ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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10 de setembro de 2013

Not All Like That

 
Dan Savage, colunista e escritor americano e o seu companheiro, Terry Miller, lançaram em setembro de 2010, nos Estados Unidos, a campanha "It Gets Better Project" (a maioria das fontes em português traduz como "Tudo vai melhorar" - veja aqui o material de Portugal) que divulgou vários vídeos de esperança no YouTube, destinados aos jovens LGBT, vítimas de violência física e psicológica. Surgiu como resposta ao elevado número de estudantes que vinham atentando contra as próprias vidas após terem sido vítimas de bullying na escola e em casa. A intenção foi criar um núcleo pessoal de apoiantes que, em todo o mundo, pudessem dizer aos jovens LGBT que sim, TUDO VAI MELHORAR. Entre os vídeos encontra-se o apelo do presidente Barack Obama, além de Hilary Clinton, do consultor de moda e apresentador Tim Gunn, do pessoal dos Estúdios Pixar Animation, da popstar Kesha, das estrelas do Broadway, da atriz ("Glee") Lea Michele, dos funcionários do facebook, de estudantes do Brigham Young University, universidade privada mantida pela Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e de muitos outros.
 
 
 
Agora chegou a vez de abrir o espaço aos cristãos que apoiam as pessoas GLBT. O nome do novo projeto é "Not all like that" que pode ser entendido como "Não todos somos assim" (talvez "Não Todos Gostamos Disso") e faz alusão à agressão e ao desprezo que caracterizam a postura de muitos cristãos em relação às pessoas GLBT. A ideia do projeto nasceu no coração de Dan Savage, durante as conversas com os cristãos que diziam: "Nós não somos assim, como tantos cristãos que usurpam para si o dirito de falar em nome de todos os crentes e, na base desta usurpação, condenam os gays, lésbicas e tantos outros". O idealizador do projeto, Dan Savage, diz: "Agora vocês terão um instrumento para dizer abertamente que sendo cristãos, vocês não são assim. Vocês têm que fazer barulho, porque o silêncio só vai ajudar àqueles que prejudicam não só às pessoas GLBT, mas ao próprio cristianismo".
 
No momento, o site oficial do projeto e todos os vídeos, estão em inglês, mas acredito que em breve, graças ao empenho dos cristãos GLBT do Brasil, ou de Portugal, haverá algo semelhante em português.

8 de setembro de 2013

Vingança diabólica

 
Do ponto de vista bíblico, ou, quem quiser, no plano espiritual, a lógica do Demônio pode ser resumida assim: "Eu sou condenado e vou levar o maior número possível de pessoas à condenação". A revolta tem muitas faces, mas a mais assustadora é aquela que se propõe, de maneira premeditada, a espalhar o mal sofrido a outras pessoas, principalmente àquelas que não tem nada a ver com o problema. É uma versão distorcida, exatamente diabólica, de compaixão. Esta última, em sua origem, constitui o atributo do próprio Deus, revelado em Jesus, como a essência do Mistério Pascal. Sentir compaixão, compadecer-se, compartilhar a dor, encontrou a sua cruel caricatura na atitude de várias pessoas, sobre as quais não se fala muito, a não ser que a sua ação tome uma dimensão midiática. Este é o caso de um homem chamado David Mangum (nas fontes em língua inglesa David Lee Magnum). A notícia no portal do jornal português "A bola" diz:
 
A cidade de Dexter, no Missouri, Estados Unidos, enfrenta um caso de risco de saúde pública depois de um homem ter confessado ter tido mais de 300 parceiros sexuais depois de lhe ter sido detectado  HIV, em 2003, para lá de ter infectado também o ex-companheiro. David Mangum confessou à polícia ter tido sexo desprotegido com pessoas que conheceu online ou em parques públicos. Um porta-voz da polícia disse mesmo que será difícil tentar avisar as pessoas, uma vez que Magnum só conhecia muitas delas pelo primeiro nome, aponta a CNN. Dexter é uma cidade pequena, de cerca de 8 mil habitantes. O suspeito foi detido depois de o ex-companheiro o ter denunciado depois de um teste de HIV positivo. Expor conscientemente outra pessoas à doença configura crime no estado do Missouri e noutros 36 estados e pode significar uma pena de prisão de até 15 anos, que pode ser agravada no caso de confirmada a infecção.

Ao ler esta notícia, lembrei-me de uma comovente entrevista, publicada no "The Dirty Life Blog". O entrevistado, Gabriel (nome fictício), é Autor do Blog "Ninguém por aí - Jovem gay vivendo com HIV/AIDS". Esta é a parte de sua história:
 
- Eu já li em alguns lugares que, geralmente, as PVHA [Pessoas Vivendo com HIV/Aids"] não se lembram a maneira como contraíram o vírus, isso acontece com você, ou você se lembra?
 
- Fiquei durante muitos meses pensando nesta questão. Nada me fazia lembrar... Parecia que de algo em mim queria esquecer. Mas na semana em que iniciei a medicação eu tive um sonho muito terrível. Meu médico já havia alertado que a medicação que tomo poderia causar alterações no sono/sonho nos primeiros dias. No sonho eu relembrei o momento da contaminação: Foi com um cara que retirou a camisinha na hora do sexo e me passou o vírus. Tudo indica que ele sabia da contaminação. Em fevereiro, no bairro de Ipanema. Nos conhecemos nessa noite e levei ele pra casa. Não transamos... Dormimos. No dia seguinte, sem uma gota de álcool na cabeça foi quando tivemos uma relação sexual. Esse pra mim é o momento mais provável da contaminação, pois não me lembro de outros momentos em que transei sem camisinha.
 
- E você tentou agir judicialmente contra ele? Porque é crime previsto na lei! Se eu não me engano, caracteriza lesão corporal grave...
 
- Pensei nessa hipótese, mas eu fiquei muito frágil durante muito tempo. Hoje eu não quero ter nenhuma relação com ele. Nem mesmo judicial. 
 
Bem... Acho difícil acrescentar qualquer coisa. Acredito que a minha introdução ao tema sirva como o comentário.
 
Obs.: Agora vou tentar obter as devidas autorizações. Não tenho certeza se, ao fornecer as fontes, cumpri todas as exigências da lei e de bons costumes...

7 de setembro de 2013

Preciosas palavras

 
Seria melhor, simplesmente, transcrever na íntegra a homilia do Papa Francisco, feita hoje na Praça de São Pedro, durante a Vigília de Oração pela Paz. Para isso, porém, basta acessar o site oficial do Vaticano, ou a página da Canção Nova. Não posso, entretanto, deixar de destacar alguns trechos e mencionar certas características do discurso.
 
Primeira coisa que chamou a minha atenção foi a frequência com a qual o Papa usou o termo "todos". Parece ser algo muito óbvio, mas o Santo Padre deixa a impressão de querer lembrar disso à humanidade e à Igreja, pois, enquanto não se vê todos, é possível criar uma visão fragmentada da humanidade e começar a "classificar" as pessoas.
 
