ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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6 de março de 2011

genética e homossexualidade

Já escrevi aqui algumas vezes sobre a principal dificuldade enfrentada num (eventual) diálogo sobre a homossexualidade. Quando leio os argumentos, tanto dos "simpatizantes" quanto "antipatizantes", tenho a impressão de que, ao falar, estamos usando idiomas diferentes (ainda que tenha sido a mesma língua portuguesa). Muitas vezes, altera-se (propositalmente) o conteúdo das afirmações de opositores, para "ganhar pontos" em sua própria argumentação. É evidente que, desta maneira, o diálogo torna-se ainda mais difícil (ou praticamente impossível). Acrescentemos aqui toda aquela carga emocional e já temos pronta uma briga sem fim. Como exemplo, trago aqui uma declaração de José Manuel Giménez Amaya, professor de Anatomia e Embriologia na Universidade Autônoma de Madri e diretor do grupo de pesquisa "Ciência, razão e fé" da Universidade de Navarra. O texto completo encontra-se no portal católico de notícias, Zenit (aqui). O professor Amaya diz: "Há condicionamentos genéticos do homem que têm relação com seu comportamento, mas não se pode dizer que são absolutamente determinantes. Infelizmente, muitas vezes, quando se fala sobre os chamados genes que regulam o nosso comportamento, por exemplo, o ‘gene da conduta sexual', pretende-se dar a entender que tudo no homem é determinado pelo genoma. E neste caso, é importante notar, portanto, que, do ponto de vista científico, esta tese não pode ser sustentada." A pergunta que surge naturalmente é: como é que um professor universitário tira conclusões tão precipitadas? Como ele sabe o que, de fato "pretende-se dar a entender". Na linguagem popular, isso se chama "colocar palavras na boca do outro". Quem pretende aqui alguma coisa é o próprio Amaya. Se a frase em questão tivesse o termo "muito" no lugar de "tudo", não seria tão tendenciosa. Desta maneira as coisas ficariam mais objetivas. Vejamos: Quando se fala sobre os chamados genes que regulam o nosso comportamento, por exemplo, o ‘gene da conduta sexual', pretende-se dar a entender que muito no homem é determinado pelo genoma. Pretende-se, sim, professor. Todos os cientistas, sem "interesses partidários" (homo- ou heterossexuais), continuam as pesquisas, em mais diversas áreas de conhecimento do ser humano, procurando (entre muitas outras coisas) aproximar-se de uma explicação mais ampla das origens de homossexualidade. Acontece que, quando um cientista é mais cientista e menos ativista, os resultados de seu trabalho merecem crédito. O que se sabe realmente é que para formar (por exemplo) uma identidade sexual, contribuem muitos fatores, sem excluir, evidentemente, o da genética. Li recentemente uma matéria de Dr. Dráuzio Warella (aqui), médico oncologista e escritor brasileiro, conhecido por popularizar a medicina através de programas de rádio e TV. Esta é a sua opinião:
Existe gente que acha que os homossexuais já nascem assim. Outros, ao contrário, dizem que a conjunção do ambiente social com a figura dominadora do genitor do sexo oposto é que são decisivos na expressão da homossexualidade masculina ou feminina. (...) Sinceramente, acho essa discussão antiquada. Tão inútil insistirmos nela como discutir se a música que escutamos ao longe vem do piano ou do pianista. A propriedade mais importante do sistema nervoso central é sua plasticidade. De nossos pais herdamos o formato da rede de neurônios que trouxemos ao mundo. No decorrer da vida, entretanto, os sucessivos impactos do ambiente provocaram tamanha alteração plástica na arquitetura dessa rede primitiva que ela se tornou absolutamente irreconhecível e original. Cada indivíduo é um experimento único da natureza porque resulta da interação entre uma arquitetura de circuitos neuronais geneticamente herdada e a experiência de vida. (...) Teoricamente, cada um de nós tem discernimento para escolher o comportamento pessoal mais adequado socialmente, mas não há quem consiga esconder de si próprio suas preferências sexuais. Até onde a memória alcança, sempre existiram maiorias de mulheres e homens heterossexuais e uma minoria de homossexuais. O espectro da sexualidade humana é amplo e de alta complexidade, no entanto; vai dos heterossexuais empedernidos aos que não têm o mínimo interesse pelo sexo oposto. Entre os dois extremos, em gradações variadas entre a hetero e a homossexualidade, oscilam os menos ortodoxos. Como o presente não nos faz crer que essa ordem natural vá se modificar, por que é tão difícil aceitarmos a riqueza da biodiversidade sexual de nossa espécie? Por que insistirmos no preconceito contra um fato biológico inerente à condição humana? Em contraposição ao comportamento adotado em sociedade, a sexualidade humana não é questão de opção individual, como muitos gostariam que fosse, ela simplesmente se impõe a cada um de nós. Simplesmente, é!

