ESTE BLOG NÃO POSSUI CONTEÚDO PORNOGRÁFICO

Desde o seu início em 2007, este blog evoluiu
e hoje, quase exclusivamente,
ocupa-se com a reflexão sobre a vida de um homossexual,
no contexto de sua fé católica.



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4 de novembro de 2010

Anselm Grün - "Lutar e amar" (1)

Pois bem... Fiquei alguns dias sem acesso à internet, o que me permitiu perceber o grau de minha "dependência" deste meio de comunicação (fiquei irritado, sim senhor!), mas, ao mesmo tempo, "ganhei" algumas horas-extras para voltar a uma paixão mais antiga que internet: OS LIVROS. De fato são as "releituras", entre algumas novas descobertas. Hoje decidi partilhar aqui alguns pensamentos de Anselm Grün.

Quem é Anselm Grün? É um monge beneditino (nascido em 1945), doutor em psicologia, conhecido e reconhecido no mundo inteiro. O autor cristão (católico) mais lido da atualidade já possui dezenas de livros publicados em 28 línguas, além de ser também o administrador da Abadia, em Münsterschwarzach, na Alemanha, sua cidade natal. Procurado frequentemente como palestrante e conselheiro em vários países, tornou-se ícone da espiritualidade e mestre do autoconhecimento no mundo contemporâneo.


Entre alguns livros de Grün (re)encontrei na minha prateleira o "Lutar e amar - Como os homens encontram a si mesmos" (Edições Loyola, São Paulo 2006). O autor procura mostrar a essência de masculinidade, analizando 18 figuras bíblicas, a partir de Adão. Um trecho chamou especialmente a minha atenção:


Neste livro, quando escrevo sobre homens, sempre tenho em mente tanto homens heterossexuais como homossexuais. E sei que muitos homens homossexuais sentem-se feridos pela Igreja. Eles ouviram vezes demais que a homossexualidade seria antinatural. Porém, tais juízos são falsos. Homossexualidade pode ter sua origem em diversas causas: na educação, em forte ligação materna, em experiências sexuais, mas também no código genético. Por fim, nunca é possível dizer por que um homem ou uma mulher é homossexual. Mas é decisivo que o homossexual faça pazes com sua predisposição e faça o melhor disso – o que também significa viver sua homossexualidade com dignidade humana. (p. 21).


Na mesma página, um pouco antes do trecho citado acima, Anselm Grün afirma o seguinte:


É importante para o homem confrontar-se com sua identidade sexual. Ele precisa saber se é heterossexual ou homossexual. Às vezes, as fronteiras não são claras. Alguns homens são bissexuais. Tomar consciência de sua identidade sexual é uma condição decisiva para se aceitar como homem. Aqui também é importante deixar de lado qualquer juízo de valor. Todo homem – homossexual ou heterossexual – tem suas qualidades e forças e também suas fragilidades. Nos últimos anos, homens homossexuais colocaram-se em busca da própria masculinidade mais intensamente do que heterossexuais. Em vez de se desculpar por sua homossexualidade – como ainda é normal acontecer em alguns círculos sociais -, eles se alegram com o seu ser homem. Eles têm consciência de seu corpo e expressam a si mesmos e à sua essência em seu corpo. Frequentemente, eles têm uma sensibilidade estética forte e acentuada e grande abertura para a espiritualidade.

23 de outubro de 2010

figueira na vinha


“Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha." (Lc 13, 6) - Jesus começa assim a parábola, lida hoje, no sábado da XXIX semana do tempo comum. Sempre, quando me reparo com este texto, fico pensando se era comum, naquele tempo e naquela região, plantar uma figueira dentro de uma vinha (para descobrir isso, preciso de um estudo de costumes de agricultores judeus dos tempos de Jesus). Usando de antropomorfismo em relação àqueles primeiros "personagens" da parábola, tento imaginar, como se sente uma figueira naquele ambiente. Certamente há uma sensação de ser diferente: "O que é que eu estou fazendo aqui? Todo mundo está me olhando!". Será por isso que a pobre figueira não conseguia gerar frutos? A parábola continua sobre aquele homem que "tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi lá procurar figos e não encontrou". "Então disse ao agricultor: ‘Já faz três anos que venho procurando figos nesta figueira e nada encontro. Corta-a! Para que está ocupando inutilmente a terra? ’" (13, 6-7). A impaciência do homem parece confirmar o pessimismo e a tristeza da figueira. Como se ele dissesse: "Esta árvore não deveria estar aqui. Está fora do lugar. Não combina com o resto. Está ocupando inutilmente a terra". A minha "leitura existencial" do texto leva-me à reflexão sobre a experiência da maioria dos homossexuais que vivem a sensação de estar fora do lugar, de "ocupar inutilmente a terra", só por ser diferente. Esta angústia está sendo alientada constantemente por aqueles que se acham "donos do mundo". Entretanto, vem aqui, a resposta do verdadeiro dono do mundo (o próprio Jesus, representado na figura do agricultor): "‘Senhor, deixa-a ainda este ano. Vou cavar em volta e pôr adubo. Pode ser que venha a dar fruto. Se não der, então a cortarás'" (13, 8-9). O Senhor tem muita paciência para conosco. E não é apenas um ano (esta expressão, como todo o resto da parábola, tem o sentido alegórico). O Senhor cuida da gente, põe adubo, espera. Mais do que "adubo" (a sua Palavra, a sua graça, as pessoas de boa vontade, etc.), é a própria presença do Divino agricultor, que nos dá coragem e capacidade, para gerarmos frutos de amor, paz, alegria, sabedoria, perdão, criatividade... e tantos outros.