O Papa Francisco, logo no início, afirma que o nosso mundo, no coração e na mente de Deus, é “casa de harmonia e de paz” e espaço onde todos podem encontrar o seu lugar e sentir-se “em casa”, porque é “isso é bom”. Toda a criação constitui um conjunto harmonioso, bom, mas os seres humanos em particular, criados à imagem e semelhança de Deus, formam uma única família, em que as relações estão marcadas por uma fraternidade real e não simplesmente de palavra: o outro e a outra são o irmão e a irmã que devemos amar, e a relação com Deus, que é amor, fidelidade, bondade, se reflete em todas as relações humanas e dá harmonia para toda a criação. O mundo de Deus é um mundo onde cada um se sente responsável pelo outro, pelo bem do outro.
 
O que seriam "todas as relações humanas"? Todas mesmo? E antes, o nosso mundo é, realmente, o espaço onde todos podem encontrar o seu lugar? Bem, o Papa diz que assim é o mundo no coração e na mente de Deus. Bem sabemos que no coração e na mente de muitas pessoas, simplesmente não é. Pergunto, como já fiz várias vezes neste blog, será que, pelo menos os católicos, prestam atenção a tudo o que Santo Padre diz? Ou, então, prestam atenção, mas interpretam de seu jeito e "todos", na verdade, são "quase todos". Vi em algum lugar uma charge que mostrava a multidão segurando duas faixas. Em uma estava escrito: "Jesus te ama" e na outra "a não ser que você seja homossexual".
 
Logo em seguida, fazendo referência à história de Caim e Abel, o Papa continuou:  Deus pergunta à consciência do homem: «Onde está o teu irmão Abel?». E Caim responde «Não sei. Acaso sou o guarda do meu irmão?» (Gn 4, 9). Esta pergunta também se dirige a nós, assim que também a nós fará bem perguntar: - Acaso sou o guarda do meu irmão? Sim, tu és o guarda do teu irmão! Ser pessoa significa sermos guardas uns dos outros! Contudo, quando se quebra a harmonia, se produz uma metamorfose: o irmão que devíamos guardar e amar se transforma em adversário a combater, a suprimir. Quanta violência surge a partir deste momento, quantos conflitos, quantas guerras marcaram a nossa história! Basta ver o sofrimento de tantos irmãos e irmãs. Não se trata de algo conjuntural, mas a verdade é esta: em toda violência e em toda guerra fazemos Caim renascer. Todos nós! E ainda hoje prolongamos esta história de confronto entre os irmãos, ainda hoje levantamos a mão contra quem é nosso irmão. Ainda hoje nos deixamos guiar pelos ídolos, pelo egoísmo, pelos nossos interesses; e esta atitude se faz mais aguda: aperfeiçoamos nossas armas, nossa consciência adormeceu, tornamos mais sutis as nossas razões para nos justificar. Como fosse uma coisa normal, continuamos a semear destruição, dor, morte! A violência e a guerra trazem somente morte, falam de morte! A violência e a guerra têm a linguagem da morte!
 
O Papa Francisco conclui essa parte, dizendo: Depois do Dilúvio, cessou a chuva, surge o arco-íris e a pomba traz um ramo de oliveira.
 
O movimento GLBTTS, justamente por isso, escolheu o arco-íris como a sua marca. É o sinal da paz e da fraternidade. Pelo menos, da esperança de ambas...
 
O ponto seguinte foi feito em forma de um diálogo: E neste ponto, me pergunto: É possível percorrer o caminho da paz? Podemos sair desta espiral de dor e de morte? Podemos aprender de novo a caminhar e percorrer o caminho da paz? Invocando a ajuda de Deus, sob o olhar materno da Salus Populi romani, Rainha da paz, quero responder: Sim, é possível para todos! Esta noite queria que de todos os cantos da terra gritássemos: Sim, é possível para todos! E mais ainda, queria que cada um de nós, desde o menor até o maior, inclusive aqueles que estão chamados a governar as nações, respondesse: - Sim queremos! (...) Queria pedir ao Senhor, nesta noite, que nós cristãos e os irmãos de outras religiões, todos os homens e mulheres de boa vontade gritassem com força: a violência e a guerra nunca são o caminho da paz! Que cada um olhe dentro da própria consciência e escute a palavra que diz: sai dos teus interesses que atrofiam o teu coração, supera a indiferença para com o outro que torna o teu coração insensível, vence as tuas razões de morte e abre-te ao diálogo, à reconciliação.
 
A pregação do Papa Francisco termina com o apelo: Rezemos, nesta noite, pela reconciliação e pela paz, e nos tornemos todos, em todos os ambientes, em homens e mulheres de reconciliação e de paz.

6 de setembro de 2013

A cúpula do G20 + G

David Cameron, Primeiro Ministro britânico [twitter]: "Às 02 h. da madrugada encontro com o presidente Putin. Uma conversa franca sobre a Síria. Expressei também a preocupação com os direitos dos gays" [tradução livre].
 
Um exemplo de que é possível conversar sobre os assuntos de "menor importância", em meio de um encontro que aborda os assuntos tão urgentes como e eminente guerra na Síria e a crise econômica mundial. Um tapa na cara daqueles que se irritam com as reivindicações das minorias, alegando a existência de "temas mais importantes".

Como lembra o portal Gay1, o presidente russo Vladimir Putin proibiu qualquer reunião ou manifestação durante os Jogos Olímpicos de Inverno de Sóchi (alguns autores preferem Sôtchi), que devem acontecer entre os dias 7 e 23 de fevereiro de 2014, às margens do Mar Negro, segundo um decreto de 19 de agosto e publicado no jornal oficial do governo, "Rossiiskaia Gazeta" (Российская газета), no dia 23 de agosto. A proibição foi determinada em momento delicado para Rússia, que é alvo de críticas e protestos contra a recém-aprovada lei contra a 'propaganda' que promova os direitos LGBT no país.
 
Enquanto isso, a "Gazeta Russa" publica uma notícia de teor oposto: Representantes das autoridades russas confirmaram que está sendo considerada a possibilidade de suspender a lei contra a propaganda gay durante o período dos Jogos Olímpicos de Sôtchi. Governantes garantiram ao Comitê Olímpico Internacional (COI) que a lei não afetará os convidados nem os participantes do evento.
Ao mesmo tempo afirma: Quando aplicada a cidadãos estrangeiros residentes na Rússia, a lei prevê a pena complementar de expulsão do país. Não há muito tempo, um grupo de documentaristas holandeses que estavam produzindo um filme sobre a comunidade LGBT em Murmansk foi detido sob suspeita de “propaganda de relações sexuais não tradicionais” dirigida a menores. Os cineastas ficarão proibidos de entrar no país por três anos.
 