5 de março de 2011

quanta bobagem!

Encontrei hoje um blog, cujo nome pode deixar perplexa qualquer pessoa razoavelmente sensata: "Como diexar de ser homossexual" (se quiser, confira aqui). Eis a pequena amostra de uma "lógica", no mínimo, curiosa: A pergunta a ser feita não é “de onde vem a homossexualidade” mas sim, “de onde vem o desejo homossexual”.homossexualidade e desejo homossexual são duas situações distintas e desvinculadas. Sim, isso mesmo! Desvinculadas! Isso por que alguém pode sentir desejo homossexual e não ser homossexual e outro alguém pode ser homossexual sem sentir desejo homossexual. Homossexualidade é um comportamento! Desejo homossexual é um afeto; um “sentimento”! Vejamos com exemplos: um homem que quer ser padre católico, mas ele sente desejo sexual por homens. Ele sabe que a religião dele proíbe relacionamento sexual para pessoas que queiram exercer esta profissão (padre). Além disso, o Catolicismo, que é uma religião livremente inspirada na Bíblia, diz que o homossexualismo é pecado. Desta forma, este homem que quer ser padre católico, mas sente desejo homossexual, escolheu não praticar sexo com homens tendo em vista a sua prioridade, que é ser padre católico. Este homem, portanto, NÃO É HOMOSSEXUAL, pois ele não quer praticar sexo com homens, por causa daquilo que é mais valoroso e importante para ele. O fato de ele SENTIR algo não é suficiente para fazê-lo PRATICAR este algo. Este homem, portanto, não é homossexual por que escolheu não se comportar homossexualmente.
De acordo com essa argumentação não seria possível comer um peixe assado (ou frito se preferir). O que faz o peixe ser um peixe é, entre outras coisas, o fato de viver na água. Logicamente, o peixe tirado do seu ambiente natural, deixa de ser peixe. Ou, então, o homem que, por natureza, movimenta-se andando (eventualmente, correndo ou engatinhando). Quando esse mesmo homem decide viajar de avião, certamente comete algo contra natureza e deixa... de ser homem... E isso mesmo? QUANTA BOBAGEM...

3 de fevereiro de 2011

hein ?????

Costumo acessar diariamente o portal da Agência Zenit ("O mundo visto de Roma") [aqui] para acompanhar as principais notícias da Igreja Católica. Funciona ali, também, o sistema de busca. Se você escrever, por exemplo, a palavra "homossexuais", vai aparecer um número considerável (322) de textos, direta e indiretamente ligados ao assunto. O arquivo remete o leitor até o ano de 2002. Entre as matérias antigas encontrei comentários sobre o documento da Santa Sé: "Instrução sobre os critérios de discernimento vocacional no que diz respeito às pessoas com tendências homossexuais, em vista da sua admissão ao Seminário e às ordens sacras" (o texto da instrução está disponível, no mesmo site: aqui, ou pode ser encontrado no site do Vaticano: aqui). Hoje não vou falar sobre o documento em si (estou "devendo" algumas reflexões, baseadas na "Carta sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais" - leia as primeiras duas postagens aqui e aqui). Quero comentar uma entrevista com o doutor Richard Fitzgibbons, psiquiatra, sobre "a psicologia subjacente das tendências homossexuais", no contexto daquela "Instrução" (ou seja, no contexto dos candidatos ao sacerdócio e dos próprios padres). Algumas respostas do doutor achei, no mínimo, curiosas (para não dizer: absurdas!). O portal da Agência Zenit publica esta entrevista em duas partes (clique: 1, 2). Vale lembrar aqui que Richard Fitzgibbons é o "perito" que inspirou aquelas famosas afirmações do Card. Bertone (Secretário do Estado do Vaticano) sobre a ligação direta entre a pedofilia e o "homossexualismo". Leiam aqui algumas frases dessa entrevista (de 16.01.2006). Todo o meu comentário está no título desta postagem...
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Estas pessoas [com tendências homossexuais], no âmbito sacerdotal, têm uma significativa imaturidade afetiva com excessos de ira e ciúmes com respeito aos homens não homossexuais, uma insegurança que as leva a evitar amizades próximas com tais homens e a uma desordenada necessidade de atenção. HEIN ???
Os seminaristas com atitudes afeminadas [vi em algum lugar que o termo correto seria "efeminadas"]- um sinal claro de grave imaturidade afetiva - frequentemente, em sua infância, não foram capazes de identificar-se com a figura paterna e com seus contemporâneos. Podem-se beneficiar da terapia para eliminar os comportamentos afeminados e fortalecer seu apreço pela masculinidade que receberam de Deus, a fim de que possam se converter em verdadeiros pais espirituais. HEIN ???
[Zenit]: O que recomenda no caso de sacerdotes que experimentam atrações para com o mesmo sexo ou tendências homossexuais?
Dr. Fitzgibbons: Recomendaria que se façam mais conscientes das origens emocionais da atração para com o mesmo sexo e da possibilidade de curá-la, além da incidência de graves enfermidades físicas e psiquiátricas associadas à homossexualidade. HEIN ???

