiro encontro. Durante esse processo, peça a Deus para direcionar suas decisões e discernimento. (Leitura bíblica: Lc 3, 10-14)
36° dia [O Amor é a palavra de Deus]: Tenha o compromisso de ler a Bíblia todos os dias. Encontre um livro devocional ou outra fonte que lhe servirá como guia. Se seu cônjuge (namorado) está aberto a isto, veja se ele se comprometerá a ler a Bíblia diariamente (ou frequentemente) com você. Inicie submetendo cada área da sua vida à direção da palavra de Deus e comece a construir a sua vida e seu casamento (namoro, relacionamento) na rocha. (Leituras bíblicas: Rm 15, 4; 2Tm 3, 14)
37° dia [O Amor concorda em Oração]: Pergunte ao seu cônjuge (namorado) se vocês podem começar a orar juntos. Conversem sobre a melhor hora para fazer isso, seja pela manha na hora do almoço ou antes de dormir. Utilize este tempo para colocar suas preocupações, discórdias e necessidades diante do Senhor. Não esqueça de agradecê-lo pela provisão e pelas bênçãos. Mesmo se o seu cônjuge (namorado) se recusara fazer isso, decida ter esse tempo de oração diariamente, ainda que sozinho. (Leituras bíblicas: Lc 11, 5-13; Mt 18, 19-20)
38° dia [O Amor realiza sonhos]: Pergunte a si mesmo o que o seu cônjuge (namorado) iria querer, se fosse possível de obter. Leve isso em oração e comece a mapear um plano para atender a alguns (se não todos) desses desejos, em todos os níveis possíveis. (Leituras bíblicas: Rm 5, 8; 2Cor 9, 8)
39° dia [O Amor permanece]: Passe um tempo orando individualmente, então escreva uma carta de comprometimento ao seu cônjuge (namorado). Inclua a razão pela qual está se comprometendo com este casamento até a morte (ou namoro, relacionamento) e que decidiu amá-lo, não importam as razões. Deixe-a em um lugar onde o seu cônjuge (namorado) possa encontrá-la. (Leituras bíblicas: 1Cor 13, 8; 1Jo 3, 16.18)
40° dia [O Amor é uma aliança]: Escreva novas promessas assim como você fez no dia do seu casamento (compromisso, início de namoro). Guarde-as em algum lugar da sua casa. Talvez, se for apropriado (e possível), você possa renovar essas promessas formalmente diante de um ministro e com a família presente. Faça dessas promessas um testamento vivo do valor do casamento (namoro) aos olhos de Deus e da grande honra de ser um com seu cônjuge (namorado). (Leituras bíblicas: Jo 15, 9; 1Sm 18, 1-4)
Parabéns! Você chegou ao final de O Desafio de Amar - o livro. Mas a experiência e o desafio de amar o seu cônjuge (namorado) é algo que não tem que ter um fim. Continua para o resto da sua vida. Este livro termina no 40° dia, mas quem disse que o seu desafio terminou? E, à medida que você vê o seu casamento (namoro, relacionamento) por essa perspectiva, nós desafiamos você a considerá-lo como uma aliança e não como um contrato. Essas duas palavras são parecidas em significado e intenção, mas, na realidade, são bastante diferentes. Ver o casamento como um contrato é como dizer ao seu cônjuge: "Eu tomo você para mim e vamos ver se dá certo". Porém, vê-lo como uma aliança muda a fala para: "Eu me entrego a você e me comprometo com este casamento por toda a minha vida".
10 de setembro de 2013
Not All Like That
Dan Savage, colunista e escritor americano e o seu companheiro, Terry Miller, lançaram em setembro de 2010, nos Estados Unidos, a campanha "It Gets Better Project" (a maioria das fontes em português traduz como "Tudo vai melhorar" - veja aqui o material de Portugal) que divulgou vários vídeos de esperança no YouTube, destinados aos jovens LGBT, vítimas de violência física e psicológica. Surgiu como resposta ao elevado número de estudantes que vinham atentando contra as próprias vidas após terem sido vítimas de bullying na escola e em casa. A intenção foi criar um núcleo pessoal de apoiantes que, em todo o mundo, pudessem dizer aos jovens LGBT que sim, TUDO VAI MELHORAR. Entre os vídeos encontra-se o apelo do presidente Barack Obama, além de Hilary Clinton, do consultor de moda e apresentador Tim Gunn, do pessoal dos Estúdios Pixar Animation, da popstar Kesha, das estrelas do Broadway, da atriz ("Glee") Lea Michele, dos funcionários do facebook, de estudantes do Brigham Young University, universidade privada mantida pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e de muitos outros.
Agora chegou a vez de abrir o espaço aos cristãos que apoiam as pessoas GLBT. O nome do novo projeto é "Not all like that" que pode ser entendido como "Não todos somos assim" (talvez "Não Todos Gostamos Disso") e faz alusão à agressão e ao desprezo que caracterizam a postura de muitos cristãos em relação às pessoas GLBT. A ideia do projeto nasceu no coração de Dan Savage, durante as conversas com os cristãos que diziam: "Nós não somos assim, como tantos cristãos que usurpam para si o dirito de falar em nome de todos os crentes e, na base desta usurpação, condenam os gays, lésbicas e tantos outros". O idealizador do projeto, Dan Savage, diz: "Agora vocês terão um instrumento para dizer abertamente que sendo cristãos, vocês não são assim. Vocês têm que fazer barulho, porque o silêncio só vai ajudar àqueles que prejudicam não só às pessoas GLBT, mas ao próprio cristianismo".