 
De acordo com o portal Christian Post (e outras fontes), o deputado Alexander Mikhailov, vice-presidente da Assembleia Legislativa do Transbaikal (uma região da Rússia oriental, próxima à fronteira com a China e a Mongólia), Alexandre Mikhailov, propôs em junho, uma lei polêmica para legalizar o açoitamento público de homossexuais. Segundo Mikhailov, a intenção é incentivar o senso comum das pessoas sobre essa “vergonha”, referindo-se às relações homossexuais. Em entrevista ao portal Chita.ru, o deputado afirmou que "o Transbaikal precisa de uma lei que permita que as tropas peguem os gays na rua e os arrastem para a praça da cidade, onde lá seriam chicoteados pelos cossacos". Em 11 de junho, a legislação russa aprovou uma medida que proíbe a propaganda gay. O descumprimento da lei pode resultar em uma multa de até 5 mil rublos ou cerca de R$ 340 para pessoas físicas, 50 mil rublos (R$ 3,4 mil) para pessoas públicas. Para entidades jurídicas o valor é de 1 milhão de rublos ou R$ 67,8 mil. Recentemente também, a Rússia legalizou a proibição de marchas de orgulho gay pelos próximos 100 anos.
 
Na Rússia, a homossexualidade foi considerada crime até 1993 e uma doença mental até 1999 (informação do portal sapo.pt),
 
O portal de notícias "terra" informa que o presidente americano, Barack Obama, vai se reunir nesta sexta-feira com defensores dos direitos dos gays na Rússia. Igor Kotchetkov, diretor da associação LGBT Network, indicou que participará do encontro, previsto para a noite de sexta-feira, após o encerramento da cúpula do G20. A associação Coming Out também estará representada pela presidente Anna Anissimova.
“Partilhamos a crença na dignidade e na igualdade de todos os homens. Que os nossos irmãos e irmãs homossexuais devem ser tratados de forma igual perante a lei”, afirmou Obama, durante uma conferência de imprensa em Estocolmo, na Suécia, na véspera de sua viagem a São Petrsburgo na Rússia.
 
Neste contexto vale a pena ler a carta do Papa Francisco, enviada ao presidente Putin. Entre outras coisas, o Santo Padre diz: "A economia mundial poderá se desenvolver realmente, na medida em que for capaz de permitir uma vida digna a todos os seres humanos, desde os idosos às crianças ainda no ventre materno, não somente aos cidadãos dos países membros do G20, mas a todos os habitantes da terra, mesmo aqueles que estão nas situações sociais mais difíceis ou nos lugares mais remotos. (...) Além disso, é um dever moral de todos os governos do mundo encorajar qualquer iniciativa para promover a assistência humanitária aos que sofrem por causa do conflito dentro e fora do país".

 

Valores universais

Quando se trata de valores universais, ainda que anunciados em um determinado contexto - neste caso, relacionados à ameaça de guerra na Síria - devem ser compreendidos, justamente, como universais, válidos sempre e em todos os ambientes e situações.
 
Reforçando o apelo do Papa Francisco e o seu convite para uma oração mais intensa pela paz, com o destaque dado à Vigília de oração, no próximo sábado, dia 07, o cardeal brasileiro, Dom Dom João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, usou os seguintes termos:
 
"(...) a saída é a construção da paz, do diálogo, da capacidade de aproximação das pessoas; da paciência histórica de continuar procurando entender as razões do outro e defender os valores que são os grandes valores da humanidade, como a paz, a justiça, o perdão e a capacidade de diálogo. (...) Nós acreditamos neste caminho e sabemos que o Senhor é capaz de dar a paz à sua Igreja, dar a paz às nações, a todas as culturas, à convivência social no mundo inteiro, sobretudo neste momento em que nós buscamos razões, modos e métodos para poder realizar esta convivência globalizada. Temos os meios necessários, precisamos que estes valores profundos do coração, que constroem a paz, possam sustentar o nosso caminho”.  (Leia aqui a matéria, publicada no site do Rádio Vaticano).
 

No mesmo site encontramos um breve texto sobre o encontro do Papa com o Catholicos Moran Baselios Marthoma Paulose II, a autoridade máxima da Igreja Ortodoxa Sírio-Malankar (também conhecida como a Igreja Indiana, ou  Igreja Ortodoxa do Oriente, membro da família cristã ortodoxa de Igrejas "não calcedonianas", ou antigas Igrejas Ortodoxas = aquelas que se separaram da única Igreja depois do Concílio em Calcedônia, em 451, isto é bem antes da "grande cisma" em 1054. A Igreja Ortodoxa Sírio-Malankar nasceu da pregação do Apóstolo Tomé na Ásia. Radicada na Índia, tem, aproximadamente, 2 milhões e 500 mil membros, espalhados em 30 dioceses).
 
Desta vez, o Papa falou sobre os valores universais:
 
“No caminho ecumênico, é importante olhar para os passos realizados, superando preconceitos e isolamento, que fazem parte daquela 'cultura de colisão', que é fonte de divisão, e deixando espaço para a 'cultura do encontro', que nos educa à compreensão recíproca e a atuar pela unidade.” E acrescentou: “É importante intensificar a oração, porque somente o Espírito Santo com a sua graça, com a sua luz, com o seu calor pode degelar nossa insensibilidade e guiar os nossos passos rumo a uma fraternidade sempre maior.” (o texto original da matéria está aqui, enquanto aguardamos a tradução de todo o discurso do Papa, no site oficial da Santa Sé).
 
Agora me digam: estas expressões servem somente para a situação atual, relacionada ao apelo pela paz na Síria, ou talvez apenas para o diálogo ecumênico? Ou, então, aplicam-se, igualmente, a todas as circunstâncias que envolvem qualquer dificuldade de convivência e aceitação mútua?
 
E o diálogo entre os cristãos e os irmãos e irmãs da Comunidade GLBTT, "superando preconceitos e isolamento que fazem parte daquela cultura de colisão, que é doente de divisão", como diz o Papa? Ou com a "capacidade de aproximação das pessoas, paciência histórica de continuar procurando entender as razões do outro e defender os valores que são os grandes valores da humanidade, como a paz, a justiça, o perdão e a capacidade de diálogo", como diz o Cardeal Braz de Aviz?

3 de setembro de 2013

Dscutindo a Homofobia


Na foto, nesta ordem:
Del. Mário Luiz, Thiago Araújo, Carlos Tufvesson, Loren Alexsander e Luciana Mota
 
Acabei de assistir a transmissão ao vivo do debate "Discutindo a Homofobia", promovido pela Coordenadoria Especial da Diversidade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro (CEDS-Rio), em parceria com a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia e realizada no Centro de Educação Ambiental Rio+20, no Parque Madureira. É bom saber que este foi o primeiro de um ciclo de debates, promovido pela CEDS-Rio. Aguardamos as próximas edições.
 