21 de janeiro de 2011

riqueza da diversidade

Autor da imagem: Boguslaw Orlinski
Fonte: http://www.ilustratorzy.art.pl/bog-ilu.html

Recorro novamente a um texto que, aparentemente, não tem muito a ver com o assunto ao qual dedico este blog: a homossexualidade. Acredito, porém, que varias "vozes" que comentam alguns temas, digamos, existenciais, são como pedrinhas coloridas que, juntadas pouco a pouco, formam finalmente um mosaico, uma imagem clara e bonita. Pois bem, encontrei hoje, no portal da Agência Zenit ("O mundo visto de Roma"), uma entrevista que o rabino-chefe da comunidade judaica de Roma, Riccardo Di Segni deu ao programa Cristandade, de Rai Internazionale. O assunto principal é, obviamente, a relação entre judeus e cristãos, mas o entrevistado faz uma afirmação que achei importante, igualmente, para as convicções que defendo aqui. Espero que a citação das palavras do rabino, no contexto de homossexualidade (ou diversidade sexual), não seja vista como uma interpretação forçada ou tendenciosa. Penso que ouvir e acolher estas "pedrinhas" (ou pérolas), mesmo no panorama de pensamento geral, pode ajudar a formar uma renovada mentalidade no mundo (ou, pelo menos, em algumas cabeças). Leia o trecho da entrevista em questão (e o texto inteiro aqui):

Di Segni: Conhecer as diferenças é essencial para compreender que a humanidade não detém quem tem o rosto como o meu; devemos assumir que essas diferenças existem, e então aprender a viver juntos.
Rai Internazionale: A diversidade é um perigo ou uma riqueza?
Di Segni: A diferença deve ser uma riqueza.

20 de janeiro de 2011

Meu agradecimento

Para cada pessoa que tenha escrito e publicado algo (pois não escreve apenas "para guardar numa gaveta"), a maior satisfação é ver os seus textos lidos. Quero agradecer aqui ao Autor do blog "Moradas de Deus" (veja aqui). Faço, ao mesmo tempo, a minha entusiasmada recomendação deste blog para todos que estão interessados numa criativa reflexão sobre a homossexualidade sob a luz da fé cristã (católica). As "Moradas de Deus" trazem sempre novidades, conhecimentos, inspirações. Vale a pena conhecer e acompanhar. Os leitores do Brasil podem se sentir inicialmente um pouco incomodados com a versão do "português de Portugal" (exatamente como os portugueses com o "português do Brasil"), mas isso passa logo. O que importa e impressiona é o conteúdo. Parabéns pelo trabalho!

12 de janeiro de 2011

entre arte e pornografia

Recomendo uma excelente matéria no site obvious - "Caminhos cruzados: a arte, a nudez e a pornografia", de Rejane Borges. O site inteiro, aliás, merece ser conhecido e visitado. Para despertar um pouco de curiosidade, transcrevo um pequeno trecho do texto: O corpo humano causa fascínio e é exaltado como algo naturalmente belo. Como instinto, a nudez sempre foi e será o meio pelo qual o homem busca uma conexão com o seu próprio ser e com a criação. (...) Desde os primórdios dos tempos a nudez pertence à arte, estando presente nos ateliês de artistas clássicos e contemporâneos, assim como está presente em todas as outras vertentes artísticas. O corpo humano é visto como uma obra de arte. E como tal é contemplado. Afinal, é uma notável composição de músculos, uma máquina que reage e funciona à base de emoções. Que sangra, que expressa. Que causa prazer para quem sente e vê, de uma desconcertante (im)perfeição.