No momento, o site oficial do projeto e todos os vídeos, estão em inglês, mas acredito que em breve, graças ao empenho dos cristãos GLBT do Brasil, ou de Portugal, haverá algo semelhante em português.
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5 de setembro de 2013
Dois depoimentos
Publico dois vídeos, cada um com o depoimento sobre a homossexualidade e a possibilidade/necessidade da aceitação pela família. Esta postagem poderia ser intitulada como "em nome do pai e do filho", mas como escrevo aqui sobre os assuntos ligados à religião, tal frase, certamente, teria causado uma confusão (embora, a aceitação de um filho, ou uma filha homossexual, feita "em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo", seja a melhor de todas!). Os depoentes aqui apresentados não são, literalmente, pai e filho (quer dizer, um não é o filho do outro), mas, de certa maneira, representam milhares de pais e filhos.
Allex, um jovem gay, fala sobre a dificuldade de "sair do armário". Quem quiser, acesse este vídeo diretamente no YouTube e leia os comentários. A maior polêmica foi causada pelo fato de Allex ter usado o termo "dom" em relação à homossexualidade. Queria contribuir aqui para tal entendimento, citando a opinião de um padre jesuíta, James L. Empereur que, em seu livro "Direção espiritual e homossexualidade" (Edições Loyola; São Paulo, 2006), referindo-se aos homossexuais cristãos (mas que, na minha opinião, pode ser estendido a todos os outros... já citei este livro aqui):
Os gays cristãos possuem um carisma análogo ao carisma de uma vocação religiosa. (...) O que diferencia o carisma do homem gay do carisma de um homem membro de uma ordem religiosa é que o do homem gay é um carisma sexual. Assim como Deus ofereceu certo dom aos sacerdotes, irmãos ou irmãs na vida religiosa para que seguissem o evangelho com certo caráter público, assim Ele ofereceu aos homens gays e mulheres lésbicas um dom sexual especial, que exibe de maneira pública a diversidade e a beleza de Deus em nosso mundo. Todas as criaturas de Deus expõem a obra de Deus, mas o mundo também precisa de variação para que a riqueza dessa obra seja inequivocamente evidente. Deus dá a gays e lésbicas a variação um tanto surpreendente de sua sexualidade para ajudar seus irmãos e irmãs a ter uma compreensão maior da realidade de seu Deus.
O segundo vídeo transmite belas palavras de um pai que ama o seu filho gay. É o senhor Paulo Próspero que tive a honra de ouvir, ao vivo, no "I Encontro de Relatos e Experiências", promovido pelo Grupo Diversidade Católica, durante a JMJ no Rio, em julho deste ano (veja aqui as impressões do evento). O depoimento dele, publicado aqui, foi exibido no programa da TV Globo "Encontro com Fátima Bernardes", em março deste ano. A frase que se torna um resumo de mensagem de Paulo Próspero para cada pai e cada mãe de filho, ou filha de homossexual, pode ser essa: "O resultado que se tem, quando a gente aceita um filho, é uma coisa espetacular!".
O depoimento de Allex:
O depoimento de Paulo Próspero:
1 de setembro de 2013
Mês da Bíblia 2013 (2)
O vídeo dura quase uma hora e meia e não só traz uma variedade de sérios argumentos, em forma de estudo sistemático, mas também é o excelente exemplo de uma conversa serena e objetiva, tão diferente da maior parte de discussões sobre o mesmo tema: "Bíblia e homossexualidade: exegese e hermenêutica". Neste Mês da Bíblia é uma grande oportunidade de abrir o Livro Sagrado, de maneira mais consciente, sem medo e não se deixar intimidar pela postura de tantos fundamentalistas e ignorantes que falam "em nome de Deus".
25 de agosto de 2013
O Natal fora da época
A "saída do armário" sempre está ligada a fortes emoções e, bem frequentemente, provoca acontecimentos dramáticos, às vezes, até, trágicos. Sem dúvida, este é o motivo principal pelo qual tantos e tantas homossexuais preferem adiar (ou, até, evitar) este momento. A vida e a arte, porém, trazem alguns exemplos positivos e encorajadores. É o caso do filme "Make the Yuletide Gay" (o título, traduzido para o português de Portugal, como "Tornar gay na época natalina"). Seria ótimo assistir este filme, justamente, na época de Natal, mas como o tema é urgente e o filme brilhante (em alguns momentos hilário), decidi divulga-lo aqui agora mesmo. Vale a pena assistir. Espero que existam na vida real as situações como essa...
23 de junho de 2012
Retorno do "Retorno (G-A-Y)"
Meus amores, desculpem-me por ter abandonado este espaço virtual ao longo de vários meses. Não sei explicar diteito o que houve. Talvez tenha sido algo como deixar a roupa suja de molho ou um frango temperado de repouso para o dia seguinte... Aos eventuais preocupados digo: não deixei de ser gay nem de ser católico. Não desisti também da ideia de promover a reconciliação desses dois mundos, pois creio que, como aconteceu em mim, pode acontecer no mundo também. Acontecer o que mesmo? A reconciliação entre gay e católico, entre o "mundo gay" e a Igreja Católica. Antigamente este blog levava o nome de "Reconciliado consigo mesmo". Um dia desisti dele, mas, voltei correndo e criei este "retorno". Quem sabe, dei uma pausa agora, para reviver, de fato, um retorno.. Há muitos temas, várias reflexões, experiências boas e menos boas... Enfim ,creio que a inspiração tenha voltado.
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