A primeira conclusão é que estivemos diante de um altíssimo nível de debate, graças à presença dos componentes da "mesa diretora": o Coordenador Especial da Diversidade Sexual, Carlos Tufvesson (estilista e militante de direitos civis e humanos), a Coordenadora do NUDIVERSIS (Núcleo da Defesa da Diversidade Sexual e dos Direitos Homoafetivos) Luciana Mota, o Delegado Titular da 77ª Delegacia de Polícia – RJ, Niterói), Mário Luiz da Silva, a Presidente do Movimento de Gays, Travestis e Transformistas (MGTT), Loren Alexsander e (o fofo!) Thiago Araújo, jornalista do portal Pheeno (e DJ!).
 
A principal discussão da noite foi dedicada ao 2º Relatório Sobre Violência Homofóbica 2012, realizado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O  levantamento apontou um aumento de 46,6% nos crimes de ódio  aos homossexuais, numa comparação com o ano anterior. Como disse Carlos Tufvesson, “Nossa ideia é trazer ao público o entendimento sobre a questão da homofobia no Brasil. Tirar dúvidas, elucidar situações, informar sobre direitos civis que nossos cidadãos e cidadãs possam desconhecer, mas que possuem. Nunca no Brasil vimos índices tão altos em relação à intolerância e ao preconceito” (citação via portal "iGay").
 
Uma outra conclusão é que preciso participar do próximo debate (o público tem como apresentar perguntas e sugerir questões... Bem, pode fazer isso online, mas a presença física serve também para prestigiar o evento). Entendo que a maior parte da conversa foi concentrada no assunto da violência motivada pela homofobia e das consequências legais (criminais) desta violência. Porém, de acordo com a sabedoria do povo, é melhor prevenir do que remediar, embora o processo de educação seja muito mais longo e a ação das autoridades que investigam os crimes e punem (ou, pelo menos, deveriam!) os agressores, tenha sido uma emergência. Espero, então, que nas próximas edições seja possível debater um pouco mais sobre o trabalho de formação da consciência coletiva (sim, a punição dos criminosos não deixa de ser uma ação educativa, mas tem como base o medo e não motivações positivas). Ao longo da conversa, o Delegado Mário Luiz usou um termo (referindo-se à investigação policial): "o trabalho de formiguinha". Este seria, para mim, o ponto de partida, para conversar sobre tal esforço afim de (re)formar a consciência coletiva, os costumes e o comportamento do povo. Eu usaria, até, o exemplo dos "Círculos Bíblicos", conhecidos na Igreja Católica - pequenos grupos que se reúnem para aprofundar os seus conhecimentos e, também, para evitar um total (e tantas vezes perigoso) isolamento. De maneira paralela, com a mesma metodologia de "trabalho de formiguinha", ou seja, sistemático e perseverante, teria que acontecer a sucessiva inclusão na sociedade (falou sobre isso muito bem Loren Alexsander).
 
No meio do debate apareceu, também, o assunto de religião. É, infelizmente, uma verdade que existe, principalmente no cristianismo de tantas denominações, o agressivo fundamentalismo que enxerga em qualquer pessoa "nãoheterossexual", a presença do demônio. Seria possível convidar para um desses debates alguns representantes de religiões existentes por aqui, assim como foi possível hoje a presença de um delegado da Polícia Civil (que, inclusive, afirmou ter sido o representante direto e oficial da chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegada Martha Rocha).
 
Enfim, PARABÉNS a todos os organizadores, dirigentes e participantes!

Diana Nyad

 
Os noticiários do mundo inteiro divulgaram hoje a informação sobre uma nadadora de 64 anos, Diana Nyad, que atravessou a distância entre Cuba e Estados Unidos (Flórida), sem proteção (em forma de uma jaula) contra os tubarões.
 
"Tenho três recados", disse ela, exausta, aos jornalistas que aguardavam sua chegada na Flórida. "O primeiro, nunca desista. O segundo, nunca é tarde demais para perseguir seu sonho. E o terceiro, isso parece um esporte solitário, mas é um esforço em equipe." Diana fazia referência ao time de cerca de 35 pessoas que participou da travessia com ela, tentando tirar as águas-vivas de seu caminho, mergulhando à procura de tubarões e monitorando seu estado de saúde. Depois de nadar mais de 160 quilômetros em quase 53 horas, ela foi levada a um hospital, mas seu estado de saúde, no geral, era considerado bom (leia a matéria e veja as fotos na página da revista "Veja")
 
O blog "Serra abaixo" divulga mais uma informação importante que podemos chamar de "quarto recado", em conjunto com os três anteriores. É um recado sem palavras, mas com a própria vida:
 
Assumidamente lésbica e cultivando um corpão sarado, a loira é motivo de orgulho para a comunidade GLBT. Agora entendemos que a bandeira na foto acima não apareceu ali por acaso.
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Diana Nyad fala sobre a sua sexualidade em uma entrevista, publicada (em inglês) no site "Out Magazine".

1 de setembro de 2013

O grito da PAZ

 

Hoje, queridos irmãos e irmãs, queria fazer-me intérprete do grito que se eleva, com crescente angústia, em todos os cantos da terra, em todos os povos, em cada coração, na única grande família que é a humanidade: o grito da paz! É um grito que diz com força: queremos um mundo de paz, queremos ser homens e mulheres de paz, queremos que nesta nossa sociedade, dilacerada por divisões e conflitos, possa irromper a paz! Nunca mais a guerra! Nunca mais a guerra! A paz é um dom demasiado precioso, que deve ser promovido e tutelado.
 
Estas são as palavras do Papa Francisco, pronunciadas hoje, 01 de setembro de 2013, na Praça de São Pedro, na ocasião da oração do Angelus (leia na íntegra aqui).
 
Como destacam as principais agências de notícias, visivelmente preocupado, Francisco dedicou inteiramente seu encontro de domingo à situação na Síria, onde a guerra civil já matou mais de 100 mil pessoas em três anos. Foi a primeira vez que o Papa não fez alguma menção à liturgia do dia antes de rezar a oração mariana do Angelus no Vaticano.

Gostaria de acrescentar aqui uma importante afirmação. Embora o Santo Padre tenha se referido particularmente à situação na Síria, as suas palavras expressam um princípio que se aplica em todas as situações, em todos os tempos e lugares. Quem de nós não tenha experimentado, tantas vezes, as dolorosas consequências da falta de paz? Entre as situações, às quais dedico este espaço, encontra-se a constante "guerra civil", em toda a face da terra, mais frequentemente chamada de homofobia. Também nesta perspectiva vale a pena meditar as palavras do Papa Francisco.
 
O que podemos fazer pela paz no mundo? Como dizia o Papa João XXIII, a todos corresponde a tarefa de estabelecer um novo sistema de relações de convivência baseados na justiça e no amor (cf. Pacem in terris).
 