6 de dezembro de 2010

narrativas de um adolescente


Encontrei e recomendo:

"Narrativas de um adolescente homoerótico: conflitos do ‘eu’ na rede de relações sociais da infância à adolescência"; Rio de Janeiro, 2008. Dissertação de Mestrado – Departamento de Letras, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Autor: Izaac Azevedo dos Santos


Texto completo na internet: aqui

17 de novembro de 2010

Romances homossexuais

O espaço virtual apresenta uma enorme riqueza de conteúdos. Descobri e recomendo hoje o blog Romances Homossexuais da Lenice Lhortenn (Lady Len). Além de vários "e-books" ("Sou homem e amo outro homem", "Meu filho(a) é homossexual", "Memórias de um ferreiro", entre outros), você encontra ali os manuais: "Como diagramar seu livro", "Transforme sua Tese em um livro", "Manual da nova ortografia" e outros.

25 de outubro de 2010

gay preconceituoso

Didier Eribon faz uma pergunta interessante no seu livro "Reflexões sobre a questão gay" (Editora Companhia de Freud; Rio de Janeiro, 2008; p. 13):
"Por que stranhos mecanismos da consciência ou do inconsciente um homossexual é (...) conduzido a se associar aos outros membros da 'tribo', embora passe uma boa parte de seu tempo a denegrí-los e achar detestáveis, ou até mesmo repugnantes, aqueles que encarnam outras maneiras de viver homossexualidade?"

Lembrei desta intrigante pergunta ao ler um texto no portal "MARINGAY", escrito pelo colunista Luis Modesto (o artigo na íntegra esta aqui). Por mais que o autor diga: "futebol e religião não se discute"; "acho que uma solução legal seria aquela do quadrado, lembram? (ado, ado, ado, cada um no seu quadrado?)" e outras coisas semelhantes, não deixa de levantar, de maneira cínica, uma questão que, para muitos - SIM, SENHOR - é importante: "Ultimamente a redação do Maringay tem recebido inúmeros textos sobre teologia inclusiva, de como é possível ser cristão e gay, releases de livros de espiritualidade para gays, e afins de todo valor e mérito…" E continua: "Fico cá pensando enquanto tomo meu café e afago Abigail, minha gatinha branca e de olhos de cor incomum: qual a importância dessa discussão nos dias de hoje – estado laico e liberal… hum?" Concluindo o seu brilhante pensamento assim: "Não tentei escrever algo floreado, com paninhos quentes ou dando tapinhas com luvas de pelica aqui, nem tão pouco elaborar grande raciocínio sobre o tema, apenas decidi dizer, claramente, que pouco me importa se os religiosos querem ir para o céu ou não, mas que, sim, desejo profundamente que nos deixem ir para o inferno em paz". O meu primeiro pensamento, ou sentimento, é de pena. É uma pena ver alguém que luta contra homofobia e, ao mesmo tempo, cultiva preconceito contra religião. Lamento muito mais, entretanto, não apenas pela arrogância do autor e pelo seu preconceito, mas pelo fato de ter sido um colunista com pretensões de representar (ou pior: tentar formar) a opinião dos homossexuais em geral (por exemplo daqueles que visitam aquele portal). Se fosse apenas uma voz em discussão sobre a relação entre a homossexualidade e a religião, não haveria problema. O que me irrita profundamente é a arrogância. E em relação à arrogância eu sou preconceituoso. Não tolero e basta.

24 de outubro de 2010

oração

No final deste domingo em que a Igreja lê a parábola de Jesus sobre o fariseu e o publicano (Lc 18, 9-14), transcrevo aqui alguns trechos de uma belíssima oração encontrada no blog "Gay Católico" (leia a oração inteira e conheça o blog aqui).