Possa uma corrente de compromisso pela paz unir todos os homens e mulheres de boa vontade! Trata-se de um forte e premente convite que dirijo a toda a Igreja Católica, mas que estendo a todos os cristãos de outras confissões, aos homens e mulheres de todas as religiões e também àqueles irmãos e irmãs que não creem: a paz é um bem que supera qualquer barreira, porque é um bem de toda a humanidade.
 
Repito em alta voz: não é a cultura do confronto, a cultura do conflito, aquela que constrói a convivência nos povos e entre os povos, mas sim esta: a cultura do encontro, a cultura do diálogo: este é o único caminho para a paz.
 
Que o grito da paz se erga alto para que chegue até o coração de cada um, e que todos abandonem as armas e se deixem guiar pelo desejo de paz.
 
Por isso, irmãos e irmãs, decidi convocar para toda a Igreja, no próximo dia 7 de setembro, véspera da Natividade de Maria, Rainha da Paz, um dia de jejum e de oração pela paz na Síria, no Oriente Médio, e no mundo inteiro, e convido também a unir-se a esta iniciativa, no modo que considerem mais oportuno, os irmãos cristãos não católicos, aqueles que pertencem a outras religiões e os homens de boa vontade.
 
No dia 7 de setembro, na Praça de São Pedro, aqui, das 19h00min até as 24h00min, nos reuniremos em oração e em espírito de penitência para invocar de Deus este grande dom para a amada nação síria e para todas as situações de conflito e de violência no mundo. A humanidade precisa ver gestos de paz e escutar palavras de esperança e de paz! Peço a todas as Igrejas particulares que, além de viver este dia de jejum, organizem algum ato litúrgico por esta intenção.
 
Peçamos a Maria que nos ajude a responder à violência, ao conflito e à guerra com a força do diálogo, da reconciliação e do amor. Ela é mãe: que Ela nos ajude a encontrar a paz; todos nós somos seus filhos! Ajudai-nos, Maria, a superar este momento difícil e a nos comprometer a construir, todos os dias e em todo lugar, uma autêntica cultura do encontro e da paz. Maria, Rainha da paz, rogai por nós!

01. 09. - uma lição de História


(Fonte: deviantart)

 
Há um ditado, repetido algumas vezes pelo Beato João Paulo II que afirma: "A nação que perde a memória, perde identidade". Estudar a história, relembrar os fatos do passado e aprender com eles é um dos caminhos que permitem o desenvolvimento de uma nação, de toda a humanidade e de um indivíduo, também. Hoje, 01 de setembro, é o dia que se inscreveu na história mundial como início da II Guerra Mundial. O tema é amplo, complexo, até hoje polêmico, mas as noções básicas podem e devem ser repetidas, mesmo depois desses 74 anos.

A pergunta que, neste contexto, nunca perde a sua atualidade é: até onde pode nos levar a ideologia da superioridade de um grupo de pessoas, em relação a outro grupo? No caso do nazismo hitlerista, tratava-se de ideologia de superioridade racial ariana (a noção dos alemães como o Herrenvolk ["raça-mestra"] e o Übermensch ["super-homem"], bem como a ideia de "espaço vital" que precisava ser aberto para essa "raça pura", através das invasões militares e da exterminação de outras nações, consideradas inferiores).
 
Isso não nos parece familiar?
A homofobia, com todas as suas expressões, não se baseia nos mesmos princípios?
Quantas pessoas acreditam seriamente que a "raça heterossexual" e superior à "homossexual" ("bi-", "trans-" e tantas outras que não se encaixam em "heteronormatividade"?).
 
Ora, eu não pretendo comparar os fatos históricos com a realidade de hoje, pois as proporções, por enquanto, são diferentes. Apenas aponto os princípios ideológicos que têm a mesma base.
 
De acordo com alguns importantes autores, entre eles o próprio Freud e também Daniel Chaves de Brito e Wilson José Barp (ambos da UFPA) [leia aqui], "o medo de um inimigo externo é funcional para aglutinar socialmente povos que até pouco tempo não se identificavam enquanto uma só nação, como foram os casos de países unificados apenas no século XIX (Alemanha e Itália). Como Freud havia demonstrado, a necessidade da criação artificial da identidade em grupos sociais pode levar à homogeneização forçada destes, e a existência de membros diferentes no grupo é desestabilizadora, o que leva o grupo a tentar eliminá-lo. Entretanto, era necessário algo mais, além do medo de um inimigo externo, para conseguir atingir o ultranacionalismo e totalitarismo. Era funcional criar inimigos internos, sorrateiros, subterrâneos, conspiratórios. O nazismo acrescentou ao rol de inimigos - em que já estava incluído o comunismo - algumas minorias étnico-religiosas e outras: os judeus,  em um primeiro momento, e depois os ciganos e os povos eslavos, mas também os cristãos em geral, os homossexuais e vários outros grupos" (Wikipédia, com alterações).
 
Não preciso lembrar a ninguém de que o termo "fobia", proveniente do grego (φόβος), significa "medo".

28 de agosto de 2013

I have a dream


 
Para todos aqueles que sonham com um futuro melhor, o dia 28 de agosto tem grande significado. Há exatamente 50 anos, Martin Luther King, nos degraus do Memorial de Lincoln, em Washington, fez o seu mais famoso discurso. Muitos enxergam a figura do atual presidente dos E.U.A. como a encarnação (ou realização) deste sonho. Sem dúvida, grandes coisas aconteceram ao longo dos últimos 50 anos, mas muitos ainda continuam sonhando. Entre eles somos nós, os homossexuais (e outras minorias não heterossexuais). Será necessário mais sangue derramado para que o sonho se torne realidade? Proponho a leitura de alguns trechos do discurso de Martin Luther King:
 
“Ainda que enfrentemos as dificuldades de hoje e de amanhã, Eu tenho um sonho. Eu ainda tenho um sonho. Eu tenho um sonho no qual vejo que um dia esta nação se levantará e cumprirá o seu princípio mais importante: ‘Nós acreditamos que estas verdades são auto-evidentes: que os homens são criados iguais pelo seu Criador’ Eu tenho um sonho. (...)
Eu tenho um sonho de que um dia, `cada vale será exaltado, cada colina e montanha será rebaixada, os lugares ásperos serão tornados suaves, os lugares de maldade serão tornados honestos, e a Glória do Senhor se revelará, e toda a carne a verá ao mesmo tempo’.
Esta é a nossa esperança. É com esta fé que retorno ao Sul. Com esta fé, estamos dispostos a trabalhar juntos, a rezar juntos, a lutar juntos, a ir para a cadeia juntos, e a nos levantarmos juntos em defesa da liberdade, sabendo que seremos livres algum dia.
Este será o dia em que os filhos de Deus cantarão juntos : Meu país, doce terra de liberdade, para ti eu canto. Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos, de qualquer lado da montanha, que toque o sino da liberdade. Se a América quiser ser uma grande nação, então isto terá que se tornar verdadeiro. Que toque então o sino da liberdade. Quando permitirmos que toque o sino da liberdade, quando deixarmos que toque em qualquer cidadezinha de qualquer Estado, estaremos preparados para nos erguer neste dia, e todos os filhos de Deus, brancos ou negros, judeus ou gentios, protestantes ou católicos, daremos as mãos para cantar uma antiga canção negra religiosa: `Enfim livres. Enfim livres. Graças ao Senhor todo-poderoso. Estamos livres enfim”.
 
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"Rádio Vaticano - a voz do Papa e da Igreja em diálogo com o mundo" [sic!] (aqui) divulgou hoje, 28 de agosto, a seguinte notícia: O sonho de Martin Luther King continua vivo, depois de 50 anos. Recordando os cinquenta anos do célebre discurso “Eu tenho um sonho” (I have a dream), de Martin Luther King, o Cardeal de Washington, Donald William Wuerl, ressalta o engajamento da Igreja Católica nos EUA com a justiça racial e social. “A magistral estátua de King, no novo memorial em Washington, nos lembra seu imponente compromisso em conduzir nossa nação à plena consciência da igualdade de todas as pessoas diante de Deus”, declara o cardeal, publicado no Osservatore Romano. “O seu sonho, tão enraizado na oração e na Sagrada Escritura, continua a nos encorajar a vermos uns aos outros como irmãos e irmãs, filhos do mesmo amoroso Deus”, continua.

15 de maio de 2013

Retorno ao "Retorno G-A-Y"


Muito tempo se passou desde a minha última postagem neste blog. Aconteceram, também, muitas coisas: no mudo, na Igreja, no "Universo GLBTS", na minha vida... Enfim, talvez esteja na a hora de voltar a escrever aqui. Recebi vários sinais de apoio, inclusive em outros idiomas (só tratei como spam os textos de propaganda de produtos que não têm nada a ver com o contexto do blog). Publiquei, também, as críticas recebidas no espaço de comentários (às quais, sucessivamente, vou tentar responder). Agradeço a todos pelas visitas e prometo continuar a reflexão que pretende buscar (ou construir) as pontes entre a homossexualidade e a fé cristã [católica], por mais que isso seja considerado (por muitos) impossível. O impossível era o fato de andar sobre as águas, mesmo assim aconteceu. Aos Leitores "casuais" e aos "de propósito", dirigo este pedido: "FAVOR, NÃO ALIMENTAR OS MEDOS!".

17 de outubro de 2011

O Ano da Fé

O Vaticano divulgou hoje a Carta Apostólica "Porta fidei" ("A porta da fé"), com a qual o Papa Bento XVI proclama o Ano da Fé. Trata-se de período de 11 de outubro de 2012 (50º aniversário de abertura do Concílio Vaticano II) a 24 de novembro de 2013, Solenidade de Cristo Rei do Universo. "Será um momento de graça e de empenho para uma sempre mais plena conversão a Deus, para reforçar a nossa fé n'Ele e para anunciá-Lo com alegria ao homem do nosso tempo", explicou o Papa durante a Missa de encerramento do Encontro Novos Evangelizadores para a Nova Evangelização, que presidiu neste domingo, 16/10, na Basílica de São Pedro no Vaticano.

Leia a Carta do Papa aqui.

Para o contexto deste blog, achei muito interessante o seguinte trecho do texto de Bento XVI (os grifos são meus):

O Ano da Fé será uma ocasião propícia também para intensificar o testemunho da caridade. Recorda São Paulo: «Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior de todas é a caridade» (1 Cor 13, 13). Com palavras ainda mais incisivas – que não cessam de empenhar os cristãos –, afirmava o apóstolo Tiago: «De que aproveita, irmãos, que alguém diga que tem fé, se não tiver obras de fé? Acaso essa fé poderá salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem nus e precisarem de alimento quotidiano, e um de vós lhes disser: “Ide em paz, tratai de vos aquecer e de matar a fome”, mas não lhes dais o que é necessário ao corpo, de que lhes aproveitará? Assim também a fé: se ela não tiver obras, está completamente morta. Mais ainda! Poderá alguém alegar sensatamente: “Tu tens a fé, e eu tenho as obras; mostra-me então a tua fé sem obras, que eu, pelas minhas obras, te mostrarei a minha fé”» (Tg 2, 14-18).

A fé sem a caridade não dá fruto, e a caridade sem a fé seria um sentimento constantemente à mercê da dúvida. Fé e caridade reclamam-se mutuamente, de tal modo que uma consente à outra de realizar o seu caminho. De fato, não poucos cristãos dedicam amorosamente a sua vida a quem vive sozinho, marginalizado ou excluído, considerando-o como o primeiro a quem atender e o mais importante a socorrer, porque é precisamente nele que se espelha o próprio rosto de Cristo. Em virtude da fé, podemos reconhecer naqueles que pedem o nosso amor o rosto do Senhor ressuscitado. «Sempre que fizestes isto a um dos meus irmãos mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40): estas palavras de Jesus são uma advertência que não se deve esquecer e um convite perene a devolvermos aquele amor com que Ele cuida de nós. É a fé que permite reconhecer Cristo, e é o seu próprio amor que impele a socorrê-Lo sempre que Se faz próximo nosso no caminho da vida. Sustentados pela fé, olhamos com esperança o nosso serviço no mundo, aguardando «novos céus e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Pd 3, 13; cf. Ap 21, 1). ["Porta fidei", n. 14]

Agora (e sempre) a questão é de os católicos e demais seres humanos de boa vontade seguirem o ensinamento do Papa...

23 de setembro de 2011

Papa na Alemanha

Recordo aqui a notícia, divulgada em abril deste ano (leia aqui), sobre um encontro do Papa com os representantes das organizações GLBTS, na ocasião da sua viagem à terra natal, Alemanha. Como a "midia-padrão" (tipo: Globo, etc.) do Brasil quase não menciona a viagem do Papa, espero que, pelo menos, os "nossos" meios de comunicação notifiquem tal fato, caso aconteça mesmo.

23 de agosto de 2011

hora de acordar

Estou chegando. Ficar longe do mundo virtual foi interessante, mas está na hora de retomar contatos e continuar reflexões. Sejam todos bem-vindos. Pretendo, aos poucos, visitar todos os meus prediletos espaços da blogosfera. Aguardem...

6 de julho de 2011

Férias


Caros Amigos, Leitores, Visitantes!

Estou entrando (finalmente!) em férias. Não pretendo abandonar este espaço virtual, mas, certamente, haverá menos postagens por aqui nas próximas semanas. Desejo a todos muita paz e perseverança nas lutas diárias. E que o amor infinito de Deus se manifeste, cada vez mais, em nosso amor humano.