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Oh Meu Messias, Salvador de minha alma, meu Senhor Jesus Cristo, Vós, que nunca atirastes sequer uma única pedra em mim, olhai por nós. Vós, que dissestes que todo aquele que fizesse mal a uma criancinha fazia mal a Vós também, e que nunca comparastes este mal feito aos pequeninos à minha orientação sexual, clareai os espíritos malignos que se comprazem, por conta própria, em me comparar àqueles que são capazes de pecar mortalmente contra uma criança, algo que eu nunca fiz nem nunca farei.

°°°

Vós, que nunca, em nenhum momento, por Vossa boca, dissestes que eu era uma ameaça à família e que minha presença manchava a harmonia de um lar, dai aos corações de pedra o entendimento de que meu amor é tão legítimo quanto qualquer amor, porque não existem subdivisões para a maior Graça e o maior dom de Deus: o amor ao semelhante. Vós, que sabeis quantas vezes apanhei nas duas faces, pelo simples fato de amar e ser amado, sobretudo por Vós, mostrai aos fariseus e aos maus samaritanos que somos todos iguais, e que dentro de mim habita um anjo da guarda enviado por nosso Bom Deus, que jamais me virou as costas nos momentos de maior necessidade, assim como nos momentos de maior alegria.
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Vós, que nunca me comparastes a Sodoma e Gomorra, e que sabeis que o meu coração procura a pureza da neve e a claridade do sol, levai a essas pessoas necessitadas o discernimento de que a bondade e a maldade, a concupiscência e o celibato, a pornografia e a inocência, o pecado e a santidade não têm nenhuma relação com homossexualidade ou heterossexualidade. (...)
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Vós, que fostes crucificado, oferecendo-vos em favor de cada um de nós, exigindo-nos apenas o amor a Deus e o amor aos nossos irmãos, dai-nos a Vossa Realeza, e o Vosso Santo Espírito de comunhão, que não segrega, mas ajunta, reúne, concilia e ampara. Vós, que nunca comparastes os gays aos assassinos, aos bandidos, aos adúlteros, nem a qualquer um que tenha pecado contra a carne, revelai a esses pequeninos carentes de Vós que Vossa palavra absolve até mesmo os assassinos, os bandidos, os adúlteros e a qualquer um que tenha pecado contra a carne, porque sei, Senhor, que não sou digno de que entreis em minha morada, mas basta-Vos uma só palavra e serei salvo. (...)
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Mostrai, Senhor Nosso Salvador, que, como disse Vossa Mãe, a sempre Virgem Maria de Nazaré, devemos fazer tudo o que Vós nos ensinastes, e que em Vossos ensinamentos não há nada que nos recrimine ou condene, nem que nos mande mudar nossa essência e nosso amor.
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Quanto a ser pecador, reconheço que meus pecados são mais numerosos do que os grãos de areia de todas as praias do Vosso lindo Planeta. Mas confio em Vosso julgamento, e confio em Vós quando dizeis que com a medida com que me julgarem serão igualmente julgados. Minha fé é inabalável: não colocais sobre meus ombros um peso que Vós mesmo, em toda a Vossa Infinita Glória, não seríeis capaz de suportar. Vosso jugo é leve e Vossa mão é suave; mas a mão que me atira pedra é áspera como a figueira estéril, e, por mais que essa mão me ofereça graciosamente a Vós em sacrifício pascal, o carneiro precisa ser imolado, mas ai da mão que o imolou: melhor seria nunca ter nascido, ou ter sido arrancada do corpo daquele que imolou o Cordeiro de Deus – assim ensinastes sobre Judas Iscariotes – porque é melhor que entre o corpo no céu faltando uma de suas partes, do que, estando inteiro, pereça inteiramente nos infernos. (...)
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Vejo, em minha pequenez, a tua face de Luz em todos. Não há uma só pessoa para quem eu olhe ou que eu toque com minhas mãos, apesar de todas as minhas muitas e incontáveis faltas, que não traga na pele o calor da tua alegria e da celebração de teu amor, pelo qual sempre viverei.
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Tua felicidade é meu ar. Não posso viver sem.

Por isso, além de pecador, sou gay.

20 de outubro de 2010

Dia 20 de outubro - mais apoio

É hoje o dia de usar o roxo, em homenagem aos jovens americanos que recentemente cometeram suicídio, devido a perseguição por causa de sua homossexualidade. Há poucos dias escrevi aqui sobre isso. Volto ao assunto hoje, primeiro por ser hoje e, também, por ter encontrado (depois de muita busca) o apoio a esta iniciativa em um dos portais temáticas (veja dolado). Percebi que a ideia tornou-se, de fato, internacional e, ao mesmo tempo, ganhou novas motivações. Assim escreve o mencionado portal: A Redação Dolado convida seus leitores e visitantes, independente da sexualidade, para usar algo roxo nesta quarta-feira como um simples gesto a favor da visibilidade de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais. Participe e divulgue.