Levo comigo as recomendações do Papa Bento XVI: Neste momento do ano no qual muitos de vocês farão férias, rezo para que vocês possam verdadeiramente repousar o espírito e o corpo e possam encontrar em Deus uma ocasião de repouso. Dêem espaço à leitura da Palavra de Deus, em particular do Evangelho que espero vocês não deixarão de colocar na sua bagagem para as férias.

15 de junho de 2011

Prêmio Ratzinger




De acordo com o Portal GaudiumPress (aqui), um patrólogo italiano (leigo), um sacerdote espanhol e um jovem cisterciense alemão são os primeiros vencedores do "Prêmio Ratzinger", instituído pela "Fundação Vaticana Joseph Ratzinger - Bento XVI". A cerimônia de entrega será na Sala Clementina do Palácio Apostólico, no Vaticano, no próximo dia 30 de junho, e contará com a presença do próprio Papa, que entregará pessoalmente os prêmios. Cada um dos vencedores receberá um diploma do Papa com um cheque de 50 mil euros. Os fundos provêm dos direitos de autoria dos livros do Papa, mas também de doadores particulares. A escolha dos três ganhadores foi feita pelo comitê científico da Fundação e confirmada pelo Santo Padre. Os critérios para a escolha, segundo os organizadores, são três: a excelência do estudo; pessoas pouco conhecidas e premiadas até agora, e/ou jovens teólogos; não exclusão de teólogos de outras profissões cristãs, não se restringindo a católicos somente. A Fundação Vaticana Joseph Ratzinger - Bento XVI, com sede na Via della Conciliazione, em Roma, pretende promover o pensamento teológico através de diversas iniciativas culturais e científicas. A primeira delas é o "Prêmio Ratzinger", entregue uma vez por ano.

Não sei bem como fazer isso na prática, mas gostaria que fosse inserido na lista de candidatos para este prêmio, quem sabe, no ano que vem, o jovem teólogo, ainda pouco conhecido e premiado até agora que, entretanto, apresenta a excelência do estudo em uma área pouco explorada pela teologia católica. O candidato, JAMES ALISON, nascido em 1959 em Londeres, é sacerdote jesuíta, teólogo e escritor. Estudou, viveu e trabalhou no México, Brasil, Bolívia, Chile e Estados Unidos, bem como sua terra natal, a Inglaterra. Obteve o doutorado em Teologia pelas Faculdades Jesuítas de Belo Horizonte. Na introdução ao livro de James Alison "Fé Além do Ressentimento: Fragmentos católicos em voz gay" (São Paulo: É Realizações, 2010), o seu professor de Belo Horizonte, Pe. João Batista Libanio escreveu: Conheci Alison quando fez teologia na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo Horizonte, tendo-o como aluno. (...) Já naqueles idos percebia que ali jazia enorme potencial cultural, que se desabrochou em teologia tão criativa como aparece no livro. Vale dele naquele tempo o provérbio latino: ex digito gigans. Pelo dedo se conhece o gigante. (...) Alison trabalha com imensa originalidade textos e contextos bíblicos do Primeiro e do Segundo Testamento. Consegue, sem forçar a exegese, conduzir o leitor à profunda compreensão da passagem bíblica. Logo no primeiro capítulo, nos surpreende com releitura extremamente original e fecunda da cura do cego de nascimento. Escapa das interpretações comuns e conhecidas, introduzindo o leitor, com sutileza, em novo campo hermenêutico. (...) Não se trata de clássica obra acadêmica, mas de ensaio com toques geniais e originais. Esse tipo de escrito não necessita de carregar-se de outras autoridades. Vale por ele mesmo. Isso o autor passa com modéstia no livro.

Enfim... Em outra postagem (aqui) deixei mais algumas informações, além das dicas sobre como adquirir o livro. Agora é só promover uma campanha para levar James Alison ao "Prêmio Ratzinger". Alguém tem ideia como fazer isso?


12 de junho de 2011

Ciganos



O Papa Bento XVI recebeu em audiência milhares de ciganos europeus neste sábado, dia 11/06, na Sala Paulo VI, no Vaticano. O encontro foi promovido pelo Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e Itinerantes no marco do 75° aniversário do martírio e do 150° do nascimento do Beato Zeferino Giménez Malla (1861-1936), cigano de origem espanhola. O Papa disse: "O Servo de Deus Paulo VI dirigiu aos Ciganos, em 1965, estas inesquecíveis palavras: 'Vós, na Igreja, não estais às margens, mas, sob certos aspectos, estais no centro, estais no coração. Vós estais no coração da Igreja'. Também eu repito hoje com afeto: vós estais no coração da Igreja! Sois uma amada porção do Povo de Deus peregrino. [...] A Igreja caminha convosco e vos convida a viver segundo os compromissos exigentes do Evangelho, confiando na força de Cristo, rumo a um futuro melhor". O Papa salientou que a história do povo cigano é complexa e também dolorosa em alguns períodos. Sem uma pátria ou porção territorial definida, enfrentam o sério problema das difíceis relações com as sociedades em que vivem, provando o "sabor amargo" da falta de acolhida e da perseguição, como aconteceu durante a II Guerra Mundial, quando milhares de ciganos foram mortos nos campos de extermínio. "A consciência europeia não pode esquecer tanta dor! Nunca mais o vosso povo seja objeto de rejeição, perseguição e desprezo! Por sua parte, sempre buscais a justiça, a legalidade, a reconciliação e esforçai-vos para não serdes nunca causa de sofrimento aos outros!" - disse Bento XVI.

Esta notícia foi publicada no portal da "Canção Nova" (aqui). Transcrevo as palavras do Papa e faço uma analogia. De acordo com a Wikipedia (aqui), o termo "ciganos" é um exônimo para roma (singular: rom; em português, "homem") e designa um conjunto de populações nômades que têm em comum a origem indiana e cuja língua provinha, originalmente, do noroeste do subcontinente indiano. Essas populações constituem minorias étnicas em inúmeros países, entre a Índia e o Atlântico. Desde o século XV, os ciganos sofrem perseguições por serem considerados vagabundos e delinquentes. O clima de suspeitas e preconceitos se percebe no florescimento de lendas e provérbios tendendo a pôr os ciganos sob mau prisma, a ponto de recorrer-se à Bíblia para considerá-los descendentes de Caim, e portanto, malditos. Difundiu-se também a lenda de que eles teriam fabricado os pregos que serviram para crucificar Jesus. Durante a Segunda Guerra Mundial, entre duzentos e quinhentos mil ciganos europeus teriam sido exterminados nos campos de concentração nazistas. Em julho de 2010, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, decidiu, após dois incidentes envolvendo membros franceses da comunidade cigana, promover o retorno em massa dos roma à Romênia e Bulgária, o que suscitou uma grande polêmica . Em alguns países europeus, a palavra "cigano", continua sendo usada como sinônimo de ladrão, mentiroso e bruxo.

Os Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros, também constituem minorias em todos os países do mundo. Também são considerados vagabundos, deliquentes e malditos. Para tal opinião, não raramente, recorre-se à Bíblia, equiparando-os aos habitantes de Sodoma. Durante a Segunda Guerra Mundial, milhares de homossexuais foram exterminados nos campos de concentração nazistas. Os atos de agressão e discriminação continuam até hoje.

Simplesmente, gostaríamos de ouvir a declaração do Papa de que não estamos à margem (nem fora), mas, sim, no coração da Igreja, somos uma amada porção do Povo de Deus peregrino e a Igreja caminha conosco. E também: "Nunca mais vocês sejam objeto de rejeição, perseguição e desprezo!"

Isso não é inveja em relação aos ciganos. Eles são nossos irmãos e nos inspiram, assim como ontem inspiraram o Papa...

10 de junho de 2011

Estamos na fila



Agência de notícias Gaudium Press (aqui) divulgou no último dia 06 de junho a informação sobre o encontro do Papa Bento XVI com uma parte dos cerca de 1400 ciganos que irão à Roma neste fim de semana para recordar o 150º aniversário de nascimento e os 75 anos do martírio do primeiro cigano beato, o espanhol Zeferino (Ceferino) Giménez Malla (1861-1936). O encontro, previsto para amanhã (sábado) é noticiado como "novo ato inédito e histórico para a Igreja" e "um evento significativo em um momento no qual tantos episódios de discriminação a ciganos acontecem em muitos países europeus". De acordo com Marco Impagliazzo, presidente da Comunidade de Santo Egídio (conheça esta Comunidade aqui), "a via da integração parece ser a única possível para se viver juntos em paz e em segurança. A audiência testemunha que a Igreja ama os ciganos e que se empenha junto a essas populações para que sejam reconhecidas como um minoria europeia, com seus direitos e com seus deveres." Para Dom Giancarlo Perego, diretor geral da Fundação Migrantes, esse primeiro encontro para os ciganos no Vaticano trata-se de um "sinal importante para o mundo, marcado pelas diferenças, preconceitos e violências".

Só queria dizer que nós também estamos nessa fila...

26 de maio de 2011

Ajude a combater o preconceito

Pequenos gestos são capazes de promover grandes conquistas.
PARTICIPE !



19 de maio de 2011

Abuso de menores

No dia 17 de maio foi celebrado o Dia Nacional de Combate ao Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Nesta ocasião foram divulgadas as estatísticas com dados alarmantes. O Disque Direitos Humanos, conhecido como disque 100, registrou 12.487 casos de abuso sexual de crianças em 2010. Até março deste ano, foram registrados 4.205 casos de violência sexual contra ciranças e adolescentes. Uma pesquisa realizada no Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP) revela que o combate e a prevenção de abusos sexuais a crianças precisam ser feitos, principalmente, dentro de casa. Segundo o estudo, quatro de cada dez crianças vítimas de abuso sexual foram agredidas pelo próprio pai e três, pelo padrasto. As estatísticas fornecem, neste sentido, a seguinte porcentagem:
- o pai é o agressor mais comum (38% dos casos)
- o padrasto (29%)
- o tio (15%)
- o primo (6%)
- o vizinho (9%)
- o desconhecido (3%)
Diante destes dados, impressiona-me a campanha midiática relacionada aos abusos sexuais de menores, cometidos por membros do clero católico, como se fossem os únicos. ATENÇÃO: como escrevi no texto de 07 de maio (aqui), a minha intenção não é justificar os culpados (pois a responsabilidade de um sacerdote, diante de Deus e dos homens, é muito maior!), mas buscar uma perspectiva livre de sensacionalismo e anticlericalismo. Ou seja, livre de preconceito. Isso mesmo! Em nosso "mundo gay", às vezes, temos (ou criamos) a impressão de que existe um só preconceito: a homofobia. De fato, não somos os únicos discriminados e apresentados como monstros. Uma parte da sociedade, com o uso e o apoio da mídia, promove uma mentalidade anticlerical e, no sentido mais amplo, anticristã. Não preciso dizer que a mesma mentalidade predomina entre homossexuais. Eu sei que as razões de aversão à Igreja (religião, Deus, clero, etc.) são, muitas vezes, mais profundas, mas, sem dúvida, a lavagem cerebral, promovida pela mídia mundial, não deixa de causar danos ainda maiores. Como se faltassem outros motivos, também por causa disso, é tão difícil para os cristãos - gays, lésbicas, etc. - manter a sua identidade (e/ou religiosidade). Quem realmente está interessado no assunto, já sabe que a Igreja Católica tomou várias iniciativas em questão de prevenção e combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. A Congregação para a Doutrina da Fé publicou, no último dia 16 de maio (com a data de 03/05), A Carta Circular para ajudar as Conferências Episcopais na preparação de linhas diretrizes no tratamento dos casos de abuso sexual contra menores por parte de clérigos (aqui). Também as Igrejas locais procuram realizar trabalhos neste sentido. O portal de notícias da Igreja Católica "Zenit" (aqui) traz o exemplo dos Estados Unidos. O comunicado de Dom Timothy Dolan, arcebispo de Nova York e presidente da Conferência Episcopal dos Estados Unidos, traz o resultado de uma pesquisa sobre os casos de abusos sexuais por parte de clérigos entre 1950 e 2010. Uma das conclusões do estudo diz que não há uma causa única que tenha conduzido aos abusos. Nem o celibato, como alguns sugeriam, nem a homossexualidade, com diziam outros, foram apontados como a razão pela qual uma pessoa abusa sexualmente de um menor. As causas estariam relacionadas a vulnerabilidades concretas dos sacerdotes, junto com determinados contextos e oportunidades. As mudanças sociais e culturais nas décadas de 1960 e 1970 manifestaram um aumento dos níveis de comportamento deturpado na sociedade em geral e também entre os sacerdotes. Dom Dolan disse que na Arquidiocese de Nova York se deram “muitos passos para combater este mal”, sobretudo “oferecendo ambientes seguros para as crianças”. “Além disso, nosso programa de formação no seminário tem exames rigorosos e um desenvolvimento humano e emocional mais intenso, para preparar melhor os futuros padres.” Dom Dolan explicou também o procedimento seguido pela Arquidiocese diante de uma denúncia de abuso: o primeiro passo é encorajar a pessoa que denuncia a informar imediatamente à polícia. “Se a Arquidiocese tem razões para crer que houve um abuso, ela entra em contato imediatamente com as autoridades civis”, cooperando com elas no esclarecimento dos fatos. Se um sacerdote for culpado de um caso de abuso de menores que seja, nunca lhe será permitido voltar a exercer o ministério.