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Uma outra fonte, o blog "Notícia G", afirma (neste mesmo contexto):

Justin Bieber deverá participar de uma campanha contra bullying homofóbico nos próximos dias. O fenômeno teen resolveu apoiar a luta contra a discriminação depois de sofrer na pele um ataque com contornos homofóbicos. (...)

O astro, que se diz heterossexual, teria dito a amigos que não tinha ideia do quanto doloroso comentários homofóbicos podiam ser. (...) Bieber deve demonstrar apoio à campanha anti-bullying que vem ganhando força nos EUA depois do suicídio de jovens gays vítimas de perseguição.

15 de outubro de 2010

retorno

Estou de volta. O "Retorno (G-A-Y)" talvez possa se chamar agora "retornos", mas não vou complicar cosas que já estão bastante complicadas. Devo explicar que este blog é a continuação de um outro, chamado "Reconciliado consigo mesmo". O trabalho ou a diversão de escrever vai continuar por aqui. Estou olhando à minha mesa e vejo nela uma imagem deste blog: muita coisa, uma em cima da outra, livros, papeis, canetas, cafeteira, cigarros (vou parar com isso um dia!)... enfim: uma "bagunça criativa e gostosa". É o jeito deste blog. Um pouco de tudo. Ah, sim... existe - acredito eu - uma linha de pensamento (descubra!), uma vontade de partilhar, uma paixão pelo conhecimento, uns gritos de denuncia e ainda alguma dose de humor (ou ironia). Procuro ser simples, embora alguns assuntos requeiram um estudo mais prolongado. Tenho consciência de que, para um blog legal, não servem muito bem os textos longos e cansativos, mas não prometo evitá-los totalmente.

...e como em minhas viagens virtuais encontro coisas preciosas, faço questão de promover aqui uma "propaganda gratuita" de blog's, portais, sites etc.

Hoje recomendo: GAYS CATÓLICOS COM FÉ
...


14 de setembro de 2009

Forbidden Memories 11 de setembro

Encontrei um post do meu AMIGO, com a data de 11 de setembro de 2009

Como o AUTOR não aceita comentários (com toda razão), deixo-lhe aqui uma singela mensagem de solidariedade. O que o mundo viveu há 8 anos nesta data, o meu AMIGO está a viver agora. Algo parecido vivi há aproximadamente 4 anos atrás. Não digo isso para fazer comparações. Não há comparações.
Digo isso para que saibas que estou contigo.
Beijo!

21 de agosto de 2009

jornadas pela blogosfera


"Pelo blog conheci alguém por quem me apaixonei. Pela primeira vez com intensidade mensurável, acho eu. E mais uma vez, como tudo o que é bom acaba, também através do blog me chegaram momentos de sofrimento, melancolia, tristeza. Como cresci nestes últimos anos... Incrível o quanto, se parar para pensar. Mudei muito, saí do armário pelas primeiras vezes e, para já, esses pequenos passos têm corrido bem. A minha personalidade evoluiu, consolidou. Os amigos de sempre vêem um novo colega de trabalho, um novo amigo. Melhor, dizem eles. Mais genuíno. :)"

Este é o fragmento de texto num blog que visitei hoje. Estou em fase de aquecimento (digamos: faço preparativos para recomeçar de verdade, com a criatividade própria).
O Autor continua assim:
"...saio enquanto autor. Saio por uma necessidade grande, que tenho já há algum tempo, de fechar um período da minha vida. Concluir. Guardar o que vale a pena e seguir. Sempre aberto a novas vivências, novos desafios, novos voos. O carácter pessoal que este blog adquiriu dá-me conforto suficiente para, num acto revestido de algum egoísmo, me afastar e limitar-me ao dia-a-dia real, deixando-me cair desta esfera virtual..."
É uma pena, mas devemos respeitar as decisões dos outros. Esperamos que numa saída haja possibilidade de retorno, ou pelo menos, alguma porta (semi-)aberta. Por enquanto o blog "diferente como eu" permanece no ar.